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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

11 de Novembro – Feriado: Dia da Independência

Embora se diga que Angola tem muitos feriados, o que comparativamente a Portugal faz com que o número dos mesmos seja inferior, este será sem dúvida, na nossa opinião, o feriado mais importante que se celebra no país, sobretudo se considerarmos o seu passado e história recente.

É certo que a luta pela independência começou muito antes, e há feriados que assinalam esses marcos na história de Angola, já referidos por nós em posts anteriores, mas o 11 de Novembro marca efectivamente o dia da Liberdade e o fim oficial do colonialismo.

Este ano a celebração do feriado, que costuma ser seriamente engalanada, assumia especial importância pois festejava-se o 35º aniversário da Independência. Cerca de duas semanas antes a cidade começou a “vestir-se” e preparar-se para o evento. Por toda a cidade foram espalhados cartazes, luzes e anúncios anunciando o número 35 como marco histórico. Foram concluídas algumas obras de reabilitação nas zonas que conduziam aos principais locais dos festejos. (Sim, nós portugueses achamos que só no nosso país é que isto acontece mas começamos a perceber que as obras de campanha e festejos andam mesmo pelo mundo fora!).

Contudo havia um facto que ameaçava retirar assistência aos festejos. O feriado iria calhar numa quinta-feira e foi concedida tolerância de ponto pelo Governo. Dessa forma antecipava-se que muito mais que celebrar o feriado, muita gente aproveitasse o fim-de-semana prolongado para viajar ou visitar as províncias. E a realidade é que na véspera do feriado o trânsito caótico em todas as principais artérias de saída/entrada da cidade indicava isso mesmo, a cidade iria estar deserta nos dias seguintes. Passamos desde já a explicar – Deserta nunca estaria, na verdadeira acepção, mas este adjectivo aplica-se por comparação à quantidade de gente que habitualmente circunda por Luanda.

Infelizmente nós iriamos mesmo ser dos poucos que permaneceriam na cidade. Apesar de eu, co-reporter, ter tido tolerância de ponto, o reporter não teve igual sorte, o que em dizer, inviabilizou a possibilidade de irmos até terras mais longínquas :)

Mas nem tudo é mau, no dia 11 tivémos a cidade toda para nós, não havia filas para nada, aproveitámos para despachar algumas coisas que tinhamos pendentes e fomos para um belo almocito num dos libaneses da cidade. A bem dizer fomos embuchar muita gordurinha com um Kebab do tamanho do mundo no Al-Amir, enquanto assistiamos na televisão às celebrações do 11 de Novembro por todo o território angolano, muitas vezes distraídos pelas conversas agitadas em árabe. Não nos recordamos com exactidão, mas durante aquela hora e pouco que ali estivémos foram inauguradas para cima de muitas estradas, pontes, escolas, hospitais, centrais hidrícas, em muitas províncias angolanas. Oxalá houvessem muitos 11 de Novembros durante todo o ano... mas pelo menos já é um começo!

Mas afinal estamos para aqui a falar, a falar, entenda-se, a escrever, a escrever... e não falámos ainda do feriado do ponto de vista histórico. Se analisarmos minuciosamente a independência não foi proclamada no dia 11, mas sim no dia 10 de Novembro, contudo para produzir efeitos a partir do dia seguinte. Por essa razão foi assinalado o dia 11 como dia da independência.

Melhor explicando, após o fim da ditadura em Portugal, com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, criaram-se perspectivas para a independência de Angola e de outros estados coloniais. Os novos governos portugueses constituídos no pós-revolução, foram iniciando negociações com os três principais movimentos de libertação angolanos (MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola), e dando assim origem a um período de transição para a implantação de um regime democrático em Angola (iniciado como o Acordo de Alvor, assinado a 15 de Janeiro de 1975).

No dia 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, o Almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo Português, proclamou a independência de Angola. Desta forma transferia a soberania e o domínio até então mantido por Portugal, para o Povo Angolano, o que ocorreria de forma efectiva a partir do dia 11 de Novembro. O facto de transferir a soberania para o Povo Angolano era uma forma de dizer e deixar claro que a mesma não era transferida para nenhum movimento político em particular. Muitas discussões já se tiveram em redor desta decisão e, sinceramente, não queremos analisar os factos por muitas e variadas razões, apenas transmiti-los. Foi com estas palavras que o Almirante proclamou a independência (transcrição de parte do discurso):

"E assim Portugal entrega Angola aos angolanos, depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desaparecem, mas a obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter de que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos, deixa um país de que se orgulha e de que todos os angolanos podem orgulhar-se".

Ainda assim controlo de Angola foi dividido pelos três maiores movimentos de libertação, então denominados grupos nacionalistas MPLA, UNITA e FNLA, pelo que a independência foi proclamada de forma unilateral pelos três.

O MPLA, que à data controlava a capital, Luanda, proclamou a Independência da República Popular de Angola por volta das 23h00 do próprio dia 11 de Novembro de 1975, através do seu presidente, Agostinho Neto, dizendo, "diante de África e do mundo proclamo a Independência de Angola”. Com estas palavras chegava ao fim à luta empreendida pela independência iniciada no dia 4 de Fevereiro de 1961, com a luta de libertação nacional, estabelecendo o governo em Luanda com a Presidência entregue ao líder do partido.

Já Holden Roberto, líder da FNLA, proclamava a Independência da República Popular e Democrática de Angola cerca da meia-noite do mesmo dia 11 de Novembro, no Ambriz, na província do Bengo.

Nesse mesmo dia, a independência foi também proclamada no Huambo, por Jonas Savimbi, líder da UNITA.

Contudo apenas prevaleceu como independência reconhecida internacionalmente, a que foi proclamada pelo MPLA, passando assim a FNLA e a UNITA, a partidos da oposição.

Esta divisão partidária e de luta pela governação do país antevia os acontecimentos que se sucederam, mas para a história ficou o 11 de Novembro como o dia da Independência de Angola.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

25 de Maio – Feriado: Dia de África

Mais um “excelente” contributo da “primeira seguidora” que, brevemente, passará a ser “co-autora”.

Dia 25 de Maio celebrou-se mais um feriado nesta terra avermelhada, desta feita, o dia de África.
Fez este ano 57 anos que foi criada, a 25 de Maio de 1963 em Addis Ababa, capital da Etiópia, a Organização da Unidade Africana (OUA).

Esta iniciativa partiu do Imperador etíope Haile Selassie e, nessa data, os chefes de estado representantes de 32 governos de países africanos independentes assinaram e proclamaram a Constituição da OUA, cujo objectivo principal era o de libertar o continente africano do colonialismo e do apartheid, bem como promover a emancipação dos povos africanos.

Imperador Haile Selassie

De forma mais detalhada, os objectivos da OUA, expressos na sua Constituição eram:

  1. Promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos;

  2. Coordenar e intensificar a cooperação entre os estados africanos, no sentido de atingir uma vida melhor para os povos de África;

  3. Defender a soberania, integridade territorial e independência dos estados africanos;

  4. Erradicar todas as formas de colonialismo da África;

  5. Promover a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos;

  6. Coordenar e harmonizar as políticas dos estados membros nas esferas política, diplomática, económica, educacional, cultural, da saúde, bem estar, ciência, técnica e de defesa.
Durante quase 40 anos de existência, a OUA não conseguiu evitar os inúmeros conflitos que assolaram o continente, nem promover de forma efetiva o seu desenvolvimento. Uma das razões poderia ser o caráter consensual da organização, que nunca puniu os responsáveis por esses problemas, ao contrário de outras organizações como a Commonwealth ou a ONU, a primeira por vezes suspendendo das suas actividades governos despóticos, a segunda decretando sanções sobre políticos ou governos.

Apesar de todos os países de África se terem associado à OUA a seguir à independência ou melhor dizendo, à democratização da África do Sul em 1994, subsiste ainda actualmente como questão não resolvida, o estatuto do Sahara Ocidental, que foi aceite como membro da organização, o que levou Marrocos a abandoná-la em 1985.


Primeiras eleições democráticas na África do Sul

No entanto convém frisar que a OUA, em traços gerais, cumpriu os seus objectivos, em destaque o seu principal propósito, que era a eliminação do colonialismo no continente africano.

A OUA teve um importante papel na história da descolonização de África, não só como grupo de pressão junto da comunidade inernacional, mas também fornecendo apoio directo aos movimentos de libertação, através do seu Comité Coordenador da Libertação da África.

Outro campo em que a OUA teve sucesso foi na luta contra o apartheid, tanto ao nível da ONU, onde foram declaradas sanções contra os governos da África do Sul e da Rodésia, mas ainda conseguindo que aquele regime fosse internacionalmente condenado como “crime contra a Humanidade” na I Conferência Mundial de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Teerã, 1968.

Nos primeiros dez anos da sua existência, a OUA viu-se confrontada com uma série de conflitos sobre a delimitação de fronteiras no norte, leste e centro da África mas, graças aos seus esforços, estes conflitos foram resolvidos num verdadeiro espírito de unidade, sem interferência externa.

O segundo principal propósito da OUA, prendia-se com o desenvolvimento do continente africano, pelo que constitui um dos pilares-base da nova organização, a União Africana que substituiu a OUA a 9 de Julho de 2002.

Ao ser fundada em 2002 a União Africana, organização que sucedeu à Organização da Unidade Africana, manteve praticamente na íntegra os símbolos da extinta OUA, nomeadamente a celebração do 25 de Maio, como dia de África.
Logótipo da União Africana

Dos 53 países que actualmente constituem a União Africana, em 5 fala-se português, os quais Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe.


África é um continente com aproximadamente 30,27 milhões de quilómetros quadrados de terra. Na parte norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, A parte este pelo oceano Índico e a oeste pelo oceano Atlântico. O sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dois oceanos, que dão origem a autênticos paraísos que merecem ser visitados.

É o segundo continente mais populoso do Mundo (depois da Ásia), com aproximadamente 800 milhões de habitantes.

Actualmente, o principal bloco económico é a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), formada por 14 países: Angola, África do Sul, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

O continente africano comemorou no dia 25 de Maio 57 anos desde a proclamação da Organização de Unidade Africana (OUA), actual União Africana, ainda num contexto de algumas perturbações caracterizadas por confrontos político-militar e pela crise económica mundial, contudo há muitos especialistas a afirmar que os olhos do mundo ainda se vão virar para este continente e alguns dos países que os compõem, por acreditarem que vão ditar palavra na esfera económica mundial...

Nós... muito possivelmente continuaremos nesta terra avermelhada para ver...


FONTES:
http://www.africa-union.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_da_Unidade_Africana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Africana

sábado, 22 de maio de 2010

04 de Abril – Feriado: Dia da Paz e da Reconciliação Nacional

Nota: Mais uma vez a pesquisa e o texto foram elaborados pela minha metade. Quem sabe se não terá sido o seu último contributo como “A primeira seguidora”.

Dando continuidade ao post publicado sobre o Feriado de 4 de Fevereiro, dia nacional do esforço armado, este post tem como objectivo aproveitar a realização do Feriado do 4 de Abril para divulgar mais um pouco sobre a história/cultura de Angola.
Independência de Angola em 1975

Como foi mencionado no post relativo ao Feriado do 4 de Fevereiro, depois de longos anos de confrontos, Angola veio a alcançar a independência a 11 de Novembro de 1975, data que tinha ficado decidida na Cimeira de Alvor, realizada em Janeiro desse mesmo ano nesta localidade Algarvia, mais precisamente no Hotel Penina. A Cimeira culminou com a assinatura do Acordo de Alvor, entre o Governo Português e os três movimentos de libertação Angolanos (UNITA, MPLA e FNLA), os únicos escolhidos pelo Governo Português como representantes do povo angolano para este acto.

Fotografia Protocolar do Acordo do Alvor

O Acordo de Alvor permitiu a independência de Angola e previa a paz neste país. O Acordo contemplava ou antevia a eleição de uma assembleia política partilhada por três partidos, os quais tinham por detrás três exércitos e três países com ambições económicas e materiais sobre Angola. Ou seja, para além das disputas internas que existiam entre os três movimentos, internas, estava em causa o apoio aos movimentos de três potências mundiais, em plena guerra-fria - o MLPA era apoiado pela URSS, a UNITA pela África do Sul e a própria China, e a FNLA pelos Estados Unidos.

Os líderes Angolanos aquando do Acordo do Alvor

Nesse mesmo ano Agostinho Neto proclamou a independência e assumiu a presidência de Angola, respondendo assim às invasões militares, comandadas pela FNLA, ao Norte do país com apoio do Zaire e dos EUA, e ao Sul, pela UNITA, com apoio de tropas Sul-Africanas.
Ainda em 1975, O Brasil destacou-se como o primeiro país a reconhecer o novo governo de Angola. O país, nesta data, recebeu apoio de tropas cubanas para combater a invasão militar e já em 1976, tropas Sul-africanas retiraram-se do território Angolano. Contudo, em 1978 as tropas Sul-africanas voltam a investir contra o território angolano, na acção que ficou conhecida como “Massacre de Cassinga”.

No ano seguinte de 1979, o presidente Agostinho Neto morre durante tratamento médico em Moscovo e José Eduardo dos Santos viria a suceder-lhe, assumindo o comando do governo. Nesta altura iniciava-se um ciclo de acontecimentos no país, como a continuação da guerra civil. Em 1984 o presidente José Eduardo dos Santos apresentou às Nações Unidas uma “plataforma de paz”, proposta pelo seu governo que culminou com várias tentativas de se chegar a um entendimento.

Em 1989 realizou-se a cimeira de Gbdolite, sob a condução do presidente Zairense Mobuto Sesse Seko, que era conhecido como aliado de Jonas Savimbe, líder da UNITA. O Acordo fracassou sem chegar a ser colocado em prática, devido à violação do “cessar fogo” pela UNITA enquanto a cimeira era realizada. Em Maio de 1991 a UNITA e o MPLA voltam à mesa de negociação e assinam em Portugal o acordo de Bicesse.

Acordo de Bicesse

Este acordo, assinado no Estoril, mais concretamente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, estipulou que seriam realizadas as primeiras eleições livres e democráticas em Angola, supervisionadas pelas Nações Unidas, assim como todas as forças beligerantes seriam integradas nas Forças Armadas Angolanas (FAA), prevendo assim o desarmamento das partes e a criação de um exército único. Nesta altura em Angola já vigorava o sistema do multipartidarismo. Este Acordo permitiu um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA.

No ano de 1992, foram realizadas as primeiras eleições gerais democráticas sob supervisão da ONU. Mas o chefe da Organização das Nações Unidas acusou a UNITA de ocupar militarmente várias regiões do país e Jonas Savimbi, que perdera as eleições, recusa a derrota e ordena que seu exército recomece os ataques.

Primeiras eleições democráticas

Em 1993 os EUA, através do presidente Bill Clinton, reconhecem oficialmente o governo Angolano. No ano seguinte a UNITA, que estava fragilizada e desarticulada, cede às pressões internacionais por uma saída diplomática. Nesse ano foi então assinado o Protocolo de Lusaka, na República da Zâmbia, que previa a formação do Governo de Reconciliação Nacional (GURN), com a participação dos políticos da UNITA e, tendo como signatários, o Governo de José Eduardo dos Santos e a UNITA, com o objectivo de resolver o conflito armado pós-eleitoral, que só viria a conhecer o seu fim em Abril de 2002.

Protocolo de Lusaka

O Governo de Reconciliação Nacional (GURN) tomou posteriormente posse a 11 de Abril de 1997 e foi constituído maioritariamente pelo MPLA, em conjunto com a UNITA e outras forças políticas com assento parlamentar. No ano seguinte, em 1998, alguns integrantes da UNITA criam a UNITA Renovada encabeçada pelo, ex - secretário geral, Eugênio Muanovacola. Dando seguimento a esta iniciativa, a UNITA intensificou os ataques em várias regiões de Angola o que levou a ONU a declarar Jonas Savimbi como criminoso de guerra e estabelecer novas sanções para países e empresas que prestassem apoio ao seu movimento.

Em 1999 as Forças Armadas Angolanas, iniciam a “Operação Restauro”, libertando milhares de civis e restabelecendo o controlo de 98% do território angolano.

Esta ofensiva resultou na morte em combate do líder e fundador da UNITA, Jonas Malheiro Sidónio Savimbi, quando um número restrito de operacionais de UAT (Unidade Anti-Terror), acompanhado de cães treinados algures em Portugal, o feriu mortalmente com 7 balas (há quem diga que foram mais), no dia 22 de Fevereiro de 2002 nas matas do Lucusse (Moxico).
Com a morte do Presidente da UNITA, tiveram início contactos exploratórios entre as forças residuais da UNITA e as FAA, no Luena, província do Moxico, processo que culminou na assinatura, a 4 de Abril de 2002, de um Protocolo de Entendimento entre as partes, complementar ao protocolo de Lusaka (assinado previamente 8 anos antes).

O abraço histórico entre o presidente da República, José Eduardo dos Santos, e o general da UNITA, Abreu Muengo Ucuatchitembo Kamorteiro, na Assembleia Nacional em Luanda, marcou o dia 4 de Abril como a data consagrada como o dia da paz e reconciliação nacional em Angola, dando assim origem a este feriado nacional.

Abraço histórico entre Presidente José Eduardo dos Santos e General Abreu Kamorteiro, marcando o dia da paz e da reconciliação nacional em Angola

Em 29 do mesmo mês e ano, era assinado, em Luanda, o documento que punha fim à guerra em Angola e abria as portas para a reconstrução do país que, após um longo período de guerra, se apresentava muito destruído.

Resultados do Conflito

segunda-feira, 8 de março de 2010

04 de Fevereiro – Feriado: Dia Nacional do Esforço Armado

Nota: A pesquisa e o texto foram elaborados pela minha metade (o tempo começa a faltar para me dedicar a este espaço que, cada vez, me dá mais prazer). O objectivo é dar ao blogue um cariz mais generalista para que o foco não seja apenas a minha visão da Terra Avermelhada. Fico a aguardar os vossos comentários e sugestões…

O feriado de 4 de Fevereiro representa uma data histórica para os angolanos, servindo para assinalar o dia que, atrevendo-me a dizer, representou o primeiro de uma nova época para o povo angolano, época essa que iria culminar muitos anos mais tarde.

A existência deste feriado e a sua denominação desencadeou a vontade de aprender um pouco mais sobre a história de Angola e como este blog não deve servir única e exclusivamente para dar notícias sobre o seu autor, aqui fica um pouco da história deste país onde actualmente resido, mais precisamente a partir do dia 4 de Fevereiro de 1961.


Os portugueses chegaram a Angola em 1482, e os conflitos contra a presença então instalada sempre existiram. A 4 de Fevereiro de 1961, perante a intransigência do Governo Português, presidido por Salazar, iniciou-se a luta pela independência nacional liderada pelos nacionalistas angolanos, começando assim a Guerra Colonial.

Nessa data, patriotas ligados ao MPLA, actual partido no poder, desencadearam um ataque contra a Cadeia de São Paulo e a Casa de Reclusão, em Luanda, dando início a Luta Armada que culminou com a proclamação da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975.

Segundo algumas fontes, no ataque deveriam participar duas mil e cem pessoas, mas as detenções efectuadas pela polícia política fiel ao então regime de Salazar nos dias anteriores à acção revolucionária, na sequência de denúncias, fizeram reduzir o número para pouco mais de 200 intervenientes.

A acção tinha como objectivo principal libertar os presos políticos angolanos que se encontravam encarcerados nas cadeias visadas, acusados pelas autoridades coloniais de actividades subversivas.

Segundo as informações disponíveis, os participantes no ataque treinavam durante a noite, na zona de Cacuaco, arredores de Luanda, e quando começaram a recear infiltrações de indivíduos ligados à polícia política portuguesa, mudaram-se para o Cazenga.

Neste último local foi erguido um monumento denominado "Marco Histórico do 4 de Fevereiro", inaugurado em 19 de Setembro de 2005, em homenagem aos heróis tombados pela causa da independência.

As fontes da época indicam que a escolha da data do ataque (4 de Fevereiro) está relacionado com o facto de se encontrarem em Luanda, na altura, jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada do paquete Santa Maria, assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um opositor do regime de Salazar.

Quando ficou claro que o navio não viria para Luanda e os jornalistas começariam a preparar-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora, e assim poderem chamar a atenção da comunidade internacional sobre a repressão que se vivia no país. A presença dos jornalistas garantiu assim a projecção mediática internacional do assalto dos nacionalistas angolanos.

Esta acção levou as autoridades fiéis ao regime de Salazar a enviar para Angola os primeiros contingentes militares destinados a reforçar os reduzidos efectivos até então destacados no território angolano.



Na sequência do ataque, a pressão da polícia política portuguesa aumentou e cresceram também as detenções entre os nacionalistas, originando a fuga de milhares de angolanos para as matas e países limítrofes, como a Zâmbia e o então Congo Leopoldoville, onde prosseguiram a luta pela independência do país.

Pouco tempo depois do assalto às cadeias em Luanda, o conflito alastrou-se às restantes colónias portuguesas em África.

A principal motivação do Movimento das Forças Armadas (MFA) era a oposição ao regime e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à guerra colonial, o que proporcionou as condições para a cedência da independência da Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Angola.

A Guerra da Independência de Angola (1961-1974), tornou-se uma luta de várias facções pelo controlo do País, com onze movimentos separatistas, acabando em 1975 quando o governo angolano, a UNITA, o MPLA e a FNLA assinaram o Acordo de Alvor, após a Revolução dos Cravos em Portugal do dia 25 de Abril de 1974. Quanto a posições exteriores assumidas durante a guerra, os grupos nacionalistas puderam contar principalmente com o apoio da República Democrática do Congo e Portugal com o apoio por parte da África do Sul.

Infelizmente, mesmo após a assinatura do Acordo de Alvor, Angola não conheceu de imediato a paz, devido a uma violenta e atroz guerra civil, que se arrastou até 2002, a 4 de Abril, data da assinatura dos Entendimentos de Paz e do acordo de cessar-fogo entre o Governo e a UNITA, dando origem a um novo feriado, denominado o Dia da Paz.

Link's gerais com conteúdos relacionados:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_de_Angola
http://www.embaixadadeangola.com.br/v2/index.php?option=com_content&view=article&id=81


E porque a Internet nos permite ver coisas que foram feitas/ditas/escritas ou apresentadas mesmo antes de nascermos aqui fica um complemento, da época, a este texto.
http://www.diariodaafrica.com/2010/02/independencia-dos-inimigos.html

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

22 de Janeiro – Feriado (25 de Janeiro) ou… talvez não

Feriado ou talvez não???

Ora bem… Digamos que aqui também há feriados…

É verdade que quando os feriados são ao domingo são gozados há segunda ou, caso sejam ao sábado, são gozados à sexta…

Agora feriado que deixam de o ser?

Pois… Aqui existem desses… Estranho??? Naaaaahhhh!!!! É só a uma demonstração das particularidades desta terra…

Dia 25 (segunda-feira) é o feriado de Luanda (feriado municipal) e, obviamente, todas as pessoas estavam “preparadas” para gozar um fim-de-semana prolongado. Mas… Enganaram-se…

Estavam preparados mas mal (fazendo uma alusão a uma célebre frase do meu sector profissional) porque hoje foi “decretada a não realização do feriado”. É verdade… Um feriado que está reconhecido e que sempre foi comemorado será ignorado “por decreto”.

Já agora… Aqui fica a informação dada na agência de notícias:


“Governo exorta funcionários comparecer nos seus postos de trabalho no dia 25

Luanda - O Governo da província de Luanda exortou hoje, na capital angolana, a população a comparecer nos seus postos de trabalho na segunda-feira (25 de Janeiro), Dia da cidade de Luanda, sem absentismos, uma vez que não foi decretada tolerância de ponto.

A cidade de Luanda completa o seu 434º aniversário dia 25 de Janeiro, data da sua fundação, numa altura em que decorre a "festa" do Campeonato das Nações Africanas de Futebol (CAN Orange Angola 2010).

De acordo com um comunicado de imprensa entregue hoje, quinta-feira, à Angop, o Governo provincial de Luanda considera cidade como uma urbe “cosmopolitica” que apresenta enormes potencialidades e oportunidades em termos de crescimento multifacetado.

Nesta nota, o GPL reconhece os diversos problemas que se vivem nesta cidade, ligados, principalmente, a circulação viária, falta de espaços para estacionamento, de lazer, quebra de hábitos de convivência, redução da oferta de habitação.

Insuficiência de redes técnicas e de infra-estruturas que suportem a volumosa densidade populacional são, entre outras, dificuldades verificadas nesta urbe, de acordo com o comunicado.

O Governo provincial reitera ainda a necessidade do combate de situações de ruptura dos assentamentos urbanos, para a promoção de um adequado nível de organização e estruturação das zonas urbanas.

Ordenar o crescimento das principais centralidades, qualificando as zonas residências, assim como o incentivo de organização e participação das comunidades locais no desenvolvimento urbano, exercitando civicamente a sua cidadania, são entre outros desafios patentes.

“A educação cívica, ou pela cidadania deve envolver todas as forças vivas da Nação, mobilizando-se as energias interiores, convertendo-as em projectos de intervenção nas escolas, nos bairros, nas comunas e municípios, com objectivo de uma aprendizagem de participação cívica, tolerância, democrática e respeitadora da lei dos direitos humanos”, descreve a nota. “

in ANGOP 22.JANEIRO.2010

A mim, confesso, pouca diferença me vai fazer porque, uma vez que as re-estruturações na empresa são grandes, tenho uma muitas coisas para concluir até à próxima semana e teria que estar a trabalhar mas, convínhamos, é uma situação chata e caricata. Normalmente, principalmente os expatriados, aproveitam estes fins-de-semana prolongados para conhecer algumas das províncias e agora ou tiram férias ou desmarcam…

É chato mas, como tantas e tantas vezes já escrevi… Estamos noutra realidade… Não, não é na realidade virtual… É apenas outra…

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