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sábado, 21 de novembro de 2009

21 de Novembro – Dois “encontros” inesperados – S.C.P vs Pescadores

Engraçado…

Após o almoço fiquei um pouco a ver o telejornal das 12 da SIC Noticias. Passou para a parte do desporto e, tendo em consideração que o Sporting vai jogar com o Pescadores da Costa da Caparica, deixei-me ficar a ver porque é um clube que, de alguma forma me é próximo.

Pela proximidade à minha casa, pelo facto de ser mesmo ao lado da 3ª Secção do “meu” corpo de bombeiros e, também, porque enquanto andei a dar pontapés na bola um pouco mais a sério joguei por diversas vezes contra o Pescadores da Costa da Caparica. Posso dizer que ainda sou do tempo, e com isto aprece que sou muito velho, em que o Quaresma (“O cigano”) jogava nos infantis dos Pescadores. Já na altura fazia toda a diferença…

Mas adiante…

Começaram a mostras as imagens dos jogadores no estádio do Restelo e percebi, como esperava, que não conhecia ninguém. Alguns dos meus antigos colegas continuaram a jogar, e ainda jogam hoje em dia mas, que eu soubesse, nenhum joga nos Pescadores.

Entretanto entrevistam o treinador e aí foi a surpresa… “Ah, é o Hélio” foi a minha reacção espontânea perante a entrevista do treinador… É verdade… O “Mister” Hélio foi um dos melhores treinadores que alguma vez tive. A bem dizer só tive 5 portanto a margem para comparações não é muito grande mas, de qualquer forma, do ponto de vista técnico e de capacidade de liderança registo 2 nomes: i) Hélio Santos e ii) José João (do Ginásio Clube de Corroios).

E pronto fiquei a ouvir a entrevista e percebi que continua na mesma. Uma excelente postura, um diálogo muito articulado e muitas mensagens de motivação para a equipa.

Aqui fica um abraço, provavelmente nunca verão isto, mas fica na mesma o abraço para aquele grupo fantástico dos Canários que, depois de um ano muito complicado, conseguiu dar a volta e representar ao mais alto nível o clube. O feito ao “Mister” Hélio se deve…

Xana, Ricardo, Vidrinhos, Crazy, Zé e Gil, Miguel, Fernando, Steve e Avelino… Um grande abraço ao núcleo duro da equipa.

A minha metade que me perdoe mas hoje (ou amanhã porque não sei quando é o jogo) serei dos Pescadores…

E qual foi o outro encontro??

Na mesma peça… Foi entrevistado o Sá Pinto e, em segundo plano, com o gravador na mão estava o Miguel… Um ex-colega do LACE que, pelos vistos, já conseguiu encaixar-se na sua área. O Jornalismo. Também para ele aqui fica um grande abraço.

Espero que tudo corra pelo melhor…

E pronto… Aqui fica mais um pequeno registo de pequenos acontecimentos da minha vida na terra avermelhada.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

14 de Novembro – Luanda à noite…

Desta feita pouco há a dizer…

Realço apenas que as fotografias NÃO SÃO DA MINHA AUTORIA. A marca d’água com a identificação do meu blog deve-se apenas ao facto de serem de um amigo de um colega meu que, por gentileza, me enviou.

A marca d’água pretende apenas “garantir” que estas fotografias não serão copiadas e utilizadas posteriormente referindo o meu blog como o meio divulgador.

De qualquer das formas, pela sua beleza, e porque demonstram o que é esta cidade à noite, divulgo-as aqui.

Vejam e deliciem-se…












Não é a “cidade maravilhosa” mas é, como se pode ver, uma cidade com os seus encantos.

13 de Novembro – O 3º dia muito especial

Sexta feira 13???

Não sou dado a superstições (se calhar devia, mas não sou)portanto o carácter especial não se deve a ser uma sexta-feira dia 13.

Hoje é um dia especial, acima de tudo, porque é o 3º mês que estou fora e que não partilho o dia com a minha metade. Com a distância passamos a dar valor a pequenas coisas que, quando temos, achamos pouco importantes… Faz parte de um normal e evolutivo processo de aprendizagem e maturidade…
Por impossibilidade de muito melhor fica aqui o reconhecimento da TUA importância na minha vida…

Depois desta semana intensa, pensando em ti, comecei a cantar esta música… Achei que a deveria partilhar com um grande beijinho…

11 de Novembro – A primeira ida às praias da Ilha

Hoje, quarta-feira, é feriado nacional. É o dia da Independência Nacional…

Pela primeira vez fui às praias da ilha. Até hoje tinha ido apenas às que ficam fora da cidade.

Foi uma surpresa. À nossa chegada a praia estava recheada de trabalhadores das obras. Vímos autocarros e kandongueiros à porta. Mas a partir das 10.30 o ambiente mudou completamente e aí a surpresa.

A praia foi “invadida” por famílias. Nunca imaginei que estivessem cá deslocadas tantas famílias e, sobretudo, tantas famílias com crianças pequenas.

Obviamente que já me tinha cruzado com algumas mas eram situações pontuais. Hoje percebi que não era bem assim…

Confesso que admiro a “coragem” dessas pessoas porque os serviços de saúde não são muito bons e, com crianças, os riscos aumentam mas são opções… De qualquer das formas julgo que é um sinal, ou então uma ilusão, de que o país vai criar condições para que o país se torne “um país” totalmente normal…

Essa foi a grande conclusão desta ida à praia.

10 de Novembro – Um sentimento de Deja Vú

Hoje chegou um colega novo.

Veio dar um apoio temporário numa das áreas para que se adoptem algumas metodologias globais.

Qual foi o Deja Vú?

Os sentimentos que ele transmitia. Percebi que ao chegar sentia exactamente o mesmo que eu e, o mais engraçado, é que lhe aconteceram basicamente as mesmas coisas.

A indicação de “café” no balcão da polícia que confere os documentos à entrada, as abordagens na zona das bagagens para fornecer ajuda e apoio (dentro do aeroporto e depois fora), o momento de espera dentro do carro enquanto o colega ia pagar o estacionamento… Tudo… Exactamente tudo igual.

Ele está alojado na casa onde estou e, precisamente por isso, falámos um pouco. Sei perfeitamente o que ele está a sentir porque ainda há 3 meses vivi o mesmo e, por isso mesmo, decidi aproveitar para o “tranquilizar de alguma forma”. Creio que consegui mas detectei, mais uma vez, exactamente os mesmos sentimentos. A incompreensão para o estado degradado das casas e das ruas, o receio de fazer o percurso casa/escritório sozinho e a pé…

Tudo…

Mais uma pessoa que, devido a todos os conselhos, recomendações e avisos, chega totalmente apavorado e com receio de tudo. Claro que esses conselhos são positivos. Servem para que a pessoa esteja alerta e consiga antecipar algumas situações mas depois de cá estar o nervosismo é muito…

Daqui a alguns dias certamente que ele vai ultrapassar esta fase… É isso mesmo, só uma fase…

7 de Novembro – O dia mais complicado…

Hoje foi, sem qualquer dúvida, o dia mais difícil que passei em Luanda…

Porquê???

Talvez pela distância, talvez pela incerteza do futuro e pela insegurança que isso transmite… Não sei… Foi um dia particularmente melacólico e triste…

Eventualmente será o efeito dos 3 meses ou será apenas a vontade de estar com a minha metade. Não sei…

Depois da “pré-programação” que fiz a mim próprio para 4 meses distante aproximar-se a fase das decisões. Estou certo que tomaremos as melhores porque a distância é boa conselheira e, entre muitas outras coisas, ajudou-me a identificar na perfeição o que é realmente importante…

Certamente que, “com calma”, no futuro olharemos para este momento como um degrau… Apenas…

Ao fim do dia uma de tantas recordações… Um momento especial proporcionado pela intensidade da música mas também pelo facto de ter sido uma noite de surpresas e descoberta. A garra e o sentimento que a Mariza colocou nesta música, aquando do concerto no pavilhão atlântico, vai muito para além desta mas, julgo, esta já transmite um pouco o arrepio que sentimos no concerto.

Pela emoção e pela recordação aqui fica, uma música que agora, vista à distância, tem uma intensidade muito diferente.



Para a minha metade um grande beijo.

6 de Novembro – A dura tarefa de comprar uma lembrança

É verdade.

Ainda continuo sem carro e portanto as dificuldades em movimentar-me, à medida que vou fazendo uma vida quase normal (neste caso o quase deve-se apenas à falta “da metade”;)), começam a surgir mais dificuldades…

Ontem foi aniversário da Andreia e, por toda a amizade e companheirismo que tenho recebido da parte deles, pretendo dar-lhe uma lembrança (e não uma prenda pelo significado que alguém, já longinquamente, me explicou…).

O meu objectivo inicial era uma peça de roupa. Todos os homens sabem a felicidade que é para uma mulher ter um “trapinho” novo portanto… Mas claro… Algumas dificuldades. Depois de me aconselhar com a minha metade fui aconselhado a não arriscar em calças nem sapatos. Pois bem… Avizinhava-se uma tarefa complicada…

Basicamente ando na cidade à noite, ou para ir para a diversão, ou para o futebol ou para jantar e, obviamente, nessas alturas não consigo identificar potenciais lojas.

Como tal tive que recorrer aos préstimos das colegas.

Depois de muitas indecisões e dúvidas algumas sugestões de lojas que se poderiam enquadrar no padrão que tinha definido. Foi-me ainda sugerida uma loja de lingerie com “coisas muito engraçadas”… Bom… A palavra amiga tem muito que se lhe diga… Mas perceberam que me estava a referir ao verdadeiro sentido da palavra…

Precisei então, porque ainda não tenho o carro, que me levassem a percorrer o percurso que tinha traçado. Fui com um dos estafetas que temos na empresa.

O Zé 28. Um homem muito castiço. Durante toda a viagem fomos a falar sobre a realidade deste país. Tentei ao máximo perceber coisas que desconheço sobre este país. Ouvi vivências do período da guerra, descrições de acontecimentos, acções estratégicas, etc… Fiquei também a perceber como “se organiza o país”, ou seja, quais os locais com melhor potencial de exploração de petróleo, mas também os locais onde se extraem alguns dos tipos de diamantes e os locais onde existem exploração agrícolas… Tanta e tanta coisa… Foi uma viagem muito enriquecedora…

Entretanto, após muitas filas, aproximámo-nos da primeira loja. Apesar de estarmos próximo o trânsito estava todo parado e o Zé aconselhou-me a ir a pé enquanto ele parava ali o carro em segunda fila. Assim fiz… Obviamente que com bastante receio mas, felizmente, tudo correu sem sobressaltos…

Ao chegar à loja, infelizmente, vendia apenas roupa para homens. Aproveitei para perguntar logo ali se as outras lojas onde pretendiam ir tinham roupa de senhora. Azar. A única que tinha era exactamente na outra ponta da cidade… Com o trânsito que estava não conseguiria chegar a horas.

Já no carro decidi passar ao Plano B. Um perfume. Queria agora um perfume. Nesse momento o Zé disse que então era melhor pararmos ali o carro e ele iria comigo a outra loja. Depois de mais 5 minutos a pé “a loja”. A prática era apenas um cubículo com 4 metros quadrados. Um balcão e muitos perfumes…

Numa primeira observação só conheci um dos perfumes. Era um daqueles que, sabia, não comprometia. Todos os perfumes estavam selados pelo que, sem sentir o seu aroma, estava fora de questão arriscar. De qualquer forma a rapariga lá me perguntou para que idade era. Expliquei que era para uma senhora de 30 anos e ela, com uma expressão do género “Ah, já percebi… Tenho mesmo aqui aquilo que precisa”. Procura dentro do balcão e diz-me, enquanto eu olhava para todas as caixas expostas no balcão, “aqui está o …. da Britney Spears”. Confesso que não ouvi nada… Só o “Britney Spears” me suou… Ao levantar os olhos deparo-me com uma caixa cinza na parte superior e rosa choque na parte inferior… Nem queria acreditar…

Expliquei-lhe que queria assim um bocadinho mais sóbria… Que era para uma senhora de 30 anos e não para uma menina de 18 (sem ofensa para quem, eventualmente, utilize esse perfume).

Novamente ela diz-me “então este está óptimo” e mostra-me uma caixa que dizia “Eden”. Como estava fechado perguntei “qual é o odor deste, sabe?”. Em resposta uma pérola… “É como o nome… Cheira assim como a isto da caixa.”. Bom… Neste momento desisti. A caixa tinha uma imagem que parecia retirada de um filme do tarzan (mas a cores). Cheia de folhas, plantas etc… Achei que seria melhor não perguntar mais nada e, olhando para o primeiro que vi, disse que era aquele que queria e conclui com um “vamos ver se ela gosta”.

Saímos da “loja” e regressámos ao escritório.

Duas horas e meia depois estava novamente no escritório. Julgo que não teremos percorrido 10 km…

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