Páginas do TerraAvermelhada.blogspot.com

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

10 de Novembro – Angola Vs SL Benfica

 
Apesar da polémica criada pela comunicação social devido à deslocação do SL Benfica a Luanda, sobretudo por causa do momento sensível da época, houve, de facto, espectáculo…

Isso mesmo… Houve espectáculo…

Não só o protagonizado pelos jogadores no relvado mas também o que o que o povo Angolano fez para receber, acompanhar e saudar os atletas do “Glorioso”.

O jogo, agendado para celebrar os 35 anos de independência da República de Angola, decorreu em ambiente de grande festa… A chegada do Benfica ao aeroporto teve fortes medidas de segurança, tal como seria de esperar, mas apenas porque a afluência foi grande… Não porque se receasse que algo fosse acontecer…

Durante todo o dia a romaria foi grande para o estádio… Havia música, “comes e bebes” e muita alegria enquanto aguardavam pelo inicio do jogo que se realizou no novo Estádio de Luanda, o Estádio 11 de Novembro.

Para a história fica um 0 – 2 num jogo interessante mas, como diria o Rui Santos, sem grande intensidade… Para a história fica também o motivo de orgulho e festa que é, para o Povo Angolano, a vinda do SL Benfica.

Aqui fica uma notícia do “lançamento” do jogo:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

7 de Novembro – Chá de Caxinde - Relembrar o presente com recurso ao passado – Luanda 18 anos depois

Este foi um daqueles Domingos sem expectativas nenhumas. Não tínhamos nada planeado e iríamos aproveitar o dia à medida que ele fosse decorrendo.

Eu, co-reporter, finalmente consegui dormir até às 10h00 da manhã! Acho sinceramente que foi um record que estabeleci em Luanda, que deixou o repórter feliz da vida :)

Depois de acordarmos, pôr-mos a conversa em dia com a famelga e comermos um belo de um pequeno almoço fora de horas, que é o mesmo que dizer, já perto da hora de almoço, saímos à rua à procura de algo para fazer!

Infelizmente começámos a pensar que a sorte não estava do nosso lado. Fizemos um périplo pelos espaços de exposições da Trienal, Globo, UNAP e Museu Nacional de História Natural e nada... tinha terminado o primeiro ciclo de exposições e estavam na fase de interrupção até ao segundo ciclo que inicia em meados de Novembro. Mas a visita ao Museu não foi totalmente perdida. Os mais atentos e fieis leitores deste blog já saberão de uma das minhas paixões no que respeita à cidade de Luanda, o prédio da Cuca!! Foi dos primeiros locais que vi quando cheguei à cidade e sempre andei a chatear o repórter para recolher fotografias do prédio e com o prédio! Ora nem mais... o Museu fica no extremo oposto do Largo do Kinaxixe (ou Kinaxixi, como prefirirem), e a oportunidade era a ideal, sem trânsito, sem movimento, com bastante luz natural e bem posicionados, tínhamos o cenário perfeito para os disparos fotográficos pretendidos!

Aqui ficam apenas dois dos registos recolhidos deste belo conjunto arquitectónico e cénico, na minha modesta opinião:




E uma brincadeira do repórter...


Regressamos a casa, tratámos de alguma lida doméstica, perdão, não deveria colocar o verbo tratar no plural, mas sim no singular...  e já com o estômago a pedir reforço fomos até ao Cais de 4 para um almoço tardio. Em Luanda há vários sítios bons para se comer e estar, mas talvez o Cais de 4 seja um dos que melhor conjuga estes dois verbos! A vista é magnífica, sem dúvida a melhor que se pode ter da Baía de Luanda, a comida, sem ter direito a uma estrela Michelin, é muito boa também, o que faz com que seja o local ideal para um almoço relaxado ou um jantar romântico. (Desculpem não utilizar o factor preço, mas sinceramente, em Luanda... não tem relevância... depois de algum tempo percebemos que só existe caro e muito caro, e depois de outro tanto tempo acabamos por perceber que, infelizmente, esse é mesmo o padrão...)

Ao final da tarde, e aproveitando o tempo livre que antecedia o clássico Porto-Benfica, fomos até ao Chá de Caxinde ver um filme, integrante do programa da trienal. O nome era sugestivo, O Miradouro da Lua, sem dúvida um dos principais monumentos paisagísticos dos arredores de Luanda, e representava a primeira co-produção lusoangolana, realizada no ano de 1992, marco histórico importante para este país.


Antes do filme iniciar fomos brevemente conduzidos pela história do mesmo, bem como por aquela que o antecedeu e acompanhou, através do próprio realizador, Jorge António, que se encontrava na sala.

Um pequeno aparte, o Chá de Caxinde é uma organização que assume extrema importância em Luanda do ponto de vista de divulgação cultural. Para além do cine-teatro onde se podem assistir a projecções de filmes e documentários, concertos, peças de teatro, existe também uma livraria e editora, um local para a prática de danças tradicionais e internacionais, um bar e um restaurante. É por exemplo neste local que se pode assistir aos concertos da Banda Maravilha, uma das mais conceituadas bandas de música popular angolana, todas as segundas-feiras! Mas em breve falaremos desta experiência em primeira pessoa.

Continuando...

O Jorge António falou da experiência de realizar um filme numa altura conturbada, como a do ano de 1992, em que decorreram as primeiras eleições livres em Angola, da escassez de recursos, do improviso na condução do filme, em que basicamente a gravação das cenas se ia desenrolando à medida das possibilidades existentes e das ideias que iam surgindo, mas chamou também a atenção para a Luanda de 1992. Segundo o realizador, aquele filme permitiria aos presentes não só recordar e reconhecer lugares da cidade, como perceber as diferenças que a separam dos dias de hoje. Algumas das pessoas que já visionaram o filme e conhecem a cidade actual, chegaram mesmo a perguntar-lhe “mas vocês tiraram os carros das ruas para filmarem as cenas de rua?” Todos os presentes sorriram perante tal afirmação, e o realizador reiterou “acreditem que não retirámos absolutamente nada, Luanda era mesmo assim, sossegada e praticamente sem carros”.

Por último apresentou-nos ainda uma das “actrizes” do filme que estava presente na sala, a Dª Custódia, para quem pediu uma salva de palmas. A Dª Custódia era uma senhora da casa dos 60, que aparentava ter alguma ligação prévia de amizade com o Jorge António, tendo a sua participação no filme sido improvisada, daí as aspas em torno da palavra “actrizes”.

De imediato ficámos com vontade de falar com ela e colocar-lhe uma série de perguntas... mas aguardaríamos pelo final do filme para saber se era possível...
O filme tem início em Lisboa, saltando à vista nomes aos quais estamos habituados, Vítor Norte, João Baião, João Cabral, Joaquim Paulo e José Meireles. Desde logo se percebe um pouco da história e a forma como se vai desenrolar. João Cabral é o actor principal, assumindo o mesmo nome, que vai partir em busca do pai que não vê desde criança, o qual vive em Luanda! A mãe, a veterana Isabel de Castro, embora um pouco incomodada com a viagem do filho, acaba por se resignar à ideia.
Na viagem de avião o João conhece a Sol, uma estudante angolana a regressar de férias, que viria a revelar-se uma ajuda preciosa em Angola. Aqui começam os pormenores que tornam o filme interessante com estes 18 anos de distância. O João, a par com outras pessoas, acende um cigarro dentro do avião. Pode parecer algo estranha a minha surpresa perante tal facto, mas nunca assisti a algo semelhante e nunca voei com tal permissão. Agora percebo a insistência dos avisos em todos os voos, afinal há ainda muita gente na actualidade que se recorda do tempo em se podia fumar num avião.

Mas o filme começa realmente a ganhar interesse a partir do momento em que o João aterra em Luanda no 4 de Fevereiro. O repórter ainda se lembra de uma parte antiga do aeroporto que se vê no filme, eu já não, mas há coisas que nos provocam risos de cumplicidade aos dois e a todos os presentes.

O João, perante a ausência do pai no aeroporto e a oferta de boleia da Sol e do irmão que a tinha ido buscar, diz: Não se preocupem, eu apanho um táxi! Não só a Sol e o irmão se desatam a rir, como todos nós também. Táxi em primeiro lugar é o nome dado aos Kandongueiros, as carrinhas Hiace que transportam as pessoas, em segundo lugar táxi, tal como se conhece habitualmente, é algo que não existia naquela época. E hoje... bom, existe uma empresa de táxis, mas os serviços são só por pedido antecipado e às vezes nem assim.

Depois existem uma série de lugares visitados no filme que nos fazem reviver a cidade. Por coincidência, a primeira rua em que o João vai à procura do pai é quase a nossa rua actual, o que nos faz trocar um comentário cúmplice e esboçar um sorriso. Já a rua onde a Sol mora tem um significado enorme para mim e para o repórter, a segunda morada onde o João vai à procura do pai é onde o repórter trabalha, aliás, a casa é ao lado do escritório do repórter... Há também uma série de locais marcantes, alguns que ainda existem e funcionam, outros não, entre outros o Hotel Panorama, actualmente abandonado, o cine Miramar, o bar /discoteca Pandemonium, o terraço do trópico, o Elinga Teatro.

O filme é marcado por uma série de encontros e desencontros na busca pelo pai, e é entre esses encontros e desencontros que ocorrem os passeios comuns como a visita ao Mussulo, em que os barcos parecem ser os mesmos dos dias de hoje, e às praias a seguir a Benfica, perto das Palmeirinhas.

E claro que o Jorge António tinha razão, Luanda era mesmo uma cidade diferente da dos dias de hoje, sem o trânsito frenético e caótico ao que estamos habituados, tudo parecia ser muito mais tranquilo.

Como acaba... não vamos contar, apenas vos podemos dizer que acaba aqui, com o João a gritar aos sete ventos que vai ficar...


Miradouro da Lua

No fim, e porque a curiosidade matava a respeito da rua onde o João vai à procura do pai na segunda morada que lhe deram, dirigimo-nos à Dª Custódia que nos confirmou. Era mesmo a rua onde o repórter trabalha! Contou-nos algumas peripécias sobre o filme e o nosso sexto sentido estava certo. A Dª Custódia era amiga do realizador, porque aparentemente um dos filhos e o Jorge estudavam juntos em Lisboa e, nas palavras da própria “O Jorge estava sempre a dizer: oh cota, um dia hás-de aparecer num filme meu, vais ver! E eu sempre a rir, até que um dia me apareceu na casa de Luanda com a malta toda e disse: oh cota, é hoje que vais aparecer! E assim foi, foram filmando e ficaram todos a dormir lá em casa” finalizando com uma gargalhada saudosista.

Há dias assim... em que temos muita sorte por poder viver momentos destes, relembrar o presente e visitar um passado recente!

E para quem quiser acompanhar a obra da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, aqui fica o link: http://www.chadecaxinde.net/

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

29 de Outubro – Porque nem tudo são rosas, neste caso, pérolas…

Depois de muita expectativa e de chatear o repórter para comprar os bilhetes, tinha chegado o grande dia, o dia do concerto da Pérola!! O meu regresso não podia ter ocorrido em melhor data, precisamente no dia que antecedia o espectáculo que há muito esperava para ver.

Passei a semana a falar do mesmo, a cantarolar as músicas que mais gosto, e a sexta-feira passou a correr na antecipação da noite que se avizinhava.

Fiz os possíveis para sair a horas do trabalho e chegar cedo à cidade, para ainda termos tempo de trocar de roupa e comer qualquer coisa. Entre outras coisas tontas, como guardar um registo fotográfico da alegria com o bilhete na mão :)

Ora bem, lá saímos em direcção ao Cine Atlântico onde o espectáculo teria lugar e, claro está, com pouco tempo de antecedência, a fila já era interminável e tivemos que recorrer à simpatia para conseguir um lugarzito em frente de uma garagem de forma a estacionarmos o carro.

Para ser sincera nunca pensei que a Pérola movesse tantas multidões. Todos os acessos ao Cine Atlântico estavam cheios de pessoas, pelo que a aproximação à porta de entrada se tornava difícil. Foi nesse momento que percebemos que as coisas estavam complicadas. Não só a fila para entrar era imensa que lhe perdiamos o fim, como havia imensa confusão motivada não só pelo facto de muita gente não ter bilhete e querer ainda comprá-lo, sendo que muitos tentavam a sorte procurando entrar sem bilhete, mas também pela aparente inexperiência de quem estava a controlar a entrada.

O repórter começou a ficar nervoso pela confusão instalada e chegou mesmo a sussurrar ao meu ouvido “daqui a pouco estas pessoas passam-se todas e não sei o que é que vai acontecer”. Embora também achasse que isso fosse possível, tal era o nível crescente de ansiedade por parte de quem aguardava, a excitação de ver a Pérola ao vivo fazia com que tolerasse a situação e tentasse retirar aquelas ideias da cabeça do repórter. Mas não... a minha excitação não chegou para acalmar aquelas pessoas todas e Infelizmente ele tinha razão... em menos de nada e sem sabermos bem como, começam os atropelos, os gritos, as pessoas a correrem, a tentarem fugir e a empurrarem e tivémos que ir na corrente enquanto tentávamos perceber o que se estava a passar... só foi possível quando ouvimos os latidos fortes de vários cães, uma rapariga a gritar que tinha medo, e vislumbrámos um dos polícias de intervenção a atiçar os cães contra as pessoas. Por sorte um casal agarrou-nos no braço e disse “venham para aqui”! O “para aqui” era um sítio mais resguardado, onde as pessoas que aguardavem na fila se conseguiam desviar daquela confusão.

Mas... nem tudo são rosas e num acesso de nitidez o repórter põe a mão ao bolso e apenas me transmitiu as palavras que mais me custaram ouvir e nas quais não queria acreditar “olha, já está, os bilhetes já eram”, seguido de uma série de impropérios, mas nada havia a fazer... para nós a Pérola já não ia cantar...

PS: Na segunda-feira seguinte a caminho do trabalho, quando já estava ligeiramente restabelecida do que tinha ocorrido, oiço um colega dizer “epá, parece que o concerto da Pérola foi com power”, e pronto... a segunda-feira que já é um péssimo dia, ficou ainda pior...

sábado, 29 de janeiro de 2011

25 de Outubro – Eu só queria pão e café com leite, é possível?

Após o regresso, repentino e imposto, da Co-repórter a Portugal concluída as questões do Visto foi requisitada para um período na África do Sul. Dessa estadia resultou este texto…

Neste momento, são 8h30 da manhã (7h30 em Luanda) e estou a escrever este post sentada na mesa de um dos vários cafés existentes no aeroporto de Jo’burg, deparando-me uma vez mais com uma realidade quotidiana, especialmente quando estamos num país com hábitos alimentares muito diferentes dos nossos ou adoptados de outros países igualmente com hábitos distintos.

O senhor que me atendeu trouxe-me gentilmente uma ementa vastíssima e fiquei arrebatada por um forte sentimento de distância face aos nossos costumes. Não temos o pequeno-almoço mais tradicional do mundo e não se pode dizer que todas as pessoas tomam o mesmo, e o fazem todos os dias. Mas creio que podemos apresentar um que é mais ou menos padrão e, ao pensar nisto, recordo um programa de rádio da Antena 1, creio, em que falavam disso e chegavam à conclusão que o pequeno-almoço português mais típico se aproximava de uma chávena de café com leite e pão com fiambre, manteiga, queijo, ou outra coisa que o valha, havendo algumas variações nomeadamente a substituição do pão por pão de leite, croissant ou pão de deus...

Ora bem... a ementa tem tudo, e quando digo tudo, tudo mesmo, desde pequeno-almoço inglês com aqueles ovos cozinhados de todas as espécies e feitios, e acompanhados por tudo e mais alguma coisa, tinha tortilhas, panquecas, wraps, cereais, saladas, etc., mas não tinham pão! Ainda assim decido arriscar a minha sorte e claro que não espero que tenham uma carcacinha ou uma bolinha de água ou da avó para comer com fiambre e queijo, mas pronto, pedi duas fatias de pão para comer com manteiga e um bocadinho de doce, acompanhadas de uma chávena de café com leite. O senhor diz-me que sim, mas passado um minuto regressa e diz-me interrogativo “as duas fatias de pão são 8 Rands?!!!”. Juro que não percebi à primeira qual era o propósito mas à segunda sim... ele queria certificar-se que eu sabia o preço, porque como era pouco comum alguém pedir isto, nem punham na ementa... Por momentos ainda me veio à ideia que ele estivesse a pensar que eu não queria gastar muito dinheiro no pequeno-almoço... mas não...

Entretanto olho à minha volta e reparo que era a única pessoa do espaço, um dos maiores, se não mesmo o maior, do aeroporto, a comer algo tão simples! A questão é que, quando estamos tão longe de casa, um simples pequeno-almoço, como os que tomámos tantas vezes no nosso país, nos faz sentir um bocadinho mais perto!


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

20 de Outubro – Deambulando por outros Blog’s V

Desta vez a sugestão que aqui trazemos não resulta de uma pesquisa nossa… Ao contrário, esta sugestão resulta de um contacto feito pela autora do blog…

Na sequência de um dos nossos post’s, Kirikou, contactou-nos para conseguir contactos do local (Quinta do Destino) onde fizemos paintball e escalada.

E foi na sequência desse contacto que fomos pesquisar o blog:


E a surpresa foi grande… Depois da primeiro contacto ficámos com a certeza que aquele poderia, sem dúvida, ser considerado o “primeiro grande guia de Angola”…

A oferta era muita e os tópicos principais mostram a riqueza do blog:

i) Feriados em Angola;
ii) Onde comer?
iii) Onde dormir?
iv) Onde dançar?
v) Onde arranjar o seu carro?
vi) Números úteis (onde existem contactos de companhias aéreas e outros)
vii) Spa & Massagens em Luanda


Aliado a este excelente guia, de extrema importância para quem chega e não tem quem lhe indique estas coisas, publica ainda algumas fotografias, por exemplo, dos locais onde comer para que os interessados tenham uma ideia inicial do tipo de local antes de se deslocar lá…



Para mim, repórter, tive ainda um prazer especial em ver este blog porque veio demonstrar-me que era possível concretizar uma ideia antiga… Desde o arranque do blog que pretendia colocar coisas específicas em páginas individuais. E a Angolita tornou-se o exemplo real dessa possibilidade…

Por isso mesmo, quem sabe para o inicio de 2011, o Notícias da Terra Avermelhada poderá começar a divulgar fotos e outros temas, em separadores, de forma a tentar tornar o blog mais interessante para quem nos visita.

A ver vamos se o tempo nos permite cumprir esse objectivo.

Para concluir, ficam os nossos parabéns à autora do angolita.com e votos de continuação de um bom trabalho. Nós cá estaremos e ajudaremos quando tivermos informações que sejam úteis.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

19 de Outubro – Vencer Obstáculos

Depois de quase um mês e meio em casa, em que recebi todos os mimos possíveis e imaginários da família e amigos, eis que chegou a hora de vencer mais um obstáculo e rumar à África do Sul para o meu novo projecto. Mais uma vez é necessário fazer as malas, partir, mas... principalmente despedirmo-nos de quem fica...

Nos últimos dias e mais precisamente quando se aproximava o meu regresso a África, a minha mente esteve muitas vezes retida sobre determinados pensamentos e ideias, mas sobretudo sobre as razões que nos levam a abandonar o nosso país, a nossa pátria e ir lutar, vencer e viver o dia a dia num local longínquo.

Isso levou-me a perceber que, embora de uma forma não tão evidente e constante, não só a moda se regenera, os hábitos e as tendências migratórias também.

Actualmente, e sempre que é lançada uma nova colecção de moda, apercebemo-nos que há sempre um estilo dominante que já o foi noutra época do passado. Claro que adaptados ao presente e com as devidas modificações introduzidas pela necessidade de inovar e actualizar, mas há sempre aspectos que foram utilizados em tempos. Muitos exemplos se poderiam dar, os mais recentes, entre outros, são as calças Skinny, as ombros das camisas e casacos levantados, as saias tipo tulipa, as botas com atilhos, etc...

Com a vida, e a necessidade de mudança de país, ocorre exactamente o mesmo. Claro que sempre houve e sempre haverá movimentos migratórios entre todos os países, mas também há tendências... Recorrendo a um passado recente, é fácil recordar a grande corrente emigratória que Portugal viveu durante o Estado Novo e o período que sucedeu a revolução de Abril. Com limitações ao nível do desenvolvimento cultural e económico, devido ao regime anti-democátrico e totalitário que ditava leis e impedia o progresso social, muitos foram obrigados a procurar novas formas de vida fora do país. Alguns tentaram a sorte mais perto, sendo França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Luxemburgo, os destinos mais procurados, e os mais destemidos aventuraram-se para bem mais longe... EUA, Canadá, Venezuela, Brasil, Argentina... as razões que os assistiram na escolha, não as sabemos, mas a coragem e a necessidade de ter uma vida melhor, superaram a saudade, a distância e todos os factores contrários à mudança.

Depois... depois veio um período de estabilidade e crescimento económico incrível, onde nos habituámos a viajar, a comer fora, a disfrutar de uma série de prazeres da vida. Durante anos ninguém falava em necessidades de emigrar, habituámo-nos sim a receber, muita gente, de muitos países, e acreditamos inocentemente que assim permaneceríamos para todo o sempre. A expressão vacas gordas era a palavra de ordem... eu nunca vivi profissionalmente durante este período, confesso que gostava de ter vivido ou talvez não... não sei... mas cresci profissionalmente no pós-vacas gordas, e recordo todos os momentos em que me lembraram que esse período já não existia, que não dava para isto, que não dava para aquilo...

E chegou o dia em que tive, perdão, tivemos que tomar uma decisão com a minha e nossa vida. Sabíamos que as coisas não iam melhorar e que mesmo que o período das vacas magras, perdão, macérrimas ou anoréticas, passasse, as vacas gordas nunca iriam voltar ou, caso voltem, não será em tempo útil para nós! E partimos... primeiro o repórter, depois fui eu. E somos oficialmente parte da nova tendência migratória, novamente aqueles que se vêm obrigados a procurar uma nova forma de vida num outro país. Mas claro está... a tendência é diferente da anterior. Este movimento migratório é composto por licenciados que, na sua generalidade não conseguem arranjar emprego na sua área ou, conseguindo, ganham miseravelmente (sendo que muitas vezes trabalham, mas não existe salário) para o dinheiro que gastaram aos pais na Universidade, pelo que estudaram, pelo que sabem ou tão simplesmente, pelas capacidades que têm e podem utilizar em proveito do seu país!

Os países de destino nem sempre se repetem, outros sim, mas na sua maioria, Angola, Brasil, Moçambique, Singapura, Dubai... a lista seria imensa!

Nós... para quem nos “lê” é um dado adquirido, para quem só agora aqui chegou, escolhemos Angola! E partir foi tão difícil... deixamos tantas coisas para trás... família, amigos, casa, objectivos, a união e a proximidade da nossa cultura, de tudo aquilo com o qual nos identificamos... é como ser arrancado de algo ao qual sempre estivemos ligados... mas no fundo temos um objectivo maior, o ir à procura de uma vida melhor, na esperança que a experiência recompense o sofrimento causado pela distância e separação.

E no fundo somos duas pessoas com sorte, porque apesar de tudo podemos lutar pelos nossos objectivos, ainda que longe, mas podemos!

Nem sempre a realidade é assim... À nossa volta há sempre pessoas que se esforçam e por uma outra razão não conseguem alcançar o seu sonho, seja profissional seja pessoal. Não consigo descrever-vos a dificuldade que tenho em aceitar a realidade crua de algumas circunstâncias que nos impedem de alcançar os nossos objectivos por mais que nos esforcemos e hoje tocou-me o coração uma mensagem que recebi de uma das pessoas mais talentosas que conheço.

Ele tem um sonho, tem o talento e toda a criatividade necessária para o alcançar, mas não o pode tornar realmente verdadeiro porque lhe falta uma componente indispensável, que nos dias que correm é ainda mais difícil de obter... e o sonho, o objectivo dele, não se resolve “facilmente” como o nosso...

Não tenho a capacidade financeira para te ajudar, mas tenho sim a capacidade humana para divulgar o teu magnífico trabalho sempre que possa!

Tenho a certeza que todo o teu esforço, empenho, criatividade e capacidade de inovação serão mais cedo ou mais tarde reconhecidos de forma a que o teu sonho possa ser alcançado e aquilo que hoje é algo pontual na tua agenda, se torne o teu ambiente diário!

Por tudo isto não deixem de visitar esta página que recomendo vivamente:



Mas, para vos aguçar a curiosidade, deixo só alguns dos muitos trabalhos já realizados:





Para o final deixei a minha malinha que me foi oferecida com carinho e que vai passear muito por Luanda e arredores... fiquem atentos aos próximos posts... ;)


No fundo... no fundo é só um obstáculo a vencer... o mais difícil está aí dentro de ti, o mérito e a criatividade! Isso sim, pouca gente tem...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

14 de Outubro – Blog atinge 3.000 Visitas

Resta, mais uma vez, agradecer a todos aqueles que vêm a esta página e que vão acompanhando a vivência (agora deste casal) na Terra Avermelhada.

Este continua a ser o local predilecto, e tem apenas esse objectivo, para a publicação de novidades/informações ou simplesmente partilha de momentos…

Pelos atrasos nas publicações as nossas desculpas mas nem sempre é fácil conciliar as exigências profissionais, com os momentos de lazer e o tempo e/ou vontade de escrever… Tentaremos ser mais disciplinados e manter o blog mais “on-line”.

Fica ainda o desejo de um blog mais dinâmico… Mais interactivo… Com sugestões, questões, etc, para que para além de engraçado para quem por vezes o abre se torne também útil para quem vive ou está a pensar viver em Angola…

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...