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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

2 de Setembro – Blog está de Parabéns: 1º Aniversário

Esta é, inevitavelmente, uma data especial…

Afinal de contas faz hoje um ano que publiquei o meu primeiro texto no complexo e gigante mundo da blogosfera… A data marca, simbolicamente, a minha chegada a Angola.

Uma mudança de país, de vida e de realidade… E esse foi o verdadeiro motivo da escrita. Pretendia ir registando e partilhando sentimentos com quem deixei em Portugal… Consegui-o…

Sinceramente, se naquela data alguém me tivesse perguntado, eu nunca acreditaria que hoje estaria aqui novamente a escrever. Durante todos estes dias, passados (quase na totalidade) na Terra Avermelhada muita coisa aconteceu… Muitos momentos de alegria e brincadeira, imensos e intensos momentos (ou diria horas) de trabalho, outros de saudade e também alguns de sofrimento…

A vida é exactamente isso… Uma mistura de acontecimentos, vivências e experiências que nos fazem crescer…

Aos relatos colocados no blog dei sempre uma visão realista… A minha visão realista…

Julgo que é evidente que muitas coisas ficaram por dizer… Umas por falta de tempo, outras por falta de capacidade para as registar, outras por insensibilidade para perceber que aconteceram e outras, obviamente, porque não são para escrever…
Tentei sempre dar uma visão realista mas imparcial… No fundo é isso que tento ser no meu dia-a-dia.

Contudo vou agora abdicar dessa imparcialidade…

Passando a ser parcial não posso deixar de agradecer a quem deixei em Portugal mas, também, a quem conheci e me acompanha em Angola.

Obviamente que falo da minha metade e da família mas também dos amigos especiais que “lutam” para que permaneçamos em contacto e me dão força. Mas também terei que falar de quem me recebeu… Um amigo com quem não estava há cerca de 3 anos e me recebeu como se tivéssemos estado juntos há 2 semanas… De uma namorada desse amigo (à data) que nunca me tinha visto e me recebeu da mesma forma… E não ficaria bem comigo mesmo se não agradecesse também aos meus colegas de trabalho que desde o primeiro minuto se preocuparam comigo, promoveram a minha integração, me apoiaram nas mais diversas situações… Também a eles (incluindo ao grupo de novos colegas que chegou em Fevereiro deste ano) o meu muito obrigado.

Foi por todos vocês que esta aventura se tornou tão enriquecedora aos mais variados níveis…

E quanto ao aniversário do Blog??? Que seja o primeiro de alguns… Tantos quantos os que eu permanecer na Terra Avermelhada…

Quanto ao futuro ninguém poderá ter certezas mas a realidade é que gostaria de estar por cá durante mais algum tempo…

Quanto ao blog??? Continua a aguardar sugestões e questões para que possa ser mais interessante e interactivo. Em breve serão 3.000 visitas mas parece até um monólogo… Felizmente agora a duas vozes… ;) ;) E ora aí está um belo nome para um blog… “Monólogo a 2 vozes”… ehehhehehehe

2 de Setembro – Acontecimento: Aumento de preços em Moçambique

Após os tumultos iniciais verificados em Moçambique, devido ao aumento dos preços de bens, o dia de hoje revelaria a gravidade da situação.

A comunidade internacional demonstrava particular interesse no inicio do dia pois esse poderia ditar o que se passaria nos seguintes…

Aqui fica um “excelente ponto de situação” feito por um gestor a viver em Maputo:

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=441711


Veremos o que acontecerá nos próximos dias…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

1 de Setembro – O aumento dos combustíveis

Este era um dia aparentemente normal… Mais um primeiro dia de um novo mês…

Só no escritório percebi que, afinal de contas, era o primeiro dia de um aumento significativo no preço dos combustíveis.

Por casualidade tinha que ir tirar umas fotografias a um local e o carro estava na reserva. Não sabendo concretamente onde era o local fui com um dos motoristas da empresa que, apesar de estar sempre bem informado, me disse que ”isso ainda não é para já, mas confirmamos agora nas bombas”.

Estacionado o carro fomos logo informados que “Gasolina a 60 Kuanzas” (aproximadamente 60 cêntimos de Dólar Americano) quando, no dia anterior, era a 40 Kuanzas. Perspicaz logo o meu companheiro de viagem lhe disse “Então mano, deviam colocar aí um papel para as pessoas saberem” e ele, encolhendo os ombros e com um sorriso tímido, simulando o movimento das palavras com o dedo a sair da boca, responde “Temos indicações para não fazer isso. É para ser através do Boca-a-Boca”.
Ora aqui está uma “excelente ideia” pensei… Através do “boca-a-boca” tardará a consciencialização do aumento…

A realidade é que desde que cheguei se se fala de aumento do combustível e por vezes se especula que será para estabilizar nos 150 Kuanzas, ou seja, que seria para nivelar com o preço internacionalmente aceite… Mas hoje é o dia em que se deu o passo inicial para esse eventual aumento…

Aqui fica o recorte do Jornal de Angola:



Surpreendentemente vi, ao almoço, as notícias sobre os acontecimentos em Moçambique…

Aparentemente trata-se do mesmo motivo mas com outros aumentos adicionais…

terça-feira, 19 de outubro de 2010

28 de Agosto – We believe We can Fly - Força Angola

A vinda do R. Kelly a Angola estava rodeada de polémica, envolvendo duas produtoras de eventos, a Step, da Karina Barbosa, e a Casablanca, do Rikinho.

Polémicas à parte, os bilhetes já os tínhamos em casa, guardadinhos para o grande dia! Por diversas razões, comprámos os bilhetes para o espectáculo promovido pela Step em conjunto com a Unitel, o qual tinha por objectivo transmitir uma mensagem de apoio à selecção angolana de basquetebol que ia competir no Mundial da Turquia, daí o nome escolhido pelos organizadores: Força Angola!

A noite prometia! Não só iríamos ver aquele que tinha sido considerado, nos seus tempos áureos, o rei do Hip Hop, como poderíamos ver um conjunto de bons artistas nacionais, nomeadamente, Pérola, Big Nelo e Armi Squad.

Eu, có-reporter, tinha andado a semana a cantarolar as músicas do R. Kelly e da Pérola e, chegados a Sábado, o entusiasmo ia aumentando progressivamente. Ao longo do dia a agitação e os preparativos na zona envolvente ao estádio dos Coqueiros ia aumentando, e por via dos mesmos fomos mais cedo para lá. Conforme seria de esperar para um evento destes, tudo estava extremamente bem organizado e foi com muita facilidade que nos dirigimos à bancada, não sem antes solicitar a t-shirt do evento, laranja, a cor da Unitel, e com a mensagem adjacente: Força Angola!

Como bons espectadores que somos vestimos a camisola, afinal de contas estávamos ali para apoiar! A maioria fez o mesmo criando um efeito de uma imensa onda laranja em todo o estádio, da qual fazíamos parte!

And... let the show begin...

Armi abriu o espectáculo, com uma equipa de peso, literal e não literalmente, fazendo animar o público e trouxe a primeira surpresa da noite, Yuri da Cunha, que deu um cheirinho da sua música bem ritmada. Depois veio o Big Nelo levando o público feminino a suspirar cada vez que levantava a t-shirt e mostrava o 6 pack  Mas surpresa para mim foi quando cantou o seu hino, como lhe intitulou, em que todas as gerações presentes entoaram o Karga de fio a pavio, sem se perderem, sem se enganarem numa única palavra da canção! Gostando ou não, é impossível ficar indiferente àquela energia gerada! O Big Nelo trouxe ainda dois convidados, os Kuduristas Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro, que arrancaram muita risada de todos os presentes.

Por último, no âmbito dos artistas nacionais, a Pérola, linda como sempre, cantou todos os hits do seu álbum mais recente que guardo religiosamente. Estas eu e o repórter já sabíamos e cantámos com os demais :)

Depois da Pérola terminar a sua actuação houve um pequeno compasso de espera e eis que entra o R. Kelly, igual a si mesmo, sem pretenciosismos, sem acessos de estrela, próximo dos presentes, dando início à actuação com uma rapsódia dos seus raps mais conhecidos enquanto nos dirigia incentivos “Everybody make some noise!!!!”, levando os presentes ao delírio.

Pelo meio houve muitas baladas a deixar antever a forma como iria terminar o concerto, com aquela canção que era também o seu hino e o de muita gente por este mundo fora.

Quando começaram a ser tocados os primeiros acordes, houve uma onda de emoção que nos percorreu a todos sem excepção, e todos acreditámos durante aqueles minutos que era possível voar, voar para longe, sobretudo junto daqueles que amamos. Estou certa que não foi só naqueles minutos que acreditámos, mas durante muito mais tempo... espero sinceramente que continuemos todos a acreditar! O R. Kelly contribuiu para isso e nós agradecemos da melhor maneira que podíamos, cantando a céu aberto todos os versos da canção. Creio que de certa forma a resposta acabou por o surpreender, parando de cantar para nos ouvir e cruzando as mãos sobre o peito, inclinando-se para o público em jeito de agradecimento, abanando ligeiramente a cabeça alternando entre o incrédulo e o emocionado.

Aqueles minutos em que eu e o repórter nos abraçámos, ouvimos e cantámos que era possível voar, pareceram eternos mas, mais importante que isso, deram-nos um banho de força e energia, não sendo todos os dias que nos sentimos assim longe de casa.

Momentos como este são para preservar nas nossas memórias e nos nossos corações.

E para que não o esqueçamos, aqui fica o registo para podermos continuar a acreditar que somos capazes de voar....

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

28 de Agosto – “Pula” na sola do sapato

Em Luanda, entre muitas outras coisas, há algo que temos que ter sempre presente e que já foi por nós referido. Quando procuramos algum local e solicitamos informações, não esperemos chegar lá na primeira tentativa!

No entanto, esta busca pelo local desejado, pode por vezes ser mais proveitosa do que alguma vez imagináramos.

Quando eu, co-reporter, vim para Luanda, não tive tempo ou paciência para colocar os meus sapatos a arranjar. Seja por preguiça, seja simplesmente por querer aproveitar o tempo de forma muito mais útil, trouxe cerca de 4 pares de sapatos com capas gastas, perdão, gastíssimas.

Ora apresentava-se o primeiro desafio, encontrar um sapateiro em Luanda. Se repararem, esta não é propriamente uma actividade que esteja disponível a cada esquina. Em Lisboa, e apesar de ser um negocio já existente em todos os centros comerciais, vou ao sapateiro onde a minha mãe vai, que por sua vez lhe foi indicado por uma vizinha, a quem outra vizinha lhe tinha indicado, e assim sucessivamente...

Recorrendo a esse princípio, isto é, que é sempre preferível perguntar a alguém que aparente já tenha solicitado serviços a um sapateiro, coloquei a questão a uma colega de trabalho. Como seria de esperar ninguém responde é no número tal da avenida ou rua X, ao lado da loja Y... A indicação que me deu foi, “acho que há um na Avenida de Portugal, perto da Embaixada de Portugal, talvez em frente, mas chegando lá perguntas”.

Bom... assim fizemos numa tarde de Sábado, já antecipando algumas tentativas para encontrar tal sítio. Em frente à Embaixada de Portugal não havia nada parecido com um sapateiro, apenas uma farmácia. Entrei e perguntei se sabiam onde havia um sapateiro, que supostamente seria daquele lado da Avenida. Indicam-me que é mais abaixo, a seguir a algo que agora não recordo o que era. Fui descendo até perto do local indicado e vejo uma espécie de sapataria/lavandaria/loja de bugigangas e pergunto se o sapateiro era ali, já meio descrente. As raparigas respondem-me que não, que havia um por ali mas não era bem um sapateiro, mas que tinham a sensação de existir um bom mas não ali mesmo, até que me acompanham à porta e colocam a questão a uma amiga ou cliente que ia a passar. Esta senhora indicou-me um sítio completamente oposto, apontando para um local que eu não conseguia sequer visualizar, certamente devido à minha miopia... Mas lá fui, com o repórter já com um deficit de paciência :)

Ao chegarmos perto do local que me parecia ter sido indicado pela senhora deparamo-nos com algo diferente do sapateiro que arranja sapatos, mas sim com uma mini-fábrica de calçado artesanal. Pensei de imediato que não tinha explicado correctamente à senhora os meus propósitos e perguntei com algum receio “fazem concertos de sapatos?” O rapaz respondeu prontamente que sim, de todos os tipos, capas, solas, meias solas, o que se quisesse e pediu para mostrar o que era para arranjar.

Ok, neste momento os meus olhos luziram! Quanto mais o rapaz falava mais descansada eu ficava. Tínhamos acordado só deixar dois pares e passaríamos a deixar os outros dois mediante a forma como se viria a apresentar o conserto dos primeiros. Estávamos um pouco expectantes em relação ao preço mas os 1000 Akz (cerca de 8,5 euros) que nos pediu não pareceram extremamente caros em comparação com os preços que estávamos habituados...

A coisa processou-se de maneira engraçada. O rapaz, que parecia ser o responsável pelo local, deu-nos o contacto dele e fixou o nome do repórter. E diz, “João, tu ligas para mim para saberes se estão prontos e passas cá para vir buscá-los quando puderes!”. E pronto, criou-se ali uma empatia que viríamos a cultivar das vezes seguintes, e que me deixou a mim, có-reporter, com à vontade para lhe perguntar uma série de coisas sobre as sandálias em exposição.

À entrada do local estavam um conjunto de sandálias de couro em exposição, que eles fabricavam diariamente à medida que iam vendendo. Havia um conjunto de artesãos que trabalhavam ali, à frente de quem passasse, havendo trabalhos em várias fases.

Coloquei várias questões, se era possível fazer um tamanho específico de um modelo exposto, se tinham mais modelos, e ele responde com uma curiosidade, que era possível fazer qualquer sandália, desde que trouxéssemos ou indicássemos qual o modelo pretendido para se poder reproduzir naquele material. Os preços, sem serem necessariamente baratos, eram simpáticos, o que nos fez pensar em óptimas prendas de Natal! :)

Nas visitas seguintes fomos deixando e recolhendo alguns pares, que entretanto se tinham estragado com o uso em Angola, e acabámos por descobrir através do Moreno (o nome do dono do negócio), que nas traseiras trabalhava um costureiro e alfaiate, algo que também procurava porque tinha umas calças com necessidade urgente de bainha e um pano de tecido que adquiri no primeiro dia em Luanda e que pretendia transformar numa saia ou num vestido!

O próprio Moreno levou-nos ao senhor em causa e apresentou-nos. Era incrível a quantidade de modelos de roupa que o senhor fazia, bastava levar o tecido, do padrão pretendido, tirar as medidas e ele transformava no modelo escolhido!

Mas palpita-me que em breve teremos material para um novo post relacionado com pano de tecido e roupa tradicional! :)

Voltando ao Moreno e aos sapatos...

Depois de amadurecer uma determinada ideia para umas sandálias, eu, có-reporter, na minha primeira incursão sozinha por Luanda a conduzir, fui visitar o Moreno para levantar umas sandálias que tinha deixado a arranjar e encomendar um determinado modelo. Acertei com ele alguns detalhes, discutimos ideias, possibilidades, em que um dos artesãos também foi consultado, fiz um esboço em papel (mediante e limitado às minhas capacidades reduzidas de desenho) e pronto, chegámos ao modelo final. Regressei a casa com as minhas sandalecas e ansiosa por ver as que iriam ser feitas!!!

Eis que uns bons dias mais tarde e, já em Portugal (pois tive que regressar a Lisboa), ao arrumar as mesmas sandálias que tinham estado a arranjar reparo numa inscrição pequena na sola: Pula! Não pude deixar de me rir. Pula era a forma como quem arranjou as capas das sandálias nos identificou. Pula é o nome que em Angola se dá aos estrangeiros residentes. E o resultado foi este:


PS: Num post seguinte falaremos da origem das sandálias de couro, e da sua presença em Luanda, que está ligada à história recente de Angola, e não só... stay tuned!

domingo, 17 de outubro de 2010

27 de Agosto – Porque estão sempre presentes…

Aqui fica o meu/nosso obrigado.

Pela terceira vez consecutiva estão em momentos que irão marcar a nossa vida (para além de todos os outros momentos que temos partilhado)...

Pouco mais há a dizer do que: Obrigado. É bom partilhar estes momentos convosco.

Abreijos

sábado, 16 de outubro de 2010

23 de Agosto – Alguns dos anúncios deste último ano…

Neste último ano a quantidade de horas passadas em frente à televisão reduziu significativamente (aspecto que é inversamente proporcional às horas passadas à frente do computador) contudo existem alguns anúncios publicitários que associo a este primeiro ano passado na Terra Avermelhada.

Para partilhar e, também, para mais tarde recordar, aqui ficam esses mesmos anúncios:

BFA - Mongolé
Link: http://www.youtube.com/watch?v=GemUxke4CK8&feature=related



BFA - Spot divulgado imediatamente antes do Jornal da Noite na RTP Internacional
Link: http://www.youtube.com/watch?v=8jpNm3fSK8M&feature=related



BLUE
Link: http://www.youtube.com/watch?v=r0Xx6jJfDsA&feature=related



NOCAL –
Link: http://www.youtube.com/watch?v=rN0nQ0KwBF8&feature=related



MOVICEL – Lançamento de Cartões Pré-Pagos
Link: http://www.youtube.com/watch?v=CGiwClRL9kA&feature=related



Aproveito o título do post para lançar um desafio/fazer um pedido… Se, por mero acaso, alguma das pessoas que vão ler este blog conseguir encontrar o anúncio (creio que existe apenas de rádio) da cerveja NGola ficaria imensamente grato que me indicassem onde o poderei obter… Refiro-me ao anúncio que, em apenas 30 segundos, retracta de uma forma, diria, fotográfica o que se vê/sente nas ruas da Angola de hoje…

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