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sábado, 21 de julho de 2012

12.Mai.11 – Produção Industrial aumenta significativamente


Gosto da frase, e da ideia que lhe está subjacente e, por isso mesmo, não me canso de a utilizar.

ANGOLA ESTÁ A MUDAR.

Hoje de manhã, quando me deslocava para o trabalho, ouvi um interessante programa na rádio (cuja estação não retive) chamado VECTOR. Tal como a locutora frisou o programa pretende ser um vector para a divulgação da economia Angolana. E, a avaliar pelo que ouvi hoje, o objectivo é totalmente cumprido.

E o tema (julgo que da semana) era “O sector dos materiais de Construção” mas, antes de o abordar, foi feita uma excelente nota introdutória que fez também referência ao tema da semana passada e é nesse que me vou focar…

Nessa nota foram divulgados os novos projectos industriais, já em funcionamento, para a produção de vidro (quer para utilização em garrafas quer para a produção de vidros de segurança para edificio) e, na sua sequência, foi explicado o grande impacto destas indústrias na economia Angolana.

E porquê? Porque com a produção nacional de garrafas de vidro (e também de latas para refrigerantes), o volume e valor de importações reduziu significativamente porque, até há poucos meses, Angola importava os produtos necessários para fazer o próprio refrigerante, e as garrafas (e latas) para efectuar o enchimento em território Angolano. Como se compreende, até há cerca de 2 anos, as importações eram de garrafas e latas já engarrafadas…

E este, na minha opinião, é mais um grande exemplo da rapidez com que a economia Angolana se tenta aproximar de outras mais desenvolvidas… Em cerca de 2 anos passa de importação total para importação apenas de alguns produtos necessários para a produção das bebidas.

A acreditar no que foi divulgado esta “pequena alteração” causou a redução de milhares de contentores que diariamente entopiam os portos Angolanos. E esses são os benefícios indirectos, que muitas vezes não valorizamos, do crescimento do tecido industrial.

Foi ainda feito um grande realce para a articulação entre o arranque da produção nacional e a actualização das pautas aduaneiras para este tipo de produtos que pretende, evidentemente, penalizar agora as importações destes produtos que, finalmente, já são produzidos em Angola.

Fiquei ainda a saber que as empresas ligadas à produção das garrafas, são de origem Sul Africana e que, para além da produção das garrafas para as suas marcas próprias (Coca-Cola, etc etc) vão também iniciar a produção de produtos nacionais (principalmente cervejas)

Agora julgo que me darão razão… ANGOLA ESTÁ A MUDAR!


NOTA: Peço que, caso saibam qual é a estação de rádio e/ou nome da jornalista me indiquem porque teria todo o gosto em acompanhar este programa e, se possível, obter os “podcast’s”.

sábado, 9 de junho de 2012

21.Abr.11 – Os Kandongueiros…

É verdade…

Os Kandongueiros…

Algumas das pessoas estarão agora a pensar “o que será?” outras, mais familiarizadas com a realidade e cultura, conseguirão identificar ao que se refere este post.

Lanço um desafio… Gostaria que quem lesse este post colocasse nos comentários aquilo que era, à partida, a sua interpretação/entendimento para “os Kandongueiros”.

De forma simples e concisa os Kandongueiros são “os táxis” de Luanda. Genéricamente são Toyotas Hiace pintadas no exterior na parte inferior de azul (até ao nível dos vidros) e acima de branco. Normalmente é colocado um banco adicional (3 filas de bancos e não 2 como é a “versão original”) e desta forma é possível aumentar a capacidade (e consequentemente a rentabilidade) do Kandongueiro.

O Kandongueiro tem o motorista e um cobrador.

Existem numa quantidade inimaginável por toda a cidade e são o meio de transporte de eleição (não por vontade mas por falta de opções) de 90% da população.

Por serem “os únicos” meios de transporte os Kandongueiros, para além das pessoas, transportam de tudo… Animais (vivos, claro está), Mercadoria (todo o tipo de artigos que são vendidos nas ruas de Luanda), Lenha, e tudo o resto que se ouse imaginar…

Ao volante dos Kandongueiros encontra-se de tudo… Jovens que aparentemente nem idade têm para ter carta, pessoas que estavam mais habituadas a conduzir KAMAZ ou BERLIET, sendo que grande parte dele comungam apenas de dois grandes princípios: i) conduzir o mais depressa possível (apesar de muitas vezes andar ser praticamente impossível) e ii) ignorar a maior quantidade de regras de trânsito possível.

Provavelmente torna-se mais fácil perceber “estes princípios” percebendo como funciona o “negócio” os Kandongueiros. 

De forma muito sintética faço então uma pequena explicação do Plano de Negócios:
i)                     O investidor adquire um HIACE (que com a recente mudança de legislação já não pode ser uma carrinha vinda da Europa com 20 anos);
ii)                   Arranja um “condutor” que se responsabiliza pelo negócio. Com isso tem que “angariar” o cobrador e garantir o valor acordado semanalmente;
iii)                  Falando de valores… Em muitos casos são 500 Usd por semana que o condutor terá que pagar ao investidor. Com os valores cobrados (em média 200 AKZ = 2 Usd) são garantidos os 100 Usd diários para o investidor e a restante receita é dividida pelo condutor e pelo cobrador. Ao sábado toda a receita é apenas para o condutor.

Assim são a versão Angolana dos Moçambicanos “Chapas”.

Para exemplificar, aqui fica uma foto de um Kandongueiro tirada pelo Repórter num dos dias de imenso trânsito.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

11.Abr.11 – Divulgação: Rock Made in Angola


Muitas vezes escrevemos “Angola está a mudar” e acredito que para que não está por cá ache que se trata de um exagero. 

É normal. Quando estamos numa sociedade madura as mudanças não são muito visíveis. Poucas são as cidades no mundo em que se constroem 5 ou 6 edificios em plena Baixa da Cidade, poucas são as cidades em que, de uma forma geral, existam obras nos passeios de 50% das ruas, poucas são as cidades  onde quase todos os dias se vê algo novo.

Evidentemente que extrapolando para outros campos, nomeadamente o cultural, a velocidade com que aparecem novidades é também elevado (apesar de ser inferior). E é um bocadinho isso que se sente…

"Um mundo" (país e cidade) em perfeita mutação.

O link que agora divulgamos é um bom exemplo. Um blog relativamente recente onde se divulga e apresenta o Rock feito em Angola. Sugerimos que o acompanhem. Quem está longe terá oportunidade de perceber e sentir o crescimento e aumento de maturidade e quem está por cá aumenta o seu leque musical e poderá assim também enriquecer culturalmente e minimizar a quantidade de vezes que se lamenta pela falta de diversidade.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

08.Abr.11 – Blog atinge 5.000 visitas


Tendo em consideração a data do primeiro post (2 de Setembro de 2009) e o conteúdo deste blog, que basicamente se dedica ao relato de experiências, de inicialmente um repórter e agora dos dois repórteres, confesso que nunca imaginei que um ano e sete meses depois o Noticias da Terra Avermelhada tivesse originado 5.000 visitas.

O nosso obrigado a todos os que têm acompanhado as nossas vivências.

02.Abr.11 – Maria Rita no CineAtlântico


O nome desta senhora transporta-me para alguns e bons anos atrás, em que a nossa fidelidade matinal à Antena 1 nos fazia descobrir cantores assim, ainda ligeiramente desconhecidos das grandes massas.

Andava por aí no 2º ano da faculdade e lembro-me de pensar que aquele som me transportava para o Brasil, lembro-me de imaginar a infância desta senhora, certamente riquíssima do ponto de vista cultural e musical por ter nascido filha dessa musa inspiradora chamada Elis Regina, que cantava livre como ninguém.

Alguns anos depois continuei fiel e um dia numa visita à FNAC, com um dos meus primeiros salários, trouxe para casa o álbum homónimo, que fui riscando e riscando no carro até o meu irmão e o repórter dizerem que eu desperdiçava cds, que se estragavam, que os poderia gravar e manter os originais em casa. Não sei porquê mas nunca gostei de cds gravados, gosto de ter os originais. Mas não me apego de alma e coração a eles, mas sim tento usufruir deles enquanto e sempre que posso. Não colecciono cds, colecciono música. E sempre fui assim. Quando comprava um cd não o conseguia colocarna prateleira, ouvia, ouvia e ouvia, e só consigo ter esse prazer quando abro a caixa original. Cds guardados são relíquias, não têm vida. Talvez seja por isso que Iphones, Itunes, etc., nunca me tenham deixado extasiada.

Mas voltando ao tema...

Por essa altura que riscava o cd no carro passava  uma novela que tornou emblemática  e universal uma canção sua. Admito poder haver outras canções suas mais poéticas, e que a inserção no soundtrack da novela lhe tenha dado o impulso e o protagonismo que teve, mas a verdade é que para quem, como nós, está tão habituado a abraços, partidas e chegadas, esta canção diz-nos tudo.

Estava ainda longe de sonhar vir para Angola quando a Maria Rita foi actuar a Portugal e a minha Sylvie me convidou para ir ver o concerto com ela. 90% da plateia era composta por brasileiros, mas não me senti estrangeira. Houve muito samba e pé tirado do chão, mas nada superou o momento em que se começou a ouvir os primeiros acordes e em uníssono se cantou:
“Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica...”

Naquela altura senti que estava a viver um momento lindo, mas não interiorizei completamente a essência do mesmo, até que as partidas e as chegadas se tornaram parte integrante e constante da minha vida.

Não há dor como a da partida, aquele abraço que recebemos cheio de amor e de tristeza, a rogar para que fiquemos, deixando antever a saudade até ao próximo reencontro. Mas não há alegria maior do que a da chegada, aquele abraço apertado onde se afoga toda a saudade sentida e se agradece ao mundo por estarmos ali de novo.

E como não poderia deixar de ser a interpretação desta canção no Cine foi também o ponto alto da noite.

Para além do grande número de brasileiros que foram para estar mais perto de casa, havia outro tanto número de outros imigrantes. Não foi um concerto de massas, já que a casa mal estava cheia, mas foi muito nosso. Despido de grande ou nenhuma decoração, a Maria subiu ao palco com toda a sua simplicidade, mas capacidade de encher uma sala que já por ali viu passar artistas de renome.

E assim fomos para casa, a relembrar as saudades, mas com o coração e a alma cheia.



sábado, 5 de maio de 2012

01.Abr.11 – Laurent Filipe no Miami Beach


A vida cultural em Angola é tão subitamente intensa quanto escassa, e a semana à qual agora nos referimos está no primeiro dos pólos opostos acima mencionados.

É sempre com alguma excitação que recebemos a notícia da vinda de artistas internacionais a Luanda, e há medida que a semana ia passando, davamo-nos conta que os próximos dias iam ser muito cheios... 
chegámos a brincar com a situação e dizer “mas resolveram fazer um pack e trazê-los todos juntos?”

Quem cá vive percebe o que estamos a tentar transmitir, mas na verdade de Sexta a Domingo Luanda não ia parar (e Benguela também não), sendo que o cartaz cultural versava assim:
Sexta-feira: Laurent Filipe, Miami Beach Club
Sábado: Maria Rita no Cine-Atlântico
Sexta, Sábado e Domingo:  Carlos do Carmo na Casa 70. Já se antecipava a saudade do Fado misturado com o calor do Semba

Como a carteira tem fundo à vista, e o fundo em Luanda é bem visível, fizémos escolhas, Laurent Filipe e Maria Rita. Achámos insano pagar mais do que um salário mínimo local para ver o nosso querido Carlos, embora as imagens que vimos posteriormente quase nos tenham enchido os olhos de lágrimas.

E na Sexta lá cumpri o prometido, saindo a horas mais ou menos decentes, já que apesar de termos mesa reservada, a confiança do repórter não era a maior, tendo passado o dia a antecipar a não existência de qualquer reserva no meu nome. Mas o Wilson não falhou e os dois lugares estavam mesmo à nossa espera, na primeira linha, junto ao palco. 

Para os que não são familiares do Miami Beach, é um espaço de referência em Luanda, na ilha. Muitos dirão que já o foi mais, o certo é que as memórias dos reveillons ali passados já percorreram o mundo e não há lugar que mais tenha ajudado a promover o jazz como este.

Não sabemos se foi ao sabor de um gin tónico que ouvimos o Laurent e a sua banda, ou se foi a ouvi-lo que saboreámos o gin e a refeição de marisco, mas sabemos que a noite passou depressa e em ambiente de grande intimidade, o que sempre acontece quando estamos a disfrutar.

O Laurent partia no dia seguinte para Benguela, para actuar no festival de jazz, e nós partimos até casa, ainda embalados pelo som vibrante da sua música, enquanto nos transportamos até à próxima experiência de sons e sentidos.

Até amanhã, com encontro marcado no Cine-Atlântico.

31.Mar.11 - Portugal e Brasil: inversão de papéis

"A ex-colónia ajudava o velho império".

De grande potência mundial a cauda da Europa...

É esta a realidade Portuguesa. Depois de períodos gloriosos da historia de uma sociedade verificamos que devido a uma "crise economica agora descoberta" Portugal não tem capacidade para a enfrentar de uma forma robusta e, como tal, terá de se submeter às restrições e imposições de terceiros.

É verdade que não é a primeira vez na nossa história e também é verdade que conseguimos rectificar a nossa trajectória mas também é verdade que, em virtude daquilo que já fomos, é rídiculo estarmos agora a passar por tantos sacrifícios.

Na minha opinião isto que hoje se chama crise não é ainda sequer uma amostra daquilo que teremos que passar, digo eu, nos próximos 5 anos. Entraremos numa expiral de dificuldades económicas e mentiras para que "os objectivos sejam cumpridos".

E porquê?

Perdoem-me... Mas estamos agora assim porque temos uma mentalidade muito individual e muito pouco pro-activa. Preocupamo-nos pouco com o bem comum e com o que poderemos construir para um futuro melhor.

Temos preferido, e infelizmente não antecipo que deixemos de preferir, criar condições para os beneficios imediatos, para a arrecadação instantânea e, evidentemente, isso tolda-nos a mente... Não nos permite semear hoje para colher os frutos apenas daqui a 30 anos.

Este é um problema da nossa sociedade e é evidentemente, perdoem-me a sinceridade,um dos motivos pelos quais os nossos políticos não têm conseguido criar medidas estruturantes para o país...

Não apoio o período de Colonização mas custa-me um pouco que agora as coisas sejam postas desta forma....

"A ex-colónia ajudava o velho império".

Deixo o link para que possamos reflectir...
http://expresso.sapo.pt/video-financial-times-sugere-que-brasil-anexe-portugal=f640995

terça-feira, 1 de maio de 2012

29.Mar.11 – Dias que não deviam existir…


Há dias que começam tão mal, mas tão mal, que temos a certeza que a partir daí só pode ser a piorar.

Hoje foi aquele dia, em 8 meses de permanência em Angola, que nunca devia ter começado.

Reunião às 9h00 na cidade com um cliente, estando combinado reunir previamente para briefing às 7h45 no Trópico. Logo, seria necessário sair de Talatona perto das 5h40. Seria mas não aconteceu. Devido a um contratempo e má interpretação de agendas, o despertador tocou às 6h25. Algo me dizia que já estava há muito tempo na cama, devido à mentalização do dia anterior com respeito ao pouco que ia dormir, e realmente acordei uma série de vezes a partir de uma certa hora. Mas confiada que estava deixei-me estar. Quando saltei da cama, por ver que o repórter já se estava a arranjar, perguntei que horas eram, para confirmar que não estava atrasada e foi aí que senti que o dia devia acabar ali mesmo – 6h50! Com um record magnífico, à que referir, tomei banho, vesti-me e saí em 7 minutos. Coloquei o carro a trabalhar e às 7h já estava na estrada. Às 7h30 continuava na estrada, às 8h00 continuava na estrada, às 9h00 continuava na estrada, e às 9h25 estava a estacionar por fim o carro à porta do cliente. 

A imagem do meu pára-brisas era mais ou menos semelhante a estas:




Fontes: 



 
Durante todo este período em que estive parada no trânsito, deslocando-me mais precisamente a uma velocidade de 10km/hr, aconteceu de tudo. Um fornecedor literalmente à porta para fazer uma entrega e ninguém para o receber (na realidade só era esperado às 10h e anunciou-se antes das 7h30). Fiquei sem saldo no telemóvel, devido à expiração do plafond mensal. Um mal ententido na explicação por parte de um fornecedor, fez com que uma inspectora da alfândega estivesse à espera de um motorista nosso que eu nunca enviei pois não sabia que o tinha que fazer. Um colega doente, que fazia com que o departamento estivesse sozinho. E mais não lembro...

Claro que estacionei em segunda fila, pois às 9h25 seria impossível encontrar um lugar à minha espera na Marginal. Escrevi o meu número numa folha A4 e rezei para que os proprietários das viaturas que tranquei não tivessem que se deslocar antes da minha reunião acabar.

Reunião finalizada era tempo de seguir para outra. Aqui era mais fácil, pensei eu. Apenas deslocar-me da Marginal à Praia do Bispo. Tinha 1h20 para o fazer. Como dizem por cá, sem makas! Ou no meu país, “seria limpinho”. WRONG! Ora bem, para percorrer a distância de cerca de 900 metros demorei, nada mais, nada menos que 1h40. E tudo graças a alguma perícia e transgressões, nomeadamente passar por dentro de uma bomba de gasolina para conseguir ultrapassar 10 carros!
A reunião foi péssima, ou já não conhecesse a casa que me estava a receber. E ainda vislumbrei e apertei a mão ao inferno... para culminar, mesmo no final cai uma daquelas chuvadas que fazem a cidade parar...

Lá entro no carro com destino ao ponto de partida e acabar todo o trabalho pendente. Senti que o dia já me pesava nas costas, nas pernas e na cabeça. Eram 10 para as 2hs e ainda não tinha colocado nada no estomâgo, com expecção de uns 4 smints. Prometi a mim mesma que ia só fechar os pendentes e iria para casa dormir e descansar. Mas não fui capaz de cumprir com a promessa, embora tivesse fechado todos os pendentes... acabei por continuar sem comer e ficar até às 18h00, com o corpo a implorar descanso.

Chegada a casa despachei muito do que havia para comer e reflecti sobre o dia em que quebrei o record/proeza que mantinha em Luanda – ZERO atrasos para reuniões!

Acabando pelo princípio, há dias que deviam acabar logo quando começam...


15.Mar.11 – Os benefícios de conduzir à Esquerda…

Sim, leram bem, os benefícios de conduzir à esquerda! Estamos habituados, desde o tempo das aulas de condução, a ouvir falar dos benefícios de conduzir à direita, e como deveríamos sempre cumprir com esta regra de trânsito. Pois aqui... tudo se inverte, por variadas razões...
Inicialmente não conduzia muito em Luanda, e mesmo depois de ter carro, as minhas viagens limitavam-se ao supermercado ou a passeios de fim-de-semana à cidade. Com a evolução do meu trabalho essa realidade alterou-se, e agora tenho que ir diariamente à cidade, fazendo o percurso da Samba ou parte do Rocha, para lá chegar. Foi numa destas muitas “viagens” que me apercebi que não podia ir contra a corrente... o repórter várias e várias vezes me tinha dito “já percebeste que por aqui não deves conduzir à direita, não já?” Mas sempre tentei combater essa situação, porque achava que deviamos mesmo respeitar a regra básica de trânsito. Claro está, que depois de alguns dias a fazer o mesmo percurso e presenciar as mesmas situações, comecei a pensar nas coisas de uma outra forma. 
Como ia a escrever, foi numa dessas viagens que comecei a inumerar as vantagens de conduzir à esquerda, de forma a convencer-me que, ao passar-me para o outro lado da lei, o estava a fazer de forma consciente e fundamentada:

1 – Não temos que parar sempre que um Candongueiro pára em plena via (porque não existem paragens nem bermas);
2 – Não arriscamos atropelar ninguém que tenta prosseguir a pé pelo passeio mas não consegue pois os carros estão mal estacionados;
3 – Não ficamos com o carro riscado com os carrinhos de madeira para transporte de jerricans;
4 – A probabilidade de sermos mandados parar pela polícia, só porque sim, reduz substancialmente;
5 – Last but not least, conseguimos ultrapassar pela direita :) Sim, a regra de conduzir pela esquerda tem um senão, como todos a aplicam, depois quem quer andar mais depressa, tem que ultrapassar alguns obstáculos...

07.Mar.11 – Depois de algum receio…

a actualizar futuramente...

02.Mar.11 – A 5 dias do tão falado 7 de Março…

a actualizar futuramente...

16.Fev.11 – Quando um cabo limita todas as comunicações…

a actualizar futuramente...

01.Mai.2012 – A reanimação do Blog

É verdade...

Depois de muitos meses de ausência de actualizações no Blog os Repórteres estão de volta.

Estão de volta porque...

sentem que têm sido desleixados...

têm saudades de escrever...

gostam de registar os momentos que têm vivido na Terra Avermelhada...

verificam que o Blog tem sido muito consultado nos últimos meses...

Mas também estão de volta porque para além das pessoas mais próximas o terem reclamado (falo do Artur, dos "Paulos Figueiredos", etc), o comentário de um anónimo nos tocou particularmente.

Referimo-nos ao comentário "da L.A." que dizia o seguinte:
"Descobri este blogue há poucos dias. Parece que está descontinuada e tenho pena. Vivo uma situação semelhante, com a ida da minha metade para Angola em muito breve prazo. Eu ficarei. Para já. Tantas dúvidas a que já responderam com os V/ textos...
E assim...sem vos conhecer, espero que estejam bem.
(já guardei o link do post sobre o sapateiro, para o caso de precisar... e sobre o local onde se faz estética...). Obrigada pela ajuda que, sem saberem, estão a dar.
L.A."

Tocou-nos porque sabemos, por experiência própria, o que significa estar a fazer os preparativos para ingressar num desafio que passe por uma estadia relativamente longa em Angola.

Infelizmente, devido à crise que vivemos actualmente, o número de pessoas que está disponível ou a preparar-se para viajar até à terra Avermelhada é cada vez maior, o que até se poderá verificar pelo aumento significativo de visitas ao blog a partir de Portugal, e isso dá-nos também uma força adicional.

Afinal de contas poderemos acreditar que o nosso blog pode, de alguma forma, ajudar cada uma dessas pessoas, a saber um pouco mais sobre a realidade que o/a espera e, dessa forma, atenuar o impacto inicial que será, sem sombra de dúvidas, grande.

Gostaríamos de manter a lógica do blog, o registo dos acontecimentos no dia em que ocorreram, e por esse motivo deixaremos alguns post's apenas com o título para que mais tarde os possamos actualizar. Entendemos por bem adoptar este método porque temos inclusivamente alguns post's relativos a 2011 concluídos que não foram ainda publicados porque alguns textos ainda não estavam concluídos...

Evidentemente que relativamente ao ano 2011 algumas histórias, eventualmente interessantes, ficarão por apresentar, mas preferimos deixar de as contar do que não contar nenhuma porque essas não estão contadas.

Mais uma vez pedimos o máximo de contributo de quem "se dá ao trabalho de ler o blog" para que com solicitações, ideias, desafios, curiosidades, possamos tornar o blog mais interessante e interactivo.

Os repórteres de improviso

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

15.Fev.11 – Quando se perde um colega e ficamos sem um amigo…


Por vezes a proximidade diária com determinadas pessoas não nos permite perceber que essas mesmas pessoas estão a deixar de ser apenas colegas de trabalho e estão a passar para um estágio muito mais importante… O da confiança… O da amizade…

E foi precisamente isso que senti, e que percebi, quando um dos meus colegas de trabalho revelou que estava prestes a sair da empresa.

Por questões que nem sequer quero pensar, mas que me deixaram e deixam profundamente revoltado, uma das pessoas mais competentes e dedicadas estava a ponderar, ou mais do que isso, abandonar aquele que apelidava de um excelente grupo de trabalho.

Claro que também tenho uma amizade especial com alguns dos outros colegas (amigos) com quem partilhei o último ano e meio da minha vida mas esses vão continuar a estar próximos, e este não…

Por muito que se goste de uma pessoa a distância física, e isso também se passa na amizade, acaba sempre por tornar as coisas mais superficiais. Como bem sabemos os bons amigos são aqueles que estão longos períodos sem se falarem mas, quando voltam a conversar, tudo se desenrola naturalmente como se tivessem falado na semana anterior mas… Perde-se sempre alguma intimidade e, acima de tudo, perdem-se recordações (porque os momentos não existem) e vivências.

Talvez por já estar em Angola há ano e meio, por sentir falta de momentos muito bem passados na companhia de bons amigos que ficaram a km de distância, tenha sentido esta notícia de uma forma mais intensa…

Bem sei que este texto parece estranho mas…

Por vezes todos nós temos os nossos momentos estranhos.

A ti Sérgio, deixo-te um grande abraço e recordo muitos bons momentos que passámos na paródia, na conversa ou a trabalhar. Sempre com o teu sentido de camaradagem, lealdade e companheirismo.

Aprendi muito contigo e, acima de tudo, foi um prazer conhecer-te.

Espero que a mudança não te afaste totalmente dos ex-colegas porque quero, de facto, prolongar os bons momentos vividos em Angola.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

6.Fev.11 – Repórteres rumam a Benguela (dia 3)


E pronto... rapidamente tinha chegado a hora de regressar a Luanda! Depois de um pequeno-almoço reforçado e de umas últimas fotos tiradas pelo Lobito, lá partimos rumo a Luanda.


Antes mostramos ainda algumas fotografias tiradas no dia anterior... Um edificio mítico no Lobito, muito próximo do Términus e ainda alguns registos da Esplanada do Términus...





A primeira paragem para o habitual levantamento fotográfico foi antes do Sumbe, onde se situa o “Grand Canyon Angolano”, citando o Ludgero. À ida para lá não pudemos parar, pois havia trabalhos em curso de construção da nova ponte. Pelo que agora, no regresso, tinhamos que tirar as fotos desejadas, já que o lugar assim o exige.

Mais uns quantos quilómetros de caminho e fizémos o desvio para visitar as Cachoeiras do Sumbe, formadas pelo Rio Keve. O barulho que se começa a ouvir à medida que subimos e nos aproximamos é impressionante e impossível de descrever. É sem dúvida dos lugares mais bonitos e imponentes em que estive, desde que vim para Angola. Impressionante também é a vivência ao redor do local.

Ainda nos deslocámos à parte de baixo para ter acesso a uma vista diferente e recolher mais umas imagens dignas de registo.
O trajecto seguiu até Porto Amboim onde parámos uma vez mais para abastecer, e apesar de acreditarmos que desta vez só iriamos parar em Talatona, não foi bem assim...

Antes de Caboledo, num dos habituais controles policiais, fomos retidos por uma alegada irregularidade que obrigava a apreensão da viatura, documentos, etc etc etc uma hora de conversa, argumentação, e depois de provarmos por A + B que irregular era o que nos estavam a fazer e a lei que estava equivocamente a invocar, lá seguimos, agora sim até Talatona para terminar onde começou mais um belo passeio.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

5.Fev.11 – Repórteres rumam a Benguela (dia 2)


O dia seguinte começou com uma manhã passada na praia da Restinga, com um calor delicioso e uma temperatura de água a convidar a banhos sucessivos. As raquetes levadas pelo Ludgero, só nos fizeram perceber a péssima forma física em que estamos, pois passados dez minutinhos de jogo eu e o repórter já ofegávamos como se tivéssemos corrido a mini-meia maratona de Lisboa! Shame on us!!!

Os restantes convivas quiseram ficar à soleira mas eu, que era nova por aquelas paragens, pedi ao repórter para irmos num mini-tour pelas redondezas. Almoçamos num dos restaurantes da restinga, uns belos preguinhos regados com imperial nacional, e no intervalo entre dois golos tive a oportunidade de comprovar o quão pequenino é o mundo, e neste caso o país, ao encontrar um ex-colega de trabalho. Mal saberia eu que até ao regresso a Luanda mais três episódios como este sucederiam, o que julgo ser por um lado resultado da reduzida oferta de locais explorados turisticamente no país, e nalguns casos, em que encontrei pessoas que não via há mais de 5 anos, consequência do acentuar da corrente migratória para Angola (a que se sobrepõe o factor primeiro).

Seguimos com destino a Benguela, onde só demos umas pequenas voltas pelo centro da cidade, pois o que me movia mesmo era visitar a Baía Azul e as praias circundantas, Caota e Caotinha. O caminho é duro e muitas vezes parece que estamos perdidos, mas as vistas compensam. Praias imensas, muitas delas praticamente desertas, em que a água, sem o verde do índico ou o azul das caraíbas, tem uma tonalidade de fazer inveja! Fotografias... pois, não há muitas porque a máquina avariou precisamente no momento em que tinhamos a vista privilegiada, de um miradouro... no regresso voltámos a dar uma volta breve por Benguela que já era hora de regressar ao hotel para banhos, mudas de roupa e... novo regresso a Benguela J uma vez que o jantar estava marcado no Contente (que também tem outro nome mas não recordamos...). Para quem visita esta zona, e mesmo para os que ficam no Lobito, vale a pena a deslocação para o jantar, servido numa espécie de quintal. As refeições são enormes, com qualidade, e os preços não sendo estupidamente baratos, são em nada semelhantes aos de Luanda.





Uma vez mais entre muita galhofa, embora sem adivinhas à mistura, o jantar e a noite foram avançando, até ser hora de regressar ao Términus. O dia a seguir prometia ser longo, não só pela viagem mas pelas paragens que ainda queriamos fazer e pelo trânsito que antecipávamos apanhar.

domingo, 16 de outubro de 2011

4.Fev.11 – Repórteres rumam a Benguela (dia 1)


Um pequeno parêntesis...

Antes de escrever este post tive oportunidade de recuar cerca de 15 meses no tempo e retomar o post escrito pelo repórter por ocasião da sua primeira visita a Benguela. Para além de uma série de coisas que já mudaram desde a primeira deslocação, nomeadamente a existência de novos postos de abastecimento de combustível que, embora muitos possam não entender a razão desta referência, fazem toda a diferença no percurso, recordo aqui algumas frases escritas então:
“Um local a regressar mas, da próxima vez, com a minha metade.”

“Pela segunda noite consecutiva tenho o prazer de estar sentado num cómodo cadeirão de verga com o som das ondas a embalar o registo de mais um dia de experiências…

Falta aqui apenas a minha metade para ficarmos tranquilos a ouvir este barulho de fundo e bebermos um chá relaxante.”
E após 15 meses as duas metades regressaram, depois de muitos encontros e desencontros, tentativas, algumas batalhas, regressaram juntas. Não bebemos nenhum chá relaxante, apesar de haver uma oferta imensa no quarto em que ficámos, mas bebemos muitas Cucas e Gins tónicos, que para o efeito também serve, e muito bem!

E agora, o post propriamente dito...

A viagem tinha sido marcada ainda eu, co-reporter, me encontrava em Portugal, a aguardar indicações para voltar a rumar à terra avermelhada. O feriado do 4 de Fevereiro vinha mesmo mesmo a calhar para aquela viagem que já desejava fazer há algum tempo, depois dos relatos da viagem feita cerca de 14 meses antes pelo repórter, com os mesmos companheiros de viagem.

Para além de permitir conhecer as maravilhosas praias de Benguela, a restinga do Lobito, e o afamado Términus, a viagem ia permitir também fazer a rodagem ao novo bólide, que tinha acabado de chegar à família!

Depois de distribuídas as responsabilidades para a compra da merenda a disfrutar no caminho e definida a hora de partida, lá arrancámos, perto das 5 da manhã de Luanda Sul.

Estreei-me por fim na condução fora de Luanda e, aqui entre nós, não me saí mal :)









Primeira paragem – Porto Amboim, para abastecer a viatura e tentar encontrar quem me servisse uma meia-de-leite, para conseguir seguir caminho em perfeita sanidade mental. Por ocasião doutro post já tive oportunidade de escrever que a meia-de-leite e o pãozinho fazem parte do meu ritual diário e se há pessoas que não conseguem começar realmente o dia sem um café ou um cigarro, o mesmo se aplica a mim com a meia-de-leite. Posso viajar para locais com sumos naturais, batidos ou águas de frutas maravilhosos, que o pequeno-almoço nunca está desprovido daquela chávena desejada! Tanto é que os companheiros de viagem já não podiam ouvir os meus queixumes e diziam que o melhor seria esperar para chegar ao Términus, facto a que me comecei a resignar pois naquela paragem não tive sorte.







A viagem seguiu em amena cavaqueira e com algumas paragens em pontos paisagísticos estratégicos, para a habitual reportagem fotográfica. A paisagem altera-se ao longo do caminho e isso é bem visível em vários aspectos. Passámos o que o Ludgero apelida de Grand Canyon angolano e lá nos fomos acercando do destino final – a restinga do Lobito.









À chegada confesso que tinha alguma curiosidade a respeito do Términus. Apesar do estado cuidado, é perceptível o largo número de anos com que conta e a época a que pertence. De tal forma foi mantido o aspecto original que parece que somos transportados no tempo para, pelo menos, uns 40 anos atrás. Mesmo antigo, e talvez reconhecendo que necessitasse de uma remodelação grande, não desilude, sobretudo porque nos calhou em sorte (bom, não foi bem em sorte, foi pedirmos muito na recepção, depois da Andreia já ter reforçado o pedido por telefone e email) quartos com vista para o mar, no primeiro piso.












As redes mosquiteiras sempre fizeram parte do meu imaginário. Sempre as associei a romantismo, e nunca a mosquitos J pela primeira vez iria concretizar o pequenino sonho de dormir dentro de uma!

Depois de nos instalarmos lá fomos para aquela parte que melhor sabemos fazer, comer J e o sítio era tão apetecível que ainda abria mais o apetite, na esplanada do hotel, em plena praia, com o mar como testemunha! Não sei se foi do preguinho, que estava óptimo, da cervejinha, da falta da meia-de-leite ou do cansaço da viagem, mas bateu aquela moleza que nos força a ter os olhos fechados e não conseguir ouvir nada para além da caminha a chamar por nós...

E enquanto os nossos 5 companheiros de viagem lá ficaram a disfrutar do solinho, nós fomos disfrutar de um belo soninho entre a rede mosquiteira J até que era hora de levantar e ir tomar um gin de fim de tarde antes de partirmos para um jantar que nunca pensámos acabar de forma tãaaaao animada!

O Fernando, um colega, amigo, conhecido de alguns dos presentes, convidou-nos para um jantar na sua casa lá no Lobito, e a verdade é que só ele sozinho já enche e anima uma casa com o seu humor e peripécias. Depois de nos servir um belo repasto que, QUASE todos ajudámos a preparar J  a Andreia sugeriu que jogássemos ao “Gesto é tudo”, jogo que já tinha suscitado outras noites de galhofa. As equipas foram divididas, meninas para um lado, meninos para o outro! E zás, primeira ronda e já levávamos uns 10 a zero à equipa adversária! No mínimo looool a noite continuou assim e apesar das muitas tentativas que se seguiram por parte da equipa masculina, não conseguiram nem sequer equilibrar a vantagem que levávamos, mas o melhor, o melhor foi mesmo as horas de riso e diversão que nos deram, pelo menos, mais uns bons meses de vida!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

3.Fev.11 - Presença da China cria Sub-Economia em Angola



Em alguns post’s já tinha feito referências ao facto de ser visível a alteração de condições da comunidade Chinesa em Angola…

Tal como já escrevi, à 2 anos quando cheguei, a comunidade Chinesa era vista essencialmente nas obras a trabalhar ou em veículos “normais”, ou seja, enquadrados com as restantes viaturas utilizadas em Angola (pick-up’s ou jipes de custo baixo).

Contudo, com o passar destes meses, é cada vez mais frequente ver grupos de pessoas, chinesas, nos restaurantes e nas discotecas… É cada vez mais frequente vê-los em veículos que custam 120.000 e 130.000 Usd…

Estes serão os sinais, tal como diz o artigo, que a Comunidade Chinesa veio para Angola para ficar…

Aqui fica o artigo com o título do post:

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