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sábado, 26 de fevereiro de 2011

12 de Novembro – Canceladas celebrações 11 de Novembro nos EUA

Foi a festa que ficou estragada e algo mais....

Naquele dia o repórter acordou não tão cedo como habitualmente, mas ainda assim cedo :), e foi trabalhar enquanto eu, co-repórter, fiquei a aproveitar a caminha e a ponte que tinha sido concedida para dormir mais um bocadinho. Naquele início de dia nunca adivinharíamos o que se tinha passado do outro lado do Atlântico, mais a Norte. Na realidade já tinha acontecido na véspera do feriado, mas os comuns dos mortais só tiveram conhecimento alguns dias depois, na semana seguinte.

Na realidade nada podia fazer prever o que aconteceu e a infeliz coincidência da data daquela decisão. Bom, nada fazia prever não é necessariamente verdade. Depois de alguns acontecimentos passados muitas coisas podiam acontecer entre elas esta, mas realmente, e não querendo substituir-nos a juízos mais indicados, não só a data foi infeliz como também a forma como tudo se processou.

E o que se sucedeu foi que o Bank of America cancelou, justo nas vésperas do feriado, todas as contas que a Embaixada de Angola tinha junto daquela instituição. Ora bem, isto em si já constitui um problema pela forma sem aviso desta decisão, se acrescentarmos o facto da Embaixada não ter naquele país mais contas abertas junto de outras instituições financeiras e como tal ficar impossibilitada de movimentar qualquer quantia de dinheiro, a coisa complica-se. Se por fim tivermos em consideração que haviam eventos programados, festejos para a comunidade Angolana nos EUA de forma a poderem celebrar também elas a independência do seu país, artistas como a Yola Semedo que se deslocaram para lá, fornecedores e serviços que foram contratados, pessoas mobilizadas, que tinham que ser pagos a tempo e horas e deixaram de poder ser, originando assim o cancelamento das celebrações, ficamos perante um problema grande e sério.

Terá sido tudo isto que passou pela cabeça dos diplomatas Angolanos nos EUA, do Governo e do Presidente. Imaginamos que mais ainda terá passado, como a humilhação de transmitir a mensagem de cancelamento para quem aqueles momentos de festejos seriam uma aproximação a casa, ao país e às famílias que se encontram longe, ou tão simplesmente a distracção que habitualmente não têm ou não podem ter. Por tudo isto a situação foi tomada a peito, foi interpretada, julgada, demorou a ser comunicada oficialmente mas quando foi deu origem a reportagens em jornais e telejornais nacionais e internacionais, a artigos de opinião, a muitas conversas onde se falava da mensagem transmitida pelo Governo Angolano que incluia a palavra retaliação.

Por norma, eu, co-reporter, acredito na bondade das pessoas no principio de que todos são inocentes até se provar o contrário, por isso sempre estive em crer que o Bank of America não tinha realmente noção do dia que se aproximava e não considerou isso na sua decisão. Por outro lado também não entendeu o alcance da mesma em todos os níveis, e foi por tudo isto que a situação se transformou num incidente diplomático. Daquele dia em diante, o Bank of America não era o culpado, os culpados passaram a ser os Americanos, de uma forma generalizada, e também o seu Governo.

Recordo perfeitamente o email que recebi de uma amiga que trabalha em Londres a perguntar “É verdade que está aberta uma crise diplomática entre Angola e os EUA, porque fecharam as contas da embaixada angolana e agora o Governo Angolano ameaça responder na mesma moeda ou pior?” Nas palavras desta minha amiga, resultantes possivelmente de notícias que tinha lido ou ouvido, já nem sequer existia o Bank of America, nem qualquer menção ao Feriado da Independência, a situação foi abreviada mas sobretudo ampliada.

Na realidade, pouco mais se soube publicamente sobre o incidente, mas as consequências essas continuam a ser esperadas e, poderão não ser apenas para os americanos...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

11 de Novembro – Feriado: Dia da Independência

Embora se diga que Angola tem muitos feriados, o que comparativamente a Portugal faz com que o número dos mesmos seja inferior, este será sem dúvida, na nossa opinião, o feriado mais importante que se celebra no país, sobretudo se considerarmos o seu passado e história recente.

É certo que a luta pela independência começou muito antes, e há feriados que assinalam esses marcos na história de Angola, já referidos por nós em posts anteriores, mas o 11 de Novembro marca efectivamente o dia da Liberdade e o fim oficial do colonialismo.

Este ano a celebração do feriado, que costuma ser seriamente engalanada, assumia especial importância pois festejava-se o 35º aniversário da Independência. Cerca de duas semanas antes a cidade começou a “vestir-se” e preparar-se para o evento. Por toda a cidade foram espalhados cartazes, luzes e anúncios anunciando o número 35 como marco histórico. Foram concluídas algumas obras de reabilitação nas zonas que conduziam aos principais locais dos festejos. (Sim, nós portugueses achamos que só no nosso país é que isto acontece mas começamos a perceber que as obras de campanha e festejos andam mesmo pelo mundo fora!).

Contudo havia um facto que ameaçava retirar assistência aos festejos. O feriado iria calhar numa quinta-feira e foi concedida tolerância de ponto pelo Governo. Dessa forma antecipava-se que muito mais que celebrar o feriado, muita gente aproveitasse o fim-de-semana prolongado para viajar ou visitar as províncias. E a realidade é que na véspera do feriado o trânsito caótico em todas as principais artérias de saída/entrada da cidade indicava isso mesmo, a cidade iria estar deserta nos dias seguintes. Passamos desde já a explicar – Deserta nunca estaria, na verdadeira acepção, mas este adjectivo aplica-se por comparação à quantidade de gente que habitualmente circunda por Luanda.

Infelizmente nós iriamos mesmo ser dos poucos que permaneceriam na cidade. Apesar de eu, co-reporter, ter tido tolerância de ponto, o reporter não teve igual sorte, o que em dizer, inviabilizou a possibilidade de irmos até terras mais longínquas :)

Mas nem tudo é mau, no dia 11 tivémos a cidade toda para nós, não havia filas para nada, aproveitámos para despachar algumas coisas que tinhamos pendentes e fomos para um belo almocito num dos libaneses da cidade. A bem dizer fomos embuchar muita gordurinha com um Kebab do tamanho do mundo no Al-Amir, enquanto assistiamos na televisão às celebrações do 11 de Novembro por todo o território angolano, muitas vezes distraídos pelas conversas agitadas em árabe. Não nos recordamos com exactidão, mas durante aquela hora e pouco que ali estivémos foram inauguradas para cima de muitas estradas, pontes, escolas, hospitais, centrais hidrícas, em muitas províncias angolanas. Oxalá houvessem muitos 11 de Novembros durante todo o ano... mas pelo menos já é um começo!

Mas afinal estamos para aqui a falar, a falar, entenda-se, a escrever, a escrever... e não falámos ainda do feriado do ponto de vista histórico. Se analisarmos minuciosamente a independência não foi proclamada no dia 11, mas sim no dia 10 de Novembro, contudo para produzir efeitos a partir do dia seguinte. Por essa razão foi assinalado o dia 11 como dia da independência.

Melhor explicando, após o fim da ditadura em Portugal, com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, criaram-se perspectivas para a independência de Angola e de outros estados coloniais. Os novos governos portugueses constituídos no pós-revolução, foram iniciando negociações com os três principais movimentos de libertação angolanos (MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola), e dando assim origem a um período de transição para a implantação de um regime democrático em Angola (iniciado como o Acordo de Alvor, assinado a 15 de Janeiro de 1975).

No dia 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, o Almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo Português, proclamou a independência de Angola. Desta forma transferia a soberania e o domínio até então mantido por Portugal, para o Povo Angolano, o que ocorreria de forma efectiva a partir do dia 11 de Novembro. O facto de transferir a soberania para o Povo Angolano era uma forma de dizer e deixar claro que a mesma não era transferida para nenhum movimento político em particular. Muitas discussões já se tiveram em redor desta decisão e, sinceramente, não queremos analisar os factos por muitas e variadas razões, apenas transmiti-los. Foi com estas palavras que o Almirante proclamou a independência (transcrição de parte do discurso):

"E assim Portugal entrega Angola aos angolanos, depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desaparecem, mas a obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter de que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos, deixa um país de que se orgulha e de que todos os angolanos podem orgulhar-se".

Ainda assim controlo de Angola foi dividido pelos três maiores movimentos de libertação, então denominados grupos nacionalistas MPLA, UNITA e FNLA, pelo que a independência foi proclamada de forma unilateral pelos três.

O MPLA, que à data controlava a capital, Luanda, proclamou a Independência da República Popular de Angola por volta das 23h00 do próprio dia 11 de Novembro de 1975, através do seu presidente, Agostinho Neto, dizendo, "diante de África e do mundo proclamo a Independência de Angola”. Com estas palavras chegava ao fim à luta empreendida pela independência iniciada no dia 4 de Fevereiro de 1961, com a luta de libertação nacional, estabelecendo o governo em Luanda com a Presidência entregue ao líder do partido.

Já Holden Roberto, líder da FNLA, proclamava a Independência da República Popular e Democrática de Angola cerca da meia-noite do mesmo dia 11 de Novembro, no Ambriz, na província do Bengo.

Nesse mesmo dia, a independência foi também proclamada no Huambo, por Jonas Savimbi, líder da UNITA.

Contudo apenas prevaleceu como independência reconhecida internacionalmente, a que foi proclamada pelo MPLA, passando assim a FNLA e a UNITA, a partidos da oposição.

Esta divisão partidária e de luta pela governação do país antevia os acontecimentos que se sucederam, mas para a história ficou o 11 de Novembro como o dia da Independência de Angola.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

10 de Novembro – Angola Vs SL Benfica

 
Apesar da polémica criada pela comunicação social devido à deslocação do SL Benfica a Luanda, sobretudo por causa do momento sensível da época, houve, de facto, espectáculo…

Isso mesmo… Houve espectáculo…

Não só o protagonizado pelos jogadores no relvado mas também o que o que o povo Angolano fez para receber, acompanhar e saudar os atletas do “Glorioso”.

O jogo, agendado para celebrar os 35 anos de independência da República de Angola, decorreu em ambiente de grande festa… A chegada do Benfica ao aeroporto teve fortes medidas de segurança, tal como seria de esperar, mas apenas porque a afluência foi grande… Não porque se receasse que algo fosse acontecer…

Durante todo o dia a romaria foi grande para o estádio… Havia música, “comes e bebes” e muita alegria enquanto aguardavam pelo inicio do jogo que se realizou no novo Estádio de Luanda, o Estádio 11 de Novembro.

Para a história fica um 0 – 2 num jogo interessante mas, como diria o Rui Santos, sem grande intensidade… Para a história fica também o motivo de orgulho e festa que é, para o Povo Angolano, a vinda do SL Benfica.

Aqui fica uma notícia do “lançamento” do jogo:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

7 de Novembro – Chá de Caxinde - Relembrar o presente com recurso ao passado – Luanda 18 anos depois

Este foi um daqueles Domingos sem expectativas nenhumas. Não tínhamos nada planeado e iríamos aproveitar o dia à medida que ele fosse decorrendo.

Eu, co-reporter, finalmente consegui dormir até às 10h00 da manhã! Acho sinceramente que foi um record que estabeleci em Luanda, que deixou o repórter feliz da vida :)

Depois de acordarmos, pôr-mos a conversa em dia com a famelga e comermos um belo de um pequeno almoço fora de horas, que é o mesmo que dizer, já perto da hora de almoço, saímos à rua à procura de algo para fazer!

Infelizmente começámos a pensar que a sorte não estava do nosso lado. Fizemos um périplo pelos espaços de exposições da Trienal, Globo, UNAP e Museu Nacional de História Natural e nada... tinha terminado o primeiro ciclo de exposições e estavam na fase de interrupção até ao segundo ciclo que inicia em meados de Novembro. Mas a visita ao Museu não foi totalmente perdida. Os mais atentos e fieis leitores deste blog já saberão de uma das minhas paixões no que respeita à cidade de Luanda, o prédio da Cuca!! Foi dos primeiros locais que vi quando cheguei à cidade e sempre andei a chatear o repórter para recolher fotografias do prédio e com o prédio! Ora nem mais... o Museu fica no extremo oposto do Largo do Kinaxixe (ou Kinaxixi, como prefirirem), e a oportunidade era a ideal, sem trânsito, sem movimento, com bastante luz natural e bem posicionados, tínhamos o cenário perfeito para os disparos fotográficos pretendidos!

Aqui ficam apenas dois dos registos recolhidos deste belo conjunto arquitectónico e cénico, na minha modesta opinião:




E uma brincadeira do repórter...


Regressamos a casa, tratámos de alguma lida doméstica, perdão, não deveria colocar o verbo tratar no plural, mas sim no singular...  e já com o estômago a pedir reforço fomos até ao Cais de 4 para um almoço tardio. Em Luanda há vários sítios bons para se comer e estar, mas talvez o Cais de 4 seja um dos que melhor conjuga estes dois verbos! A vista é magnífica, sem dúvida a melhor que se pode ter da Baía de Luanda, a comida, sem ter direito a uma estrela Michelin, é muito boa também, o que faz com que seja o local ideal para um almoço relaxado ou um jantar romântico. (Desculpem não utilizar o factor preço, mas sinceramente, em Luanda... não tem relevância... depois de algum tempo percebemos que só existe caro e muito caro, e depois de outro tanto tempo acabamos por perceber que, infelizmente, esse é mesmo o padrão...)

Ao final da tarde, e aproveitando o tempo livre que antecedia o clássico Porto-Benfica, fomos até ao Chá de Caxinde ver um filme, integrante do programa da trienal. O nome era sugestivo, O Miradouro da Lua, sem dúvida um dos principais monumentos paisagísticos dos arredores de Luanda, e representava a primeira co-produção lusoangolana, realizada no ano de 1992, marco histórico importante para este país.


Antes do filme iniciar fomos brevemente conduzidos pela história do mesmo, bem como por aquela que o antecedeu e acompanhou, através do próprio realizador, Jorge António, que se encontrava na sala.

Um pequeno aparte, o Chá de Caxinde é uma organização que assume extrema importância em Luanda do ponto de vista de divulgação cultural. Para além do cine-teatro onde se podem assistir a projecções de filmes e documentários, concertos, peças de teatro, existe também uma livraria e editora, um local para a prática de danças tradicionais e internacionais, um bar e um restaurante. É por exemplo neste local que se pode assistir aos concertos da Banda Maravilha, uma das mais conceituadas bandas de música popular angolana, todas as segundas-feiras! Mas em breve falaremos desta experiência em primeira pessoa.

Continuando...

O Jorge António falou da experiência de realizar um filme numa altura conturbada, como a do ano de 1992, em que decorreram as primeiras eleições livres em Angola, da escassez de recursos, do improviso na condução do filme, em que basicamente a gravação das cenas se ia desenrolando à medida das possibilidades existentes e das ideias que iam surgindo, mas chamou também a atenção para a Luanda de 1992. Segundo o realizador, aquele filme permitiria aos presentes não só recordar e reconhecer lugares da cidade, como perceber as diferenças que a separam dos dias de hoje. Algumas das pessoas que já visionaram o filme e conhecem a cidade actual, chegaram mesmo a perguntar-lhe “mas vocês tiraram os carros das ruas para filmarem as cenas de rua?” Todos os presentes sorriram perante tal afirmação, e o realizador reiterou “acreditem que não retirámos absolutamente nada, Luanda era mesmo assim, sossegada e praticamente sem carros”.

Por último apresentou-nos ainda uma das “actrizes” do filme que estava presente na sala, a Dª Custódia, para quem pediu uma salva de palmas. A Dª Custódia era uma senhora da casa dos 60, que aparentava ter alguma ligação prévia de amizade com o Jorge António, tendo a sua participação no filme sido improvisada, daí as aspas em torno da palavra “actrizes”.

De imediato ficámos com vontade de falar com ela e colocar-lhe uma série de perguntas... mas aguardaríamos pelo final do filme para saber se era possível...
O filme tem início em Lisboa, saltando à vista nomes aos quais estamos habituados, Vítor Norte, João Baião, João Cabral, Joaquim Paulo e José Meireles. Desde logo se percebe um pouco da história e a forma como se vai desenrolar. João Cabral é o actor principal, assumindo o mesmo nome, que vai partir em busca do pai que não vê desde criança, o qual vive em Luanda! A mãe, a veterana Isabel de Castro, embora um pouco incomodada com a viagem do filho, acaba por se resignar à ideia.
Na viagem de avião o João conhece a Sol, uma estudante angolana a regressar de férias, que viria a revelar-se uma ajuda preciosa em Angola. Aqui começam os pormenores que tornam o filme interessante com estes 18 anos de distância. O João, a par com outras pessoas, acende um cigarro dentro do avião. Pode parecer algo estranha a minha surpresa perante tal facto, mas nunca assisti a algo semelhante e nunca voei com tal permissão. Agora percebo a insistência dos avisos em todos os voos, afinal há ainda muita gente na actualidade que se recorda do tempo em se podia fumar num avião.

Mas o filme começa realmente a ganhar interesse a partir do momento em que o João aterra em Luanda no 4 de Fevereiro. O repórter ainda se lembra de uma parte antiga do aeroporto que se vê no filme, eu já não, mas há coisas que nos provocam risos de cumplicidade aos dois e a todos os presentes.

O João, perante a ausência do pai no aeroporto e a oferta de boleia da Sol e do irmão que a tinha ido buscar, diz: Não se preocupem, eu apanho um táxi! Não só a Sol e o irmão se desatam a rir, como todos nós também. Táxi em primeiro lugar é o nome dado aos Kandongueiros, as carrinhas Hiace que transportam as pessoas, em segundo lugar táxi, tal como se conhece habitualmente, é algo que não existia naquela época. E hoje... bom, existe uma empresa de táxis, mas os serviços são só por pedido antecipado e às vezes nem assim.

Depois existem uma série de lugares visitados no filme que nos fazem reviver a cidade. Por coincidência, a primeira rua em que o João vai à procura do pai é quase a nossa rua actual, o que nos faz trocar um comentário cúmplice e esboçar um sorriso. Já a rua onde a Sol mora tem um significado enorme para mim e para o repórter, a segunda morada onde o João vai à procura do pai é onde o repórter trabalha, aliás, a casa é ao lado do escritório do repórter... Há também uma série de locais marcantes, alguns que ainda existem e funcionam, outros não, entre outros o Hotel Panorama, actualmente abandonado, o cine Miramar, o bar /discoteca Pandemonium, o terraço do trópico, o Elinga Teatro.

O filme é marcado por uma série de encontros e desencontros na busca pelo pai, e é entre esses encontros e desencontros que ocorrem os passeios comuns como a visita ao Mussulo, em que os barcos parecem ser os mesmos dos dias de hoje, e às praias a seguir a Benfica, perto das Palmeirinhas.

E claro que o Jorge António tinha razão, Luanda era mesmo uma cidade diferente da dos dias de hoje, sem o trânsito frenético e caótico ao que estamos habituados, tudo parecia ser muito mais tranquilo.

Como acaba... não vamos contar, apenas vos podemos dizer que acaba aqui, com o João a gritar aos sete ventos que vai ficar...


Miradouro da Lua

No fim, e porque a curiosidade matava a respeito da rua onde o João vai à procura do pai na segunda morada que lhe deram, dirigimo-nos à Dª Custódia que nos confirmou. Era mesmo a rua onde o repórter trabalha! Contou-nos algumas peripécias sobre o filme e o nosso sexto sentido estava certo. A Dª Custódia era amiga do realizador, porque aparentemente um dos filhos e o Jorge estudavam juntos em Lisboa e, nas palavras da própria “O Jorge estava sempre a dizer: oh cota, um dia hás-de aparecer num filme meu, vais ver! E eu sempre a rir, até que um dia me apareceu na casa de Luanda com a malta toda e disse: oh cota, é hoje que vais aparecer! E assim foi, foram filmando e ficaram todos a dormir lá em casa” finalizando com uma gargalhada saudosista.

Há dias assim... em que temos muita sorte por poder viver momentos destes, relembrar o presente e visitar um passado recente!

E para quem quiser acompanhar a obra da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, aqui fica o link: http://www.chadecaxinde.net/

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

29 de Outubro – Porque nem tudo são rosas, neste caso, pérolas…

Depois de muita expectativa e de chatear o repórter para comprar os bilhetes, tinha chegado o grande dia, o dia do concerto da Pérola!! O meu regresso não podia ter ocorrido em melhor data, precisamente no dia que antecedia o espectáculo que há muito esperava para ver.

Passei a semana a falar do mesmo, a cantarolar as músicas que mais gosto, e a sexta-feira passou a correr na antecipação da noite que se avizinhava.

Fiz os possíveis para sair a horas do trabalho e chegar cedo à cidade, para ainda termos tempo de trocar de roupa e comer qualquer coisa. Entre outras coisas tontas, como guardar um registo fotográfico da alegria com o bilhete na mão :)

Ora bem, lá saímos em direcção ao Cine Atlântico onde o espectáculo teria lugar e, claro está, com pouco tempo de antecedência, a fila já era interminável e tivemos que recorrer à simpatia para conseguir um lugarzito em frente de uma garagem de forma a estacionarmos o carro.

Para ser sincera nunca pensei que a Pérola movesse tantas multidões. Todos os acessos ao Cine Atlântico estavam cheios de pessoas, pelo que a aproximação à porta de entrada se tornava difícil. Foi nesse momento que percebemos que as coisas estavam complicadas. Não só a fila para entrar era imensa que lhe perdiamos o fim, como havia imensa confusão motivada não só pelo facto de muita gente não ter bilhete e querer ainda comprá-lo, sendo que muitos tentavam a sorte procurando entrar sem bilhete, mas também pela aparente inexperiência de quem estava a controlar a entrada.

O repórter começou a ficar nervoso pela confusão instalada e chegou mesmo a sussurrar ao meu ouvido “daqui a pouco estas pessoas passam-se todas e não sei o que é que vai acontecer”. Embora também achasse que isso fosse possível, tal era o nível crescente de ansiedade por parte de quem aguardava, a excitação de ver a Pérola ao vivo fazia com que tolerasse a situação e tentasse retirar aquelas ideias da cabeça do repórter. Mas não... a minha excitação não chegou para acalmar aquelas pessoas todas e Infelizmente ele tinha razão... em menos de nada e sem sabermos bem como, começam os atropelos, os gritos, as pessoas a correrem, a tentarem fugir e a empurrarem e tivémos que ir na corrente enquanto tentávamos perceber o que se estava a passar... só foi possível quando ouvimos os latidos fortes de vários cães, uma rapariga a gritar que tinha medo, e vislumbrámos um dos polícias de intervenção a atiçar os cães contra as pessoas. Por sorte um casal agarrou-nos no braço e disse “venham para aqui”! O “para aqui” era um sítio mais resguardado, onde as pessoas que aguardavem na fila se conseguiam desviar daquela confusão.

Mas... nem tudo são rosas e num acesso de nitidez o repórter põe a mão ao bolso e apenas me transmitiu as palavras que mais me custaram ouvir e nas quais não queria acreditar “olha, já está, os bilhetes já eram”, seguido de uma série de impropérios, mas nada havia a fazer... para nós a Pérola já não ia cantar...

PS: Na segunda-feira seguinte a caminho do trabalho, quando já estava ligeiramente restabelecida do que tinha ocorrido, oiço um colega dizer “epá, parece que o concerto da Pérola foi com power”, e pronto... a segunda-feira que já é um péssimo dia, ficou ainda pior...

sábado, 29 de janeiro de 2011

25 de Outubro – Eu só queria pão e café com leite, é possível?

Após o regresso, repentino e imposto, da Co-repórter a Portugal concluída as questões do Visto foi requisitada para um período na África do Sul. Dessa estadia resultou este texto…

Neste momento, são 8h30 da manhã (7h30 em Luanda) e estou a escrever este post sentada na mesa de um dos vários cafés existentes no aeroporto de Jo’burg, deparando-me uma vez mais com uma realidade quotidiana, especialmente quando estamos num país com hábitos alimentares muito diferentes dos nossos ou adoptados de outros países igualmente com hábitos distintos.

O senhor que me atendeu trouxe-me gentilmente uma ementa vastíssima e fiquei arrebatada por um forte sentimento de distância face aos nossos costumes. Não temos o pequeno-almoço mais tradicional do mundo e não se pode dizer que todas as pessoas tomam o mesmo, e o fazem todos os dias. Mas creio que podemos apresentar um que é mais ou menos padrão e, ao pensar nisto, recordo um programa de rádio da Antena 1, creio, em que falavam disso e chegavam à conclusão que o pequeno-almoço português mais típico se aproximava de uma chávena de café com leite e pão com fiambre, manteiga, queijo, ou outra coisa que o valha, havendo algumas variações nomeadamente a substituição do pão por pão de leite, croissant ou pão de deus...

Ora bem... a ementa tem tudo, e quando digo tudo, tudo mesmo, desde pequeno-almoço inglês com aqueles ovos cozinhados de todas as espécies e feitios, e acompanhados por tudo e mais alguma coisa, tinha tortilhas, panquecas, wraps, cereais, saladas, etc., mas não tinham pão! Ainda assim decido arriscar a minha sorte e claro que não espero que tenham uma carcacinha ou uma bolinha de água ou da avó para comer com fiambre e queijo, mas pronto, pedi duas fatias de pão para comer com manteiga e um bocadinho de doce, acompanhadas de uma chávena de café com leite. O senhor diz-me que sim, mas passado um minuto regressa e diz-me interrogativo “as duas fatias de pão são 8 Rands?!!!”. Juro que não percebi à primeira qual era o propósito mas à segunda sim... ele queria certificar-se que eu sabia o preço, porque como era pouco comum alguém pedir isto, nem punham na ementa... Por momentos ainda me veio à ideia que ele estivesse a pensar que eu não queria gastar muito dinheiro no pequeno-almoço... mas não...

Entretanto olho à minha volta e reparo que era a única pessoa do espaço, um dos maiores, se não mesmo o maior, do aeroporto, a comer algo tão simples! A questão é que, quando estamos tão longe de casa, um simples pequeno-almoço, como os que tomámos tantas vezes no nosso país, nos faz sentir um bocadinho mais perto!


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

20 de Outubro – Deambulando por outros Blog’s V

Desta vez a sugestão que aqui trazemos não resulta de uma pesquisa nossa… Ao contrário, esta sugestão resulta de um contacto feito pela autora do blog…

Na sequência de um dos nossos post’s, Kirikou, contactou-nos para conseguir contactos do local (Quinta do Destino) onde fizemos paintball e escalada.

E foi na sequência desse contacto que fomos pesquisar o blog:


E a surpresa foi grande… Depois da primeiro contacto ficámos com a certeza que aquele poderia, sem dúvida, ser considerado o “primeiro grande guia de Angola”…

A oferta era muita e os tópicos principais mostram a riqueza do blog:

i) Feriados em Angola;
ii) Onde comer?
iii) Onde dormir?
iv) Onde dançar?
v) Onde arranjar o seu carro?
vi) Números úteis (onde existem contactos de companhias aéreas e outros)
vii) Spa & Massagens em Luanda


Aliado a este excelente guia, de extrema importância para quem chega e não tem quem lhe indique estas coisas, publica ainda algumas fotografias, por exemplo, dos locais onde comer para que os interessados tenham uma ideia inicial do tipo de local antes de se deslocar lá…



Para mim, repórter, tive ainda um prazer especial em ver este blog porque veio demonstrar-me que era possível concretizar uma ideia antiga… Desde o arranque do blog que pretendia colocar coisas específicas em páginas individuais. E a Angolita tornou-se o exemplo real dessa possibilidade…

Por isso mesmo, quem sabe para o inicio de 2011, o Notícias da Terra Avermelhada poderá começar a divulgar fotos e outros temas, em separadores, de forma a tentar tornar o blog mais interessante para quem nos visita.

A ver vamos se o tempo nos permite cumprir esse objectivo.

Para concluir, ficam os nossos parabéns à autora do angolita.com e votos de continuação de um bom trabalho. Nós cá estaremos e ajudaremos quando tivermos informações que sejam úteis.

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