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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

16 de Agosto – Trazer um bocadinho de futilidade ao blog

Bom, já cá faltava uma mulher para trazer um bocadinho de futilidade a este blog :) Mas não só…

A realidade é que se antes de vir para Luanda tivesse encontrado uma informação semelhante à que vou escrever, alguns dos meus receios ter-se-iam dissipado. Por tanto, para além de fútil, espero que este post seja igualmente útil.

Pois é, se me perguntassem quais eram as coisas que mais receava, para além das comuns que toda a espécie masculina ou feminina receia, eu diria, enquanto mulher, que era o facto de não encontrar um local onde arranjar as unhas, sobrancelhas, fazer depilação, e afins. Tantas vezes ouvimos coisas negativas que acabamos por interiorizar e criar ideias na nossa cabeça. Lembro-me por exemplo de ouvir “ah, não, isso só nos hotéis, nem pensar fazer noutro sítio qualquer”.

Realmente para mim, e para tudo o que respeita a Angola, só tendo cá estado é que se poderá ousar falar. Muitas pessoas dizem e chegam mesmo a inventar coisas em função daquilo que alguém lhes disse, e defendem isso como uma verdade máxima salvaguardando-se no facto desse alguém já ter cá estado.

Enfim…

A verdade é que dei por mim a dirigir-me a primeira vez a um dos hotéis de referência de Luanda à procura de um cabeleireiro ou centro de estética. Confesso que não fiquei nada bem impressionada…

Bom, antes de mais queria deixar bem claro que não sou pessoa de ir todas as semanas ao cabeleireiro, na realidade, fujo das tesouras como o diabo da cruz, e sou muito preguiçosa para muitas coisas relacionadas com a estética. Mas há uma coisa que não dispenso, ter as minhas unhas arranjadas, quer das mãos, quer dos pés. Só eu sei as saudades que tenho das visitas quinzenais à minha querida Márcia, manicure dos últimos não sei quantos anos…

Ora bem, esse ritual teria que continuar, quer em Luanda, quer em qualquer outro local do mundo. E não demorou muito até descobrir o sítio ideal. Recomendado por umas colegas de trabalho e depois de algum esforço, lá consegui encontrar o Bamboo Imperial que afinal ficava duas ruas acima da minha casa… pormenores…
E não é que aquilo é um sonho? Cabeleireiro, gabinete de estética, e SPA? Pode uma mulher pedir mais?

Mal se entra apercebemo-nos de um ambiente relaxante, potenciado pelos óleos e incensos que estão por todas as partes a perfumar o ar. Os empregados são amorosos e atenciosos, sempre com um sorriso nos lábios. Ok… já sei que poderão perguntar, os preços? Bom, como tudo em Luanda, não se poderia esperar que fosse barato, mas acreditem que comparativamente a outros sítios que entrei, os preços são bem mais acessíveis, e a qualidade de longe melhor!

Confesso que ainda não arrisquei o cabeleireiro, não porque não acredite na qualidade, mas porque como disse sou uma medricas com as tesouras… acho que vou primeiro optar por uma hidratação profunda das muitas que estão ao nosso dispor, e depois sim, lá cortarei uhmmmm deixa ver… metade de um dedo? :)

Espero não ser multada por fazer publicidade e desde já vos garanto que ninguém me encomendou o sermão, pelo que a mesma é totalmente gratuita!! Para ajudar só mais um bocadinho, a localização! Que isto de encontrar coisas em Luanda é difícil. Ah e tal, vais até à rua do BiG One, ah e tal, é mesmo ao pé do edifício da Cidade Limpa, bom… estão a ver a dificuldade. Aqui os nomes de ruas servem de muito pouco e as pessoas guiam-se por edifícios, lojas, hotéis, agências de bancos, que constituem pontos de referência, para indicar caminhos ou locais. Ora para quem está praticamente acabadinho de chegar e andou a pesquisar no Google Earth, só tem nomes de ruas como referência… conclusão, torna-se muito difícil mesmo!

Portanto vou procurar dar as indicações da melhor maneira possível, um misto entre a minha maneira e a maneira angolana, à qual já me vou habituando.

Quem sobe a avenida da Maianga em direcção ao hotel Alvalade, entenda-se, ex Av. António Barroso ou actual Av. Marien N’Gouabi, passa a Martal, e logo depois de passar o hotel Palanca, é a segunda à direita. Uns 100 metros do lado direito está o paraíso J Não se deixem enganar pelo snack-bar com o mesmo nome, que serve uns snacks pouco calóricos e uns sumos fabulosos. Subam a escada que a porta é logo ao cimo e aproveitem!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

14 e 15 de Agosto – Um fim-de-semana diferente…

Muitas vezes se diz que não existe oferta cultural em Angola, mais precisamente em Luanda. Bom, é certo que a oferta existente não é de todo semelhante à de muitas capitais mundiais, mas daí a dizer que não existe oferta cultural, vai uma grande distância! Basta procurar um bocadinho, comprar O PAIS às sextas ou pesquisar nuns quantos sites ou blog’s e encontrar o que fazer!

Sob essa perspectiva e de forma a optar por um fim-de-semana mais cultural, aproveitámos a tarde de sábado para ver a exposição que estava patente no Museu Nacional de História Natural!

Já há algum tempo que queríamos ir mas durante a semana é sempre impossível. Como tal confirmámos que estava aberta ao sábado e quando chegámos à entrada surpreendeu-nos que cumprissem com as regras internacionais dos museus, ou seja, abertos todos os dias com excepção da segunda-feira!. Surpreendeu-nos porquê? Não por estarmos em Angola… Mas porque outros organismos que estão neste país para promover a cultura, não o fazem totalmente. Veja-se por exemplo o caso do Centro Cultural Português que abre apenas durante os dias de semana das 9.00 às 17.00 horas, se não estamos em erro… Inviabilizando quase por completo uma visita…

Mas mais surpreendidos ainda ficámos com o preço que pagámos para ver a exposição. 100 Akz cada um…!!! Mas podíamos acreditar, tendo em consideração todo o restante nível de preços praticados no país! Sendo necessário menos de 1€ para ver uma exposição não há mesmo razões para ficar por casa!!!

A exposição era fotográfica, intitulada HEREROS, uma obra de Sérgio Guerra, um reconhecido fotógrafo Brasileiro que passou cerca de dois meses nas províncias do Namibe, Huíla e Cunene, a realizar uma recolha documental com vários subgrupos étnicos dos Hereros aí estabelecidos. O objectivo que deu origem à exposição era fazer um levantamento fotográfico e recolher um conjunto de testemunhos de uma das mais ancestrais etnias que habita não só o Sul de Angola mas também regiões da Namíbia e do Botswana.

O trabalho realizado por Sérgio Guerra foi também convertido num livro, Hereros – Angola, que pode ser adquirido em Portugal e Angola bem como noutros países, editado em Inglês – Português.

A exposição para alem de ter estado patente em Luanda, de 27 de Julho a 26 de Agosto, esteve também em Lisboa, mais precisamente na Perve Galeria, em Alfama, entre os dias 19 de Agosto e 18 de Setembro.


Mas afinal quem são os Hereros????

Os Hereros são um povo proveniente da migração dos bantos da região oriental da África, que se instalou na Namíbia entre os séculos XVII e XVIII, e que desde esse período atravessou décadas de conflito por forma a manter os seus traços culturais que o caracterizam. Actualmente estima-se que os Hereros totalizem cerca 240 mil pessoas, que se distribuem pela Namíbia, Angola e Botswana.

O Ovaherero engloba vários subgrupos e, embora durante o período colonial os europeus tentassem defini-los como grupos étnicos distintos, consideram-se todos Ovaherero. Apesar de divididos em diversos subgrupos, possuem o mesmo idioma herero, além do português em Angola, inglês no Botsuana e inglês e africâner na Namíbia.

Os traços principais da cultura desse povo remontam há 3 mil anos e os seus ancestrais teriam chegado a Angola há pelo menos três séculos – lá se instalaram nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla. Com histórico caracterizado pela resistência, opuseram-se à escravidão e outras formas de dominação.

Após a Conferência de Berlim, celebrada entre 1884 e 1885, a Alemanha invadiu o continente africano e além de outras regiões anexou a Namíbia, enviando para a África invasores que pilharam as terras e riquezas da população nativa, difundido a supremacia branca e comparando o povo herero a babuínos. Os homens eram constantemente espancados até à morte e as mulheres vítimas de estupro e escravizadas sexuais dos colonos e soldados alemães.

Como forma de responder às violações que vinham sofrendo, em 12 de Janeiro de 1904 o povo Herero resolveu resistir à investida alemã, liderados por Samuel Maharero. De acordo com os historiadores, essa guerra de libertação teve como consequência o primeiro genocídio do século do XX, e um dos capítulos mais tristes da história, em que 80% dos Hereros foram aniquilados durante um confronto com as tropas alemãs na Namíbia.

Em Angola, eles também se negaram ao domínio perante o colonizador português. Porém não se pode dizer que chegaram ao século XXI absolutamente à parte das populações urbanas que se desenvolveram no país africano a partir da instalação dos europeus. Ou seja, os Hereros de hoje fazem comércio, frequentam escolas, consomem bebidas alcoólicas e alguns trocam os seus bois por carros. No entanto, é inegável que, mesmo não tão isolados do que se habituou a chamar de “civilização”, preservam parte significativa de sua cultura.

O gado é fundamental para entender boa parte do modo de vida dos Hereros. “O boi é tudo para eles, é a sobrevivência. Do boi, tiram tudo. Tutano, leite, o óleo com o qual se banham, o excremento que usam para construir as casas onde moram. É o banco deles. E é muito interessante como descentralizam o património. Têm uma dimensão muito precisa do que necessitam para sobreviver e de como devem ser estruturadas as coisas”, explica Sérgio Guerra.

Um dos aspectos mais reveladores é, sem dúvida, a poligamia da mulher e numa sociedade patriarcal. Enquanto os maridos viajam, transportando gado, elas podem ter relações sexuais fora do casamento. E, caso engravidem, é comum que os maridos assumam os filhos.

Como já comentámos, os traços culturais principais remetem a tradições de mais de três mil anos. Por isso, nas fotografias exibidas por Sérgio Guerra, para além de muitos outros aspectos característicos deste povo, é possível ver imagens de práticas tribais, como a circuncisão infantil e o hábito de se extrair os quatro dentes incisivos permanentes.


Mulheres Muhimbas da aldeia do senhor Tchimbari Kezumo Bingue, Biquifemo, Namibe, em Angola.
Imagem: Sérgio Guerra/Divulgação


Mulher Herero
Imagem: Sérgio Guerra/Divulgação


Mulher e criança Herero
Imagem: Sérgio Guerra/Divulgação

Esta exposição não só nos permitiu disfrutar de excelentes fotografias que captaram com muita realidade a história e cultura deste povo, como nos fizeram descobrir um pouco da sua história e percurso que até então desconhecíamos!

PS: Para saberem um pouco mais sobre os Hereros, podem aproveitar a oportunidade criada por Thomas Balmes, realizador do documentário Babies. O documentário é sobre quatro bebés (sendo um deles Herero), quatro culturas, em quatro países distintos. Ponijao, Bayarjargal, Mari e Hattie vivem na Namíbia, Mongólia, Japão e Estados Unidos, respectivamente. O filme mostra cada um deles desde o nascimento aos primeiros passos. A partir de uma ideia do realizador francês Alain Chabat (“RRRrrrr!!!"," Astérix e Obélix: Missão Cleópatra"), o documentarista Thomas Balmes mostra como, no que concerne ao mais importante, as diferenças entre as culturas podem ser esbatidas e, da mesma maneira que há coisas radicalmente diferentes entre pessoas de diferentes continentes, também existe algo que não foi alterado, nem através do tempo nem pela cultura: o amor, o instinto, a necessidade de proteger e ser protegido.

Para quem está em Portugal ainda tem a oportunidade de o ver até quarta-feira, no C.C. Vasco da Gama, em Lisboa, ou no C.C. Marshopping, em Matosinhos.


No dia seguinte levantámos bem cedinho para ir visitar uma fazenda de criação de cavalos perto do Quifangondo, nos arredores de Luanda, onde reside um dos objectivos de Angola para os Jogos Olímpicos de 2016!

Graças à simpatia dos funcionários pudemos experimentar e disfrutar de uma aula de equitação, onde uns se saíram melhor que outros, mas quanto a isso não vamos falar :)

A boleia no percurso para a fazenda:


O imponente Imbondeiro à entrada da Fazenda


Os estreantes (mas quem sabe futuros praticantes)



O caminho de regresso a casa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

08 de Agosto – Uma tarde inesperada na Ilha do Mussulo

Há lugares diferentes, dias diferentes e pessoas que marcam. Aquele lugar, aquele dia e aquelas pessoas foram tudo isso para nós.

Eles primeiro não queriam ir, porque o tempo não estava perfeito para aquele passeio, mas eu insisti e lá fomos embarcar para o Mussulo no “embarcadouro” do Museu da Escravatura. Mais tarde percebemos que devemos embarcar no que está próximo do Morro Bento, mas esse foi um conhecimento que recolhemos para a próxima vez :)

Fomos com o primeiro rapaz que nos acenou e nos chamou. O preço negoceia-se logo à entrada para o barco, mas fomos enganados ou simplesmente tontos por ter assumido que era ida e volta... A coisa começou a ficar engraçada quando o Lulu recorreu à ligação directa para pôr o barco a trabalhar... trocámos uns olhares cúmplices e um de nós em jeito de brincadeira diz “então isto pega assim, é?” como resposta só tivemos direito a um sorriso!

Lá iniciámos a travessia propriamente dita e quando nos estávamos a aproximar do ponto de paragem definido inicialmente para passar o dia, o BarSulo, o Lulu diz-nos, como se tivesse acabado de dar-se conta “ah, está fechado, têm que ir para o outro bar/restaurante”. Acenámos positivamente sem apresentar qualquer impedimento, mas ele acrescenta “ah, mas para ali são mais X Kwanzas”, quantia que agora não recordamos mas representava um aumento de 50% do preço inicial. Não tivemos outro remédio que não o aceitar, pois a pouco mais de metade da travessia e longe da costa, não estávamos propriamente em posição de negociar...

Pelo caminho umas fotos aos “nossos taxistas”:




Enfim... lá atracámos junto ao aldeamento turístico Roça das Mangueiras, um dos poucos da ilha, senão mesmo o único, e aproveitámos para recolher algumas informações e ver as instalações para uma futura estadia no Verão. Daí partimos para ver o resto da ilha, nomeadamente a Contra-costa onde a praia é extensa e maravilhosa.

Ao caminhar pela ilha pudemos observar que algumas vivendas eram do tempo colonial, sendo que algumas, a par com determinadas infra-estruturas, estavam abandonadas. Mas também havia muitas construções novas, com todos os tipos de arquitectura. Havia muitas crianças ao longo da costa que aproveitavam o que outrora tinham sido terraços de casas, ou espaços de algum centro recreativo, para jogar à bola, criando cenários perfeitos para uns quantos disparos fotográficos!

A determinada altura enveredámos pelo meio da ilha, passando pelo bairro onde residem os habitantes constantes e não apenas de fim-de-semana ou férias. É fácil perceber a diferença face aos bairros de Luanda, sobretudo devido à organização presente, mas também ao sossego.

Caminhámos imenso, talvez mais de um kilómetro por um caminho de terra completamente laranja, ou melhor, cor de tijolo, aquela cor tão típica de cá, e eu, co-reporter, senti-me nesse momento mais feliz que nunca desde o primeiro momento que pisei solo angolano, pela sensação de liberdade sentida naquele passeio tranquilo pela ilha.

Até que por fim avistámos a contra-costa propriamente dita. Kilómetros e kilómetros de areia, povoada por muitos caranguejos, palmeiras, aqui e ali estruturas de madeira com peixe a secar e aquele mar maravilhoso, sem regras, agreste e de cheiro forte! O normal para a altura do ano em que estamos, sem nos apresentar qualquer convite a banhos :)

Ficámos por alguns momentos a aproveitar aquele sossego, entre dedos de conversa e, embora a vontade não fosse muita, era hora de regressar que a fome em breve iria apertar.

Já ao chegarmos pertinho do aldeamento o nosso dia estava prestes a mudar e a tornar-se ainda melhor.

No dia anterior eu, co-reporter, tinha chateado o repórter e o Marco porque não pararam o carro para eu pegar numa bebé ao colo e neste dia fiquei estarrecida quando reparo num grupo de bebés e algumas crianças que brincavam junto a uma casa. Com algum receio de ser mal interpretada, fui-me aproximando de forma a poder estar mais perto daqueles meninos e meninas. Vi uma senhora aproximar-se e recordo que para além dos meus olhos interrogativos ainda acrescentei um olá sorridente. A senhora retribuiu e explicou que a menina mais pequenina era a neta e os outros meninos eram vizinhos ali da ilha e que vieram para ali brincar. Estive um bocadinho a falar com ela e a brincar com os meninos, até que chamei o repórter e o Marco para os apresentar.

Sem espaço para grandes hesitações, convidou-nos para ficarmos com a família para almoçar. Claro que ficámos um bocadinho sem jeito, mas nisto chegou o marido a perguntar o que se passava. A senhora não nos deixou sequer responder e disse “estou a convidá-los para ficarem connosco para almoçarem e estão a dizer que não”. Como resposta o marido colocou um braço em torno dos meus ombros e disse “quanto a vocês não sei, mas esta menina vem comigo”.

E pronto... foi um dos melhores almoços e tardes que tivemos. Estávamos longíssimo mas sentimo-nos como se estivéssemos em casa, com os nossos pais, com as nossas famílias, pela forma como a Dª Zinha e o Sr. Né nos trataram e nos fizeram sentir. É impressionante como quando estamos bem o tempo passa realmente a correr, e aquela tarde parecia voar... Entre as brincadeiras com os netos e com os restantes meninos, as conversas familiares, os temas habituais sobre a evolução do pais e como tinham eles próprio sobrevivido a tudo, estava na hora de regressar a Luanda...

Depois da saborosa refeição houve ainda espaço a uns deliciosos momentos partilhados com as crianças que, inadvertidamente, nos proporcionaram aquela tarde divinal…. Como forma de agradecimento aqui ficam algumas fotos desses momentos…







A preferida do repórter...


Na mala levávamos fotografias, recordações, novos amigos, um local para regressar mas, mais que tudo o resto, um sorriso de felicidade por termos vivido aqueles momentos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

01 de Agosto – O balanço da primeira semana da Co-repórter

A primeira semana passou a correr, tão rápido que nem dei por ela (adoro este tipo de expressões!).

E passados estes primeiros 7 dias ainda não consigo ter uma opinião objectiva quanto a Angola, mais precisamente quanto a Luanda.

Posso começar por vos dizer que mil e uma coisas das que dizem pelo mundo fora não são verdade, muitas outras são. Isto, em si mesmo, não quer dizer nada, mas passo já a explicar.

Primeira verdade – Tudo é caríssimo, efectivamente muito caro. Não sei precisar os diferentes critérios utilizados pelas entidades que avaliam as cidades e criam este tipo de rankings, mas sei que é a cidade mais cara onde já estive, e também a mais cara face a tudo o que já ouvi falar. Gosto de dar exemplos claros do quotidiano para se aperceberem da dimensão dos preços e vejam os seguintes:

Pacote de leite meio-gordo, simples (seja qual for a marca, até mesmo marca branca) – 230 AKZ, aproximadamente 1,95 EUR (do que me recordo, em Portugal pode custar a módica quantia de 0,60 EUR).

Bolo simples de pasteleira – entre 250 AKZ a 395 AKZ, aproximadamente 2,12 EUR a 3,43 EUR.

Iogurte Líquido (por exemplo, Danone) – 280 AKZ, aproximadamente 2,37 EUR.

E podia continuar e ir para domínios como a roupa e sapatos, mas deixo-vos só com esta imagem do que pagámos pelo nosso primeiro pequeno-almoço que, como poderão ver, não foi nada de especial, com excepção do preço…

2 Bolos, 1 café com leite e 1 Galão 1.720 Kuanzas (Sendo, à data, 1 USD = 97 Kuanzas).

(Por dificuldades técnicas não foi possivel colocar a fotografia do talão. Esta será adicionada posteriormente)

Primeiras mentiras – As pessoas não são assaltadas, violadas, ou o que quer que seja, assim que respiram a primeira aragem fora do aeroporto, ou fora do avião… É preciso ter cuidados, sim, é verdade, muitos até, e programar muito bem determinadas saídas, mas não há pessoas a cada esquina a roubar-nos ou à espera para nos roubarem. Agora pensem só no seguinte, e não queria que entendessem isto como desculpa, como fariam para viver com menos de 1,5USD por dia quando um simples pacote de leite custa mais do que isso?

No plano mais pessoal, a nível de trabalho, tudo correu dentro do normal. Com muita coisa para assimilar porque a colega com quem vou ficar a trabalhar ia-se ausentar na semana seguinte à ter chegado, o que não deveria ter acontecido, devendo existir mais tempo para o trabalho ser passado, mas pronto…

O melhor da semana… a pizza de Lagosta e ter descoberto o Bamboo, que depois ficarão a saber o que é :)

O pior da semana… continuo a não conseguir habituar-me ao horário do Sol nesta Terra Avermelhada. Anoitece muito cedo e amanhece muito cedo também, por volta das 5 da manhã já há claridade. Ora toda esta conjugação de situações, acrescentando os nervos e a ansiedade dos primeiros dias, fazem com que não consiga adormecer antes das 2 da manhã, acordando várias vezes, até não conseguir realmente pregar olho quando o sol aparece umas 3 horas e pouco depois… e então temos o seguinte resultado que ainda nos deixa com um sorriso nos lábios cada vez que nos lembramos da situação:

06h30 da manhã – Telefone a tocar

Co-Repórter cheiínha de sono, tanto que quase não havia lugar para indignação – “Mas quem é que te está a ligar a esta hora?”
Repórter – “O despertador!” (quase que finalizava a resposta com um DAAAAHHHHHH)

Melhores dias virão… é preciso acreditar!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

31 de Julho – Luanda Jazz Festival

Este era um evento ao qual desejávamos há muito assistir juntos pelo que os bilhetes foram comprados com muita antecedência para evitar que perdêssemos a oportunidade. Seria (pensávamos nós 2 meses antes) o primeiro grande evento a que assistiríamos juntos em Luanda. Acertámos.

O cartaz era de renome, muito embora uma das cabeças de cartaz, Diana Reeves, tivesse que ser substituída por outro convidado, devido à impossibilidade de comparência.

Inicialmente não era a nossa escolha, mas acabámos por trocar os bilhetes previamente adquiridos para Domingo, pelos de Sábado, sem sabermos que surpresas nos poderiam ser reservadas.

Com alguma logística à mistura, lá fomos com ajuda deixar o carro à porta do Cine Atlântico para evitar constrangimentos no final do espectáculo, e regressámos a casa do Nuno onde nos esperava um vasto manjar composto por iguarias nacionais e não só... entre muitos dedos de conversa, gargalhadas e as brincadeiras do Dudu, lá se estava a aproximar a hora do primeiro concerto.

Quando chegámos demos uma volta pelo recinto e não podemos deixar de reparar na boa organização do evento, ao mesmo tempo ficámos agradavelmente surpreendidos por perceber que, apesar do elevado preço dos bilhetes (sendo elevado tendo Portugal como referência mas normal para os preços praticados em Luanda), todos os consumos no interior do recinto estavam abaixo da média praticada em Luanda. Quando nos dirigimos ao palco principal, o Cine propriamente dito, a Lura já estava a ensaiar. Era a primeira convidada a actuar. O espaço era agradável, com lugares sentados que em tempos serviam para ver projecções ao ar livre.

O concerto foi bom e contribuiu para animar aquele início de noite. Seguia-se uma actuação no palco secundário de um músico nacional, e da nossa parte, uma pausa para uma gulosice. Fomos comprar um geladito e eis que a co-reporter tem um regresso ao passado ao ver a indicação de um dos sabores “Arroz Doce”!

Sem pensar muito pedimos os dois uma bola de Arroz Doce. Ao que a proprietária do espaço pergunta “Já conhecem?” A co-reporter responde por ambos ao dizer “eu já, mas ele não”.
Naquele preciso momento tanto a interrogação da proprietária como a resposta da co-reporter deixaram-nas a ambas intrigadas e a conversa tinha forçosamente que continuar até se desvendar os mistérios na cabeça de ambas :)

A senhora prosseguiu: “se conhece só pode ser de Portugal e de um sítio, a zona da Costa da Caparica, porque eu era a única a fazê-los”. Lá está, tudo tem uma explicação!

Depois dos pais da Co-repórter se mudarem de Lisboa, passaram a frequentar no Verão uma geladaria na Marisol, motivados sobretudo pelo gelado de Arroz Doce. Passado um certo tempo a geladaria mudou de donos e durante algum tempo não foi possível encontrar gelado de arroz doce. Até que o voltaram a encontrar em plena rua dos Pescadores. Primeiro numa geladaria pequena e depois na Prime, o paraíso para os amantes de gelados :)

Até que o gelado de arroz doce desapareceu por completo e se resignaram...

Em breves instantes a senhora contou a história do prisma de quem a viveu… Basicamente as diversas tentativas não deram certo e agora cá estava, em Luanda. Ainda não tinha estabelecimento aberto mas vendia desde sua casa para fora e não nos negava uma simples bola, bastava aparecermos por lá! Dona Milú, não se preocupe que vamos ser bons clientes!!! Deixe o calor apertar!!

Ao sabor do nosso geladito assistimos ao concerto do Gabriel Tchiema e regressámos aos nossos lugares para ver o sul-africano Georges Gwangwa. Guiados pelo conhecimento de uma fã sentada ao nosso lado, ficámos a saber que era o melhor músico de Jazz africano e que no Lisboa Capital da Cultura foi o artista convidado pela organização para abrir o evento.

Realmente a actuação correspondia na perfeição ao que a senhora nos acabava de dizer, e o Georges animava com a sua banda todos os presentes, colocando o público bem expectante para a actuação seguinte.

E eis senão quando, a percepção que ambos tínhamos começado a ter ao longo do desenrolar da noite, se começa a reforçar. As três filas atrás de nós estavam ladeadas de guardas que impediam qualquer pessoa de se sentar e na fila atrás de nós haviam 3 ou 4 lugares almofadados. Algum tempo depois de ter brincado com a possibilidade do Presidente da República poder aparecer e sentar-se a 3 metros de nós, alguns membros da organização começaram a colocar carpetes vermelhas na entrada lateral que dava acesso à zona VIP o que nos leva a dizer, “ele deve vir aí”, e o outro meio descrente, “achas? Não...”

Continuámos a assistir ao concerto e eis que as dúvidas se dissipam... uma fila de seguranças irrompe pelo cine com o presidente e os seus convidados no meio. Tomam os lugares atrás de nós, ficando o presidente tão perto ao ponto de lhe podermos estender a mão para o cumprimentar.

O que é que isto terá de especial? Muitos que estão longe poderão não o perceber, mas houve tempos em que isto seria de todo impossível. O presidente da República de Angola estava ali, num evento público, com os seus ténis calçados (e com o seu engomado fato), a assistir ao evento no meio de tantos outros cidadãos, sem camarote presidencial, muito embora com as suas medidas de segurança.

Foi saudado pelo Georges Gwangwa, que agradeceu a sua presença, e estava rodeado de familiares e convidados, todos animados a assistir ao espectáculo. Saiu por breves instantes, enquanto não subia ao palco o cabeça de cartaz da noite.

Após a subida ao palco do George Benson, a noite nunca mais foi a mesma. O público entrou em apoteose com o seu soul e poucas foram as pessoas que permaneceram sentadas. O concerto foi fenomenal, sem uma única paragem, com as músicas a sucederem-se em catadupa, cada uma com mais vibração que a anterior. No final do espectáculo, o entertainer fez a pergunta que já se esperava, tendo em conta a figura presente “vamos perguntar ao nosso presidente se ele quer mais uma?” E sorrindo o Presidente, que permanecia de pé, fez sinal afirmativo para delícia dos presentes.

Com o objectivo de evitar a “confusão” à saída do Presidente tentámos antecipar a nossa saída… Ao sair vimos todo o aparato habitual (e normal) nas deslocações do Presidente (5 viaturas iguais, ambulância, militares armados e polícias). Entrámos no carro, que estava a cerca de 50 metros da porta principal do Cine Atlântico, e nos primeiros 2 metros de marcha atrás surgiu de imediato um polícia a gritar “Pare o carro, pare o carro, o Presidente vai sair”. Tentei abrir a janela e argumentar mas rapidamente desisti…

Tinha substimado a regra de ouro que tanto já tinha ouvido falar…

Por ali aguardámos os cerca de 20 minutos que o Presidente demorou a sair e, depois da sua saída, lá fomos nós calmamente para casa reconfortados com os belos momentos e com mais uma história para contar…

domingo, 12 de setembro de 2010

24 de Julho – A chegada da co-repórter a Luanda

Leitores, fui oficialmente promovida a co-reporter deste blog desde que pus os pés em Luanda :)

Quando estava a escrever este post pensei, “como é que eu hei-de ser sincera sem ser absolutamente negativa quanto à minha chegada?”

Pois ainda não sei bem, mas vou procurar-vos transmitir o que senti desde que aterrei.

Para começar confesso que vinha um bocadinho grogue. Farta de fazer viagens sem pregar olho, muni-me de armas mais poderosas que o Zirtec e tomei um Lexotan (ou terão sido dois??) Só sei que a viagem foi um instantinho. Mal tinha acabado de jantar já estava a sentir o reboliço do pequeno-almoço a ser servido e isso representava a aproximação breve a Luanda. Não tive oportunidade de ver a aproximação à pista e, portanto, a imagem aérea da cidade que tanto aterroriza alguns. Não fico nem contente nem triste por isso ter acontecido, simplesmente não aconteceu.

Ao sair do avião senti logo aquele bafo da humidade e o peso do ar, ao mesmo tempo que comprovei que o Inverno cá é mesmo apetitoso  Eram 6h30 da manhã e estariam uns 20ºC

As primeiras impressões foram positivas. Procurei ser simpática com todos os funcionários, sem excepção, e em todas as abordagens, e não transparecer os receios todos que me tinham sido praticamente impostos por dezenas de pessoas “vão-te pedir isto, vão-te pedir aquilo, vão-te perguntar o que estás cá a fazer, bla bla bla”. Rien de rien. A senhora do controlo migratório inclusive desejou-me uma boa estadia. Com um sorriso nos lábios (e ainda meio atordoada…) lá me dirigi à saída onde o repórter me aguardava impaciente. Foi uma coisa estranha, que não vos sei explicar. Era sempre eu que esperava por ele em Lisboa. Sim, ele já me foi buscar ao aeroporto, mas não ali… aquela espera representava um novo começo. Lembro-me que ele me perguntou de imediato “Então, como foi?”, referindo-se às questões que nos colocam no controlo, ao que respondi “nada, até me desejaram boa estadia”. E lá nos dirigimos a casa, embora antes passando a deixar a irmã Domingas, minha companheira de viagem, no colégio onde iria ficar hospedada.

Ponto número 1 – O irmos deixar a irmã Domingas permitia uma coisa que sempre quis, ver de perto o prédio da Cuca! (podem ver uma foto do prédio aqui) Não me perguntem porquê, mas aquele prédio sempre esteve na minha cabeça como uma das marcas ou símbolos de Luanda e queria vê-lo de perto. Não defrauda, é tal como imaginava, pena que vai ser construído um hiper mega centro comercial no centro da praça… e também ouvi dizer que vai abaixo… sorte a minha, ainda cá cheguei a tempo :)

Agora vem a parte pior… Luanda não era exactamente como eu imaginava… nos últimos meses construí mais de mil ideias sobre a cidade, vi imagens, blogs, sites, artigos, e cada um me fazia imaginar locais da cidade. Quando se chega não é nada disso. Luanda tem o vislumbre daquilo que terá sido uma cidade linda. Actualmente é um autêntico estaleiro de construção! Da ilha só se avistam gruas e mais gruas, por todas as partes há tapumes, ao lado de um grande empreendimento está um prédio que ameaça ruir, apenas em alvenaria, quando não é pior e são pequenas casas sem qualquer estrutura que nem quero imaginar como ficam quando chove…

Custou-me encarar esta realidade. Para ser muito sincera, após dar duas voltas pela cidade, apetecia-me voltar ao ponto de chegada e apanhar o primeiro avião de regresso a Lisboa. Mas não dava...

Depois de dar mil e uma voltas, que me deixaram ainda mais cansada do que já estava, fui dormir o resto da tarde. Quando acordei a realidade era a mesma. Aquela estranheza continuava, todas as impressões vinham acompanhadas de adjectivos negativos, toda a gente me disparava mil e uma informações sobre tudo e mais alguma coisa, coisas que obviamente não conseguia reter com a velocidade com que me eram transmitidas, e o pior, não sei quantas vezes ouvi este tipo de perguntas “Então, o que é que estás a achar? Então, como te parece? Então, como te sentes?”. Claro que ninguém o faz por mal, mas passado 24, 48, 72 ou mesmo mais horas, não é de todo possível ultrapassar o choque de chegar a Luanda... no Domingo ainda me caiu uma lágrima, pela diferença, pela distância, por tudo, mas recordo o abraço do repórter a atenuar esse sentimento que se apoderou de mim.

Enfim... os próximos dias iriam ser para aceitar a realidade em que me iria encontrar, os que se seguiam aos próximos, para me adaptar e depois viria a descobrir que nunca chegaria o dia em que a tentaria mudar... certa ou errada, ela é como é! Diferente.

PS: No primeiro fim-de-semana tive no entanto um prémio, dado por uns amigos, o de poder contemplar esta magnífica paisagem na província vizinha e circundante à de Luanda, o Bengo, cujo nome tem origem no rio que por ela passa.







Bom Jesus, Província do Bengo

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

22 de Julho – O dia tão desejado chegou!!!

Este é um dia que, naturalmente, origina dois pontos de vista…

O de quem parte e o de quem aguarda…

O ponto de vista de quem parte:

A partida...

E eis que chegou o dia de me tornar contribuidora oficial deste blog. Não deixo obviamente de ser a primeira seguidora, mas fui promovida a um patamar superior :)

Chegou também o dia da partida. Um dia que tantas vezes desejei que chegasse e quando afinal chegou ,dei por mim e desejar que tardasse um pouco mais.

Por mais que desejemos um coisa, quando essa coisa significa partir e deixar para trás aqueles que amamos, é sempre difícil. Só mesmo passando por algo assim para sentir o aperto e a dor provocados pelos últimos momentos, pelos últimos abraços. A última semana passou a correr, e muitas das coisas que planeava ter feito não fiz... fiquei talvez a dever muitas chamadas, muitos cafés, muitos abraços, mas todas essas pessoas não deixaram de estar no meu pensamento no dia em que saí de Portugal.

Naquela quinta-feira, dia 22 de Julho, as horas não passaram a correr, simplesmente voaram... As lágrimas, teimosas, não me largaram o dia todo, sobretudo de cada vez que ultrapassava uma despedida... à medida que me encaminhava para o aeroporto senti o tempo a escapar-me entre os dedos. Fiz o check-in e consegui incrivelmente passar com toda a bagagem que levava sem que me solicitassem pagamento de excesso (até hoje não percebi como...). Ainda tive direito a uma surpresa de última hora quando a Bela, o Miguel e o Daniel apareceram subitamente no aeroporto e ao perguntar-lhe “Mas o que é que estão aqui a fazer?” ela me responde de imediato “Achas que eu te deixava ir embora sem me despedir de ti?” Não pude deixar de me sentir uma felizarda por ter à minha volta tanta gente preocupada comigo.

A hora tinha chegado e não queria prolongar mais aquele sofrimento para todos. Iniciei as despedidas começando pelos mais novos. Não posso esquecer as palavras da minha mãe que insistia em não se conformar, perguntando “Porquê???” Realmente não sei porque é que temos que passar por estas realidades adversas para chegar mais longe... Neste momento sei que vale a pena tentar e se não o fizesse ficaria a vida toda a perguntar-me o que poderia ter acontecido. À minha mãe só consegui responder que apesar de estar de partida, iria voltar a casa, à minha casa, ao meu país, à minha família.

O último abraço ficou reservado ao meu irmão que tanto amo. Sei que sobre ele fica a pesar a tarefa de cuidar e olhar pelos nossos velhotes, mas confio e sei que fará um bom trabalho  Espero em breve estar a escrever um post a contar os contornos da visita dele a Angola!

Por tudo isto, queria deixar-vos a vocês, que estiveram comigo nos últimos instantes em Portugal e a todos aqueles que de uma forma ou de outra não se esqueceram da minha partida, as minhas últimas palavras e pensamentos, levo-vos a todos no coração! Parto, mas faço-o com o coração muito cheio, de todo o carinho recebido!

Até já

O ponto de vista de quem espera:

Exactamente 11 meses depois o dia tão anseado chegou.

São 00:40 e cá estou eu a a tentar passar para o papel o que sinto…

Quis o destino que fosse, também, ao vigésimo segundo dia de um mês que a minha metade entrasse num avião com destino a Luanda.

Depois de muita preocupação e ansiedade, de sorrisos e choro, o objectivo cumprir-se-á dentro de algumas horas.

Neste momento um misto de sentimentos. A alegria, sem dúvida, pela vinda da minha metade pois assim temos oportunidade de viver juntos coisas que não se vivem em Portugal mas também a tristeza. A tristeza porque sempre que alguém parte, para além do seu próprio sofrimento, há também que ter em conta o sofrimento de todos os que gostam dessa mesma pessoa. E daí a minha tristeza. Porque sei que, “felizmente”, muitas são as pessoas que vão sofrer com a vinda.

Para essas mesmas pessoas fica uma sugestão: Aproveitem as novas tecnologias para se fazerem sentir. Dessa forma será muito mais fácil para vocês e para a Patrícia. Felizmente a ausência física hoje é colmatada com relativa facilidade…

A recepção será simples mas muito emotiva certamente. Cá estarei eu e “um batalhão de pessoas” para a fazer sentir-se em casa (dentro do possível). Tal como tenho dito a todos os novos colegas “isto não é o paraíso mas também não é o inferno”. Basta que se cumpram “religiosamente” algumas regras fundamentais para que os riscos (que é o que todos tememos) reduzam significativamente. Reduzam porque, desaparecer não desaparecem…

Por agora pouco mais tenho a dizer… Há momentos em que as palavras parecem fugir… Há momentos em que parece que nada temos a dizer… Há momentos em que todas as ideias fogem…

Penso apenas em momentos chave do que será o inicio do dia de amanhã… O abraço, a saída do aeroporto, o inicio do percurso até casa e a chegada a casa.

Brevemente colocaremos, ambos, mais novidades sobre a chegada…

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