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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

28 de Agosto – “Pula” na sola do sapato

Em Luanda, entre muitas outras coisas, há algo que temos que ter sempre presente e que já foi por nós referido. Quando procuramos algum local e solicitamos informações, não esperemos chegar lá na primeira tentativa!

No entanto, esta busca pelo local desejado, pode por vezes ser mais proveitosa do que alguma vez imagináramos.

Quando eu, co-reporter, vim para Luanda, não tive tempo ou paciência para colocar os meus sapatos a arranjar. Seja por preguiça, seja simplesmente por querer aproveitar o tempo de forma muito mais útil, trouxe cerca de 4 pares de sapatos com capas gastas, perdão, gastíssimas.

Ora apresentava-se o primeiro desafio, encontrar um sapateiro em Luanda. Se repararem, esta não é propriamente uma actividade que esteja disponível a cada esquina. Em Lisboa, e apesar de ser um negocio já existente em todos os centros comerciais, vou ao sapateiro onde a minha mãe vai, que por sua vez lhe foi indicado por uma vizinha, a quem outra vizinha lhe tinha indicado, e assim sucessivamente...

Recorrendo a esse princípio, isto é, que é sempre preferível perguntar a alguém que aparente já tenha solicitado serviços a um sapateiro, coloquei a questão a uma colega de trabalho. Como seria de esperar ninguém responde é no número tal da avenida ou rua X, ao lado da loja Y... A indicação que me deu foi, “acho que há um na Avenida de Portugal, perto da Embaixada de Portugal, talvez em frente, mas chegando lá perguntas”.

Bom... assim fizemos numa tarde de Sábado, já antecipando algumas tentativas para encontrar tal sítio. Em frente à Embaixada de Portugal não havia nada parecido com um sapateiro, apenas uma farmácia. Entrei e perguntei se sabiam onde havia um sapateiro, que supostamente seria daquele lado da Avenida. Indicam-me que é mais abaixo, a seguir a algo que agora não recordo o que era. Fui descendo até perto do local indicado e vejo uma espécie de sapataria/lavandaria/loja de bugigangas e pergunto se o sapateiro era ali, já meio descrente. As raparigas respondem-me que não, que havia um por ali mas não era bem um sapateiro, mas que tinham a sensação de existir um bom mas não ali mesmo, até que me acompanham à porta e colocam a questão a uma amiga ou cliente que ia a passar. Esta senhora indicou-me um sítio completamente oposto, apontando para um local que eu não conseguia sequer visualizar, certamente devido à minha miopia... Mas lá fui, com o repórter já com um deficit de paciência :)

Ao chegarmos perto do local que me parecia ter sido indicado pela senhora deparamo-nos com algo diferente do sapateiro que arranja sapatos, mas sim com uma mini-fábrica de calçado artesanal. Pensei de imediato que não tinha explicado correctamente à senhora os meus propósitos e perguntei com algum receio “fazem concertos de sapatos?” O rapaz respondeu prontamente que sim, de todos os tipos, capas, solas, meias solas, o que se quisesse e pediu para mostrar o que era para arranjar.

Ok, neste momento os meus olhos luziram! Quanto mais o rapaz falava mais descansada eu ficava. Tínhamos acordado só deixar dois pares e passaríamos a deixar os outros dois mediante a forma como se viria a apresentar o conserto dos primeiros. Estávamos um pouco expectantes em relação ao preço mas os 1000 Akz (cerca de 8,5 euros) que nos pediu não pareceram extremamente caros em comparação com os preços que estávamos habituados...

A coisa processou-se de maneira engraçada. O rapaz, que parecia ser o responsável pelo local, deu-nos o contacto dele e fixou o nome do repórter. E diz, “João, tu ligas para mim para saberes se estão prontos e passas cá para vir buscá-los quando puderes!”. E pronto, criou-se ali uma empatia que viríamos a cultivar das vezes seguintes, e que me deixou a mim, có-reporter, com à vontade para lhe perguntar uma série de coisas sobre as sandálias em exposição.

À entrada do local estavam um conjunto de sandálias de couro em exposição, que eles fabricavam diariamente à medida que iam vendendo. Havia um conjunto de artesãos que trabalhavam ali, à frente de quem passasse, havendo trabalhos em várias fases.

Coloquei várias questões, se era possível fazer um tamanho específico de um modelo exposto, se tinham mais modelos, e ele responde com uma curiosidade, que era possível fazer qualquer sandália, desde que trouxéssemos ou indicássemos qual o modelo pretendido para se poder reproduzir naquele material. Os preços, sem serem necessariamente baratos, eram simpáticos, o que nos fez pensar em óptimas prendas de Natal! :)

Nas visitas seguintes fomos deixando e recolhendo alguns pares, que entretanto se tinham estragado com o uso em Angola, e acabámos por descobrir através do Moreno (o nome do dono do negócio), que nas traseiras trabalhava um costureiro e alfaiate, algo que também procurava porque tinha umas calças com necessidade urgente de bainha e um pano de tecido que adquiri no primeiro dia em Luanda e que pretendia transformar numa saia ou num vestido!

O próprio Moreno levou-nos ao senhor em causa e apresentou-nos. Era incrível a quantidade de modelos de roupa que o senhor fazia, bastava levar o tecido, do padrão pretendido, tirar as medidas e ele transformava no modelo escolhido!

Mas palpita-me que em breve teremos material para um novo post relacionado com pano de tecido e roupa tradicional! :)

Voltando ao Moreno e aos sapatos...

Depois de amadurecer uma determinada ideia para umas sandálias, eu, có-reporter, na minha primeira incursão sozinha por Luanda a conduzir, fui visitar o Moreno para levantar umas sandálias que tinha deixado a arranjar e encomendar um determinado modelo. Acertei com ele alguns detalhes, discutimos ideias, possibilidades, em que um dos artesãos também foi consultado, fiz um esboço em papel (mediante e limitado às minhas capacidades reduzidas de desenho) e pronto, chegámos ao modelo final. Regressei a casa com as minhas sandalecas e ansiosa por ver as que iriam ser feitas!!!

Eis que uns bons dias mais tarde e, já em Portugal (pois tive que regressar a Lisboa), ao arrumar as mesmas sandálias que tinham estado a arranjar reparo numa inscrição pequena na sola: Pula! Não pude deixar de me rir. Pula era a forma como quem arranjou as capas das sandálias nos identificou. Pula é o nome que em Angola se dá aos estrangeiros residentes. E o resultado foi este:


PS: Num post seguinte falaremos da origem das sandálias de couro, e da sua presença em Luanda, que está ligada à história recente de Angola, e não só... stay tuned!

domingo, 17 de outubro de 2010

27 de Agosto – Porque estão sempre presentes…

Aqui fica o meu/nosso obrigado.

Pela terceira vez consecutiva estão em momentos que irão marcar a nossa vida (para além de todos os outros momentos que temos partilhado)...

Pouco mais há a dizer do que: Obrigado. É bom partilhar estes momentos convosco.

Abreijos

sábado, 16 de outubro de 2010

23 de Agosto – Alguns dos anúncios deste último ano…

Neste último ano a quantidade de horas passadas em frente à televisão reduziu significativamente (aspecto que é inversamente proporcional às horas passadas à frente do computador) contudo existem alguns anúncios publicitários que associo a este primeiro ano passado na Terra Avermelhada.

Para partilhar e, também, para mais tarde recordar, aqui ficam esses mesmos anúncios:

BFA - Mongolé
Link: http://www.youtube.com/watch?v=GemUxke4CK8&feature=related



BFA - Spot divulgado imediatamente antes do Jornal da Noite na RTP Internacional
Link: http://www.youtube.com/watch?v=8jpNm3fSK8M&feature=related



BLUE
Link: http://www.youtube.com/watch?v=r0Xx6jJfDsA&feature=related



NOCAL –
Link: http://www.youtube.com/watch?v=rN0nQ0KwBF8&feature=related



MOVICEL – Lançamento de Cartões Pré-Pagos
Link: http://www.youtube.com/watch?v=CGiwClRL9kA&feature=related



Aproveito o título do post para lançar um desafio/fazer um pedido… Se, por mero acaso, alguma das pessoas que vão ler este blog conseguir encontrar o anúncio (creio que existe apenas de rádio) da cerveja NGola ficaria imensamente grato que me indicassem onde o poderei obter… Refiro-me ao anúncio que, em apenas 30 segundos, retracta de uma forma, diria, fotográfica o que se vê/sente nas ruas da Angola de hoje…

23 de Agosto – O primeiro ano na Terra Avermelhada

Muito haveria a dizer sobre este primeiro ano na Terra Avermelhada…

Mas o blog tem essa vantagem e objectivo… Registar todas essas “pequenas” coisas que nos vão acontecendo diariamente e que, invariavelmente nos marcam, mas que num momento de balanço anual pouca relevância assumem.

Por isso mesmo a tarefa fica muito mais facilitada e este será um balanço genérico sobre o que sinto, como vejo este país um ano depois e quais as perspectivas futuras.














Em primeiro lugar sinto-me muito feliz. Após 11 meses sozinho na Terra Avermelhada, neste momento já tenho a minha metade junto a mim e, portanto, a vivência torna-se mais fácil e, sem qualquer dúvida, melhor.

Penso que foi perceptível nos textos que fui inserindo no blog mas, apesar de todas as diferenças compreensivas (e de todas as outras que a milhares de km’s de distância não são perceptíveis), realço: A minha metade era mesmo a única coisa que me faltava (daquelas que são possíveis porque, evidentemente, preferia ter cá aqueles amigos especiais, a família, etc) porque Luanda (e Angola) não é um local onde me sinta desenquadrado… Não é um local onde não goste de estar… Evidentemente que poderia ter muitos outros atractivos, que poderia ser mais “europeia” em algumas vertentes e poderia ser muito mais agradável… Mas não é.

Não é mas com o tempo aprendi que não vale a pena “encalhar” nessas inexistências/problemas porque existem muitas outras coisas boas de que podemos tirar partido. Por isso, julgo, o segredo é concentrar a nossa energia nas coisas boas e nas coisas que gostamos realmente de fazer para que possamos sentir-nos bem.










Em segundo lugar, a forma como vejo este país… Não é fácil… Antes de vir imaginava uma cidade completamente destruída, em que havia falta de tudo e em que a insegurança fazia com que as pessoas não saíssem de casa, etc…

Apesar de não estar totalmente longe da realidade, existem algumas diferenças… A cidade está muito degradada, é verdade, e esse é o reflexo de 30 anos de guerra em que as estradas, os edifícios, os jardins, etc não tiveram qualquer manutenção. Não existe, ao contrário do que eu pensava, uma degradação causada pela guerra. Em Luanda existem (nesta altura) 3 ou 4 locais em que a degradação se deve directamente à guerra e são locais muito específicos que, um dia, mostrarei a quem está desse lado…

Contudo, opondo-se a essa degradação, existe uma quantidade (absurda diria eu) de edifícios novos e em construção que pretendem colmatar as necessidades do país. Falo de hóteis, de habitações e escritórios que fazem com que qualquer recém chegado diga “mas esta cidade é um estaleiro”. E é de facto… E aí, apesar dos diversos transtornos que isso provoca, está um dos pontos que considero positivo… A cidade está em permanente mudança e melhoria a uma velocidade que eu nunca tinha visto…

Ao contrário de Lisboa, ou das restantes cidades que conheço, em Luanda tudo está por fazer e, neste momento, tudo está a ser feito e, por isso mesmo, de dia para dia notam-se as mudanças. Digamos que, quem cá está acompanha a evolução da cidade e, consequentemente, do país.

Vemos edifícios a ser derrubados e outros a nascerem. Vemos ruas a serem alargadas, outras a serem criadas e outras a serem reabilitadas. Vemos surgir dia após dia novas ofertas a nível de espectáculos culturais (apesar de serem ainda poucos), ou de actividades de lazer, ou de infra-estruturas de turismo, ou melhorias a nível de acessos à internet, ou de melhorias nas comunicações móveis ou… Ou tudo…

Tudo o que se possa imaginar muda, diria, quase diariamente neste neste país.

Apenas a título de exemplo refiro a não utilização do FAX. Julgo que esse é um excelente exemplo… Enquanto que em Portugal se podem definir diversas fases que, invariavelmente, estão associadas ao avanço tecnológico, em Angola não é assim… Portugal passou de comunicação presencial, à utilização de TELEX, à utilização de FAX culminando com a utilização de e-mail’s. Contudo em muitas áreas o e-mail ainda não é tido como uma forma de comunicação formal… E em Angola?? Basicamente o FAX não é utilizado… O e-mail é a forma de comunicação por excelência (quando todos os interlocutores têm acesso a internet, entenda-se) e tratam-se muitos asuntos presencialmente…

Julgo que este é um exemplo perceptível da velocidade que os processos tomam neste país de forma a obter o tão desejado nivelamento tecnológico com os restantes países.

Para além da vertente tecnológica existe ainda a vertente social… E aí, apesar de não ser à velocidade desejável, começa-se a perceber a actuação das autoridades nesse sentido… A limpeza diária das ruas, o incutir de respeito e civismo nas autoridades, as campanhas de informação relativamente a algumas doenças no país (poleomielite e o VIH) e muitas outras coisas que se sentem a mudar no dia-a-dia…
Sem dúvida qu os slogans são mais que isso… “Pela nova Angola”, “Angola está a mudar”, “Por uma Angola melhor”, “Todos juntos para melhorar a nossa Angola”, parecem frases feitas ou brilhantes tiradas de um publicitário eficaz e se calhar são, mas as mudanças vão-se notando…










E finalmente as perspectivas futuras…
Essas são mais complicadas porque se temos sempre grande dificuldade em antecipar o que será o futuro aqui, em Angola, essa dificuldade cresce exponencialmente.

Existem uma série de aspectos que contribuem para essa dificuldade. Alguns conseguimos controlar mas outros são, de todo, impossíveis de antever…

Um dos factores que, diria, preocupa mais todos os expatriados a viver em Angola é a establidade política mas, para além desse, existe ainda outro que se prende com a “vontade”/possibilidade do governo manter o seu nível de investimento. Tal como já disse em alguns dos textos anteriores em Angola, basicamente, falta fazer tudo mas…

Mas para isso será necessário que o Estado disponibilize as verbas necessárias para que tudo o que falta seja feito… À primeira vista isso não parece uma tarefa muito complicada mas… Uma vez que no último ano, “à sombra da crise financeira mundial”, houve um grande decréscimo de pagamentos (o que originou uma grande crise junto das empresas que continuaram a sua laboração sem que recebessem as verbas acordadas) o receio da continuação/agudização deste problema é grande…

E é por tudo isto que as perspectivas de futuro não são brancas nem pretas… Teremos que esperar para ver o que o futuro nos reserva porque, e essa é uma triste verdade, o comum dos mortais também não consegue antecipar qual será o futuro de outras economias mundiais que, pensávamos, eram sólidas…

Por tudo isso resta-me apenas dizer que, a nível pessoal, as perspectivas futuras são bem mais positivas porque, afinal de contas, estarei com a minha metade.
;)

Para terminar deixo uma música, com uma mensagem forte, que descobri recentemente…
Música: Angola
Interprete: Matias Damásio
Vídeo elaborado por: LKaAngolana
Link: http://www.youtube.com/watch?v=1o90_caqiV8

 

O maior desejo?
Que a estabilidade do país se mantenha de forma a que todos os projectos consolidem e potenciem um maior desenvolvimento do país… Porque este é um país com enorme potencial se, obviamente, os homens assim o quiserem…

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

22 de Agosto – Já existem actividades de lazer!!!

Quando o repórter me disse que um colega estava a organizar uma espécie de torneio de paintball e que nos tinha convidado, a minha primeira resposta foi: “Uhmmm, não estou muito para aí virada, mas vamos, tu participas e eu fico a ver”. Deves deves... era o que eu pensava!

Até ao dia propriamente dito, a organização foi sendo progressivamente alterada, até se transformar num Domingo radical, com programa completo, para colaboradores da empresa do repórter, familiares e afins.

Para ser sincera, na véspera começou-me logo a doer o corpo quando me apercebi que nos tínhamos que levantar às 7h00 da matina, mal sabia o que estava para vir!!!

Depois de ultrapassarmos 2 pontos de encontro que permitiriam reduzir a quantidade de carros a deslocarem-se para o local que nos estava a deixar na expectativa, lá se iniciou a excursão com destino à Quinta do Destino :) perdoando desde já a redundância!

A Quinta do Destino é uma espécie de resort que fica nos arredores de Luanda, com todo o tipo de serviços, desde equipamentos desportivos, local para a prática de desportos radicais, piscina, jacuzzis, espaço para conferências, salão para realização de eventos, e o alojamento é feito em bungallows de várias dimensões. Segundo nos informaram no local, foi um espaço idealizado para acolher a selecção angolana de futebol durante a realização do CAN 2010, contudo a sua construção não foi concluída a tempo de servir esse propósito. Agora é um espaço utilizado não só para alojamento, mas para a realização de eventos, jantares temáticos, actividades radicais, entre outros.

À chegada fomos recebidos por colaboradores da empresa que iria coordenar o dia, a Sector 7, dedicada à realização de actividades radicais, que nos encaminharam para a primeira etapa: pequeno-almoço!!! Segundo os mesmos, iríamos precisar de reforço :)

Ultrapassada a primeira etapa com distinção, ou não fôssemos todos bons garfos, passámos à segunda: apresentação de todos os intervenientes.

Foram momentos engraçados porque a coordenadora das actividades inicialmente pediu que nos apresentássemos e posteriormente, numa espécie de actividade de team building, cada um de nós tinha que apresentar quem estava ao seu lado, conforme a memória deixasse! No final tínhamos um grupo composto por angolanos, cubanos e portugueses, das mais variadas cidades, dos mais variados sectores de actividade e, no caso dos não nacionais, com distintos períodos de permanência em Angola, o ponto que nos unia a todos.

Seguiu-se a separação em equipas, em que os repórteres ficaram afastados mas sem terem que competir entre eles. Vá lá... safámo-nos!

Depois de alguns jogos para estabelecer empatia (foto seguinte) entre os membros da mesma equipa, ao mesmo tempo que faziam estalar gargalhadas sonoras, deu-se mais uma divisão, em que a minha equipa era uma das primeiras a jogar paintball. Assim que manifestei a minha vontade em não participar, foi-me devolvido um comentário desafiante por parte da coordenadora, seguindo-se um conjunto de olhares interrogativos por parte dos meus colegas, que no seu conjunto questionavam a minha coragem para enfrentar o jogo... pronto... que se lixe... se amanhã não me mexer, paciência...


E cá está o resultado! Muita garra para enfrentar os adversários :)

A Equipa da Co-Repórter (Equipa Serra da Chela):


Depois de muitos tiros disparados, de terminar o gás da pistola obrigando-me à rendição, e de dois abrasões nas costas provocados pelos disparos da equipa contrária, e muita transpiração, era tempo de ceder o campo à equipa do repórter e respectiva equipa adversária, e passar à escalada e slide!

E agora a Equipa do Repórter (que se revelou muito bem táctica e estrategicamente e, nos 5 jogos feitos, aniquilou toda a equipa adversária…)


À nossa espera estava uma estrutura metálica, a qual era necessário escalar por uma parede de corda, no cimo da qual poderíamos então disfrutar do prémio final, deslizando até ao solo!

A Co-repórter a subir a torre


E o Repórter a preparar-se para iniciar a descida:


A maioria conseguiu, outros nem por isso, quanto a mim, teria voltado a repetir não fosse a hora de almoço ter chegado. Quem diria que a manhã passaria tão rápido?!

Sendo buffet, tivemos a oportunidade de experimentar uma série de pratos típicos nacionais, muitos já conhecidos, outros nem tanto, e foi aí que se deu um momento insólito. Os membros da minha equipa, todos angolanos ou há muito mais tempo que eu em Angola, incitaram-me a comer uma iguaria presente, de aspecto muito duvidoso, que dá pelo nome de catatos. Ora bem... sob a máxima de que há sempre uma primeira vez para tudo e que não iria então morrer sem experimentar aquilo que insistiam ser tão bom, ainda pensei em perguntar o que era, mas ao olhar uma vez mais para eles, demovi-me de o fazer e retirei decidida uns 4 para o prato. Três ficaram no mesmo sítio onde os tinha colocado, e um deles só desceu pelo esófago porque não fui capaz de impedir o seu curso depois de o meter à boca e preferi engoli-lo. Não, definitivamente não era bom como diziam, segundo os meus parâmetros. Venha Feijão Óleo de Palma, isso sim!!!

Para terminar a tarde tivemos ainda direito a duas demonstrações de danças Angolanas:



Mais tarde vim a saber que a opinião sobre Catatos não era generalizada e entre os meus colegas de trabalho, todos angolanos, ninguém comia, sendo que dois deles nem sequer se arriscavam a provar. Acabaram por ser eles a explicar-me o que eram. Afinal de contas já tinha comido, portanto... Catatos são larvas que andam no tronco de algumas árvores, são colhidos e cozinhados. No fundo não me pareceu assim tão estranho comer Catatos, sendo eu uma apreciadora feroz de Caracóis, sobretudo os da minha mãezinha :)

E pronto, assim se passou um belo Domingo, em boa companhia e de forma diferente do habitual. Claro que com o aproximar da noite o corpo foi começando a dar sinais, os músculos doíam, os braços, pernas e costas doridos, e muito, muito cansaço! Foi chegar a casa, dar um beijinho à famelga via Skype e dormir que o despertador de manhã chamaria cedinho.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

19 de Agosto – Um primeiro [longo] percurso a pé…

Este é um dia diferente…

Apesar de estar há praticamente um ano na Terra Avermelhada hoje foi o primeiro dia em que fiz um longo percurso a pé…

Este parcerá um post absurdo para a maioria das pessoas que o poderá vir a ler mas, para quem ler os primeiros textos do blog, poderá perceber o significado deste “acontecimento” que, felizmente, para a maioria das pessoas que vivem na Europa ou nas Américas faz parte do seu quotidiano…

E porquê este percurso??? Muito simples…

Tinhamos uma reunião marcada com uma instituição pública e o trânsito estava simplesmente caótico. Houve carro parados em frente ao escritório durante mais de 30 minutos e, por isso mesmo, decidimos ir a pé. Um dos meus colegas já o tinha feito e não tinha tido qualquer problema portanto lá fomos…

Um percurso de cerca de 30 minutos a pé (para quem conhece desde a Sagrada Família até perto da Sede do INEA) que eu fiz com algum receio mas em que, felizmente, nada aconteceu.

Regressei sozinho pois o meu colega teria que lá ficar e, não fosse a inclinada Rua Manuel Caldeira (que desce, ou sobe, do Largo Lenine para o Largo Amilcar Cabral), teria sido uma boa viagem…

Será este um sinal que Angola estará, de facto, a mudar?? Ou terei tido sorte?
Não sei… Mas é bom usufruir destes momentos ímpares que, no fundo, são “pequenas vitórias”…

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

16 de Agosto – Trazer um bocadinho de futilidade ao blog

Bom, já cá faltava uma mulher para trazer um bocadinho de futilidade a este blog :) Mas não só…

A realidade é que se antes de vir para Luanda tivesse encontrado uma informação semelhante à que vou escrever, alguns dos meus receios ter-se-iam dissipado. Por tanto, para além de fútil, espero que este post seja igualmente útil.

Pois é, se me perguntassem quais eram as coisas que mais receava, para além das comuns que toda a espécie masculina ou feminina receia, eu diria, enquanto mulher, que era o facto de não encontrar um local onde arranjar as unhas, sobrancelhas, fazer depilação, e afins. Tantas vezes ouvimos coisas negativas que acabamos por interiorizar e criar ideias na nossa cabeça. Lembro-me por exemplo de ouvir “ah, não, isso só nos hotéis, nem pensar fazer noutro sítio qualquer”.

Realmente para mim, e para tudo o que respeita a Angola, só tendo cá estado é que se poderá ousar falar. Muitas pessoas dizem e chegam mesmo a inventar coisas em função daquilo que alguém lhes disse, e defendem isso como uma verdade máxima salvaguardando-se no facto desse alguém já ter cá estado.

Enfim…

A verdade é que dei por mim a dirigir-me a primeira vez a um dos hotéis de referência de Luanda à procura de um cabeleireiro ou centro de estética. Confesso que não fiquei nada bem impressionada…

Bom, antes de mais queria deixar bem claro que não sou pessoa de ir todas as semanas ao cabeleireiro, na realidade, fujo das tesouras como o diabo da cruz, e sou muito preguiçosa para muitas coisas relacionadas com a estética. Mas há uma coisa que não dispenso, ter as minhas unhas arranjadas, quer das mãos, quer dos pés. Só eu sei as saudades que tenho das visitas quinzenais à minha querida Márcia, manicure dos últimos não sei quantos anos…

Ora bem, esse ritual teria que continuar, quer em Luanda, quer em qualquer outro local do mundo. E não demorou muito até descobrir o sítio ideal. Recomendado por umas colegas de trabalho e depois de algum esforço, lá consegui encontrar o Bamboo Imperial que afinal ficava duas ruas acima da minha casa… pormenores…
E não é que aquilo é um sonho? Cabeleireiro, gabinete de estética, e SPA? Pode uma mulher pedir mais?

Mal se entra apercebemo-nos de um ambiente relaxante, potenciado pelos óleos e incensos que estão por todas as partes a perfumar o ar. Os empregados são amorosos e atenciosos, sempre com um sorriso nos lábios. Ok… já sei que poderão perguntar, os preços? Bom, como tudo em Luanda, não se poderia esperar que fosse barato, mas acreditem que comparativamente a outros sítios que entrei, os preços são bem mais acessíveis, e a qualidade de longe melhor!

Confesso que ainda não arrisquei o cabeleireiro, não porque não acredite na qualidade, mas porque como disse sou uma medricas com as tesouras… acho que vou primeiro optar por uma hidratação profunda das muitas que estão ao nosso dispor, e depois sim, lá cortarei uhmmmm deixa ver… metade de um dedo? :)

Espero não ser multada por fazer publicidade e desde já vos garanto que ninguém me encomendou o sermão, pelo que a mesma é totalmente gratuita!! Para ajudar só mais um bocadinho, a localização! Que isto de encontrar coisas em Luanda é difícil. Ah e tal, vais até à rua do BiG One, ah e tal, é mesmo ao pé do edifício da Cidade Limpa, bom… estão a ver a dificuldade. Aqui os nomes de ruas servem de muito pouco e as pessoas guiam-se por edifícios, lojas, hotéis, agências de bancos, que constituem pontos de referência, para indicar caminhos ou locais. Ora para quem está praticamente acabadinho de chegar e andou a pesquisar no Google Earth, só tem nomes de ruas como referência… conclusão, torna-se muito difícil mesmo!

Portanto vou procurar dar as indicações da melhor maneira possível, um misto entre a minha maneira e a maneira angolana, à qual já me vou habituando.

Quem sobe a avenida da Maianga em direcção ao hotel Alvalade, entenda-se, ex Av. António Barroso ou actual Av. Marien N’Gouabi, passa a Martal, e logo depois de passar o hotel Palanca, é a segunda à direita. Uns 100 metros do lado direito está o paraíso J Não se deixem enganar pelo snack-bar com o mesmo nome, que serve uns snacks pouco calóricos e uns sumos fabulosos. Subam a escada que a porta é logo ao cimo e aproveitem!

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