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terça-feira, 1 de maio de 2012

29.Mar.11 – Dias que não deviam existir…


Há dias que começam tão mal, mas tão mal, que temos a certeza que a partir daí só pode ser a piorar.

Hoje foi aquele dia, em 8 meses de permanência em Angola, que nunca devia ter começado.

Reunião às 9h00 na cidade com um cliente, estando combinado reunir previamente para briefing às 7h45 no Trópico. Logo, seria necessário sair de Talatona perto das 5h40. Seria mas não aconteceu. Devido a um contratempo e má interpretação de agendas, o despertador tocou às 6h25. Algo me dizia que já estava há muito tempo na cama, devido à mentalização do dia anterior com respeito ao pouco que ia dormir, e realmente acordei uma série de vezes a partir de uma certa hora. Mas confiada que estava deixei-me estar. Quando saltei da cama, por ver que o repórter já se estava a arranjar, perguntei que horas eram, para confirmar que não estava atrasada e foi aí que senti que o dia devia acabar ali mesmo – 6h50! Com um record magnífico, à que referir, tomei banho, vesti-me e saí em 7 minutos. Coloquei o carro a trabalhar e às 7h já estava na estrada. Às 7h30 continuava na estrada, às 8h00 continuava na estrada, às 9h00 continuava na estrada, e às 9h25 estava a estacionar por fim o carro à porta do cliente. 

A imagem do meu pára-brisas era mais ou menos semelhante a estas:




Fontes: 



 
Durante todo este período em que estive parada no trânsito, deslocando-me mais precisamente a uma velocidade de 10km/hr, aconteceu de tudo. Um fornecedor literalmente à porta para fazer uma entrega e ninguém para o receber (na realidade só era esperado às 10h e anunciou-se antes das 7h30). Fiquei sem saldo no telemóvel, devido à expiração do plafond mensal. Um mal ententido na explicação por parte de um fornecedor, fez com que uma inspectora da alfândega estivesse à espera de um motorista nosso que eu nunca enviei pois não sabia que o tinha que fazer. Um colega doente, que fazia com que o departamento estivesse sozinho. E mais não lembro...

Claro que estacionei em segunda fila, pois às 9h25 seria impossível encontrar um lugar à minha espera na Marginal. Escrevi o meu número numa folha A4 e rezei para que os proprietários das viaturas que tranquei não tivessem que se deslocar antes da minha reunião acabar.

Reunião finalizada era tempo de seguir para outra. Aqui era mais fácil, pensei eu. Apenas deslocar-me da Marginal à Praia do Bispo. Tinha 1h20 para o fazer. Como dizem por cá, sem makas! Ou no meu país, “seria limpinho”. WRONG! Ora bem, para percorrer a distância de cerca de 900 metros demorei, nada mais, nada menos que 1h40. E tudo graças a alguma perícia e transgressões, nomeadamente passar por dentro de uma bomba de gasolina para conseguir ultrapassar 10 carros!
A reunião foi péssima, ou já não conhecesse a casa que me estava a receber. E ainda vislumbrei e apertei a mão ao inferno... para culminar, mesmo no final cai uma daquelas chuvadas que fazem a cidade parar...

Lá entro no carro com destino ao ponto de partida e acabar todo o trabalho pendente. Senti que o dia já me pesava nas costas, nas pernas e na cabeça. Eram 10 para as 2hs e ainda não tinha colocado nada no estomâgo, com expecção de uns 4 smints. Prometi a mim mesma que ia só fechar os pendentes e iria para casa dormir e descansar. Mas não fui capaz de cumprir com a promessa, embora tivesse fechado todos os pendentes... acabei por continuar sem comer e ficar até às 18h00, com o corpo a implorar descanso.

Chegada a casa despachei muito do que havia para comer e reflecti sobre o dia em que quebrei o record/proeza que mantinha em Luanda – ZERO atrasos para reuniões!

Acabando pelo princípio, há dias que deviam acabar logo quando começam...


15.Mar.11 – Os benefícios de conduzir à Esquerda…

Sim, leram bem, os benefícios de conduzir à esquerda! Estamos habituados, desde o tempo das aulas de condução, a ouvir falar dos benefícios de conduzir à direita, e como deveríamos sempre cumprir com esta regra de trânsito. Pois aqui... tudo se inverte, por variadas razões...
Inicialmente não conduzia muito em Luanda, e mesmo depois de ter carro, as minhas viagens limitavam-se ao supermercado ou a passeios de fim-de-semana à cidade. Com a evolução do meu trabalho essa realidade alterou-se, e agora tenho que ir diariamente à cidade, fazendo o percurso da Samba ou parte do Rocha, para lá chegar. Foi numa destas muitas “viagens” que me apercebi que não podia ir contra a corrente... o repórter várias e várias vezes me tinha dito “já percebeste que por aqui não deves conduzir à direita, não já?” Mas sempre tentei combater essa situação, porque achava que deviamos mesmo respeitar a regra básica de trânsito. Claro está, que depois de alguns dias a fazer o mesmo percurso e presenciar as mesmas situações, comecei a pensar nas coisas de uma outra forma. 
Como ia a escrever, foi numa dessas viagens que comecei a inumerar as vantagens de conduzir à esquerda, de forma a convencer-me que, ao passar-me para o outro lado da lei, o estava a fazer de forma consciente e fundamentada:

1 – Não temos que parar sempre que um Candongueiro pára em plena via (porque não existem paragens nem bermas);
2 – Não arriscamos atropelar ninguém que tenta prosseguir a pé pelo passeio mas não consegue pois os carros estão mal estacionados;
3 – Não ficamos com o carro riscado com os carrinhos de madeira para transporte de jerricans;
4 – A probabilidade de sermos mandados parar pela polícia, só porque sim, reduz substancialmente;
5 – Last but not least, conseguimos ultrapassar pela direita :) Sim, a regra de conduzir pela esquerda tem um senão, como todos a aplicam, depois quem quer andar mais depressa, tem que ultrapassar alguns obstáculos...

07.Mar.11 – Depois de algum receio…

a actualizar futuramente...

02.Mar.11 – A 5 dias do tão falado 7 de Março…

a actualizar futuramente...

16.Fev.11 – Quando um cabo limita todas as comunicações…

a actualizar futuramente...

01.Mai.2012 – A reanimação do Blog

É verdade...

Depois de muitos meses de ausência de actualizações no Blog os Repórteres estão de volta.

Estão de volta porque...

sentem que têm sido desleixados...

têm saudades de escrever...

gostam de registar os momentos que têm vivido na Terra Avermelhada...

verificam que o Blog tem sido muito consultado nos últimos meses...

Mas também estão de volta porque para além das pessoas mais próximas o terem reclamado (falo do Artur, dos "Paulos Figueiredos", etc), o comentário de um anónimo nos tocou particularmente.

Referimo-nos ao comentário "da L.A." que dizia o seguinte:
"Descobri este blogue há poucos dias. Parece que está descontinuada e tenho pena. Vivo uma situação semelhante, com a ida da minha metade para Angola em muito breve prazo. Eu ficarei. Para já. Tantas dúvidas a que já responderam com os V/ textos...
E assim...sem vos conhecer, espero que estejam bem.
(já guardei o link do post sobre o sapateiro, para o caso de precisar... e sobre o local onde se faz estética...). Obrigada pela ajuda que, sem saberem, estão a dar.
L.A."

Tocou-nos porque sabemos, por experiência própria, o que significa estar a fazer os preparativos para ingressar num desafio que passe por uma estadia relativamente longa em Angola.

Infelizmente, devido à crise que vivemos actualmente, o número de pessoas que está disponível ou a preparar-se para viajar até à terra Avermelhada é cada vez maior, o que até se poderá verificar pelo aumento significativo de visitas ao blog a partir de Portugal, e isso dá-nos também uma força adicional.

Afinal de contas poderemos acreditar que o nosso blog pode, de alguma forma, ajudar cada uma dessas pessoas, a saber um pouco mais sobre a realidade que o/a espera e, dessa forma, atenuar o impacto inicial que será, sem sombra de dúvidas, grande.

Gostaríamos de manter a lógica do blog, o registo dos acontecimentos no dia em que ocorreram, e por esse motivo deixaremos alguns post's apenas com o título para que mais tarde os possamos actualizar. Entendemos por bem adoptar este método porque temos inclusivamente alguns post's relativos a 2011 concluídos que não foram ainda publicados porque alguns textos ainda não estavam concluídos...

Evidentemente que relativamente ao ano 2011 algumas histórias, eventualmente interessantes, ficarão por apresentar, mas preferimos deixar de as contar do que não contar nenhuma porque essas não estão contadas.

Mais uma vez pedimos o máximo de contributo de quem "se dá ao trabalho de ler o blog" para que com solicitações, ideias, desafios, curiosidades, possamos tornar o blog mais interessante e interactivo.

Os repórteres de improviso

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

15.Fev.11 – Quando se perde um colega e ficamos sem um amigo…


Por vezes a proximidade diária com determinadas pessoas não nos permite perceber que essas mesmas pessoas estão a deixar de ser apenas colegas de trabalho e estão a passar para um estágio muito mais importante… O da confiança… O da amizade…

E foi precisamente isso que senti, e que percebi, quando um dos meus colegas de trabalho revelou que estava prestes a sair da empresa.

Por questões que nem sequer quero pensar, mas que me deixaram e deixam profundamente revoltado, uma das pessoas mais competentes e dedicadas estava a ponderar, ou mais do que isso, abandonar aquele que apelidava de um excelente grupo de trabalho.

Claro que também tenho uma amizade especial com alguns dos outros colegas (amigos) com quem partilhei o último ano e meio da minha vida mas esses vão continuar a estar próximos, e este não…

Por muito que se goste de uma pessoa a distância física, e isso também se passa na amizade, acaba sempre por tornar as coisas mais superficiais. Como bem sabemos os bons amigos são aqueles que estão longos períodos sem se falarem mas, quando voltam a conversar, tudo se desenrola naturalmente como se tivessem falado na semana anterior mas… Perde-se sempre alguma intimidade e, acima de tudo, perdem-se recordações (porque os momentos não existem) e vivências.

Talvez por já estar em Angola há ano e meio, por sentir falta de momentos muito bem passados na companhia de bons amigos que ficaram a km de distância, tenha sentido esta notícia de uma forma mais intensa…

Bem sei que este texto parece estranho mas…

Por vezes todos nós temos os nossos momentos estranhos.

A ti Sérgio, deixo-te um grande abraço e recordo muitos bons momentos que passámos na paródia, na conversa ou a trabalhar. Sempre com o teu sentido de camaradagem, lealdade e companheirismo.

Aprendi muito contigo e, acima de tudo, foi um prazer conhecer-te.

Espero que a mudança não te afaste totalmente dos ex-colegas porque quero, de facto, prolongar os bons momentos vividos em Angola.


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