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sábado, 21 de julho de 2012

12.Mai.11 – Produção Industrial aumenta significativamente


Gosto da frase, e da ideia que lhe está subjacente e, por isso mesmo, não me canso de a utilizar.

ANGOLA ESTÁ A MUDAR.

Hoje de manhã, quando me deslocava para o trabalho, ouvi um interessante programa na rádio (cuja estação não retive) chamado VECTOR. Tal como a locutora frisou o programa pretende ser um vector para a divulgação da economia Angolana. E, a avaliar pelo que ouvi hoje, o objectivo é totalmente cumprido.

E o tema (julgo que da semana) era “O sector dos materiais de Construção” mas, antes de o abordar, foi feita uma excelente nota introdutória que fez também referência ao tema da semana passada e é nesse que me vou focar…

Nessa nota foram divulgados os novos projectos industriais, já em funcionamento, para a produção de vidro (quer para utilização em garrafas quer para a produção de vidros de segurança para edificio) e, na sua sequência, foi explicado o grande impacto destas indústrias na economia Angolana.

E porquê? Porque com a produção nacional de garrafas de vidro (e também de latas para refrigerantes), o volume e valor de importações reduziu significativamente porque, até há poucos meses, Angola importava os produtos necessários para fazer o próprio refrigerante, e as garrafas (e latas) para efectuar o enchimento em território Angolano. Como se compreende, até há cerca de 2 anos, as importações eram de garrafas e latas já engarrafadas…

E este, na minha opinião, é mais um grande exemplo da rapidez com que a economia Angolana se tenta aproximar de outras mais desenvolvidas… Em cerca de 2 anos passa de importação total para importação apenas de alguns produtos necessários para a produção das bebidas.

A acreditar no que foi divulgado esta “pequena alteração” causou a redução de milhares de contentores que diariamente entopiam os portos Angolanos. E esses são os benefícios indirectos, que muitas vezes não valorizamos, do crescimento do tecido industrial.

Foi ainda feito um grande realce para a articulação entre o arranque da produção nacional e a actualização das pautas aduaneiras para este tipo de produtos que pretende, evidentemente, penalizar agora as importações destes produtos que, finalmente, já são produzidos em Angola.

Fiquei ainda a saber que as empresas ligadas à produção das garrafas, são de origem Sul Africana e que, para além da produção das garrafas para as suas marcas próprias (Coca-Cola, etc etc) vão também iniciar a produção de produtos nacionais (principalmente cervejas)

Agora julgo que me darão razão… ANGOLA ESTÁ A MUDAR!


NOTA: Peço que, caso saibam qual é a estação de rádio e/ou nome da jornalista me indiquem porque teria todo o gosto em acompanhar este programa e, se possível, obter os “podcast’s”.

sábado, 9 de junho de 2012

21.Abr.11 – Os Kandongueiros…

É verdade…

Os Kandongueiros…

Algumas das pessoas estarão agora a pensar “o que será?” outras, mais familiarizadas com a realidade e cultura, conseguirão identificar ao que se refere este post.

Lanço um desafio… Gostaria que quem lesse este post colocasse nos comentários aquilo que era, à partida, a sua interpretação/entendimento para “os Kandongueiros”.

De forma simples e concisa os Kandongueiros são “os táxis” de Luanda. Genéricamente são Toyotas Hiace pintadas no exterior na parte inferior de azul (até ao nível dos vidros) e acima de branco. Normalmente é colocado um banco adicional (3 filas de bancos e não 2 como é a “versão original”) e desta forma é possível aumentar a capacidade (e consequentemente a rentabilidade) do Kandongueiro.

O Kandongueiro tem o motorista e um cobrador.

Existem numa quantidade inimaginável por toda a cidade e são o meio de transporte de eleição (não por vontade mas por falta de opções) de 90% da população.

Por serem “os únicos” meios de transporte os Kandongueiros, para além das pessoas, transportam de tudo… Animais (vivos, claro está), Mercadoria (todo o tipo de artigos que são vendidos nas ruas de Luanda), Lenha, e tudo o resto que se ouse imaginar…

Ao volante dos Kandongueiros encontra-se de tudo… Jovens que aparentemente nem idade têm para ter carta, pessoas que estavam mais habituadas a conduzir KAMAZ ou BERLIET, sendo que grande parte dele comungam apenas de dois grandes princípios: i) conduzir o mais depressa possível (apesar de muitas vezes andar ser praticamente impossível) e ii) ignorar a maior quantidade de regras de trânsito possível.

Provavelmente torna-se mais fácil perceber “estes princípios” percebendo como funciona o “negócio” os Kandongueiros. 

De forma muito sintética faço então uma pequena explicação do Plano de Negócios:
i)                     O investidor adquire um HIACE (que com a recente mudança de legislação já não pode ser uma carrinha vinda da Europa com 20 anos);
ii)                   Arranja um “condutor” que se responsabiliza pelo negócio. Com isso tem que “angariar” o cobrador e garantir o valor acordado semanalmente;
iii)                  Falando de valores… Em muitos casos são 500 Usd por semana que o condutor terá que pagar ao investidor. Com os valores cobrados (em média 200 AKZ = 2 Usd) são garantidos os 100 Usd diários para o investidor e a restante receita é dividida pelo condutor e pelo cobrador. Ao sábado toda a receita é apenas para o condutor.

Assim são a versão Angolana dos Moçambicanos “Chapas”.

Para exemplificar, aqui fica uma foto de um Kandongueiro tirada pelo Repórter num dos dias de imenso trânsito.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

11.Abr.11 – Divulgação: Rock Made in Angola


Muitas vezes escrevemos “Angola está a mudar” e acredito que para que não está por cá ache que se trata de um exagero. 

É normal. Quando estamos numa sociedade madura as mudanças não são muito visíveis. Poucas são as cidades no mundo em que se constroem 5 ou 6 edificios em plena Baixa da Cidade, poucas são as cidades em que, de uma forma geral, existam obras nos passeios de 50% das ruas, poucas são as cidades  onde quase todos os dias se vê algo novo.

Evidentemente que extrapolando para outros campos, nomeadamente o cultural, a velocidade com que aparecem novidades é também elevado (apesar de ser inferior). E é um bocadinho isso que se sente…

"Um mundo" (país e cidade) em perfeita mutação.

O link que agora divulgamos é um bom exemplo. Um blog relativamente recente onde se divulga e apresenta o Rock feito em Angola. Sugerimos que o acompanhem. Quem está longe terá oportunidade de perceber e sentir o crescimento e aumento de maturidade e quem está por cá aumenta o seu leque musical e poderá assim também enriquecer culturalmente e minimizar a quantidade de vezes que se lamenta pela falta de diversidade.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

08.Abr.11 – Blog atinge 5.000 visitas


Tendo em consideração a data do primeiro post (2 de Setembro de 2009) e o conteúdo deste blog, que basicamente se dedica ao relato de experiências, de inicialmente um repórter e agora dos dois repórteres, confesso que nunca imaginei que um ano e sete meses depois o Noticias da Terra Avermelhada tivesse originado 5.000 visitas.

O nosso obrigado a todos os que têm acompanhado as nossas vivências.

02.Abr.11 – Maria Rita no CineAtlântico


O nome desta senhora transporta-me para alguns e bons anos atrás, em que a nossa fidelidade matinal à Antena 1 nos fazia descobrir cantores assim, ainda ligeiramente desconhecidos das grandes massas.

Andava por aí no 2º ano da faculdade e lembro-me de pensar que aquele som me transportava para o Brasil, lembro-me de imaginar a infância desta senhora, certamente riquíssima do ponto de vista cultural e musical por ter nascido filha dessa musa inspiradora chamada Elis Regina, que cantava livre como ninguém.

Alguns anos depois continuei fiel e um dia numa visita à FNAC, com um dos meus primeiros salários, trouxe para casa o álbum homónimo, que fui riscando e riscando no carro até o meu irmão e o repórter dizerem que eu desperdiçava cds, que se estragavam, que os poderia gravar e manter os originais em casa. Não sei porquê mas nunca gostei de cds gravados, gosto de ter os originais. Mas não me apego de alma e coração a eles, mas sim tento usufruir deles enquanto e sempre que posso. Não colecciono cds, colecciono música. E sempre fui assim. Quando comprava um cd não o conseguia colocarna prateleira, ouvia, ouvia e ouvia, e só consigo ter esse prazer quando abro a caixa original. Cds guardados são relíquias, não têm vida. Talvez seja por isso que Iphones, Itunes, etc., nunca me tenham deixado extasiada.

Mas voltando ao tema...

Por essa altura que riscava o cd no carro passava  uma novela que tornou emblemática  e universal uma canção sua. Admito poder haver outras canções suas mais poéticas, e que a inserção no soundtrack da novela lhe tenha dado o impulso e o protagonismo que teve, mas a verdade é que para quem, como nós, está tão habituado a abraços, partidas e chegadas, esta canção diz-nos tudo.

Estava ainda longe de sonhar vir para Angola quando a Maria Rita foi actuar a Portugal e a minha Sylvie me convidou para ir ver o concerto com ela. 90% da plateia era composta por brasileiros, mas não me senti estrangeira. Houve muito samba e pé tirado do chão, mas nada superou o momento em que se começou a ouvir os primeiros acordes e em uníssono se cantou:
“Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica...”

Naquela altura senti que estava a viver um momento lindo, mas não interiorizei completamente a essência do mesmo, até que as partidas e as chegadas se tornaram parte integrante e constante da minha vida.

Não há dor como a da partida, aquele abraço que recebemos cheio de amor e de tristeza, a rogar para que fiquemos, deixando antever a saudade até ao próximo reencontro. Mas não há alegria maior do que a da chegada, aquele abraço apertado onde se afoga toda a saudade sentida e se agradece ao mundo por estarmos ali de novo.

E como não poderia deixar de ser a interpretação desta canção no Cine foi também o ponto alto da noite.

Para além do grande número de brasileiros que foram para estar mais perto de casa, havia outro tanto número de outros imigrantes. Não foi um concerto de massas, já que a casa mal estava cheia, mas foi muito nosso. Despido de grande ou nenhuma decoração, a Maria subiu ao palco com toda a sua simplicidade, mas capacidade de encher uma sala que já por ali viu passar artistas de renome.

E assim fomos para casa, a relembrar as saudades, mas com o coração e a alma cheia.



sábado, 5 de maio de 2012

01.Abr.11 – Laurent Filipe no Miami Beach


A vida cultural em Angola é tão subitamente intensa quanto escassa, e a semana à qual agora nos referimos está no primeiro dos pólos opostos acima mencionados.

É sempre com alguma excitação que recebemos a notícia da vinda de artistas internacionais a Luanda, e há medida que a semana ia passando, davamo-nos conta que os próximos dias iam ser muito cheios... 
chegámos a brincar com a situação e dizer “mas resolveram fazer um pack e trazê-los todos juntos?”

Quem cá vive percebe o que estamos a tentar transmitir, mas na verdade de Sexta a Domingo Luanda não ia parar (e Benguela também não), sendo que o cartaz cultural versava assim:
Sexta-feira: Laurent Filipe, Miami Beach Club
Sábado: Maria Rita no Cine-Atlântico
Sexta, Sábado e Domingo:  Carlos do Carmo na Casa 70. Já se antecipava a saudade do Fado misturado com o calor do Semba

Como a carteira tem fundo à vista, e o fundo em Luanda é bem visível, fizémos escolhas, Laurent Filipe e Maria Rita. Achámos insano pagar mais do que um salário mínimo local para ver o nosso querido Carlos, embora as imagens que vimos posteriormente quase nos tenham enchido os olhos de lágrimas.

E na Sexta lá cumpri o prometido, saindo a horas mais ou menos decentes, já que apesar de termos mesa reservada, a confiança do repórter não era a maior, tendo passado o dia a antecipar a não existência de qualquer reserva no meu nome. Mas o Wilson não falhou e os dois lugares estavam mesmo à nossa espera, na primeira linha, junto ao palco. 

Para os que não são familiares do Miami Beach, é um espaço de referência em Luanda, na ilha. Muitos dirão que já o foi mais, o certo é que as memórias dos reveillons ali passados já percorreram o mundo e não há lugar que mais tenha ajudado a promover o jazz como este.

Não sabemos se foi ao sabor de um gin tónico que ouvimos o Laurent e a sua banda, ou se foi a ouvi-lo que saboreámos o gin e a refeição de marisco, mas sabemos que a noite passou depressa e em ambiente de grande intimidade, o que sempre acontece quando estamos a disfrutar.

O Laurent partia no dia seguinte para Benguela, para actuar no festival de jazz, e nós partimos até casa, ainda embalados pelo som vibrante da sua música, enquanto nos transportamos até à próxima experiência de sons e sentidos.

Até amanhã, com encontro marcado no Cine-Atlântico.

31.Mar.11 - Portugal e Brasil: inversão de papéis

"A ex-colónia ajudava o velho império".

De grande potência mundial a cauda da Europa...

É esta a realidade Portuguesa. Depois de períodos gloriosos da historia de uma sociedade verificamos que devido a uma "crise economica agora descoberta" Portugal não tem capacidade para a enfrentar de uma forma robusta e, como tal, terá de se submeter às restrições e imposições de terceiros.

É verdade que não é a primeira vez na nossa história e também é verdade que conseguimos rectificar a nossa trajectória mas também é verdade que, em virtude daquilo que já fomos, é rídiculo estarmos agora a passar por tantos sacrifícios.

Na minha opinião isto que hoje se chama crise não é ainda sequer uma amostra daquilo que teremos que passar, digo eu, nos próximos 5 anos. Entraremos numa expiral de dificuldades económicas e mentiras para que "os objectivos sejam cumpridos".

E porquê?

Perdoem-me... Mas estamos agora assim porque temos uma mentalidade muito individual e muito pouco pro-activa. Preocupamo-nos pouco com o bem comum e com o que poderemos construir para um futuro melhor.

Temos preferido, e infelizmente não antecipo que deixemos de preferir, criar condições para os beneficios imediatos, para a arrecadação instantânea e, evidentemente, isso tolda-nos a mente... Não nos permite semear hoje para colher os frutos apenas daqui a 30 anos.

Este é um problema da nossa sociedade e é evidentemente, perdoem-me a sinceridade,um dos motivos pelos quais os nossos políticos não têm conseguido criar medidas estruturantes para o país...

Não apoio o período de Colonização mas custa-me um pouco que agora as coisas sejam postas desta forma....

"A ex-colónia ajudava o velho império".

Deixo o link para que possamos reflectir...
http://expresso.sapo.pt/video-financial-times-sugere-que-brasil-anexe-portugal=f640995

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