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quarta-feira, 16 de março de 2011

3 de Dezembro – Bahia convida às sextas, embora convide sempre!

É com muito carinho que escrevo este post, por ser sem dúvida um dos primeiros sítios que mais me marcou positivamente em Luanda, e por ser o meu espaço de eleição.

O Baía é tão diversificado que poderia escrever vários posts com abordagens e tópicos distintos, mas vou ousar misturar tudo e espero que não se torne uma valente confusão.

Fazia uma semana exacta que estava em Angola quando fui a primeira vez ao Baía, aliciada por uma proposta tentadora. O repórter ligou-me quase ao final da tarde com a seguinte questão, para a qual compreenderão, não havia muita hesitação na resposta “O Mike* quer ir para casa jantar e descansar ou quer ir com o Mike comer uma Pizza da Lagosta?” Uhmmm jantar+descansar Vs. Pizza de Lagosta? O descanso que viesse depois, agora, ou melhor, logo, que venha a Pizza de Lagosta.

Não sabia eu que a Pizza Lagosta era a Pizza Baía, assumindo o nome do Restaurante/Bar, e muito menos sabia que aquele viria a ser o meu espaço favorito em Luanda.

Não sabia mas fiquei desde logo com essa intuição. O Baía, aliás, Espaço Baía, conquistou-me à primeira vista pelo ambiente, descontraído mas ao mesmo tempo reservado, pela música ambiente que é no mínimo excelente, repleta de artistas contemporâneos e maioritariamente dos estilos bossa nova e jazz, e pela variedade de snacks. A vista não é magnífica, mas virá um dia a ser, logo que acabem as obras da baía de Luanda. Mas, para ser sincera, nem sequer faz falta, sentimo-nos de tal forma relaxados que nem reparamos no que está para lá da vista.

Desde aí o Baía tem sido o sítio por nós mais vezes visitado, sobre todo e qualquer pretexto. Um snack ao Domingo, um copo no final da semana para descontrair, um jantar intimista, sobre a verdadeira luz de velas e as ventoínhas que marcam os anos, qualquer motivo é bom para passar por ali.

Mais recentemente descobri que a dona do espaço é irmã do conhecido cantor brasileiro D’javan, que tantas vezes ouvi nas noites ali passadas. Talvez assim se explique o bom gosto musical nos temas escolhidos e que nos acompanham as refeições ou simplesmente as conversas ao sabor de um gin tónico.

A fidelidade é tanta que mesmo com a distância que agora me separa da cidade, as sextas são-lhe quase sempre reservadas! Até porque, é quando ele nos oferece uma das coisas que tem de melhor, a música ao vivo!
É, sem sombra de dúvida, o Espaço a não perder, de tal forma que seria capaz de desejar transpor uma versão igual para a Lisboa que me viu nascer...

*Mike – termo utilizado por nós que um dia, oportunamente explicaremos.

terça-feira, 15 de março de 2011

27 de Novembro – Shangai Baía, um dia destes damos-lhe uma segunda oportunidade

Eu, co-reporter, já conhecia o Shangai Baía antes mesmo de vir para Angola. Posso até acrescentar, já conhecia o Shangai Baía antes mesmo do repórter saber que ele existia, sendo que ele já cá estava há uns meses...

Foi graças a um documentário que o repórter publicou no blog, sobre a comunidade chinesa em Angola, feito pela Mariana Van Zeller e pela Vangard Journalism, que descobri a existência do Shangai. Se não estou em erro, o nome do restaurante até nem era mencionado, mas depois de alguma investigação descobri que se tratava do Shangai. Um dos atractivos do mesmo, para além da localização, na Ilha, junto ao Cais de 4, de frente para a Baía de Luanda, são as salas de Karaoke que proporcionam uma espécie de espectáculo VIP, permitindo aos que como eu não têm voz afinada, esconder entre quatro paredes as figuras enquanto cantam ou tentam trautear uma letra que passe na pequenita TV.

Ora bem, ainda não tinha data marcada para vir para Angola e desde então tinha ficado prometida uma ida ao Shangai Baía entre amigos, com gargantas afinadas, claro está!

Contudo, essa ida, apesar das mil e uma tentativas e lembretes por mim conduzidos, não se concretizou e um belo Domingo, daqueles em que acordamos tão tarde que o pequeno-almoço parece um almoço ligeiramente adiantado, lá fomos experimentar!

Tinha caído uma chuvada imensa, daquelas que só vi uma vez ou duas na vida, até vir para Angola. Certo é que desde que cá estou já multipliquei por, pelo menos 5, este número de observações! A chuva tinha sido tanta que algumas ruas estavam cortadas, ou intransitáveis devido aos estragos nas mesmas, às cascatas imensas que se formaram, ao derrube de inúmeras coisas, o que fazia com que o nosso propósito, ir tomar um simples snack, não fosse possível. A generalidade dos restaurantes que o permitiriam estavam fechados. Depois de muitas voltas e já quase a voltar para casa, onde nos esperaria uma qualquer lata de salsichas para abrir e uns ovos para estrelar, levantei a hipótese: E se fôssemos finalmente experimentar o Shangai? O repórter não estava muito para aí virado, mas depois de tantas tentativas goradas, lá estacionámos o Jimny.

A primeira impressão em si foi logo negativa. A animação que tinha sido transmitida na reportagem obviamente que não existia, no espaço existente separado das salas de Karaoke éramos os únicos clientes, e a chuva que se tinha abatido sobre Luanda faziam com que a esplanada, onde nos queriamos sentar para aproveitar os raios de sol que já espreitavam, parecesse um lugar abandonado e com vestígios de destruição. O interior não se apresentava diferente, no que respeita obviamente ao abandonado. Mas pronto... vamos lá experimentar a comida... Pedimos os habituais crepes e porco doce, um dos pratos preferidos que temos em comum. Bom... salvou-se a rapidez com que nos trouxeram os pedidos e o ruído de fundo de uma das salas de Karaoke mais próximas, que nos permitiam escutar de quando em quando a alegria inerente às performances que se iam apresentando.

permitiam escutar de quando em quando a alegria inerente às performances que se iam apresentando.
A comida não era nada de mais, para dizer a verdade, assim que experimentei senti saudades do meu chinês preferido na rua dos Bacalhoeiros. E o repórter ainda me conseguiu dar aquela que considero a pior notícia: O Karaoke era só composto por temas em chinês! Oh pá, é que a comida até podia ser má, porque restaurantes chineses há mais, mas salas de karaoke para grupos onde é que vou encontrar?

Como ainda não estou absolutamente convencida da veracidade desta informação, pois receio que tenha sido uma estratégia do repórter para não concretizar a promessa de um dia ocuparmos uma daquelas salinhas, e porque as condicionantes eram muitas para fazer com que a primeira experiência não tenha sido positiv, ainda vamos dar uma segunda oportunidade e voltar ao Shangai, quem sabe numa noite destas, para aproveitar a vista...


Para os interessados:
Localização: Shangai Baía, Ilha do Cabo, perto do Cais de 4, do lado direito, mesmo ao final do parque de estacionamento. O espaço está divido em dois, do lado direito o Bay Art, e do esquerdo o Shangai Baía.
tel: +244 222 309 198
+244 923 788 188
+244 924 296 66

domingo, 13 de março de 2011

26 de Novembro – Uma visita a uma “loja de telemóveis"

O título do post é, evidentemente, provocatório… Mas no bom sentido…

Nos últimos dias vimos nascer, praticamente à porta de casa, uma banca que tem como principal actividade os arranjos a telemóveis.

Pois bem… Aproveitando o facto do guarda da nossa casa estar junto aos “donos da loja” lá fui eu, repórter, de máquina em punho para recolher umas fotografias…

Depois de dois dedos de conversa aí estava a autorização para tirar fotografias… Não só “dos profissionais” propriamente ditos, como também da tia de um vizinha que ia a passar no momento…

Para a posteridade…







25 de Novembro – Exposição Pintura "Vidas na banda"

Tal como tenho escrito “Angola está a mudar”…

E aqui está mais uma prova…

Alguns meses depois de divulgar a sua paixão e trabalho por e em Angola, é com um prazer especial que divulgo a exposição de Pintura que o Artista Plástico Miguel Barros fará em Luanda.

A inauguração da exposição será no dia 25 de Novembro e realizar-se-à na Galeria de Arte Celamar, na Rua Mortala Mohamed. De forma a ser mais preciso a Galeria localiza-se entre o Jango Veleiro e o restaurante chinês.


(Nota: O atraso na actualização do Blog torna este texto “rídiculo” contudo, uma vez que já estava escrito e que divulga o trabalho de um artista que admiramos, entendemos que deveríamos manter o texto tal como foi escrito originalmente)



22 de Novembro – Divulgação: Cultura Africana Contemporânea

Angola está a mudar…

Envolvido no espírito da 2ª Trienal de Luanda apresento um site, relativamente recente, que divulga a Cultura Contemporanea Africana…

Este vai directo para os links do Terra Avermelhada para que todos possamos acompanhar a evolução do site e da Cultura neste nobre continente.

Votos de muito sucesso aos autores.

sábado, 12 de março de 2011

17 de Novembro – Chuva forte em Luanda

Todos nós já ouvimos falar de chuvas tropicais e aqui no blog, já publiquei as imagens da inundação que tive no quarto onde habitava…

Mas, mesmo assim, é algo que é díficil de compreender para quem “não as vive”.

Por isso aproveito o facto de terem existido estas para explicar que, a mehor forma que tenho de definir uma chuva tropical, é dizendo que é uma chuva intensa, normalmente de curta duração, mas de muita intensidade.

Aliado a isso, e reccorendo ao meu imaginário, diria ainda que para além da pluviosidade existe também muita humidade, porque estas chuvas só ocorrem em locais onde a temperatura é muito elevada…

Por cá, confesso, já “vi” o conceito de chuva tropical mas nos últimos meses tenho sentido que as chuvas se têm assemelhado mais ao que costumamos viver em Portugal… Uma chuva, com maior ou menor intensidade, mas cuja duração é longa…

Mas… Não fugindo ao título do post, aqui fica um filme recolhido pelos amigos Sérgio e Filipe e, concordarão, retracta muito bem, a violência e intensidade da chuva…

quarta-feira, 9 de março de 2011

13 e 14 de Novembro – Fazenda Cabuta (2º dia)

O dia começou bem cedinho, não só por causa dos detalhes da noite anterior e dos habitantes adicionais do nosso quarto, como também pelo facto dos senhores que estão a construir mais quartos e apartamentos serem chineses e terem começado a fazer blocos de cimento logo às 8 em ponto!

Tomámos o pequeno-almoço com um grupo de viajantes que andavam a fazer um rally tour por Angola, sendo aquela uma das paragens, e seguimos para a visita oficial à fazenda acompanhados de um dos trabalhadores locais.

Passámos pelas roças de café e apercebemo-nos da real dimensão da fazenda. O nosso guia levou-nos ao miradouro do qual se tem uma vista magnífica do vale do Kwanza, permitindo óptimos registos fotográficos. Visitámos ainda a casa do dono da Fazenda e as fábricas do Óleo de Palma e de sabão. A fábrica de sabão está completamente abandonada, mas no que respeita ao Óleo de Palma, foi construída uma nova que se encontra em produção.












O guia deixou-nos estar bastante tempo à vontade e pudémos recolher imensas fotografias e conversar com algumas das pessoas que passavam, nomeadamente um grupo de 3 crianças que consertavam os travões da sua bicicleta.








As horas avançavam, era tempo de nos fazermos à estrada, e tínhamos desde logo uma missão, encontrar um posto de venda de combustível nos próximos 100kms. Sabíamos que essa missão seria difícil, mas mais ainda, sabíamos que tinha que ser executada em Calulo.

Antes de chegar à vila, e no percurso em picada, encontrámos uma senhora pelo caminho a pedir boleia. Transportava uma quantidade enorme de lenha e trazia consigo um bebé de colo. Imaginamos o tempo que demoraria a chegar se tivesse feito o trajecto a pé... Segurámos no bebé durante o percurso e ao devolvê-lo à mãe tive a felicidade de ser presenteada com um sorriso magnífico que deu origem a este momento registado de forma formidável pelo Lu

Autoria da Fotografia: Ludgero e Andreia

Encher o depósito não foi difícil, apesar de ambas as bombas estarem fechadas. Mas, postos de combustível diferentes dos “tradicionais”, não eram escassos :)



Autoria das Fotografias: Ludgero e Andreia

Percorremos novamente o mesmo caminho e propus uma paragem em Cambambe para almoçar. Infelizmente o restaurante da Pousada já estava a fechar, mas indicaram-nos outra possibilidade muito próxima onde muitos turistas iam, a Ti Libina. Antes mesmo de nos dirigirmos aproveitámos para ver a paisagem envolvente, com o Kwanza mesmo por baixo de nós.




Autoria das Fotografias: Ludgero e Andreia

Aquilo que julgávamos ser um restaurante não era mais do que a casa da Ti Libina, o terraço onde tem o grelhador e uma bela de arca frigorífica abastecida de refrigerantes e Ekas, e um jango. Quando perguntámos ser ainda serviam almoços, responderam de imediato que sim, mas só churrasco, que era o que estavam a preparar para a família. Entreolhámo-nos e dissémos que sim, sendo gentilmente conduzidos ao Jango.

Aqueles momentos que ali passámos no jango da ti Libina foram um regresso ao passado, com recordações do tempo de infância, motivadas pelas garrafas em que nos trouxeram as bebidas. O frango estava óptimo, acompanhado de salada de tomate ali cultivado e batatinhas acabadinhas de fritar. Que gosto é comer batatas fritas sem serem congeladas! Algo cada vez mais raro.




Depois do repasto e com o estômago reconfortado seguimos caminho em direcção a Luanda, com a aproximação do final de um fim-de-semana que parecia ter sido muito mais longo do que na realidade foi. A verdade é que os momentos vividos em boa companhia, as conversas com as pessoas que fomos encontrando, as paisagens que tivémos oportunidade de ver e registar, fizeram daquele fim-de-semana pequenino, um grande fim-de-semana!

PS: Para quem estiver interessado, e porque foi difícil para nós encontrar os contactos de ambos os locais, aqui ficam:

Pousada de Cambambe: Telefone fixo 235 205 007 / Telemóvel 913 533 680
Fazenda Cabuta – Telemóvel 917 910 000 / 919 977 004

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