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domingo, 12 de setembro de 2010

24 de Julho – A chegada da co-repórter a Luanda

Leitores, fui oficialmente promovida a co-reporter deste blog desde que pus os pés em Luanda :)

Quando estava a escrever este post pensei, “como é que eu hei-de ser sincera sem ser absolutamente negativa quanto à minha chegada?”

Pois ainda não sei bem, mas vou procurar-vos transmitir o que senti desde que aterrei.

Para começar confesso que vinha um bocadinho grogue. Farta de fazer viagens sem pregar olho, muni-me de armas mais poderosas que o Zirtec e tomei um Lexotan (ou terão sido dois??) Só sei que a viagem foi um instantinho. Mal tinha acabado de jantar já estava a sentir o reboliço do pequeno-almoço a ser servido e isso representava a aproximação breve a Luanda. Não tive oportunidade de ver a aproximação à pista e, portanto, a imagem aérea da cidade que tanto aterroriza alguns. Não fico nem contente nem triste por isso ter acontecido, simplesmente não aconteceu.

Ao sair do avião senti logo aquele bafo da humidade e o peso do ar, ao mesmo tempo que comprovei que o Inverno cá é mesmo apetitoso  Eram 6h30 da manhã e estariam uns 20ºC

As primeiras impressões foram positivas. Procurei ser simpática com todos os funcionários, sem excepção, e em todas as abordagens, e não transparecer os receios todos que me tinham sido praticamente impostos por dezenas de pessoas “vão-te pedir isto, vão-te pedir aquilo, vão-te perguntar o que estás cá a fazer, bla bla bla”. Rien de rien. A senhora do controlo migratório inclusive desejou-me uma boa estadia. Com um sorriso nos lábios (e ainda meio atordoada…) lá me dirigi à saída onde o repórter me aguardava impaciente. Foi uma coisa estranha, que não vos sei explicar. Era sempre eu que esperava por ele em Lisboa. Sim, ele já me foi buscar ao aeroporto, mas não ali… aquela espera representava um novo começo. Lembro-me que ele me perguntou de imediato “Então, como foi?”, referindo-se às questões que nos colocam no controlo, ao que respondi “nada, até me desejaram boa estadia”. E lá nos dirigimos a casa, embora antes passando a deixar a irmã Domingas, minha companheira de viagem, no colégio onde iria ficar hospedada.

Ponto número 1 – O irmos deixar a irmã Domingas permitia uma coisa que sempre quis, ver de perto o prédio da Cuca! (podem ver uma foto do prédio aqui) Não me perguntem porquê, mas aquele prédio sempre esteve na minha cabeça como uma das marcas ou símbolos de Luanda e queria vê-lo de perto. Não defrauda, é tal como imaginava, pena que vai ser construído um hiper mega centro comercial no centro da praça… e também ouvi dizer que vai abaixo… sorte a minha, ainda cá cheguei a tempo :)

Agora vem a parte pior… Luanda não era exactamente como eu imaginava… nos últimos meses construí mais de mil ideias sobre a cidade, vi imagens, blogs, sites, artigos, e cada um me fazia imaginar locais da cidade. Quando se chega não é nada disso. Luanda tem o vislumbre daquilo que terá sido uma cidade linda. Actualmente é um autêntico estaleiro de construção! Da ilha só se avistam gruas e mais gruas, por todas as partes há tapumes, ao lado de um grande empreendimento está um prédio que ameaça ruir, apenas em alvenaria, quando não é pior e são pequenas casas sem qualquer estrutura que nem quero imaginar como ficam quando chove…

Custou-me encarar esta realidade. Para ser muito sincera, após dar duas voltas pela cidade, apetecia-me voltar ao ponto de chegada e apanhar o primeiro avião de regresso a Lisboa. Mas não dava...

Depois de dar mil e uma voltas, que me deixaram ainda mais cansada do que já estava, fui dormir o resto da tarde. Quando acordei a realidade era a mesma. Aquela estranheza continuava, todas as impressões vinham acompanhadas de adjectivos negativos, toda a gente me disparava mil e uma informações sobre tudo e mais alguma coisa, coisas que obviamente não conseguia reter com a velocidade com que me eram transmitidas, e o pior, não sei quantas vezes ouvi este tipo de perguntas “Então, o que é que estás a achar? Então, como te parece? Então, como te sentes?”. Claro que ninguém o faz por mal, mas passado 24, 48, 72 ou mesmo mais horas, não é de todo possível ultrapassar o choque de chegar a Luanda... no Domingo ainda me caiu uma lágrima, pela diferença, pela distância, por tudo, mas recordo o abraço do repórter a atenuar esse sentimento que se apoderou de mim.

Enfim... os próximos dias iriam ser para aceitar a realidade em que me iria encontrar, os que se seguiam aos próximos, para me adaptar e depois viria a descobrir que nunca chegaria o dia em que a tentaria mudar... certa ou errada, ela é como é! Diferente.

PS: No primeiro fim-de-semana tive no entanto um prémio, dado por uns amigos, o de poder contemplar esta magnífica paisagem na província vizinha e circundante à de Luanda, o Bengo, cujo nome tem origem no rio que por ela passa.







Bom Jesus, Província do Bengo

2 comentários:

Paulo disse...

boa reportagem....gostei!

repórter de improviso disse...

A Co-Repórter tem jeito Paulo... Vejo que continuas a acompanhar o blog... Ver se conseguimos actualizá-lo mais rapidamente... Abraço

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