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sábado, 6 de fevereiro de 2010

10 de Janeiro – O primeiro dia e o primeiro jogo do CAN 2010

Acordei pelas 11 horas.

O choque foi grande porque em Portugal estavam uns 5/6 graus e, naquela manhã, estavam 32º em Luanda. Para além do calor havia também aquela humidade que só se percebe sentindo-a…

Ligou-me então o Ludgero. Na noite anterior tinha-lhe ligado, como tínhamos combinado enquanto ainda estava em Portugal, mas não tínhamos falado. Por isso mesmo ele estava a devolver-me a chamada. Falámos um pouco e, quando lhe contei “o que encontrei quando estava a chegar”, prontamente disse que se ia arranjar e me vinha buscar.

E assim foi, daí a alguns minutos, cá estava o meu “motorista”. Fomos para casa dele e por lá passamos a tarde. A Andreia ainda estava em Portugal e, por isso mesmo, fizemos lá uma grande festa!!!! Brincadeirinha…

Depois de um belo almoço feito pelo Ludgero, almoço para o qual ele não me deixou contribuir, passámos a tarde a namorar (entenda-se cada um com a sua namorada), a por a conversa em dia, a cochilar, e a ver televisão. É sempre bom estar na companhia dos amigos.

Combinámos então que eu veria lá o jogo inaugural do CAN que começava pelas 20 horas e depois, antes de acabar, ele iria deixar-me em casa para não ficar retiro no trânsito. Durante todo o dia as pessoas andaram a percorrer as ruas com os carros, a buzinar, a acelerar, etc etc etc. No fundo o povo estava contente e queria fazer parte da festa e, se Angola ganhasse, a festa seria rija. Por isso mesmo, antes de acabar ele iria deixar-me em casa.

Tinhamos até brincado com a situação e, às 19.30, a luz foi abaixo… Já tínhamos comentado que, quando ligassem a iluminação do estádio, a cidade ficaria às escuras. Por isso mesmo, quando a luz faltou, olhámos um para o outro e desatámo-nos a rir. Ele apressou-se a ir ligar o gerador mas daí a poucos minutos a energia voltou.

Vimos então 70 minutos de jogo e, nessa altura, ele foi-me então levar.

Quando saímos de casa o jogo estava 3-0. O percurso até à minha casa demora cerca de 4 minutos e, quando estávamos mesmo a chegar à porta de minha casa, assustámo-nos com um grupo de pessoas que saíram a correr de um dos portões das casas vizinhas. Percebemos, pelos gritos e pelos sorrisos, que tinha sido o 4 golo de Angola. Angola ganhava por quatro a zero. Conversámos então um pouco e concluímos que era melhor ele despachar-se e chegar antes do jogo acabar porque iam sair todos à rua doidos com o resultado. E pronto… Cheguei a casa, falei um pouco com a minha metade, e ouvi mais alguns ruídos e gritos que, pensei, seriam o 5-0 ou então o fim do jogo…

Enganei-me… Daí a poucos minutos ligou-me o Ludgero a rir… Queria saber se eu estava a ver o jogo. Como lhe disse que não então disse-me que o jogo já estava empatado. Nem queria acreditar… Como é que era possível?!?!

Mas foi verdade… Angola empatou de facto o jogo de abertura do CAN 2010 depois de estar a ganhar por 4-0. Para a história fica o resultado (Angola 4 – 4 Mali) mas também um jogo, diria, raro na história do futebol.

9 de Janeiro – A chegada

Esta foi uma viagem diferente e, consequentemente, foi uma chegada diferente.

Diferente porque a carga emotiva desta chegada era inferior (afinal de contas já não estava a chegar a um local onde nunca tinha estado nem ia ter com pessoas que não conhecia) mas também, e principalmente, porque agora tudo estava novo à minha chegada.

É verdade… As coisas que o futebol faz. Angola é o organizador do CAN 2010 (Campeonato Africano de Futebol) e, por isso mesmo, para além dos 4 estádios necessários para a realização do torneio, muitas infra-estruturas foram construídas e/ou reabilitadas.

Neste caso falo do aeroporto. À chegada, eu e os meus colegas, nem queríamos acreditar. Estávamos num aeroporto actual e moderno (por oposição ao antigo e desconfortável). Tudo era novo, não só o aspecto mas também a configuração. Tudo estava muito mais organizado e pensado para a prestação de um melhor serviço.

A afluência era grande, afinal de contas era por estes dias que todos os expatriados estavam a entrar no país mas, mesmo assim, a eficácia era claramente superior à minha primeira chegada.

Desta vez fui atendido por uma senhora muito simpática e atenciosa. Não me foi “solicitado nenhum café” e tudo foi normal…

Na zona seguinte, dos tapetes, tudo era também novo… Acabamentos modernos e, acima de tudo, maior funcionalidade. Uma grande surpresa…

Saíndo do edifício também toda a zona das “chegadas” estava renovada e modernizada. Com um parque de estacionamento condigno e bem arranjado. Bem sei que, quando cheguei, se estavam a iniciar as obras no aeroporto e, por isso mesmo, toda a zona estava mais confusa e desorganizada do que era habitualmente mas, as melhorias são claríssimas.

À espera tínhamos 2 motoristas da empresa porque pensavam que iriam chegar 8 ou 9 pessoas. Afinal, em vez de 8 ou 9 eramos apenas 3. O Sr. Domingos, o mesmo condutor que me foi buscar da primeira vez, veio então deixar-me em casa. No caminho para casa percebi então que a senhora que trata da casa só começava a trabalhar na segunda-feira (sendo dia 9 o sábado anterior). Percebi logo que não teria muitas opções para as 3 refeições do dia seguinte. Chegado a casa, uma vez que por sorte me tinham alertado para pedir as chaves de um dos colegas, entrei na “parte comum” com essa chave. Eu tinha-me ido embora antes e, como na véspera da viagem para Portugal seria necessário utilizarem o meu quarto, tinha deixado a minha chave. Esperava eu que a chave estivesse, na tal zona comum, para que eu pudesse ir para o meu quarto.

Afinal não… Entrei em casa e nada… nada é mesmo nada… Nem comida, nem chave do quarto, nem televisão (apesar de termos 2 serviços de televisão por cabo), nem internet, nem nada… Procurei então a chave de um dos outros quartos do anexo (são 3 no total) e, felizmente, encontrei as chaves do quarto que não tinha residente fixo.

Hoje riu-me da situação mas naquele momento não achei nada agradável… São precisamente os momentos iniciais , aqueles que se seguem à vinda de casa, do conforto e da companhia de amigos e familiares, que custam mais e, nessa altura, estava completamente isolado, afastado e, ainda por cima, sozinho… É verdade…. Para além dos 2 colegas que fizeram a viagem comigo (que iam para o estaleiro central em Viana), eu era o primeiro a chegar…. Pois… Para além de tudo o que faltava em casa, eu era também o elemento com menos mobilidade… Porque ainda não tinha carro mas também, porque era a pessoa que pior conhecia a cidade….

Nesse dia, cansado, descansei umas boas horas. Precisava de dormir para me recompor do cansaço da viagem, mas também, para acalmar a “raiva” de, para além do computador, não ter outra forma de me distrair.

domingo, 31 de janeiro de 2010

9 de Janeiro – A partida

Bom… A partida…

Esta partida acabou até por ser didáctica. Porquê? Porque fiquei a perceber o motivo pelo qual, para os voos Lisboa-Luanda, os passageiros têm que estar com 4 horas de antecedência no aeroporto. É verdade… 4 longas horas…Tendo em consideração que o voo saiu às 10 horas da manhã…

Na realidade eu já tinha percebido em Agosto, mas desta vez percebi porque a minha “preparação” foi ainda mais agitada. O motivo é simples: “excesso de peso”. Depois de conquistar a pulso a amizade de uma das pessoas que estava a controlar a dimensão e peso das bagagens deram-me uma de três opções, relativamente à mala que eu tinha como bagagem de mão:

a) levava-a comigo e, por já saber que excedia os limites estabelecidos, aceitava que fosse colocada no porão pelos membros da tripulação à entrada no avião – Consequência: como não ia correctamente acondicionada nos depósitos onde vão as restantes, poderia ser facilmente aberta em Luanda. – Conselho: Ir comprar uns cadeados;

b) Pagar o excesso de bagagem equivalente a 10 kg (peso da mala), o que corresponderia aproximadamente a 170 euros;

c) Comprar uma nova mala com as dimensões admissíveis e deixar ficar cá algumas coisas.

A opção “a” parecia-nos arriscada, a “b” cara e a “c” a mais equilibrada. Como ainda tinha que passar no controlo de tax-free, a minha metade encarregou-se de ir comprar uma mala nova.

Depois de muitas compras com solicitação de tax-free, chego à brilhante conclusão que não reunia as condições para beneficiar da isenção do IVA ou parte dele – Não tinha estado o número de meses suficiente com residência no exterior. Mais um tempo perdido e uma lição aprendida: Ler sempre todas as condições de aplicabilidade do que quer que seja porque nem sempre o que se diz corresponde à realidade.

Lá fizemos a reestruturação e passámos o essencial para a nova mala. Neste instante reparamos que alguém tinha deixado ficar para trás aquilo que achámos ser um conjunto de presentes de Natal constituído por uma boa garrafa de vinho, duas garrafas de Porto reserva, e uma de azeite virgem extra! Olhámos em volta, enquanto fomos fazendo a reestruturação fomos verificando que já não havia dono. Uma vez que aquilo ia mesmo acabar por ser levado por alguém, não havia mas passou a haver naquele instante.

Paralelamente trazia ainda mais bagagem de mão “a vulso” (2 computadores, máquina fotográfica a acrescentar à mala acabadinha de comprar) que só consegui trazer porque, no mesmo voo, vinham 2 colegas da empresa. Gostava de ter tirado uma fotografia de toda a bagagem de mão junta para não só imaginarem como também comprovarem como vinha carregado desta vez...

Depois de superado este “pequeno pormenor” tivemos então tempo para um calmo pequeno almoço e algum descanso merecido após toda aquela agitação de inicio de dia.

Desta vez a despedida foi diferente. Em Agosto percebi o quão dura é uma despedida ali, em pleno aeroporto, e agora tive apenas uma pessoa a despedir-se de mim. Claro que não foi uma pessoa qualquer... Foi a minha metade...

Depois de muito choro, de ambos, definição de metas, objectivos e desejos a hora tinha chegado... Um momento emocionalmente muito intenso, tal como seria de esperar, mas suavizado com a intenção de que, em breve, pudéssemos estar juntos. Veremos se este objectivo será ou não cumprido... Até ao momento está muito difícil...

8 de Janeiro – Um balanço dos últimos meses

Não há melhor fase para fazer um balanço do que no arranque de uma nova ciclo na vida. E este dia representa exactamente isso. O texto não foi escrito no dia 8 mas os pensamentos foram tidos no dia 8 e, por isso mesmo, surge o texto aqui.

Alguém me disse várias vezes que, depois de concluir um ciclo na vida, era conveniente efectuar uma pausa. Pensar no que se fez... No que correu bem, no que correu mal... Em quais foram as nossas atitudes/acções para as coisas que, posteriormente, verificámos que correram bem e, também, para aquelas que percebemos, e sentimos, que correram mal.

Quando cheguei a Luanda percebi exactamente o que me tentvam transmitir. Na altura, por inexperiência, por joventude, ou seja pelo que for não percebia muito bem o sentido da mensagem. Quando cheguei a Angola percebi. Inevitavelmente passei mais tempo comigo (ou sozinho) e tive tempo suficiente para ponderar muitas coisas...

Com o distanciamento de muitas das coisas que vivi no arranque do meu percurso profissional, consegui nos últimos meses, analisar e avaliar comportamentos. Tal como também “alguém” me disse devemos absorver tudo o que vemos (correcto e errado) para construirmos o “nosso próprio eu” à imagem daquilo que consideramos ser o correcto.

Angola trouxe-me essa disponibilidade e capacidade.

Concluídas as “filosofias”, de uma forma pragmática, acabo por fazer um balanço positivo dos primeiros 3 meses de experiência. Exceptuando o facto de estar distante de família e amigos, mas principalmente da minha metade, diria que este período, para além de muito enriquecedor (pessoalmente) foi também muito positivo na vertente profissional. Sim!!! Afinal de contas eu vim para cá para trabalhar. Nos post’s a vertente profissional não é muito focada mas, no fundo, é só por isso que estou a enriquecer-me com esta experiência.

Mais uma vez, depois de tantos “episódios” na minha vida, o regresso a Portugal teve contornos muito particulares e, obviamente, preferia que nada tivesse sido assim... Preferia que a minha viagem tivesse sido antes do natal, na data pré-estabelecida, mas assim não aconteceu e foi algo mais que tive de vencer. De qualquer forma, hoje, faço um balanço positivo da necessidade de regresso imediato.

Relativamente à vertente profissional da minha estadia, tendo em consideração as mudanças organizacionais anunciadas, parece que será um desafio muito interessante e ainda mais enriquecedor. Não conheço alguns dos novos membros da equipa mas, ao que parece, existem condições para se realizar um bom trabalho. Espero que daqui a uns meses mantenha esta motivação e energia...

Fazendo a ponte entre o passado e o futuro creio que me falta apenas “a minha metade” em Angola, com um desafio motivante, para que obalanço possa ser claramente positivo.

Veremos o que nos reserva 2010.

7 de Janeiro – Confirmado: partida no dia 9

Sim… De Janeiro...

A minha empresa tem destas coisas... Quando saí ed Angola já eram faladas novas alterações na estrutura da empresa. Muito se falava mas, à data, pouco se sabia. Sabia-se apenas que iriam chegar novas pessoas...

Quando cheguei a Portugal, já tendo a informação de que haveria uma nova administração residente, com maior autonomia e dinâmica, quis começar a definir o meu futuro. Poderia não integrar os novos planos e, se assim fosse, precisava de ter essa informação.

A 3 de Dezembro foi-me dito que “em principio sim, contavam comigo” mas que ainda era necessário validar a informação com toda a nova equipa. Pois bem... Tinha bilhete para dia 9 de Janeiro mas só em 5 de Janeiro recebi um telefonema. Diziam-me então para estar na sede da empresa no dia 7 para falarmos.

Chegado lá, como é tudo muito Dinâmico, estava a ser apresentado a 2 novos elementos da equipa. Deixei que a reunião concluísse sem precalços e, chegando o fim, pedi para ficar para abordarmos algumas questões. Questões esclarecidas e confirmado que contavam comigo ficou a confirmação: “o regresso a Angola é no próximo dia 9” e, já agora, “à tarde vai haver uma reunião que era importante estar presente”.

E assim foi...

Saí da sede, fui aos escritórios em Lisboa e regressei a casa às 22 horas. Tempo suficiente para “arrumar” as coisas que já andava e empilhar para no outro dia me dedicar à restante correria na companhia da minha metade que pensou estar perante um dia para “namorar” e afinal tivemos um dia muito agitado.

Com estes desenvolvimentos inesperados acabei por não conseguir estar com alguns do vocês. Confesso que estava a pensar que, face a tantas indefinições, teria que ficar mais uma semana em Portugal e aí conseguiria... Assim não foi possível... Cada um sabe a quem me estou a referir e, por isso mesmo, aqui fica esse pedido de desculpa e o correspondente Abreijo por, apesar de ser a 6.000 km, estarem sempre aqui ao meu lado e se preocuparem comigo. São estes pormenores que me fazem sentir o que é a amizade.

6 de Janeiro – As boas vindas à Matilde

Na noite de 5 para 6 de Janeiro, às 2.33 da manhã uma mensagem alertava que “Já chegou a Matilde”.

Na realidade tudo começou algumas horas antes quando o meu irmão me ligou....

Distraído e “preocupado” como ele é ligou-me a perguntar se estava de férias. Confirmei e então disse-me que “a Paula tinha ido para o hospital à tarde e que, em principio, ia ter a menina à tarde”. Combinei então ir buscá-lo ao trabalho de forma a que ele chegasse mais rápido ao hospital e ficase também com carro para ter a mobilidade necessária nestes casos.

Depois de todas as questões logísticas tratadas fui descansar e, na tarde de dia 6, fui então ao hospital para ver a menina. Devido à prevenção contra a gripe A apenas os pais poderiam ir visitar as crianças e as esposas. Com alguma sorte, e engenho à mistura, consegui estar com ambas antes de regressar a Angola. Foram apenas 5 minutos mas, entrar e ver a pequenina muito encolhida fui suficiente para recarregar baterias.

Só nessa altura me apercebi que já tinham passado 5 anos depois da “última coisinha daquele tamanho que fui ver ao hospital” no dia a seguir a ter nascido. É verdade... Os anos passam e nós só nos apercebemos isso quando conseguimos fixar alguma referencia. Agora começo a entender aquele discurso “estranho”, que ouvia até aos meus 15 anos, das pessoas mais velhas...

É preciso passar pelas situações para percebermos o verdadeiro significado e amplitude do que se diz...

Ah.. E quem é a Matilde?

A minha primeira sobrinha depois de um sobrinho que dá muitos mimos ao tio.

Parabéns aos papás.

Bem vinda Matilde.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Janeiro 2010 – Feliz Ano

Para mim espero que 2010 traga a oportunidade que 2009 não conseguiu trazer porque só dessa forma estarei de facto nesta terra de corpo e alma. O fim de 2009 trouxe muitos problemas mas 2010 trará coisas boas em dobro.

Para todos os que se derem ao trabalho de ler este texto, tendo em consideração o atraso na sua publicação fica apenas o desejo que para todos, mesmo para quem não lê o blog (brincadeirinha!!!!), o pior de 2010 seja melhor do que o melhor de 2009.

Pode parecer uma frase feita. Se calhar é mesmo, mas é o que desejo sinceramente.

E já agora, porque o inicio de alguma coisa representa sempre o fim de outra, queria agradecer a todos aqueles que me apoiaram desde o momento que lhes disse da minha vinda para Angola.

É nos momentos de grande mudança que descobrimos os verdadeiros sentimentos.

É bom sentirmo-nos “acarinhados”.

A todos vocês o meu obrigado.

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