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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

22 de Julho – O dia tão desejado chegou!!!

Este é um dia que, naturalmente, origina dois pontos de vista…

O de quem parte e o de quem aguarda…

O ponto de vista de quem parte:

A partida...

E eis que chegou o dia de me tornar contribuidora oficial deste blog. Não deixo obviamente de ser a primeira seguidora, mas fui promovida a um patamar superior :)

Chegou também o dia da partida. Um dia que tantas vezes desejei que chegasse e quando afinal chegou ,dei por mim e desejar que tardasse um pouco mais.

Por mais que desejemos um coisa, quando essa coisa significa partir e deixar para trás aqueles que amamos, é sempre difícil. Só mesmo passando por algo assim para sentir o aperto e a dor provocados pelos últimos momentos, pelos últimos abraços. A última semana passou a correr, e muitas das coisas que planeava ter feito não fiz... fiquei talvez a dever muitas chamadas, muitos cafés, muitos abraços, mas todas essas pessoas não deixaram de estar no meu pensamento no dia em que saí de Portugal.

Naquela quinta-feira, dia 22 de Julho, as horas não passaram a correr, simplesmente voaram... As lágrimas, teimosas, não me largaram o dia todo, sobretudo de cada vez que ultrapassava uma despedida... à medida que me encaminhava para o aeroporto senti o tempo a escapar-me entre os dedos. Fiz o check-in e consegui incrivelmente passar com toda a bagagem que levava sem que me solicitassem pagamento de excesso (até hoje não percebi como...). Ainda tive direito a uma surpresa de última hora quando a Bela, o Miguel e o Daniel apareceram subitamente no aeroporto e ao perguntar-lhe “Mas o que é que estão aqui a fazer?” ela me responde de imediato “Achas que eu te deixava ir embora sem me despedir de ti?” Não pude deixar de me sentir uma felizarda por ter à minha volta tanta gente preocupada comigo.

A hora tinha chegado e não queria prolongar mais aquele sofrimento para todos. Iniciei as despedidas começando pelos mais novos. Não posso esquecer as palavras da minha mãe que insistia em não se conformar, perguntando “Porquê???” Realmente não sei porque é que temos que passar por estas realidades adversas para chegar mais longe... Neste momento sei que vale a pena tentar e se não o fizesse ficaria a vida toda a perguntar-me o que poderia ter acontecido. À minha mãe só consegui responder que apesar de estar de partida, iria voltar a casa, à minha casa, ao meu país, à minha família.

O último abraço ficou reservado ao meu irmão que tanto amo. Sei que sobre ele fica a pesar a tarefa de cuidar e olhar pelos nossos velhotes, mas confio e sei que fará um bom trabalho  Espero em breve estar a escrever um post a contar os contornos da visita dele a Angola!

Por tudo isto, queria deixar-vos a vocês, que estiveram comigo nos últimos instantes em Portugal e a todos aqueles que de uma forma ou de outra não se esqueceram da minha partida, as minhas últimas palavras e pensamentos, levo-vos a todos no coração! Parto, mas faço-o com o coração muito cheio, de todo o carinho recebido!

Até já

O ponto de vista de quem espera:

Exactamente 11 meses depois o dia tão anseado chegou.

São 00:40 e cá estou eu a a tentar passar para o papel o que sinto…

Quis o destino que fosse, também, ao vigésimo segundo dia de um mês que a minha metade entrasse num avião com destino a Luanda.

Depois de muita preocupação e ansiedade, de sorrisos e choro, o objectivo cumprir-se-á dentro de algumas horas.

Neste momento um misto de sentimentos. A alegria, sem dúvida, pela vinda da minha metade pois assim temos oportunidade de viver juntos coisas que não se vivem em Portugal mas também a tristeza. A tristeza porque sempre que alguém parte, para além do seu próprio sofrimento, há também que ter em conta o sofrimento de todos os que gostam dessa mesma pessoa. E daí a minha tristeza. Porque sei que, “felizmente”, muitas são as pessoas que vão sofrer com a vinda.

Para essas mesmas pessoas fica uma sugestão: Aproveitem as novas tecnologias para se fazerem sentir. Dessa forma será muito mais fácil para vocês e para a Patrícia. Felizmente a ausência física hoje é colmatada com relativa facilidade…

A recepção será simples mas muito emotiva certamente. Cá estarei eu e “um batalhão de pessoas” para a fazer sentir-se em casa (dentro do possível). Tal como tenho dito a todos os novos colegas “isto não é o paraíso mas também não é o inferno”. Basta que se cumpram “religiosamente” algumas regras fundamentais para que os riscos (que é o que todos tememos) reduzam significativamente. Reduzam porque, desaparecer não desaparecem…

Por agora pouco mais tenho a dizer… Há momentos em que as palavras parecem fugir… Há momentos em que parece que nada temos a dizer… Há momentos em que todas as ideias fogem…

Penso apenas em momentos chave do que será o inicio do dia de amanhã… O abraço, a saída do aeroporto, o inicio do percurso até casa e a chegada a casa.

Brevemente colocaremos, ambos, mais novidades sobre a chegada…

2 comentários:

João Branco disse...

http://morrodamaianga.blogspot.com/

repórter de improviso disse...

É um blog que vou acompanhando pontualmente...

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