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sábado, 26 de fevereiro de 2011

12 de Novembro – Canceladas celebrações 11 de Novembro nos EUA

Foi a festa que ficou estragada e algo mais....

Naquele dia o repórter acordou não tão cedo como habitualmente, mas ainda assim cedo :), e foi trabalhar enquanto eu, co-repórter, fiquei a aproveitar a caminha e a ponte que tinha sido concedida para dormir mais um bocadinho. Naquele início de dia nunca adivinharíamos o que se tinha passado do outro lado do Atlântico, mais a Norte. Na realidade já tinha acontecido na véspera do feriado, mas os comuns dos mortais só tiveram conhecimento alguns dias depois, na semana seguinte.

Na realidade nada podia fazer prever o que aconteceu e a infeliz coincidência da data daquela decisão. Bom, nada fazia prever não é necessariamente verdade. Depois de alguns acontecimentos passados muitas coisas podiam acontecer entre elas esta, mas realmente, e não querendo substituir-nos a juízos mais indicados, não só a data foi infeliz como também a forma como tudo se processou.

E o que se sucedeu foi que o Bank of America cancelou, justo nas vésperas do feriado, todas as contas que a Embaixada de Angola tinha junto daquela instituição. Ora bem, isto em si já constitui um problema pela forma sem aviso desta decisão, se acrescentarmos o facto da Embaixada não ter naquele país mais contas abertas junto de outras instituições financeiras e como tal ficar impossibilitada de movimentar qualquer quantia de dinheiro, a coisa complica-se. Se por fim tivermos em consideração que haviam eventos programados, festejos para a comunidade Angolana nos EUA de forma a poderem celebrar também elas a independência do seu país, artistas como a Yola Semedo que se deslocaram para lá, fornecedores e serviços que foram contratados, pessoas mobilizadas, que tinham que ser pagos a tempo e horas e deixaram de poder ser, originando assim o cancelamento das celebrações, ficamos perante um problema grande e sério.

Terá sido tudo isto que passou pela cabeça dos diplomatas Angolanos nos EUA, do Governo e do Presidente. Imaginamos que mais ainda terá passado, como a humilhação de transmitir a mensagem de cancelamento para quem aqueles momentos de festejos seriam uma aproximação a casa, ao país e às famílias que se encontram longe, ou tão simplesmente a distracção que habitualmente não têm ou não podem ter. Por tudo isto a situação foi tomada a peito, foi interpretada, julgada, demorou a ser comunicada oficialmente mas quando foi deu origem a reportagens em jornais e telejornais nacionais e internacionais, a artigos de opinião, a muitas conversas onde se falava da mensagem transmitida pelo Governo Angolano que incluia a palavra retaliação.

Por norma, eu, co-reporter, acredito na bondade das pessoas no principio de que todos são inocentes até se provar o contrário, por isso sempre estive em crer que o Bank of America não tinha realmente noção do dia que se aproximava e não considerou isso na sua decisão. Por outro lado também não entendeu o alcance da mesma em todos os níveis, e foi por tudo isto que a situação se transformou num incidente diplomático. Daquele dia em diante, o Bank of America não era o culpado, os culpados passaram a ser os Americanos, de uma forma generalizada, e também o seu Governo.

Recordo perfeitamente o email que recebi de uma amiga que trabalha em Londres a perguntar “É verdade que está aberta uma crise diplomática entre Angola e os EUA, porque fecharam as contas da embaixada angolana e agora o Governo Angolano ameaça responder na mesma moeda ou pior?” Nas palavras desta minha amiga, resultantes possivelmente de notícias que tinha lido ou ouvido, já nem sequer existia o Bank of America, nem qualquer menção ao Feriado da Independência, a situação foi abreviada mas sobretudo ampliada.

Na realidade, pouco mais se soube publicamente sobre o incidente, mas as consequências essas continuam a ser esperadas e, poderão não ser apenas para os americanos...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

11 de Novembro – Feriado: Dia da Independência

Embora se diga que Angola tem muitos feriados, o que comparativamente a Portugal faz com que o número dos mesmos seja inferior, este será sem dúvida, na nossa opinião, o feriado mais importante que se celebra no país, sobretudo se considerarmos o seu passado e história recente.

É certo que a luta pela independência começou muito antes, e há feriados que assinalam esses marcos na história de Angola, já referidos por nós em posts anteriores, mas o 11 de Novembro marca efectivamente o dia da Liberdade e o fim oficial do colonialismo.

Este ano a celebração do feriado, que costuma ser seriamente engalanada, assumia especial importância pois festejava-se o 35º aniversário da Independência. Cerca de duas semanas antes a cidade começou a “vestir-se” e preparar-se para o evento. Por toda a cidade foram espalhados cartazes, luzes e anúncios anunciando o número 35 como marco histórico. Foram concluídas algumas obras de reabilitação nas zonas que conduziam aos principais locais dos festejos. (Sim, nós portugueses achamos que só no nosso país é que isto acontece mas começamos a perceber que as obras de campanha e festejos andam mesmo pelo mundo fora!).

Contudo havia um facto que ameaçava retirar assistência aos festejos. O feriado iria calhar numa quinta-feira e foi concedida tolerância de ponto pelo Governo. Dessa forma antecipava-se que muito mais que celebrar o feriado, muita gente aproveitasse o fim-de-semana prolongado para viajar ou visitar as províncias. E a realidade é que na véspera do feriado o trânsito caótico em todas as principais artérias de saída/entrada da cidade indicava isso mesmo, a cidade iria estar deserta nos dias seguintes. Passamos desde já a explicar – Deserta nunca estaria, na verdadeira acepção, mas este adjectivo aplica-se por comparação à quantidade de gente que habitualmente circunda por Luanda.

Infelizmente nós iriamos mesmo ser dos poucos que permaneceriam na cidade. Apesar de eu, co-reporter, ter tido tolerância de ponto, o reporter não teve igual sorte, o que em dizer, inviabilizou a possibilidade de irmos até terras mais longínquas :)

Mas nem tudo é mau, no dia 11 tivémos a cidade toda para nós, não havia filas para nada, aproveitámos para despachar algumas coisas que tinhamos pendentes e fomos para um belo almocito num dos libaneses da cidade. A bem dizer fomos embuchar muita gordurinha com um Kebab do tamanho do mundo no Al-Amir, enquanto assistiamos na televisão às celebrações do 11 de Novembro por todo o território angolano, muitas vezes distraídos pelas conversas agitadas em árabe. Não nos recordamos com exactidão, mas durante aquela hora e pouco que ali estivémos foram inauguradas para cima de muitas estradas, pontes, escolas, hospitais, centrais hidrícas, em muitas províncias angolanas. Oxalá houvessem muitos 11 de Novembros durante todo o ano... mas pelo menos já é um começo!

Mas afinal estamos para aqui a falar, a falar, entenda-se, a escrever, a escrever... e não falámos ainda do feriado do ponto de vista histórico. Se analisarmos minuciosamente a independência não foi proclamada no dia 11, mas sim no dia 10 de Novembro, contudo para produzir efeitos a partir do dia seguinte. Por essa razão foi assinalado o dia 11 como dia da independência.

Melhor explicando, após o fim da ditadura em Portugal, com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, criaram-se perspectivas para a independência de Angola e de outros estados coloniais. Os novos governos portugueses constituídos no pós-revolução, foram iniciando negociações com os três principais movimentos de libertação angolanos (MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola), e dando assim origem a um período de transição para a implantação de um regime democrático em Angola (iniciado como o Acordo de Alvor, assinado a 15 de Janeiro de 1975).

No dia 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, o Almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo Português, proclamou a independência de Angola. Desta forma transferia a soberania e o domínio até então mantido por Portugal, para o Povo Angolano, o que ocorreria de forma efectiva a partir do dia 11 de Novembro. O facto de transferir a soberania para o Povo Angolano era uma forma de dizer e deixar claro que a mesma não era transferida para nenhum movimento político em particular. Muitas discussões já se tiveram em redor desta decisão e, sinceramente, não queremos analisar os factos por muitas e variadas razões, apenas transmiti-los. Foi com estas palavras que o Almirante proclamou a independência (transcrição de parte do discurso):

"E assim Portugal entrega Angola aos angolanos, depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desaparecem, mas a obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter de que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos, deixa um país de que se orgulha e de que todos os angolanos podem orgulhar-se".

Ainda assim controlo de Angola foi dividido pelos três maiores movimentos de libertação, então denominados grupos nacionalistas MPLA, UNITA e FNLA, pelo que a independência foi proclamada de forma unilateral pelos três.

O MPLA, que à data controlava a capital, Luanda, proclamou a Independência da República Popular de Angola por volta das 23h00 do próprio dia 11 de Novembro de 1975, através do seu presidente, Agostinho Neto, dizendo, "diante de África e do mundo proclamo a Independência de Angola”. Com estas palavras chegava ao fim à luta empreendida pela independência iniciada no dia 4 de Fevereiro de 1961, com a luta de libertação nacional, estabelecendo o governo em Luanda com a Presidência entregue ao líder do partido.

Já Holden Roberto, líder da FNLA, proclamava a Independência da República Popular e Democrática de Angola cerca da meia-noite do mesmo dia 11 de Novembro, no Ambriz, na província do Bengo.

Nesse mesmo dia, a independência foi também proclamada no Huambo, por Jonas Savimbi, líder da UNITA.

Contudo apenas prevaleceu como independência reconhecida internacionalmente, a que foi proclamada pelo MPLA, passando assim a FNLA e a UNITA, a partidos da oposição.

Esta divisão partidária e de luta pela governação do país antevia os acontecimentos que se sucederam, mas para a história ficou o 11 de Novembro como o dia da Independência de Angola.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

10 de Novembro – Angola Vs SL Benfica

 
Apesar da polémica criada pela comunicação social devido à deslocação do SL Benfica a Luanda, sobretudo por causa do momento sensível da época, houve, de facto, espectáculo…

Isso mesmo… Houve espectáculo…

Não só o protagonizado pelos jogadores no relvado mas também o que o que o povo Angolano fez para receber, acompanhar e saudar os atletas do “Glorioso”.

O jogo, agendado para celebrar os 35 anos de independência da República de Angola, decorreu em ambiente de grande festa… A chegada do Benfica ao aeroporto teve fortes medidas de segurança, tal como seria de esperar, mas apenas porque a afluência foi grande… Não porque se receasse que algo fosse acontecer…

Durante todo o dia a romaria foi grande para o estádio… Havia música, “comes e bebes” e muita alegria enquanto aguardavam pelo inicio do jogo que se realizou no novo Estádio de Luanda, o Estádio 11 de Novembro.

Para a história fica um 0 – 2 num jogo interessante mas, como diria o Rui Santos, sem grande intensidade… Para a história fica também o motivo de orgulho e festa que é, para o Povo Angolano, a vinda do SL Benfica.

Aqui fica uma notícia do “lançamento” do jogo:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

7 de Novembro – Chá de Caxinde - Relembrar o presente com recurso ao passado – Luanda 18 anos depois

Este foi um daqueles Domingos sem expectativas nenhumas. Não tínhamos nada planeado e iríamos aproveitar o dia à medida que ele fosse decorrendo.

Eu, co-reporter, finalmente consegui dormir até às 10h00 da manhã! Acho sinceramente que foi um record que estabeleci em Luanda, que deixou o repórter feliz da vida :)

Depois de acordarmos, pôr-mos a conversa em dia com a famelga e comermos um belo de um pequeno almoço fora de horas, que é o mesmo que dizer, já perto da hora de almoço, saímos à rua à procura de algo para fazer!

Infelizmente começámos a pensar que a sorte não estava do nosso lado. Fizemos um périplo pelos espaços de exposições da Trienal, Globo, UNAP e Museu Nacional de História Natural e nada... tinha terminado o primeiro ciclo de exposições e estavam na fase de interrupção até ao segundo ciclo que inicia em meados de Novembro. Mas a visita ao Museu não foi totalmente perdida. Os mais atentos e fieis leitores deste blog já saberão de uma das minhas paixões no que respeita à cidade de Luanda, o prédio da Cuca!! Foi dos primeiros locais que vi quando cheguei à cidade e sempre andei a chatear o repórter para recolher fotografias do prédio e com o prédio! Ora nem mais... o Museu fica no extremo oposto do Largo do Kinaxixe (ou Kinaxixi, como prefirirem), e a oportunidade era a ideal, sem trânsito, sem movimento, com bastante luz natural e bem posicionados, tínhamos o cenário perfeito para os disparos fotográficos pretendidos!

Aqui ficam apenas dois dos registos recolhidos deste belo conjunto arquitectónico e cénico, na minha modesta opinião:




E uma brincadeira do repórter...


Regressamos a casa, tratámos de alguma lida doméstica, perdão, não deveria colocar o verbo tratar no plural, mas sim no singular...  e já com o estômago a pedir reforço fomos até ao Cais de 4 para um almoço tardio. Em Luanda há vários sítios bons para se comer e estar, mas talvez o Cais de 4 seja um dos que melhor conjuga estes dois verbos! A vista é magnífica, sem dúvida a melhor que se pode ter da Baía de Luanda, a comida, sem ter direito a uma estrela Michelin, é muito boa também, o que faz com que seja o local ideal para um almoço relaxado ou um jantar romântico. (Desculpem não utilizar o factor preço, mas sinceramente, em Luanda... não tem relevância... depois de algum tempo percebemos que só existe caro e muito caro, e depois de outro tanto tempo acabamos por perceber que, infelizmente, esse é mesmo o padrão...)

Ao final da tarde, e aproveitando o tempo livre que antecedia o clássico Porto-Benfica, fomos até ao Chá de Caxinde ver um filme, integrante do programa da trienal. O nome era sugestivo, O Miradouro da Lua, sem dúvida um dos principais monumentos paisagísticos dos arredores de Luanda, e representava a primeira co-produção lusoangolana, realizada no ano de 1992, marco histórico importante para este país.


Antes do filme iniciar fomos brevemente conduzidos pela história do mesmo, bem como por aquela que o antecedeu e acompanhou, através do próprio realizador, Jorge António, que se encontrava na sala.

Um pequeno aparte, o Chá de Caxinde é uma organização que assume extrema importância em Luanda do ponto de vista de divulgação cultural. Para além do cine-teatro onde se podem assistir a projecções de filmes e documentários, concertos, peças de teatro, existe também uma livraria e editora, um local para a prática de danças tradicionais e internacionais, um bar e um restaurante. É por exemplo neste local que se pode assistir aos concertos da Banda Maravilha, uma das mais conceituadas bandas de música popular angolana, todas as segundas-feiras! Mas em breve falaremos desta experiência em primeira pessoa.

Continuando...

O Jorge António falou da experiência de realizar um filme numa altura conturbada, como a do ano de 1992, em que decorreram as primeiras eleições livres em Angola, da escassez de recursos, do improviso na condução do filme, em que basicamente a gravação das cenas se ia desenrolando à medida das possibilidades existentes e das ideias que iam surgindo, mas chamou também a atenção para a Luanda de 1992. Segundo o realizador, aquele filme permitiria aos presentes não só recordar e reconhecer lugares da cidade, como perceber as diferenças que a separam dos dias de hoje. Algumas das pessoas que já visionaram o filme e conhecem a cidade actual, chegaram mesmo a perguntar-lhe “mas vocês tiraram os carros das ruas para filmarem as cenas de rua?” Todos os presentes sorriram perante tal afirmação, e o realizador reiterou “acreditem que não retirámos absolutamente nada, Luanda era mesmo assim, sossegada e praticamente sem carros”.

Por último apresentou-nos ainda uma das “actrizes” do filme que estava presente na sala, a Dª Custódia, para quem pediu uma salva de palmas. A Dª Custódia era uma senhora da casa dos 60, que aparentava ter alguma ligação prévia de amizade com o Jorge António, tendo a sua participação no filme sido improvisada, daí as aspas em torno da palavra “actrizes”.

De imediato ficámos com vontade de falar com ela e colocar-lhe uma série de perguntas... mas aguardaríamos pelo final do filme para saber se era possível...
O filme tem início em Lisboa, saltando à vista nomes aos quais estamos habituados, Vítor Norte, João Baião, João Cabral, Joaquim Paulo e José Meireles. Desde logo se percebe um pouco da história e a forma como se vai desenrolar. João Cabral é o actor principal, assumindo o mesmo nome, que vai partir em busca do pai que não vê desde criança, o qual vive em Luanda! A mãe, a veterana Isabel de Castro, embora um pouco incomodada com a viagem do filho, acaba por se resignar à ideia.
Na viagem de avião o João conhece a Sol, uma estudante angolana a regressar de férias, que viria a revelar-se uma ajuda preciosa em Angola. Aqui começam os pormenores que tornam o filme interessante com estes 18 anos de distância. O João, a par com outras pessoas, acende um cigarro dentro do avião. Pode parecer algo estranha a minha surpresa perante tal facto, mas nunca assisti a algo semelhante e nunca voei com tal permissão. Agora percebo a insistência dos avisos em todos os voos, afinal há ainda muita gente na actualidade que se recorda do tempo em se podia fumar num avião.

Mas o filme começa realmente a ganhar interesse a partir do momento em que o João aterra em Luanda no 4 de Fevereiro. O repórter ainda se lembra de uma parte antiga do aeroporto que se vê no filme, eu já não, mas há coisas que nos provocam risos de cumplicidade aos dois e a todos os presentes.

O João, perante a ausência do pai no aeroporto e a oferta de boleia da Sol e do irmão que a tinha ido buscar, diz: Não se preocupem, eu apanho um táxi! Não só a Sol e o irmão se desatam a rir, como todos nós também. Táxi em primeiro lugar é o nome dado aos Kandongueiros, as carrinhas Hiace que transportam as pessoas, em segundo lugar táxi, tal como se conhece habitualmente, é algo que não existia naquela época. E hoje... bom, existe uma empresa de táxis, mas os serviços são só por pedido antecipado e às vezes nem assim.

Depois existem uma série de lugares visitados no filme que nos fazem reviver a cidade. Por coincidência, a primeira rua em que o João vai à procura do pai é quase a nossa rua actual, o que nos faz trocar um comentário cúmplice e esboçar um sorriso. Já a rua onde a Sol mora tem um significado enorme para mim e para o repórter, a segunda morada onde o João vai à procura do pai é onde o repórter trabalha, aliás, a casa é ao lado do escritório do repórter... Há também uma série de locais marcantes, alguns que ainda existem e funcionam, outros não, entre outros o Hotel Panorama, actualmente abandonado, o cine Miramar, o bar /discoteca Pandemonium, o terraço do trópico, o Elinga Teatro.

O filme é marcado por uma série de encontros e desencontros na busca pelo pai, e é entre esses encontros e desencontros que ocorrem os passeios comuns como a visita ao Mussulo, em que os barcos parecem ser os mesmos dos dias de hoje, e às praias a seguir a Benfica, perto das Palmeirinhas.

E claro que o Jorge António tinha razão, Luanda era mesmo uma cidade diferente da dos dias de hoje, sem o trânsito frenético e caótico ao que estamos habituados, tudo parecia ser muito mais tranquilo.

Como acaba... não vamos contar, apenas vos podemos dizer que acaba aqui, com o João a gritar aos sete ventos que vai ficar...


Miradouro da Lua

No fim, e porque a curiosidade matava a respeito da rua onde o João vai à procura do pai na segunda morada que lhe deram, dirigimo-nos à Dª Custódia que nos confirmou. Era mesmo a rua onde o repórter trabalha! Contou-nos algumas peripécias sobre o filme e o nosso sexto sentido estava certo. A Dª Custódia era amiga do realizador, porque aparentemente um dos filhos e o Jorge estudavam juntos em Lisboa e, nas palavras da própria “O Jorge estava sempre a dizer: oh cota, um dia hás-de aparecer num filme meu, vais ver! E eu sempre a rir, até que um dia me apareceu na casa de Luanda com a malta toda e disse: oh cota, é hoje que vais aparecer! E assim foi, foram filmando e ficaram todos a dormir lá em casa” finalizando com uma gargalhada saudosista.

Há dias assim... em que temos muita sorte por poder viver momentos destes, relembrar o presente e visitar um passado recente!

E para quem quiser acompanhar a obra da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, aqui fica o link: http://www.chadecaxinde.net/

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

29 de Outubro – Porque nem tudo são rosas, neste caso, pérolas…

Depois de muita expectativa e de chatear o repórter para comprar os bilhetes, tinha chegado o grande dia, o dia do concerto da Pérola!! O meu regresso não podia ter ocorrido em melhor data, precisamente no dia que antecedia o espectáculo que há muito esperava para ver.

Passei a semana a falar do mesmo, a cantarolar as músicas que mais gosto, e a sexta-feira passou a correr na antecipação da noite que se avizinhava.

Fiz os possíveis para sair a horas do trabalho e chegar cedo à cidade, para ainda termos tempo de trocar de roupa e comer qualquer coisa. Entre outras coisas tontas, como guardar um registo fotográfico da alegria com o bilhete na mão :)

Ora bem, lá saímos em direcção ao Cine Atlântico onde o espectáculo teria lugar e, claro está, com pouco tempo de antecedência, a fila já era interminável e tivemos que recorrer à simpatia para conseguir um lugarzito em frente de uma garagem de forma a estacionarmos o carro.

Para ser sincera nunca pensei que a Pérola movesse tantas multidões. Todos os acessos ao Cine Atlântico estavam cheios de pessoas, pelo que a aproximação à porta de entrada se tornava difícil. Foi nesse momento que percebemos que as coisas estavam complicadas. Não só a fila para entrar era imensa que lhe perdiamos o fim, como havia imensa confusão motivada não só pelo facto de muita gente não ter bilhete e querer ainda comprá-lo, sendo que muitos tentavam a sorte procurando entrar sem bilhete, mas também pela aparente inexperiência de quem estava a controlar a entrada.

O repórter começou a ficar nervoso pela confusão instalada e chegou mesmo a sussurrar ao meu ouvido “daqui a pouco estas pessoas passam-se todas e não sei o que é que vai acontecer”. Embora também achasse que isso fosse possível, tal era o nível crescente de ansiedade por parte de quem aguardava, a excitação de ver a Pérola ao vivo fazia com que tolerasse a situação e tentasse retirar aquelas ideias da cabeça do repórter. Mas não... a minha excitação não chegou para acalmar aquelas pessoas todas e Infelizmente ele tinha razão... em menos de nada e sem sabermos bem como, começam os atropelos, os gritos, as pessoas a correrem, a tentarem fugir e a empurrarem e tivémos que ir na corrente enquanto tentávamos perceber o que se estava a passar... só foi possível quando ouvimos os latidos fortes de vários cães, uma rapariga a gritar que tinha medo, e vislumbrámos um dos polícias de intervenção a atiçar os cães contra as pessoas. Por sorte um casal agarrou-nos no braço e disse “venham para aqui”! O “para aqui” era um sítio mais resguardado, onde as pessoas que aguardavem na fila se conseguiam desviar daquela confusão.

Mas... nem tudo são rosas e num acesso de nitidez o repórter põe a mão ao bolso e apenas me transmitiu as palavras que mais me custaram ouvir e nas quais não queria acreditar “olha, já está, os bilhetes já eram”, seguido de uma série de impropérios, mas nada havia a fazer... para nós a Pérola já não ia cantar...

PS: Na segunda-feira seguinte a caminho do trabalho, quando já estava ligeiramente restabelecida do que tinha ocorrido, oiço um colega dizer “epá, parece que o concerto da Pérola foi com power”, e pronto... a segunda-feira que já é um péssimo dia, ficou ainda pior...

sábado, 29 de janeiro de 2011

25 de Outubro – Eu só queria pão e café com leite, é possível?

Após o regresso, repentino e imposto, da Co-repórter a Portugal concluída as questões do Visto foi requisitada para um período na África do Sul. Dessa estadia resultou este texto…

Neste momento, são 8h30 da manhã (7h30 em Luanda) e estou a escrever este post sentada na mesa de um dos vários cafés existentes no aeroporto de Jo’burg, deparando-me uma vez mais com uma realidade quotidiana, especialmente quando estamos num país com hábitos alimentares muito diferentes dos nossos ou adoptados de outros países igualmente com hábitos distintos.

O senhor que me atendeu trouxe-me gentilmente uma ementa vastíssima e fiquei arrebatada por um forte sentimento de distância face aos nossos costumes. Não temos o pequeno-almoço mais tradicional do mundo e não se pode dizer que todas as pessoas tomam o mesmo, e o fazem todos os dias. Mas creio que podemos apresentar um que é mais ou menos padrão e, ao pensar nisto, recordo um programa de rádio da Antena 1, creio, em que falavam disso e chegavam à conclusão que o pequeno-almoço português mais típico se aproximava de uma chávena de café com leite e pão com fiambre, manteiga, queijo, ou outra coisa que o valha, havendo algumas variações nomeadamente a substituição do pão por pão de leite, croissant ou pão de deus...

Ora bem... a ementa tem tudo, e quando digo tudo, tudo mesmo, desde pequeno-almoço inglês com aqueles ovos cozinhados de todas as espécies e feitios, e acompanhados por tudo e mais alguma coisa, tinha tortilhas, panquecas, wraps, cereais, saladas, etc., mas não tinham pão! Ainda assim decido arriscar a minha sorte e claro que não espero que tenham uma carcacinha ou uma bolinha de água ou da avó para comer com fiambre e queijo, mas pronto, pedi duas fatias de pão para comer com manteiga e um bocadinho de doce, acompanhadas de uma chávena de café com leite. O senhor diz-me que sim, mas passado um minuto regressa e diz-me interrogativo “as duas fatias de pão são 8 Rands?!!!”. Juro que não percebi à primeira qual era o propósito mas à segunda sim... ele queria certificar-se que eu sabia o preço, porque como era pouco comum alguém pedir isto, nem punham na ementa... Por momentos ainda me veio à ideia que ele estivesse a pensar que eu não queria gastar muito dinheiro no pequeno-almoço... mas não...

Entretanto olho à minha volta e reparo que era a única pessoa do espaço, um dos maiores, se não mesmo o maior, do aeroporto, a comer algo tão simples! A questão é que, quando estamos tão longe de casa, um simples pequeno-almoço, como os que tomámos tantas vezes no nosso país, nos faz sentir um bocadinho mais perto!


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

20 de Outubro – Deambulando por outros Blog’s V

Desta vez a sugestão que aqui trazemos não resulta de uma pesquisa nossa… Ao contrário, esta sugestão resulta de um contacto feito pela autora do blog…

Na sequência de um dos nossos post’s, Kirikou, contactou-nos para conseguir contactos do local (Quinta do Destino) onde fizemos paintball e escalada.

E foi na sequência desse contacto que fomos pesquisar o blog:


E a surpresa foi grande… Depois da primeiro contacto ficámos com a certeza que aquele poderia, sem dúvida, ser considerado o “primeiro grande guia de Angola”…

A oferta era muita e os tópicos principais mostram a riqueza do blog:

i) Feriados em Angola;
ii) Onde comer?
iii) Onde dormir?
iv) Onde dançar?
v) Onde arranjar o seu carro?
vi) Números úteis (onde existem contactos de companhias aéreas e outros)
vii) Spa & Massagens em Luanda


Aliado a este excelente guia, de extrema importância para quem chega e não tem quem lhe indique estas coisas, publica ainda algumas fotografias, por exemplo, dos locais onde comer para que os interessados tenham uma ideia inicial do tipo de local antes de se deslocar lá…



Para mim, repórter, tive ainda um prazer especial em ver este blog porque veio demonstrar-me que era possível concretizar uma ideia antiga… Desde o arranque do blog que pretendia colocar coisas específicas em páginas individuais. E a Angolita tornou-se o exemplo real dessa possibilidade…

Por isso mesmo, quem sabe para o inicio de 2011, o Notícias da Terra Avermelhada poderá começar a divulgar fotos e outros temas, em separadores, de forma a tentar tornar o blog mais interessante para quem nos visita.

A ver vamos se o tempo nos permite cumprir esse objectivo.

Para concluir, ficam os nossos parabéns à autora do angolita.com e votos de continuação de um bom trabalho. Nós cá estaremos e ajudaremos quando tivermos informações que sejam úteis.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

19 de Outubro – Vencer Obstáculos

Depois de quase um mês e meio em casa, em que recebi todos os mimos possíveis e imaginários da família e amigos, eis que chegou a hora de vencer mais um obstáculo e rumar à África do Sul para o meu novo projecto. Mais uma vez é necessário fazer as malas, partir, mas... principalmente despedirmo-nos de quem fica...

Nos últimos dias e mais precisamente quando se aproximava o meu regresso a África, a minha mente esteve muitas vezes retida sobre determinados pensamentos e ideias, mas sobretudo sobre as razões que nos levam a abandonar o nosso país, a nossa pátria e ir lutar, vencer e viver o dia a dia num local longínquo.

Isso levou-me a perceber que, embora de uma forma não tão evidente e constante, não só a moda se regenera, os hábitos e as tendências migratórias também.

Actualmente, e sempre que é lançada uma nova colecção de moda, apercebemo-nos que há sempre um estilo dominante que já o foi noutra época do passado. Claro que adaptados ao presente e com as devidas modificações introduzidas pela necessidade de inovar e actualizar, mas há sempre aspectos que foram utilizados em tempos. Muitos exemplos se poderiam dar, os mais recentes, entre outros, são as calças Skinny, as ombros das camisas e casacos levantados, as saias tipo tulipa, as botas com atilhos, etc...

Com a vida, e a necessidade de mudança de país, ocorre exactamente o mesmo. Claro que sempre houve e sempre haverá movimentos migratórios entre todos os países, mas também há tendências... Recorrendo a um passado recente, é fácil recordar a grande corrente emigratória que Portugal viveu durante o Estado Novo e o período que sucedeu a revolução de Abril. Com limitações ao nível do desenvolvimento cultural e económico, devido ao regime anti-democátrico e totalitário que ditava leis e impedia o progresso social, muitos foram obrigados a procurar novas formas de vida fora do país. Alguns tentaram a sorte mais perto, sendo França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Luxemburgo, os destinos mais procurados, e os mais destemidos aventuraram-se para bem mais longe... EUA, Canadá, Venezuela, Brasil, Argentina... as razões que os assistiram na escolha, não as sabemos, mas a coragem e a necessidade de ter uma vida melhor, superaram a saudade, a distância e todos os factores contrários à mudança.

Depois... depois veio um período de estabilidade e crescimento económico incrível, onde nos habituámos a viajar, a comer fora, a disfrutar de uma série de prazeres da vida. Durante anos ninguém falava em necessidades de emigrar, habituámo-nos sim a receber, muita gente, de muitos países, e acreditamos inocentemente que assim permaneceríamos para todo o sempre. A expressão vacas gordas era a palavra de ordem... eu nunca vivi profissionalmente durante este período, confesso que gostava de ter vivido ou talvez não... não sei... mas cresci profissionalmente no pós-vacas gordas, e recordo todos os momentos em que me lembraram que esse período já não existia, que não dava para isto, que não dava para aquilo...

E chegou o dia em que tive, perdão, tivemos que tomar uma decisão com a minha e nossa vida. Sabíamos que as coisas não iam melhorar e que mesmo que o período das vacas magras, perdão, macérrimas ou anoréticas, passasse, as vacas gordas nunca iriam voltar ou, caso voltem, não será em tempo útil para nós! E partimos... primeiro o repórter, depois fui eu. E somos oficialmente parte da nova tendência migratória, novamente aqueles que se vêm obrigados a procurar uma nova forma de vida num outro país. Mas claro está... a tendência é diferente da anterior. Este movimento migratório é composto por licenciados que, na sua generalidade não conseguem arranjar emprego na sua área ou, conseguindo, ganham miseravelmente (sendo que muitas vezes trabalham, mas não existe salário) para o dinheiro que gastaram aos pais na Universidade, pelo que estudaram, pelo que sabem ou tão simplesmente, pelas capacidades que têm e podem utilizar em proveito do seu país!

Os países de destino nem sempre se repetem, outros sim, mas na sua maioria, Angola, Brasil, Moçambique, Singapura, Dubai... a lista seria imensa!

Nós... para quem nos “lê” é um dado adquirido, para quem só agora aqui chegou, escolhemos Angola! E partir foi tão difícil... deixamos tantas coisas para trás... família, amigos, casa, objectivos, a união e a proximidade da nossa cultura, de tudo aquilo com o qual nos identificamos... é como ser arrancado de algo ao qual sempre estivemos ligados... mas no fundo temos um objectivo maior, o ir à procura de uma vida melhor, na esperança que a experiência recompense o sofrimento causado pela distância e separação.

E no fundo somos duas pessoas com sorte, porque apesar de tudo podemos lutar pelos nossos objectivos, ainda que longe, mas podemos!

Nem sempre a realidade é assim... À nossa volta há sempre pessoas que se esforçam e por uma outra razão não conseguem alcançar o seu sonho, seja profissional seja pessoal. Não consigo descrever-vos a dificuldade que tenho em aceitar a realidade crua de algumas circunstâncias que nos impedem de alcançar os nossos objectivos por mais que nos esforcemos e hoje tocou-me o coração uma mensagem que recebi de uma das pessoas mais talentosas que conheço.

Ele tem um sonho, tem o talento e toda a criatividade necessária para o alcançar, mas não o pode tornar realmente verdadeiro porque lhe falta uma componente indispensável, que nos dias que correm é ainda mais difícil de obter... e o sonho, o objectivo dele, não se resolve “facilmente” como o nosso...

Não tenho a capacidade financeira para te ajudar, mas tenho sim a capacidade humana para divulgar o teu magnífico trabalho sempre que possa!

Tenho a certeza que todo o teu esforço, empenho, criatividade e capacidade de inovação serão mais cedo ou mais tarde reconhecidos de forma a que o teu sonho possa ser alcançado e aquilo que hoje é algo pontual na tua agenda, se torne o teu ambiente diário!

Por tudo isto não deixem de visitar esta página que recomendo vivamente:



Mas, para vos aguçar a curiosidade, deixo só alguns dos muitos trabalhos já realizados:





Para o final deixei a minha malinha que me foi oferecida com carinho e que vai passear muito por Luanda e arredores... fiquem atentos aos próximos posts... ;)


No fundo... no fundo é só um obstáculo a vencer... o mais difícil está aí dentro de ti, o mérito e a criatividade! Isso sim, pouca gente tem...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

14 de Outubro – Blog atinge 3.000 Visitas

Resta, mais uma vez, agradecer a todos aqueles que vêm a esta página e que vão acompanhando a vivência (agora deste casal) na Terra Avermelhada.

Este continua a ser o local predilecto, e tem apenas esse objectivo, para a publicação de novidades/informações ou simplesmente partilha de momentos…

Pelos atrasos nas publicações as nossas desculpas mas nem sempre é fácil conciliar as exigências profissionais, com os momentos de lazer e o tempo e/ou vontade de escrever… Tentaremos ser mais disciplinados e manter o blog mais “on-line”.

Fica ainda o desejo de um blog mais dinâmico… Mais interactivo… Com sugestões, questões, etc, para que para além de engraçado para quem por vezes o abre se torne também útil para quem vive ou está a pensar viver em Angola…

domingo, 23 de janeiro de 2011

13 de Outubro – Acontecimento: Resgate de Mineiros no Chile

A 5 de Agosto iniciou-se o período mais penoso da vida de 33 mineiros Chilenos que ficaram soterrados a 700 metros de profundidade.

Depois de um período inicial (17 dias) em que, pelo menos em Angola, nada se sabia sobre o acdente, depois de detectados ainda com vida este acontecimento passou a ser, e bem, a notícia principal da comunicação social mundial…

Muito se disse, muito se especulou, muito se receou mas, na realidade, tudo correu bem e, sabemos agora, os 33 mineiros foram resgatados com vida naquela que foi – digo eu – uma brilhante operação de resgate…

Muitas previsões foram feitas mas apenas a 9 de Outubro a perfuradora T-130 atingiu com sucesso o fim da escavação... Era o momento mais aguardado porque seria aqui, neste processo final de furação, que existiam mais riscos de colapso (ou da própria mina ou da furação que estava a ser feita para o resgate).

Superado este instante com sucesso, apesar de existirem ainda riscos, o sucesso de toda a operação era, diria, quase inevitável…

“Para mais tarde recordar” aqui fica a notícia da Folha de São Paulo:


Regressando ainda aos numerosos dias de tensão e pressão, ficará para sempre o registo de “um dia típico dob a terra” feito pelo “Zero Hora”, também do Brasil.


E porquê a classificação de “Acontecimento” num blog que tem como principal tema a vivência de dois expatriados em Angola?

Porque o é… Sem dúvida… Porque numa fase em que todo o mundo atravessa a crise financeira que todos estamos a sentir, em que tudo aquilo que fomos tomando como certezas é posto em causa, em que não sabemos muito bem em que acreditar e não conseguimos perceber como será o nosso futuro a 6 meses (quanto mais a 2 ou 3 anos) este é um exemplo de que “enquanto há vida há esperança”.

É um exemplo que superando-nos a nós próprios, lutando com forças que julgávamos não possuir, tudo é possível…

E esse foi o exemplo dado pelo povo Chileno…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

10 de Outubro – O sapateiro Moreno

Regressando, mais uma vez, a referências feitas no passado, fazemos agora a ponte com o post designado “28 de Agosto – “Pula” na sola do sapato”, cujo link é: 


Numa das vezes que tive que regressar ao Moreno para ir buscar os últimos sapatos que a Co-Repórter tinha deixado quando regressou a Portugal, tive oportunidade de ter uma bela conversa com o Moreno. Num sábado perto das 15 horas, hora a que fecham a “fábrica”, quase todos os colegas já tinham saído e ele estava a aguardar que os minutos passassem como se tivesse a obrigação de fechar a porta apenas às 15 horas.

Todo o espaço já estava arrumado. Quem olhava não antecipava a azáfama que existia naquele mesmo local uma ou duas horas antes. Agora tudo estava vazio e limpo. Quase que sem vestígio do que ali se fazia…

Aproveitando aquele momento de maior disponibilidade, fui-lhe fazendo algumas perguntas… Queria saber quem era, de onde vinha, porque estava ali, porque fazia aquelas peças de artesanato, onde estava a família, etc…

E ele respondeu a tudo isso… Sem pestanejar e com um tom de voz e expressões de proximidade… De amizade e de respeito. Confesso que isso me deliciou.

Fiquei então a saber que ele era de Benguela e foi por lá que aprendeu a fazer aquele tipo de calçado. Que depois veio para Luanda porque lá já não conseguia tirar os seus rendimentos. Fiquei também a saber que trabalhava ali com o seu irmão. E muitas, muitas outras coisas…

Vendo que a qualidade do produto era muito boa não hesitei em perguntar-lhe se ele não tinha já pensado em publicar o seu trabalho na net… Divulgar o trabalho para tentar vender mais… E aí a surpresa… Afinal o Moreno já era uma “figura conhecida”. Para além de jornais, também já a RTP Áfric a o tinha intervistado. Pedi-lhe então se poderia colocar essa entrevista no meu blog. Expliquei de que se tratava e rapidamente ele disse que numa próxima semana traria o cd para eu copiar.

Ficou ainda a minha promessa de ajuda na divulgação… Brevemente terei que criar um outro blog ou algo semelhante apenas para divulgação do trabalho do Moreno.

Por hoje ficam apenas algumas fotografias que, na semana seguinte, aproveitei para tirar.

No inicio do ano conto então publicar o vídeo do Moreno e, gostaria muito, também o registo aúdio de uma das nossas conversas… Despreocupadas e sem pressa para que sintam a proximidade deste Angolano especial porque, no fundo, é por haver “estes Angolanos” que vale a pena cá estar… É por haver “destes Angolanos” que se passam momentos únicos nesta Terra Avermelhada.

O Moreno


O irmão do Moreno


O trabalho

O Atelier e eles no atelier



Os colegas de Trabalho








Apontamentos




E para terminar a minha preferida...


Para ti Moreno, aqui fica o meu (e nosso) abraço. Dos Pulas… eheheeheheheh

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

09 de Outubro – Rede Globo apresenta novela em Angola

Na 100ª Edição do Jornal “O País” uma surpresa na revista…

Uma reportagem na Lavra Gimunalu. Para quem não se recordar, até porque na altura não indicámos o nome, a Lava Gimunalu localiza-se na Funda, arredores de Luanda, e entre outras coisas possui um Centro Hipico cujo principal objectivo é a preparação de atletas para participarem nos Jogos Olímpicos de 2016.

O Post encontra-se no link:


Desta vez, “à boleia” do lançamento de uma nova novela da Rede Globo, a revista fez uma reportagem na Lavra Gimunalu onde fez uma apresentação do projecto liderado por Desidério Costa.
Aqui fica a reportagem (com alguma deficiência na qualidade da digitalização):




É sempre motivo de felicidade quando vemos o sucesso de pessoas com quem já lidámos.
Votos de muito sucesso para o Bruno e sua equipa que um dia, quem sabe, poderá também vir a dar-nos algumas aulas… ;) ehehehehe

sábado, 15 de janeiro de 2011

28 de Setembro – Reportagem: Video de divulgação de Portugal

O objectivo primordial do blog é, como facilmente se percebe, transmitir a vivência e as experiências durante a estadia em Angola.

Contudo há momentos, “coisas”, acontecimentos ou pessoas que merecem a fuga ao tema fulcral do blog…

Na minha opinião esta é, sem dúvida, uma “coisa” que a justifica:

Fonte: http://vimeo.com/11651143

Na minha singela opinião trata-se de um excelente trabalho de divulgação de Portugal. Já todos nós tínhamos visto, pelo menos em Lisboa, os outdoors (nem todos muito elegantes) desta campanha contudo, o vídeo, é algo de elevada qualidade…

Talvez “pela distância”, talvez “pelas saudades”, talvez porque é um olhar “de fora para dentro” ficam os meus sinceros parabéns à organização da campanha (e, obviamente, a todos os que a tornaram real e possível).


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

25 de Setembro – O regresso a Luanda

Depois de uma manhã para conclusão dos processos que tinham sido desenvolvidos nos dias anteriores e de uma tarde já mais tranquila, perto das 21.30 (de dia 24) chegou a hora de descansar…

A viagem era igualmente longa e dura mas agora com a agravante de ser feita depois de 400 km de picada em 2 dias…

Antes do (merecido) descanso houve ainda oportunidade para, do quarto, ouvir alguns cânticos entoados na zona envolvente à igreja que ficava mesmo em frente ao hotel…



 

Nota: Com o objectivo de tornar mais apelativo foram adicionadas algumas das imagens já publicadas no blog. 

No regresso menos fotografias… Agora só as mais interessantes…

Uma das partes do percurso… Ainda de noite…


Depois de nos termos cruzado com uns 10 camiões de transporte de Coca-Cola teria que registar o momento…


E a última mas, na minha opinião, a mais expressiva… Um imbondeiro junto a estrada… Assim torna-se mais perceptível as dimensões destas gigantescas árvores…

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

23 de Setembro – Parte II Comuna para visitar: Kaluka

Depois do reconfortante almoço já eram 14.30 e a Comuna de Kaluka estava a cerca de 90 km de casa (40 dos quais em picada) e, uma vez que às 18 horas a noite é cerrada, já não restava muito tempo para terminar “a missão”.

Consegui uma nova percepção da cidade e lá estávamos na “estrada de Luanda” a caminho…
Apesar de só 100 metros depois nos apercebermos que já tínhamos passado a “cortada” para Kaluka o percurso na picada foi muito tranquilo. Comentámos até que, depois dos km’s que já tínhamos feito, aquela parecia ser a melhor e constatámos que era verdade mas…

Pois… Há sempre um mas…

Depois de atravessar ribeiros, passar em troços em que toda a estrada era envolta em capim, atravessar zonas em que as canas tinham uma grossura superior a um braço de um adulto, etc, após 20 km de picada (sem ver uma única casa ou pessoa) deparámo-nos com uma “passagem de ribeiro” (que pretendia ser uma ponte) em que apenas havia plataforma para os 2 rodados. O desnível era de cerca de 1,5 metros e a ponte deveria ter 5 metros de comprimento mas… Se algo acontecesse estaríamos a, pelo menos, 20 km do local em que começámos. A passagem foi pacífica…

Atingido o km 30 surgiram as primeiras 6 “casas” (em adobe). Perguntámos se o Administrador da Comuna estaria por ali e, a uns 20 metros da estrada, ouvimos uma senhora dizer “É mais à frente”. Prosseguimos e 10 km adiante um novo aglomerado (este já maior). Junto à estrada e debaixo de uma árvore estava um senhor já com os seus 60 anos e um menino com cerca de 12 anos. Parámos (porque pensámos que poderia ser ali e também para não “invadir” o espaço sem questionar nada a ninguém) e voltámos a perguntar pelo Administrador. O senhor, muito afável, simpático e sorridente, disse-nos que não sabia se ele estava mas que a Comuna era mais à frente e, nesse mesmo intante, com um sorriso simpático (quase de orelha a orelha), olhando para mim o menino acenou-me com a mão com um misto de “adeus, boa viagem” e um “olá, eu estou aqui” (o que fazia todo o sentido porque nos dirigimos ao senhor). De uma forma simpática retribuí o aceno e então tive direito a um aceno ainda mais enérgico.

Prosseguimos caminho e, agora num local mais amplo (em que a estrada tinha cerca de 10 metros de largura, e de cada um dos seus lados estavam “terraços” com mais 10 metros e só depois estavam as casas) parámos e voltámos a saber que “A Comuna é mais à frente”.

A nossa esperança aumentava cada vez que surgiam, ao longe, novos aglomerados e as certezas aumentavam quando conseguíamos vislumbrar casas (no sentido europeu do termo) pintadas de rosa escuro (cor normalmente utilizada para os edifícios públicos ou residências de titulares de cargos públicos). Contudo, só 28 km depois de surgir a primeira casa é que conseguimos falar com um representante da Administração da Comuna.

O nosso interlocutor era o responsável pela Educação da Comuna. Depois de explicado o nosso objectivo “obrigou-me” a entrar na sua casa para falarmos um bocadinho melhor e, depois de eu estar sentado nas cadeiras da sua sala, foi a outro compartimento. Depois percebi que pretendia “registar” a nossa presença e, começando com um “Qual é o objectivo da vossa visita?”, logo me pediu todas as informações necessárias para apontar na sua agenda.

Sendo o ponto de captação de água longe, segundo ele, sugeriu que fossemos na nossa viatura (e teria mesmo que ser porque depois percebemos que em todo o aglomerado não existia nenhuma viatura) e logo ele acedeu e convidou o “seu adjunto”, no pelouro da Educação, e outro vizinho que nos tinha levado até ele.

No caminho, depois de percorridos já mais 3 km’s decidi tentar perceber mais sobre aquela comuna porque passámos por diversas escolas, muitas casas, muitas crianças, jovens e adultos ao longo de 28 km. Ficámos então a saber que existiam 700 jovens em idade de escola. É verdade. 700 jovens. Ficámos também a saber que seriam cerca de 4.000 pessoas ali… No cume de uma montanha… A 40/50 km (o que representa cerca de 1 hora e 20 minutos a uma velocidade variável consoante o troço) da via principal.

Pelo caminho encontrámos ainda um secretário da Administração que, alcoolicamente bem disposto, não compreendia porque é que queríamos começar uma obra quando o Administrador não estava presente (apesar de serem 17 horas) e que, por isso mesmo, não queria ir connosco nem queria que nos levassem lá… Diplomaticamente (apesar de ser a um volume elevado o nosso “guia” conseguiu que ele se juntasse a nós e prosseguíssemos viagem).

Chegados ao “Rio”, algo preocupados com o caminho de regresso, fizemos o levantamento que necessitámos e regressámos ao local onde tínhamos recolhido o nosso primeiro interlocutor.

Nesse momento eram cerca de 17:40 e percebemos que muitos dos km’s da picada teriam que ser feitos de noite…

Iniciámos então o percurso de regresso (dando boleia ao Adjunto do nosso interlocutor para um aglomerado que estava a cerca de 5 km de distância) e já pelas 18 horas vimos um senhor a pedir boleia. Não tendo dado boleia a ninguém em 2 dias de percursos semelhantes, o meu companheiro de missão decidiu perguntar se “damos boleia ao homem?”. E ainda a cerca de 200 metros assenti… Chegados a 20 ou 30 metros vejo algo estranho na vertical encostada ao corpo do homem e, nesse mesmo momento, oiço o meu companheiro dizer “o homem é caçador?” e aí confirmei que, de facto, era uma espingarda. Apesar de estarmos perto pensei de imediato “tantos km em que nem ponderámos dar boleia a ninguém (que estivesse em marcha nas picadas) e quando começamos a abrandar para dar boleia é a um homem, com espingarda, quando não sabemos a quantos km estamos das próximas casas e de noite”.


Inevitavelmente parámos e perguntámos para onde ia. Calculámos que seria o próximo aglomerado e fizemos sinal para que subisse (para a caixa aberta da carrinha).

Durante todo o percurso (cerca de 20 minutos) dei por mim a olhar para o retrovisor para ter a certeza que a espingarda continuava na vertical… Tentei ainda concluir sobre o motivo de ele trazer consigo a espingarda…Só já quase a chegar ao povoado conclui (eventualmente com a clarividência de quem pensa que desde o momento que nos viu poderia ter feito algo e não o fez) que ele deveria ter feito vários km’s a pé e que, para se salvaguardar, preferia andar armado.

Chegados ao aglomerado o homem começou a tentar avisar-nos que era ali e assim que a viatura parou ele saltou para o chão, sorriu, agradeceu e começou a afastar-se em direcção às casas. Claro que só assim “não tinha piada” e o meu companheiro de viagem teria ainda que lhe perguntar “então o que é que caçou, mostre-me lá o saco”. E o senhor, que já estava a uns 20 metros do carro lá veio novamente em nossa direcção e, sem perceber muito bem a pergunta, emitiu um som, abanou o saco e sorriu…

Prosseguimos viagem e, no mesmo local, lá estava o “avô e o neto”, agora acompanhados de mais 2 pessoas. À nossa passagem (agora bem mais depressa) o senhor cumprimentou-nos com um lento aceno e, atrás do seu banco, o neto saltava e acenava “aos turistas”.

Nesse mesmo momento a noite estava a ficar evidente e, pela frente, ainda tínhamos cerca de 40 km de picada para percorrer. Pela frente, o capim, os riachos, a “ponte” e eventualmente pessoas a pé à beira da estrada…

Felizmente todo o percurso correu bem… Pelo caminho vimos muitas pessoas, vindas das suas lavras, em direcção a casa. Percebemos que uns esperavam pelos outros para que o percurso fosse feito em conjunto.

Até ao fim do percurso apenas mais uma surpresa… Em pleno troço de capim, ao longe, umas luzes… Só poderia ser um carro. Uns metros adiante confirmámos. Era um jipe de caixa aberta que atrás trazia muitos homens com equipamentos desportivos e chuteiras. Certamente admirado por se estar a cruzar ali com outro carro, abrandou a marcha e já quase ao nosso lado quase que imobilizou o jipe. Parámos ao seu lado, também para facilitar a passagem, e já parados lado a lado o meu companheiro de viagem perguntou se conseguia passar. Uma vez que “estávamos a ser analisados” perguntou ainda se vinham da cidade. A resposta foi afirmativa e, em jeito de despedida, “informámos” que íamos agora também para lá…

5 horas após a partida regressámos novamente a casa, com o objectivo cumprido, e com mais uma experiência “no bolso”.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

23 de Setembro – Parte I Comuna para visitar: Luvo

Depois do merecido descanso, porque após a longa e cansativa viagem já tinha feito mais 60 km de picada, foi novamente dia de visitar uma outra Comuna.

Esta, a Comuna do Luvo, tinha algumas características peculiares… Estava a cerca de 60 km de picada, era um local onde os meus colegas nunca tinham ido mas, principalmente, por se tratar de uma Comuna que fazia província com a República Democrática do Congo e por esse ser um local onde se fazia uma feira internacional todos os fins-de-semana… Sendo que uma semana é em território Angolano e na semana seguinte é em território Congolês.

Uma vez que o dia teria que ser suficiente para visitarmos 2 Comunas (uma a 60 km da cidade e outra a cerca de 90) a partida foi pelas 5 da manhã. O quarto era o mesmo porque não entregámos a chave com receio que os quartos fossem ocupados e depois não tivéssemos nenhum quarto disponível para nós…

Partimos em direcção ao Luvo e até aproximadamente metade do caminho nada de novo. Uma picada, como tantas outras, aqui e ali alguns aglomerados de casas e ainda algumas escolas e centros de saúde. Tal como já tinha visto noutras viagens, também aqui se viam grupos de crianças a fazer o seu percurso escola casa. Neste caso, havendo uma única estrada, era mais fácil perceber a quantidade de crianças que se movimentavam.

Difícil era perceber que, em alguns casos, elas teriam que fazer um percurso de 2 ou 3 horas a pé para que conseguissem concluir o percurso.

A cerca de meio do percurso a primeira surpresa… Depois de já termos passado um ou dois postos de controle um dos polícias mandou-nos parar. Antecipámos que seriamos alvo de mais uma das “inspecções” habituais que, na prática, não trariam novidade nenhuma… Mas desta vez não foi assim… O agente mandou-nos parar, de imediato, perguntou se estávamos a ir para o Luvo. Confirmámos e logo questionou se não nos importávamos de levar um dos seus colegas que ia entrar de serviço.

Aceitámos… Era de facto o nosso destino e, obviamente, um polícia no carro seria a garantia de ausência de problemas nos eventuais postos de controle seguintes…

Ainda com muitos quilómetros pela frente ficámos a saber que o agente era de MBanzaCongo mas que só ia de 3 em 3 dias a casa, que aquele era o seu “quartel” e que se deslocava para a fronteira porque esse era também um serviço daquele quartel…
Tentámos explicar ao que íamos e ele rapidamente concordou que era um bom motivo para irmos à Comuna.

Depois da experiência vivida em Nkalambata confesso que a ansiedade devido ao tipo de recepção era bem menor. Percebi que a água era um bem escasso para aquelas pessoas e que, por isso mesmo, qualquer pessoa que os pudesse ajudar seria bem recebido.

Depois dos efectivos 60 km em picada, que foram mais um excelente teste de resistência, chegámos finalmente a uma zona que se percebia ser “a fronteira”.

Depois de uns pequenos casebres que tinham como pretensão ser cafés, havia uma “guarita” junto a uma cancela. Após essa cancela algumas construções antigas (quase todas bem conservadas) e alguns camiões estacionados num grande largo formado pelas construções existentes.

O policia que estava na guarita olhou para a nossa carrinha, enquanto falava com o motorista de um carro que ele tinha abordado, porque não percebia porque nos aproximávamos com tanta confiança para ultrapassar a cancela mas, no interior da nossa carrinha, tínhamos o agente a quem estávamos a dar boleia a dizer para avançarmos e apitarmos para ele levantar a cancela. Depois de olhar para o interior da carrinha, vendo o cumprimento do colega, de imediato subia a cancela para que passasemos. Avançámos e estacionámos também nesse largo.

Talvez como forma de agradecer a boleia a agente que transportámos logo nos explicou onde nos deveríamos dirigir…

Depois de subir alguns degraus entrámos numa sala. À nossa frente estavam dispostas 2 mesas compridas onde estavam sentadas duas pessoas. Um rapaz com cerca de 30 anos e uma senhora de cerca de 40 anos. Questionei se o Administrador da Comuna estava e se, caso estivesse, poderíamos falar com ele. O rapaz disse que ele não estava, que tinha ido a M’BanzaCongo, e perguntou ao que vínhamos. Iniciei a explicação e, quase de imediato, a senhora levantou-se, circundou a mesa e apresentou-se. A senhora era a Adjunta do Administrador da Comuna. Explicou-nos que há umas semanas lá tinha estado outra empresa, disse quenão tinha informação que nós iríamos mas que, já que ali estávamos, ia criar as condições necessárias para que fossemos ver o local onde poderia ser efectuada a captação da água.

Foi uma abordagem diferente… Enquanto que em Nkalambata havia uma atitude simpática e amistosa de cooperação e de conversa com os restantes habitantes da Comuna, neste caso, tudo era tratado de forma quase automática e autoritária. Depois desta breve conversa connosco a senhora disparou uma série de ordens para que pudéssemos cumprir a nossa missão.

O “rapaz” que estava ali sentado era afinal o “professor”. A ele pediu que fosse chamar os responsáveis das polícias e que fosse ver se o Soba (normalmente o homem mais velho/respeitado dos aglomerados de casas) do local mais perto estava lá para, se estivesse, ir connosco pelo mesmo caminho que tinha ido há umas semanas com a outra empresa.

Enquanto aguardava pelo resultado das suas indicações falou então um pouco connosco.. Lamentou-se por serem aquelas as condições que tinha a Administração Comunal mas mostrou confiança num futuro melhor…

Viemos cá para fora, de onde a senhora tentava verificar todos os movimentos do “professor”, e percebemos que o agente a quem tínhamos dado boleia seria um dos nossos acompanhantes. Fomos então, de carro, com o “nosso agente” a casa do Soba para que ele nos acompanhasse.

Já com o Soba regressámos à Administração Comunal. Percebia-se que havia uma “agitação” anormal porque agora já havia mais pessoas fardadas por ali…

Para registar o momento, mas com a desculpa do “levantamento que viemos fazer” perguntei à Adjunta do Administrador se poderia tirar fotografias naquele local.

Expliquei que não queria infringir nenhuma regra e que, por isso, pedia a autorização. A senhora compreendeu e disse-me que pela parte da Administração Comunal eu estava autorizado mas que, uma vez que aquele era um espaço da fronteira, teria que ir pedir também autorização ao responsável da Alfândega.

Nesse momento arrependi-me de ter tentado tirar fotografias mas… Não tanto como alguns minutos adiante…

Mais uma vez requereu ao professor que nos acompanhasse para obter essa autorização. Após a indicação um reforço: “aguarde lá pelos senhores e depois acompanhe-os cá novamente”.

Chegados ao “gabinete” do agente da Alfândega (um hall de entrada de uma casa que tinha pouca iluminação e que, para além da secretária do agente, tinha 6 cadeiras plásticas alinhadas à sua frente), confiante na rapidez do processo, eu e o meu colega ficámos em pé à sua frente. O agente apontou para que nos sentássemos e eu respondi que “não vale a pena, é rápido”. De seguida o professor, de forma brilhante, explicou que “a Adjunta pediu para vir aqui com os senhores porque eles vão fazzer um trabalho de captação de água e querem tirar fotografias. A Adjunta autorizou e eles vêm falar com o Sr. Agente”. Nesse momento percebi que a conversa poderia ser muito rápida ou, ao contrário, poderia ser bem demorada… E não só…

De forma pouco amigável o agente perguntou então “O que é que vieram fazer??? Querem tirar fotografias na fronteira Angolana?” e aí sim… Nesse momento arrependi-me profundamente de ter ousado pedir para tirar fotografias…

Nervoso com a situação comecei a tentar explicar e o agente disse “se calhar era melhor sentarem-se”, eu confirmei que sim e ele rapidamente complementou com “Eu bem vos disse que era melhor sentarem”.

Já sentado prossegui então com a explicação. Quem éramos, ao que vínhamos, porque queríamos tirar fotografias ali, etc etc etc…

Já menos ofensivo mas ainda nada amistoso o senhor pediu a nossa identificação. Mais um arrependimento pelo pedido que ousei fazer…

Expliquei que a única coisa que tinha em minha posse, que demonstrasse que trabalhava na empresa era um cartão de visita e, obviamente, o Visto no passaporte. Depois de averiguar sobre a validade dos nosso passaportes e respectivos Vistos, disse então “isso quer dizer que se eu ligar a alguém para confirmar se o que me estão a dizer é verdade, as pessoas do Governo Provincial vão confirmar-me essa vossa história. Vão sabes que vocês aqui estão certo???”. Mais tranquilo respondi então que sim… Toda a história era verdade pelo que não havia nada a temer… Mas, enquanto estabelecia a ligação lembrei-me de “um pequeno pormenor” que poderia causar alguma confusão adicional… Por isso disse de imediato “podem confirmar-lhe que nós teríamos que vir aqui mas ninguém sabe que estamos aqui hoje” e ele, demonstrando pouca preocupação para o que eu estava a dizer, fez sinal para que eu me calasse…

A chamada estabeleceu-se e, mais uma surpresa… O diálogo estava a ser feito em Espanhol… Sabendo que as pessoas que saberiam da eventual obra e que conheciam a empresa, não falavam espanhol, mais uma vez receei pelo que dali resultaria… O senhor perguntou se conheciam a empresa, explicou o que tínhamos dito, etc e após alguns minutos em que era apenas ele a debitar informação consegui perceber que tudo estava a correr bem…

O interlocutor confirmava a versão e, mais engraçado, dizia que nós deveríamos era estar num aglomerado que fazia parte daquela comuna… É verdade… A indicação que nos tinham dado era Comuna do Luvo mas, na realidade, o trabalho seria para fazer no Sumpe, Comuna do Luvo.

O agente desligou o telefone e, automaticamente, tudo mudou… Falava agora para nós com uma simpatia enorme. De imediato pegou nos passaportes e, esticando o braço, fez questão de os entregar.

Depois, de forma simpática, explicou-nos i) que tinham confirmado o que nós tínhamos dito e que sim.. ii) Que poderíamos tirar fotografias ali e ir ao local onde se poderia fazer a captação da água mas… iii) Que nós deveríamos estar no Sumpe e não ali e finalmente…

A cereja no topo do bolo… Algo nervoso perguntou “e como é que vocês vão? Não podem ir sozinhos… Este é um campo minado e não poderão ir sem alguém que vos acompanhe”. Apesar do choque que tive com a expressão “isto é um campo minado”, expliquei que a Adjunta do Administrador já tinha providenciado essas questões com a polícia.
Tivemos ainda tempo para sugerir que visitasse os nossos escritórios quando fosse a M’BanzaCongo e para ficarmos a saber que o agente era de Luanda. Que estava ali apenas a fazer uma “Comissão de Serviço”.

Simpaticamente despedimo-nos e voltámos para a porta da Administração Municipal para, finalmente, iniciar a nossa viagem que já sabíamos que teria que ser feita a pé e que teria que ser longa…

Tempo para uma fotografia no Largo onde os veículos aguardavam o visto da alfândega até entrar/sair do território Angolano e a um e dos edifícios que ficava em frente.



Ainda a conversar sobre o facto de “ser um campo minado”, chegámos à porta da Administração Comunal. Ali aguardavam-nos várias pessoas… A Adjunta do Administrador, o agente a quem tínhamos dado boleia, outro polícia que parecia se ro seu chefe, 2 polícias de farda verde, o professor e o Soba.

Expliquei à Adjunta como tinha corrido a conversa com o polícia da alfândega e ela demonstrou que estava tudo preparado para que rumássemos então em direcção ao local de captação de água. Nessa altura ouvimos então um dos polícias a perguntar “quem é que tinha a arma”

E, mais uma vez, fiquei surpreso.

A acompanhar-nos iria o Soba (para nos levar até lá), 1 agente da segurança pública (vulgo polícia) e 1 guarda fronteiriço e, apesar de sermos 5 pessoas eles perguntam pela arma. Fiquei algo baralhado e, obviamente, preocupado…

Depois de tantas questões logísticas seria só necessário eu levar uma caneca e o meu caderno para tentar registar os elementos necessários. Enquanto fomos à carrinha buscá-los comentámos, eu e o meu colega, que tudo aquilo era muito estranho… Ambos estávamos surpresos mas… Naquele momento nada havia a fazer.

Preferimos considerar que o local de captação de água poderia ser muito próximo da fronteira e que, por isso mesmo, seria necessário todo aquele aparato para que ninguém pensasse que estaríamos ou a entrar no Congo ou a tentar fazer algo “estranho” ainda em território Angolano…

Pelas 7.30 iniciámos, finalmente, a marcha em direcção ao local pretendido.

Devo confessar que fiz o inicio do percurso um pouco a medo… O Capim era muito alto e da minha cabeça não saiam as palavras do agente da alfândega “aquela zona era minada”. Por isso mesmo coloquei-me na terceira posição logo a seguir ao guarda fronteiriço que ia atrás do Soba. Tentei seguir o alinhamento dos seus passos para que não houvesse problema.


Alguns, bastantes, metros adiante comentei o que me tinha dito o Agente fronteiriço e ambos se riram. Nesta altura os restantes elementos tinham ficado um pouco mais para trás… O Soba explicou então que ali não havia minas. Complementou que elas foram colocadas mais perto da estrada e da fronteira.

Fiquei um pouco mais descansado mas, na realidade, o receio não fugiu…

Após o policia reclamar pelo facto do Soba não ter trazido a catana ele explicou que “quando chegaram na minha casa disseram-me que a Adjunta me tinha chamado, não me disseram que era para vir para o mato” e todos nos rimos… Ele tinha razão… A abordagem foi tal como se estivéssemos a convocá-lo para uma reunião….

O Capim era assim:


Prosseguimos então em direcção ao tão desejado local.

Para trás já tínhamos deixado uns bons 2 km’s. Já tínhamos ultrapassado capim e também já tínhamos passado numa picada, totalmente desprezada, mas que ainda se percebia ter sido em tempo o acesso ao local onde iríamos.

Diziam os nossos companheiros de viagem que “tudo isto foi feito pelo Colono. Eles fizeram o poço, tinham a casa das máquinas e potentes bombas para bombear água para as casas do Luvo. A picada era óptima”. Explicavam ainda que “depois foram estragando a canalização e as bombas desapareceram.. agora nada funciona e não temos água na Comuna”.

Mais uma vez uma surpresa… Aquele grupo de homens demonstrava muito apreço pelo que tinha sido feito e, ao mesmo tempo, desilusão pelo facto de tudo não ter sido mantido…

Antes de chegar atravessámos ainda uma zona de grandes árvores, com troncos de diâmetros bem apreciáveis, que parecia totalmente desenquadrada da restante paisagem…

Logo a seguir o local que pretendíamos…

A casa das máquinas, ainda com a inscrição do que penso ter sido a Companhia de Cavalaria 8453, designada como “Os Felinos” que, pressuponho, terão construído aquela infra-estrutura.



Ao lado o poço. No fundo tratava-se de uma nascente onde tinha sido feito um depósito… A água era fresca e límpida. Todos os companheiros de viagem se baixaram e beberam daquela água. Confesso que apetecia. Depois de quase hora e meia a caminhar e do calor já se fazer sentir aquela água revela-se muito refrescante mas, por precaução, não o fiz.

Depois das fotografias da praxe e de mais algumas conversas, chegava a altura de regressar.

Houve ainda tempo para saber que o Soba conhecia toda aquela zona como as palmas das mãos. Para quem sabia, explicava que “noutro tempo” ia dali a pé até ao quartel da FNLA que, todos concordavam, ficaria a uns bons 30 km’s. Explicava-me ainda, apesar de ser longe, onde era o limite do território Angolano.

E regressámos… Agora mais à vontade com o território e com os meus companheiros de viagens tirei mais fotografias…


No percurso tive ainda oportunidade de tirar uma fotografia que, quem conhece Angola, sabe que basicamente só poderia ser daquela zona do país… É o único local onde as populações recolhem o material argiloso (barro) e o misturam de forma a criar um adobe e, depois disso, o cozem em fornos comunitários. Esta é a diferença… Na zona de M’BanzaCongo, as habitações são feitas de adobe cozido… Aqui fica o exemplo de um desses fornos e, na outra fotografia, a demonstração de como a escavação era feita mesmo ali ao lado ou, melhor dizendo, que o forno foi criado na zona onde havia a matéria prima…



E um último registo já mesmo a “chegar à civilização”.


Regressados novamente ao “largo”, ou seja, à zona que antecedia a fronteira física entre Angola e a República Democrática do Congo, questionei os nossos parceiros de viagem se não queriam beber nada. Evidentemente que concordaram e, de imediato, se apressaram a dizer que teria que ser naquele café porque estavam fardados e ali estavam mais resguardados.

Ainda em pé um deles pediu uma cerveja para cada um. Uma Doppel. Depois olharam para nós e perguntaram se também queríamos. Dissemos que não conhecíamos e explicaram que era uma cerveja de meio litro do Congo. Dissemos que não e pediram então 2 Super Bock.

Naquela altura o pedido pareceu-me normalíssimo… Apenas quando comecei a beber e olhei para o relógio é que percebi que estava a beber uma cerveja às 10.30 da manhã. Não que exista uma hora para beber uma cerveja mas, normalmente, não as bebo a essa hora… Naquela altura, confesso, já sentia que tinha passado meio dia porque, para além de ter de acordar tão cedo, fizemos todos aqueles km’s de picada e, como se não bastasse, tivemos ainda 3 horas a pé… Portanto…
Era mais do que justificada…

Aqui fica uma amostra da cerveja Congolesa. 


Foi naquele ambiente social que ficámos a saber algumas coisas novas.

Em primeiro lugar que aquela era uma das zonas do país onde existiam mais cobras.

Segundo contaram, no percurso que fizemos, normalmente, surgem algumas cobras.

E assim ficou esclarecida uma das dúvidas. Porque é que eles tinham levado uma arma? Explicou o guarda fronteiriço que não poderia correr o risco de ir para o meu do mato com 2 cidadãos estrangeiros sem os conseguir proteger porque se algo acontecesse eles seriam os responsáveis. Por isso mesmo ele não admitiria acompanhar-nos sem a arma.

Disseram ainda que ali perto, no sentido contrário ao que tínhamos tomado, existiam centenas de cobras. Não sei se seria verdade mas…

Ficámos ainda a saber que, apesar das boas relações diplomáticas, por vezes existem algumas questões… Parece que há uns tempos um militar Angolano apareceu no Luvo fardado. Tratou de toda a documentação fardado e, só depois disso, vestiu uma roupa civil… Isso originou um problema porque alguém do Congo lhe tinha tirado fotografias fardado e, uma vez em território Congolês, foi preso e acusado de que “ia para o Congo para atacar altos governantes”. Felizmente o problema diplomático foi resolvido…

Ficámos também a saber que, fardados, só os militares da fronteira podem andar no outro país sem ter problemas. Contudo só o poderão fazer numa distância máxima de 5 km após a fronteira… Até essa distância eles poderão ir sem que possuam a documentação de entrada no país…

Por curiosidade perguntámos ainda como era o processo para entrar no Congo e, ao que parece, é extremamente simples – mesmo para nós expatriados. Uma vez que somos cidadãos estrangeiros e estamos autorizados a estar em Angola, bastaria um cartão validado para que pudéssemos andar pelo Congo sem qualquer problema.

Ficámos com vontade mas, infelizmente, não havia tempo para isso…

A informação, para mim, mais curiosa foi o que nos contaram acerca das feiras semanais. Tal como já escrevi, após a zona da Cancela e do largo que já referi, existe uma zona onde se realiza a feira quinzenal (do lado Angolano). Mas, ao contrário do que pensava, essa não é uma feira qualquer… Tal como nos explicaram aquela é uma “feira internacional” porque, para além de haverem cidadãos dos dois países, existem ainda vendedores que vêm de mais longe…

Em relação a Angola explicaram que vinham imensos camiões de Benguela e do Lobito, ou seja, a cerca de 1.000 km (sendo que não são 1.000 km de estrada pavimentada). Fiquei estupefacto… Depois percebi que esse camiões traziam peixe seco. Cada saco de aproximadamente 50 Kg custa cerca de 50 Usd.

Confesso que fiquei muito curioso relativamente a esta feira. Quem sabe se, numa próxima oportunidade, não conseguirei fazer uma visita… Espero que sim…

Acabado o momento de repouso tínhamos ainda um pedido a fazer… Ir, de facto, à fronteira com o Congo. Já tínhamos percebido que estávamos a cerca de 1 km. Queríamos mesmo estar lá e ver…

Amavelmente todos eles disseram que nos acompanhavam. Coube ao agente a quem tínhamos dado boleia ess simpatia. Mais uma vez passámos a zona da Cancela.

Entrámos na carrinha, que estava estacionada no Largo, e lá fomos… Adiante um novo posto de controle. Mais uma vez um aceno dele foi suficiente para que nem abrandássemos. Rapidamente os agentes ali parados se apressaram a tirar os cones que pretendiam demonstrar que aquele era um local de paragem obrigatória.

Passámos pela zona da feira e, pouco tempo depois, estávamos finalmente na fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo. À nossa fronte estava uma guarita a indicar que ali era a República de Angola e logo de seguida uma ponte metálica.

Saímos do carro e, vendo o nosso acompanhante, rapidamente os 5 policias ali parados vieram junto a nós para nos cumprimentar. Após uma pequena explicação sobre quem éramos, o que estávamos ali a fazer e o que tínhamos feito naquela manhã, fomos simpaticamente acolhidos naquele grupo de autoridades. O nosso acompanhante apressou a tirar a arma e a dizer-nos que ia aproveitar para cumprimentar uns amigos Congoleses e um dos guardas fronteiriços repetiu-lhe o gesto mas, explicou-nos, para nos levar à zona neutra. Regressou de novo perto de nós e fez-nos sinal para avançarmos na ponte.

Depois explico então que a ponte tinha 9 chapas metálicas e que, por isso mesmo a 5 era a zona neutra. Já parados nessa chapa disse então “estes são os 2 metros da zona neutra”.

E ali estávamos nós… A meio do Rio que faz fronteira entre Angola e o Congo.

E ali estava eu… Num local completamente improvável e, principalmente, de forma totalmente inesperada… Aquilo que parecia ser uma “simples” viagem a M’BanzaCongo estava a revelar-se muito mais interessante do que à partida parecia.

Após alguns minutos por ali a nossa hora tinha chegado. Tínhamos apenas tempo para colocar o agente no seu posto, despedirmo-nos de todas as pessoas e regressar novamente a M’BanzaCongo. Mas antes disso teríamos ainda que parar no Sumpe… Aquele aglomerado que o agente da Alfândega nos tinha indicado…

Essa visita foi acompanhada pelo “professor” para que alguém nos recebesse no Sumpe e nos ajudasse. Pelo caminho cruzamo-nos ainda com a Adjunta do Goernador que estava a regressar de uma conferência direccionada às mulheres da Comuna.

Simpaticamente cumprimentou-nos e perguntou se tínhamos conseguido ver tudo. Confirmámos. Um sorriso enorme surgiu na sua cara…

No Sumpe o trabalho foi simples… Foi apenas verificar que existia um furo feito ao abrigo de um programa da SONANGOL e fazer o levantamento necessário para os trabalhos….

A escola do Sumpe, vista do local onde está o furo


E, para concluir este longo post, duas fotografias da estrada LUVO-M’BANZACONGO que atravessa a comunidade do Sumpe.


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