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segunda-feira, 8 de março de 2010

03 de Fevereiro – Regresso a Luanda e as surpresas...

Depois de algumas tarefas pelo arranque da manhã a saída pelas 8.30.
O percurso já estava traçado e, por isso mesmo, agora era hora de “partir à descoberta” de novos locais num dia chuvoso (um dos raros nos últimos 6 meses). Pelo caminho, nas bermas das estradas, como em todas as estradas, fomos vendo sucata abandonada.

Durante quase todo o trajecto (Malange-Lombe) a paisagem verdejante era a perder de vista


Antes de chegar ao Lombe tivemos ainda que, por perspecção profissional, fazer uma incursão por uma estrada secundária. A determinada altura a passagem de uma linhda de água teria que ser feita por esta ponte


Depois de a atravessarmos fizemos uma pausa. A curiosidade foi mais forte que eu e fui perceber como era feita a ponte. No “tabuleiro” percebia-se que era uma mistura de “argamassa de terra” misturada com carris de um antigo caminho de ferro mas, como se sustentava? Uma vista lateral ajuda a perceber…


Ao lado uma forma fácil de representar o país. A tentativa de desenvolvimento actual em contraponto com construções e infra-estruturas obsoletas. Em baixo é possível ver a antiga ponte para passagem da antiga linhda de comboio “quase engolida” pela ponte dos novos caminhos de ferro. A modernização “pinta” quadros destes.


Vindos por esta via secundária, chegámos ao Lombe. De frente um vestígio da grande mobilização que o governo provocou. O Lombe é um pequeno aglomerado populacional e, mesmo assim, lá está um apelo ao apoio à selecção nacional. Esta será para mais tarde recordar…


Depois de ouvir relatos de uma estrada em péssimas condições até Calandula (cerca de 70 km), foi com alguma surpresa, e agrado, que iniciámos o percurso nesta estrada.



Fizemos cerca de 30 km e verificámos que as obras ainda não tinham acabado. Agora junto de um pequeníssimo aglomerado vimos construções do tempo colonial bastante degradadas e totalmente desocupadas. A primeira construção era uma igreja. Algo que não esperava encontrar ali… Mas, de facto, lá estava ela.


E, olhando em frente, lá estava a estrada e as casas abandonadas.


Mais uma perspectiva do percurso que tínhamos a fazer


Já depois de avistar, longinquamente, as quedas de água de Calandula, avistámos mais um conjunto de casas. Passámos por muito outros e, a título de exemplo, aqui fica o registo de um deles


Um aspecto curioso? Todos eles tinham uma bandeira. Junto à estrada, num mastro improvisado, em todos estes conjuntos de casas havia uma bandeira como que a “relembrar”, quer a viajantes quer aos habitantes, que aquele era território Angolano.



Alguns km’s adiante mais um exemplo da guerra em que o país esteve mergulhada durante tantos anos. O carro, no momento da fotografia, está sobre uma ponte metálica, claramente de origem militar, que foi construída para para permitir a passagem de carros após a destruição de metade do tabuleiro. Na fotografia só é vísivel o troço “original” da ponte.


Uma vista geral à chegada a Calandula.


Passados os 70 km a chegada às quedas de água de Calandula. E que tal? Sem comentários… O ruído era arrepiante e a paisagem é esta… Tirem as vossas conclusões




Impressionante não é verdade?

E isto, ajuda a demonstrar a dimensão real???




SABIAM QUE?

As quedas de água de Kalandula, eram antigamente denominadas de Quedas de Água do Duque de Bragança.

Ficam no Rio Lucala, um dos afluentes do Rio Kwanza, na província de Malange, a cerca de 120km da capital da província que tem o mesmo nome. São as maiores de Angola e as segundas maiores de África, a seguir às Victoria Falls. Têm uma queda de 105 metros de altura e 405 metros de largura, ao passo que as Victoria, situadas entre a Zâmbia e Zimbabué, têm 1,7km de comprimento e 108 metros de largura.

Foram uma das maravilhas naturais votadas pelos Angolanos, que acabaram por concorrer às 7 maravilhas naturais o mundo com as Pedras Negras de Pungo Andongo.

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Fizemos o caminho inverso e agora pretendíamos passar por Pungo Andongo para ver as “famosas” Pedras Negras. Inexplicavelmente, expressão do nosso “guia”, não conseguimos ver as Pedras Negras devido ao nevoeiro. O nosso colega estava perplexo porque, como ele dizia, “não se percebe como é que é possível que não se vejam coisas tão grandes que estão aqui tão perto”. Ficará para uma próximo oportunidade…

Agora sim, depois de 2 ou 3 km em estrada asfaltada, entrámos numa verdadeira picada. Todo o percurso até ao Dondo seria numa estrada com estas caracteristicas


Pelo caminho houve ainda a necessidade de ceder passagens a outros veículos, atravessar zonas com enorme quantidade de buracos devido às chuvas e também, quem diria, ultrapassar motoristas de camiões que conduziam como se estvessem numa auto-estrada. Se calhar para eles até é… Não sei…


Num dos troços da estrada vimos um conjunto de coisas negras na estrada. Não conseguíamos definir, porque ainda estávamos muito longe, e só quando nos aproximamos o suficiente percebemos que eram macacos. É verdade! Meia dúzia de pequenos macacos que estavam a brincar no meio da estrada. Apercebendo-se da proximidade de um carro entraram na vegetação e tivemos oportunidade de os ver apenas durante alguns segundos… Ficámos ainda um pouco a tentar obter um contacto com eles mas foi impossível… Uns km’s adiante uma experiência, que apesar de não o ter sido propriamente, ficará para sempre gravada na minha memória.

A nossa viagem ia sendo feita “muito ao estilo Paris-Dakar”. Em que andávamos pela picada e atrás dicava um enorme rasto de pó no ar. De onde a onde passávamos por um conjunto de casas. Em alguns casos víamos pessoas enquanto que noutros nem sinal… Num dos casos enquanto nos íamos aproximando fixei o meu olhar numa menina, de aproximadamente 8 anos, que a cerca de 20 metros da estada estava deitada, de barriga para baixo com o queixo pousado sobre as costas das duas mão entrelaçadas e com uma das pernas no ar… E enquanto passávamos ela sorriu e acompanhou o movimento do carro com a cabeça. À sua volta, uma série de crianças com os seus 2 ou 3 anos, brincavam e ela ali, impávida e serena, acompanhava os trajectos dos viagentes que por ali iam passando… Essa era uma das poucas ocupações que tinha e, infelizmente, tem,e estando ali no meio de lugar nenhum num “grande produtor de petróleo”. A vida tem destas coisas….

Para o restante percurso, acompanhadas de uma breve descrição, ficam então algumas fotografias de situações que retratam bem esta terra.


Mercado à chegada ao Dondo



Equilibrismo no transporte das coisas



Mais um mercado até à chegada a Luanda


Pormenor do mercado até à chegada a Luanda



Agência do BIC à entrada de Luanda (parece uma ilha)


O movimento quotidiano à entrada de Luanda

quarta-feira, 3 de março de 2010

02 de Fevereiro – Novamente em África: Viagem a Malange

Perante a necessidade de integração de um dos novos elementos da equipa, ficou guardada para os dias 2 e 3 uma viagem a Malange.

Até esta altura eu ainda não tinha tido oportunidade de, profssionalmente, ir visitar outras províncias. Sendo esta uma altura oportuna aceitei o convite/desafio com todo o gosto.

O nosso sicerone era o colega que está responsável por todas as obras naquela província.

A saída ficou combinada para as 6 da manhã e foi a essa hora que partimos. Havia a necessidade de sair da cidade antes das 6.15 devido ao intenso trânsito que existe diariamente. Logo no inicio do percurso o nosso sicerone sugeriu que, à vinda, passássemos por alguns pontos “turísticos” para que ficássemos a conhecer e, logo naquele momento, o roteiro ficou perfeitamete traçado. O objectivo era ir por um percurso (Luanda – Dondo – Ndalatando – Cacuso – Lombe - Malange) e regressar por outro (Malange – Lombe - Calandula – Pungo Andongo – Dondo – Luanda).

Porquê? Para além dos percursos e paisagens, queríamos ver as “famosas” quedas de água de Calandula e as Pedras Negras de Pungo Andongo.

Partimos então em Direcção ao Dondo e senti, pela primeira vez, que estava a entrar na selva. No percurso para Benguela tinha passado por curtas extensões de selva mas agora, a dimensão era diferente.

Aqui ficam 3 fotografias que pretendem demonstrar a paisagem que acompanha o percurso. Mais uma vez as fotografias foram tiradas em andamento pelo que, algumas, não são perfeitamente nítidas…




Passámos então o “famoso Morro do Binda”. Um local que pela sua grande inclinação e curvas muito apertadas se torna um verdadeiro perigo para os condutores mais desatentos/descuidados e, por isso mesmo, se revela um grande cemitério de sucata. Aqui fica um excelente relato sobre este local, com direito a fotografias bem elucidativas: http://comicaginario.blogspot.com/

À passagem por este local muita sucata se vê. E para além de restos retrocidos de aço? Um camião totalmente atravessado na estrada com um jovem ao volante. “Foi mesmo agora” disse eu, enquanto o colega que conduzia o carro tentava apenas passar na “nesga de berma de estrada” que sobrava entre a vegetação e a traseira do camião. Depois de dizer isto ocorreu-me então que poderia já ter sido há algumas horas e que o jovem estava apenas ali, como sempre acontece com os carros acidentados, para “levar alguma coisa interessante para casa”.

Dois carros seguiam atrás de nós e em frente vinha outro. Ainda tímido acabei por não pedir para pararmos para registar o momento. Agora arrependo-me, como é óbvio mas, nada há a fazer… Umas centenas de metros mais à frente, após uma curva, um autocarro descia já a velocidade reduzida. O camião iniciou o seu despiste muito antes do local onde foi imobilizado e ramos e bocados de árvore estavam no chão. Informámos então o condutor do cenário que estava adiante e ele questionou “mas consigo passar?”. Não, não consegue, dissemos nós. Agradecido ele prosseguiu em frente com ar de desânimo de quem antecipa que vai ficar ali algumas horas até que consiga passar. Nós, em sentido contrário, prosseguimos a viagem em direcção a Malange…

Antes de Malange Ndalatando. E antes de Ndalatando uma “operação STOP”. Já sabíamos que iríamos parar, na melhor das hipóteses, uma vez. Esta foi caricata. O agente mandou-nos encostar e pediu os documentos. Depois de os ter na mão foi até à traseira do carro e ali ficou cerca de dois minutos. Pelo retrovisor tentava perceber o que ele fazia proque pegava na carta, depois no papel do seguro, depois no livrete em apenas breves segundos. Dirigiu-se então para perto do condutor e ali permaneceu mais algum tempo. Sinceramente já estava com alguma vontade de rir mas, passado algum tempo quase não aguentava. Perguntou ao meu colega, apontando para a carta de condução, “o que é?”. O meu colega explica então “Data de emissão: XX-XX-1998. É quando foi emitida” (Como é óbvio, se o agente perguntou o que era não ficou a perceber com o “é quando foi emitida” mas…) e depois prosseguiu “Válida até 07-02-2022, ou seja, é válida ainda mais 12 anos”.

Perante aquele cenário tive alguma dificuldade em conter-me mas teve que ser…

Contente e perfeitamente elucidado, simpaticamente, o agente agradeceu e desejou-nos uma boa viagem. Um balanço positivo da primeira paragem porque, para além da perda dos minutos de paragem ganhámos então mais uma estória para contar.

Uns bons km’s mais à frente a chegada a Ndalatando. Pelo que tinha ouvido falar pensei que seria já “uma cidade” com visíveis sinais de desenvolvimento. Por isso mesmo a minha surpresa quando, vendo este cenário, o meu colega disse “chegámos a Ndalatando”.


Do outro lado da estrada em que parámos um colorido “estabelecimento comercial”.


E, prosseguindo viagem em direcção ao centro de Ndalatando, fomos então vendo as habitações da zona periférica da cidade.




De Ndalatando em direcção a Malange mais paisagens distintas das que vi por estas terras até ao momento. Uma paisagem muito mais verde e, desta feita, com vegetação de menor porte. Aqui fica uma ilustração de uma parte significativa do percurso


Enquanto “devorávamos km’s” mais uma operação de STOP. Tinhamos sido alertados para que “mesmo que estivesse tudo em ordem, seriamos sempre abordados a “contribuir”” e aqui estava o exemplo. Depois de verificados os documentos (sabe-se lá com rigor, apesar de termos a certeza que tudo estava correcto), o pedido para mostrar o triângulo e, depois de o ver, então uma conversa amiga no sentido de “ajudar a malta”. Assim fizemos e prosseguimos o caminho.

A 20 km da entrada de Malange novamenet um polícia a fazer sinal para pararmos. De imediato começámos a comentar “Outra vez?”, “Não chegava já?”, “3 operações na mesma viagem?” e só depois percebemos que o sr. Estava a pedir boleia… É verdade… O agente queria boleia para chegar a Malange. Ele tinha sido deixado ali de manhã (com este calor abrasador), fez o seu trabalho de patrulha, e agora, perto da hora de almoço, teria que providenciar boleia para voltar novamente à esquadra. Foi mais um momento de alegria e risota e prosseguimos em direcção a Malange, agora com 4 “tripulantes” no nosso “navio”.

Depois de fazermos uma visita às obras, e antes da hora do jantar, o “descanso dos guerreiros”. Já estávamos em movimento quase há 12 horas e a tarde ainda estava quase a meio. Fomos então dormir um pouco.

Uma vista geral do meu quarto:


Um pormenor da “minha secretária”:

(os mais atentos dirão que é painel de cofragem… É verdade… É mesmo painel de cofragem)

Amanhã será a viagem de regresso com visita de alguns pontos turísticos… Confesso que tenho alguma ansiedade por iniciar a viagem. Veremos se à chegada a Luanda estou desiludido…

28 de Janeiro – Uma música e uma recordação

Para além das descrições que tenho feito, outras recordações vão ficando registadas na memória.

Partilho a primeira música local que me ficou na cabeça… Nas primeiras noites em que vivi a “noite luandense”, estava sempre presente uma música. Inicialmente não “me dizia nada” mas, nas últimas noites antes de 24 de Novembro, dei por mim a cantar “Só se eu for doida” no caminho de regresso a casa.

Hoje percebo que esta será uma eterna recordação de Angola…

Por isso mesmo partilho essa eterna recordação. Afinal de contas não há amor como o primeiro.

Título: Só se eu for doida
Interprete: Pérola

24 de Janeiro – CAN2010 – A queda do anfitrião

Angola – Ghana foi o primeiro jogo dos quartos de final do CAN2010. Era o jogo mais aguardado porque, a bem dizer, todo o CAN girou em torno da selecção de Angola, como seria de esperar.

Um evento desportivo deste género em África não gera, pelos mais variados motivos, um fluxo de turismo como gera, por exemplo, na Europa e, assim sendo, os estádios encheram-se de Angolanos para ver a sua selecção a jogar. Os bilhetes para o evento foram, por esse facto, colocados à venda a um preço extremamente baixo (1,€ ou 2€). Com a eliminação espera-se que os estádios fiquem vazios e, com isso, perder-se-á a “alma” da competição…

Nem todo o apoio de uma nação foi suficiente para levar de vencida a selecção do Ghana e a selecção Angolana, treinada pelo Português Manuel José, tombou…

Aqui fica um link para a página oficial do evento:
http://www.can-angola2010.com/Media/Noticias/Detalhe/CAN_004659

Para a história fica o dia 24 de Janeiro de 2010 como a data da eliminação do anfitrião do CAN2010 mas fica também a festa… Fica a alegria do povo Angolano com o evento que, apesar do acontecimneto com a selecção do Togo, foi um sucesso para a organização. Fica o sentimento de “dever cumprido” deste país que, espera-se, está a dar passos largos para a sua modernização e, acredito, tem condições para se tornar uma referência no continente Africano.

Só o futuro e a vontade dos homens o dirá…

23 de Janeiro – “Por minha conta” no trânsito Luandense

Pelo segundo fim-de-semana consecutivo (desde que estou em Angola) tive direito a carro. O meu novo superior hierárquico compreendeu (e tem essa autonomia) que Luanda sem carro é uma prisão. Tal como disse várias vezes, tive a sorte de ter cá um casal amigo, e de ter feito cá um amigo, que fizeram com que eu nunca sentisse a casa como “uma prisão” mas, não fossem eles, e teria-o sentido por diversas vezes... A eles o meu muito obrigado!!!

No primeiro fim-de-semana o meu carro era um Nissan Micra e neste? Um Chevrolet Spark. Não conhecem? Eu também nunca tinha visto. Eu diria que é o carro ideal para Lisboa (porque é pequenino e não é um smart) mas em Luanda, com as crateras e lombas que existem... Mas pronto.... Ficará para sempre na minha memoria afinal de contas foi o carro mais pequeno que já conduzi mas, também, foi o primeiro carro com mudanças automáticas que eu já conduzi... É verdade...

Bom.. Pela manhã fui par ao escritório. O Celso pediu-me boleia para ir buscar as chaves do carro dele que ele tinha deixado noutro carro na noite anterior e... Aí estava a minha primeira e verdadeira viagem por Luanda... Teríamos que ir a sítios por onde ainda não tinha conduzido e, a parte mais engraçada, é que ele apesar de estar cá há já um ano também não conhece muito bem os percursos... Escusado será dizer que demorámos mais de uma hora a fazer um percurso que poderíamos ter feito em 20 minutos. E depois??? Foi muito engraçado porque íamos divertidíssimos enquanto nos perdíamos e voltávamos a encontrar o trilho certo...

No regresso ao escritório uma reflexão... Ambos achamos que, caso a estabilidade politica se mantenha, dentro de 4 ou 5 anos Luanda poderá ser uma cidade com um elevado nível de vida. Basta que alguns dos princípios elementares da sociedade mudem e, obviamente, que a estabilidade politica o permita. Fica aqui a nossa opinião...

E a aventura no trânsito Luandense? Foi a primeira... Venham as próximas...

22 de Janeiro – Uma surpresa muito especial

Momentos especiais merecem post’s distintos e, por isso mesmo, aqui vai um segundo post do mesmo dia, 22 de Janeiro.

Hoje a nossa recepcionista (chamada carinhosamente de “Santa”) aproximou-se da minhas secretária e, com 4 envelopes na mão, disse-me que era correspondência para mim.

Instintivamente, e quase sem olhar para o que ela trazia na mão, disse que não poderia ser para mim mas ela, com um largo sorriso irónico, disse “É para si sim senhor, veja que tem o seu nome”. Naquele instante olhei para a mão dela, já estendida na minha direcção, e vi o meu nome no primeiro. Admirado admiti “Sim, este é para mim” e, já retirando-lhe o envelope das mãos, agradeci. Nesse mesmo instante ela disse “Não, é esse e os outros todos, têm todos o seu nome”.

Aí disse que não podia ser mas verifiquei que, afinal, eu estava enganado.

Não 1

Não 2

Não 3

Mas 4 Envelopes...

Ela retirou-se e, naqueles instantes iniciais pensei que não poderia ser mas, depois da surpresa que tive no dia 13, rapdiamente associei a uma surpresa da minha metade. O primeiro raciocínio foi semelhante à frase que lhe disse quando me ligou a pedir para ir à porta (ver post do dia 13 de Janeiro), ou seja, “o que é que ela andou a inventar”.

Ao abrir percebi…


Um coração grande enche-se com pouco. Amo-te
Sempre tua Patrícia
NNNN”
(o NNNN não fazia parte da mensagem mas, como estava logo abaixo, li-o como parte integrante da mensagem).

E nesse momento fiquei extremamente contente. Abri então o segundo envelope porque, pensei, cada um deveria conter uma parte de uma mensagem que só faria sentido lendo os quatro. Euforicamente, como uma criança quando abre os presentes de natal, abri o segundo e, para meu espanto, a mensagem era a mesma. “Vêm aos pares” pensei… “Como somos 2”… Com a mesma energia abri o terceiro e… A mesma mensagem… Nesse momento já não consegui encontrar explicação e, já com menos energia e euforismo, abri o quarto e, já sem muita surpresa, vi a mesma mensagem.

Fiquei por algum tempo a tentar perceber o objectivo de enviar 4 telegramas iguais mas não consegui perceber.

Reparei então no estranho formato dos envelopes... Eram mais curtos do que os modelos que eu conhecia e, passado pouco tempo de os observar com um pouco de cuidado percebi qual era a diferença... Os envelopes tinham sido cortados a meio e colados na extremidade cortada...




O mistério só ficou desfeito depois de falar com a Patrícia. A primeira explicação não foi suficiente para que ela percebesse o que eu tinha recebido e, nesse momento, percebi que teria sido um erro.

Explicou-me então qual era o verdadeiro objectivo da surpresa e, também, o porquê e origem daquela frase...

Aqui fica mais um TEMPO DE ANTENA para a autora da surpresa...


Objectivo:
É importante perceber que, para além de ter demorado imenso tempo a chegar, o que não se coaduna com a realidade ou o propósito de um telegrama, chegou de forma totalmente inesperada. É verdade que nunca tinha enviado um telegrama até à data de 12 de Janeiro, mas sempre pensei que o seu acto de entrega e recebimento respeitava aquilo que estava habituada a ver, diga-se, na pequeno e no grande écran! Percebi o meu engano quando o João me perguntou porque é que alguém mandava 4 vezes a mesma coisa. Ahn???? Não!?! Eu queria que o telegrama fosse entregue naqueles papéis quadrados pequeninos e lido ao destinatário em primeira mão! Aparentemente isso só se deve verificar nos filmes, porque de Portugal para Angola a realidade é outra!

Mais uma vez, fica a contar a intenção...


Uma breve explicação sobre a escolha e origem da frase:
Poderá parecer estranho mas a primeira vez que a li foi numa casa de banho de um restaurante / bar, bem distante em termos geográficos. E não, não pensem que me estou a referir àquela literatura habitual de portas de casas de banho...

Não recordo o nome do local, mas posso dizer que fica numa das muitas avenidas da belíssima cidade de Guadalajara, a mexicana! A descoberta do lugar devo-a ao Patrick, o meu eterno partner. Gostei tanto do mesmo que pedi para lá voltarmos mais vezes durante aquela magnífica semana.

O design do espaço não era nada de extraordinário, mas as casas de banho tinham uma decoração que na altura achei peculiar. Hoje em dia esta decoração já é prática comum... Eram decoradas com vinis que continham excertos de poemas ou frases emblemáticas, ao que me pareceu, de autores sul-americanos.

Uma em particular chamou-me a atenção, pelo alcance e dimensão do que estava reduzido a poucas palavras. António Porchia soube dizê-lo e escrevê-lo de forma sublime. Achei uma verdade absoluta e indiscutível, quanto maiores são os corações, mais fáceis são de preencher com pequeninos gestos.

Posteriormente a curiosidade levou-me a querer saber mais sobre este senhor. Descobri que não era “totalmente” sul americano. Nasceu em 1985 em Conflenti (Itália), e aos 15 anos emigrou para a Argentina onde viveu praticamente toda a sua vida até falecer em 1968. Esta é uma das suas frases emblemáticas, traduzida do original em Castellano “Un corazón grande se llena con poco”.

Recordo que na altura me marcou e no momento em que estava na estaçãodos CTT e pensei “como vou escrever algo por poucas palavras que signifique muito...?” e de repente veio-me à memória a frase lida naquela tarde quente de Abril!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

22 de Janeiro – Feriado (25 de Janeiro) ou… talvez não

Feriado ou talvez não???

Ora bem… Digamos que aqui também há feriados…

É verdade que quando os feriados são ao domingo são gozados há segunda ou, caso sejam ao sábado, são gozados à sexta…

Agora feriado que deixam de o ser?

Pois… Aqui existem desses… Estranho??? Naaaaahhhh!!!! É só a uma demonstração das particularidades desta terra…

Dia 25 (segunda-feira) é o feriado de Luanda (feriado municipal) e, obviamente, todas as pessoas estavam “preparadas” para gozar um fim-de-semana prolongado. Mas… Enganaram-se…

Estavam preparados mas mal (fazendo uma alusão a uma célebre frase do meu sector profissional) porque hoje foi “decretada a não realização do feriado”. É verdade… Um feriado que está reconhecido e que sempre foi comemorado será ignorado “por decreto”.

Já agora… Aqui fica a informação dada na agência de notícias:


“Governo exorta funcionários comparecer nos seus postos de trabalho no dia 25

Luanda - O Governo da província de Luanda exortou hoje, na capital angolana, a população a comparecer nos seus postos de trabalho na segunda-feira (25 de Janeiro), Dia da cidade de Luanda, sem absentismos, uma vez que não foi decretada tolerância de ponto.

A cidade de Luanda completa o seu 434º aniversário dia 25 de Janeiro, data da sua fundação, numa altura em que decorre a "festa" do Campeonato das Nações Africanas de Futebol (CAN Orange Angola 2010).

De acordo com um comunicado de imprensa entregue hoje, quinta-feira, à Angop, o Governo provincial de Luanda considera cidade como uma urbe “cosmopolitica” que apresenta enormes potencialidades e oportunidades em termos de crescimento multifacetado.

Nesta nota, o GPL reconhece os diversos problemas que se vivem nesta cidade, ligados, principalmente, a circulação viária, falta de espaços para estacionamento, de lazer, quebra de hábitos de convivência, redução da oferta de habitação.

Insuficiência de redes técnicas e de infra-estruturas que suportem a volumosa densidade populacional são, entre outras, dificuldades verificadas nesta urbe, de acordo com o comunicado.

O Governo provincial reitera ainda a necessidade do combate de situações de ruptura dos assentamentos urbanos, para a promoção de um adequado nível de organização e estruturação das zonas urbanas.

Ordenar o crescimento das principais centralidades, qualificando as zonas residências, assim como o incentivo de organização e participação das comunidades locais no desenvolvimento urbano, exercitando civicamente a sua cidadania, são entre outros desafios patentes.

“A educação cívica, ou pela cidadania deve envolver todas as forças vivas da Nação, mobilizando-se as energias interiores, convertendo-as em projectos de intervenção nas escolas, nos bairros, nas comunas e municípios, com objectivo de uma aprendizagem de participação cívica, tolerância, democrática e respeitadora da lei dos direitos humanos”, descreve a nota. “

in ANGOP 22.JANEIRO.2010

A mim, confesso, pouca diferença me vai fazer porque, uma vez que as re-estruturações na empresa são grandes, tenho uma muitas coisas para concluir até à próxima semana e teria que estar a trabalhar mas, convínhamos, é uma situação chata e caricata. Normalmente, principalmente os expatriados, aproveitam estes fins-de-semana prolongados para conhecer algumas das províncias e agora ou tiram férias ou desmarcam…

É chato mas, como tantas e tantas vezes já escrevi… Estamos noutra realidade… Não, não é na realidade virtual… É apenas outra…

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