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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

21 de Setembro – Uma viagem à província do Zaire

Depois de muitas viagens a uma cidade longiqua onde a empresa possui diversos trabalhos, um dos meus chefes perguntou-me ontem se eu desta vez poderia ir com ele.

Por imensas vezes disse que iria mas acabou sempre por surgir trabalho imprevisto e a viagem foi sempre sendo adiada…

Desta vez disse que iria mas, da parte dele, não havia a certeza se seria para ir ou não… Por isso ficou condicionado a um telefonema a fazer hoje.

O telefonema revelou que seria necessário ir e, pelas 10.30 estávamos a partir… Para onde??? Cidade de M’BanzaCongo, a capital da Provincia do Zaire.

A Provincia do Zaire , a Norte de Angola, cuja identificação se pode ver na figura abaixo, tem área de 40.130 km² e sua população é de aproximadamente 600.000 habitantes.


Um maior detalhe relativamente a esta província:


À partida sabia muito pouco…

Sabia basicamente que a viagem era de 500 km que se percorriam em 8 horas. Que existia um primeiro troço, de aproximadamente metade dessa distância, em que a estrada era uma autêntica picada e que não se fazia em menos de 5 horas.

Quanto à cidade em si sabia apenas que “não havia nada”, “que as pessoas falavam mais Congolês do que Português”, “que a energia eléctrica para toda a cidade era obtida através de grupos geradores”, “que só havia uma estrada alcatroada” e que, para muitos colegas, era um excelente exemplo daquilo a que, vulgarmente, designamos como “fim do mundo”.

Ao entrar no carro para iniciar a viagem tentei fazer um reset total… Predispus-me psicologicamente a 3 dias totalmente diferentes e decidi retirar o máximo possível daquilo que seria, para mim, “uma aventura em Angola”. Foi esse o meu espírito…

A viagem teria o percurso: Luanda – Cacuaco – Barra do Dande – Musserra – N’Zeto – Tomboco e M’BanzaCongo.

Uma vez que já conhecia o percurso até à Barra do Dande (apesar de termos ido por um caminho um pouco diferente), a grande descoberta seria daí para a frente… E foi de facto…

Alguns quilómetros adiante da Barra do Dande começámos então na Picada… Não vale a pena muitos adjectivos…. A “estrada” era assim:



E o que, aparentemente, se revelava uma “estrada” relativamente má, um pouco adiante, revelou-se uma picada (igualmente má):


Ali estava já uma primeira viatura encostada… Para descansar ou por avaria, não soubemos, mas parecia que o Unimog antecipava a dureza da viagem e preferia ficar por ali… Mais perto da cidade…

Uns quilómetros adiante tínhamos então a demonstração de que o percurso não era só feito por viaturas 4x4… Também os Táxis, ou Kandongueiros, ou IACES (expressão oral utilizada para deas Toyota HIACE muito utilizadas como táxis) faziam esta dura viagem…


Variando com os locais em que não existia vegetação, deparávamo-nos com longas extensões de locais com vegetação assim


Como não poderia deixar de ser, durante o percurso também haviam “restos” de avarias e/ou acidentes… Um bom exemplo foi esta MAN (apesar de ser muito semelhante a uma BERLIET – TRAMAGAL) :


Passámos ainda por um bulldozer que, apesar de não termos a certeza se estaria a fazer um trabalho muito bom, lá estava a escarificar o pavimento… No regresso percebemos que sim… Que tínhamos poupado tempo de viagem…


Algures encontrámos ainda aquilo que parecia ser um “ponto de paragem” dos resistentes e corajosos camionistas…


Já com bastantes km’s percorridos soube que os pneus já tinham algumas “marcas” de viagens anteriores… Depois de ver reciei que a viagem não fosse tão rápida como esperava/pretendia mas, felizmente, tudo correu normalmente.



Uma amostra de um dos imbondeiros que vimos…


Houve ainda tempo para registar um local onde um dos nossos colegas de trabalho fez alguns turnos de vigia… Um posto de controle de “outros tempos”…


Um pouco adiante, nas casas azuis da foto, lá estava um outro “posto de controle”. Desta feita era um posto actual onde felizmente o controle era apenas utilizado na designação do local… Digo “felizmente” porque por vezes as abordagens e pretensões dos “controladores” são muito peculiares mas… Mas certamente que nesta viagem (ou regresso) existirá alguma situação digna de relato… A ver vamos…


Mais registos do “peculiar” percurso…



E uma amostra do pó fininho que se levantava à nossa passagem…


Quase a chegar ao N’Zeto uma rocha “característica”. Não só pela sua forma e pela ilusão que cria como também pelo facto de ser o “anúncio” (quando a viagem é feita de Sul para Norte) de que o viajante está próximo do local em que é possível, novamente, re-estabelecer comunicações através de telemóvel…


Finalmente o N’Zeto…

É um dos locais mais referenciados pelos viajantes, e também pelos colegas que estavam em M’BanzaCongo, e por isso mesmo a espectativa era grande… Chegádos lá fizemos uma visita à praia:





E seguimos viagem o que é equivalente a dizer que conhecemos o resto da “Vila”…
Talvez por já ter ouvido diversas referências ao N’Zeto (antigo Ambrizete) eu tenha criado a sensação que seria um local desenvolvido… Infelizmente, com esta viagem, essa ideia desvaneceu-se. O grande factor de diferenciação é a praia… Em tudo o resto é um local como existirão, certamente, muitos outros por Angola... Ruas largas, algumas com passeios outras sem passeios, casas degradadas por falta de manutenção e outras, mais na perifiria, visivelmente mais humildes… Consegue-se perceber que, tal como é hoje, este já foi um ponto estratégico para os viajantes mas, sem dúvida, que a oferta era também bem diferente da que existe hoje em dia…

Aqui ficam algumas fotos do N’Zeto:





Saímos então do N’Zeto em direcção ao nosso destino final… Esta metade do percurso adivinhava-se menos “massacrante”…


Alguns quilómetros adiante estava o primeiro vestígio de guerra que existe em todo o percurso… Mais tarde percebi que era o primeiro e o único… Mais uma demonstração de que, ao contrário do que eu pensava, em Angola não existem vasos de guerra espalhados de 5 em 5 km…


Ainda durante o dia, e ainda há muitos quilómetros de distância de MBanzaCongo, a última oportunidade para uma fotografia… E que “raridade”… Um Embomdeiro que “misteriosamente” nasceu e cresceu sobre uma rocha…


Da restante viagem fica apenas a vontade que os 200 quilómetros passagem rápido porque foram feitos durante a noite… Felizmente sem qualquer tipo de contratempo…
À chegada a MBanzaCongo a surpresa… A percepção não era muito fiável mas percebia-se que a estrada era em terra batida (com bastantes buracos) e que as habitações eram feitas do mesmo material… Material esse que, sem supresa, era “Terra Avermelhada”…

Mas a surpresa maior estava relacionada com o facto de haver uma grande actividade nocturna… Na beira da estrada haviam imensos locais onde era assado choco, ou carne, que estavam colocados lado a lado, e em que as velas e as brasas, criavam uma iluminação peculiar… A comprar, a comer, e a andar, havia imensa gente… E essa foi a grande surpresa.

Eram cerca de 20 horas e, oito horas e meia depois de sair de Luanda, tínhamos chegado a M’BanzaCongo.

Em “jeito de introdução” aqui fica uma imagem área da cidade de M’BanzaCongo que descobri na internet ao pesquisar elementos para complementar este post.


Imagem copiada do blog: http://mbanza-kongo.blogspot.com/

2 comentários:

Co-reporter disse...

"Estrada alcatroada"??? Mas o que é isso? Afinal o termo técnico não é pavimentada??? :P

Paulo disse...

Hehehe!!! Como o repórter de improviso bem disse, ao entrar no carro predispôs-se a um reset total. Pois o reset foi tal que até a gíria utilizada na construção civil apagou-se! Hehehe!

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