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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

14 de Novembro – Luanda à noite…

Desta feita pouco há a dizer…

Realço apenas que as fotografias NÃO SÃO DA MINHA AUTORIA. A marca d’água com a identificação do meu blog deve-se apenas ao facto de serem de um amigo de um colega meu que, por gentileza, me enviou.

A marca d’água pretende apenas “garantir” que estas fotografias não serão copiadas e utilizadas posteriormente referindo o meu blog como o meio divulgador.

De qualquer das formas, pela sua beleza, e porque demonstram o que é esta cidade à noite, divulgo-as aqui.

Vejam e deliciem-se…












Não é a “cidade maravilhosa” mas é, como se pode ver, uma cidade com os seus encantos.

13 de Novembro – O 3º dia muito especial

Sexta feira 13???

Não sou dado a superstições (se calhar devia, mas não sou)portanto o carácter especial não se deve a ser uma sexta-feira dia 13.

Hoje é um dia especial, acima de tudo, porque é o 3º mês que estou fora e que não partilho o dia com a minha metade. Com a distância passamos a dar valor a pequenas coisas que, quando temos, achamos pouco importantes… Faz parte de um normal e evolutivo processo de aprendizagem e maturidade…
Por impossibilidade de muito melhor fica aqui o reconhecimento da TUA importância na minha vida…

Depois desta semana intensa, pensando em ti, comecei a cantar esta música… Achei que a deveria partilhar com um grande beijinho…

11 de Novembro – A primeira ida às praias da Ilha

Hoje, quarta-feira, é feriado nacional. É o dia da Independência Nacional…

Pela primeira vez fui às praias da ilha. Até hoje tinha ido apenas às que ficam fora da cidade.

Foi uma surpresa. À nossa chegada a praia estava recheada de trabalhadores das obras. Vímos autocarros e kandongueiros à porta. Mas a partir das 10.30 o ambiente mudou completamente e aí a surpresa.

A praia foi “invadida” por famílias. Nunca imaginei que estivessem cá deslocadas tantas famílias e, sobretudo, tantas famílias com crianças pequenas.

Obviamente que já me tinha cruzado com algumas mas eram situações pontuais. Hoje percebi que não era bem assim…

Confesso que admiro a “coragem” dessas pessoas porque os serviços de saúde não são muito bons e, com crianças, os riscos aumentam mas são opções… De qualquer das formas julgo que é um sinal, ou então uma ilusão, de que o país vai criar condições para que o país se torne “um país” totalmente normal…

Essa foi a grande conclusão desta ida à praia.

10 de Novembro – Um sentimento de Deja Vú

Hoje chegou um colega novo.

Veio dar um apoio temporário numa das áreas para que se adoptem algumas metodologias globais.

Qual foi o Deja Vú?

Os sentimentos que ele transmitia. Percebi que ao chegar sentia exactamente o mesmo que eu e, o mais engraçado, é que lhe aconteceram basicamente as mesmas coisas.

A indicação de “café” no balcão da polícia que confere os documentos à entrada, as abordagens na zona das bagagens para fornecer ajuda e apoio (dentro do aeroporto e depois fora), o momento de espera dentro do carro enquanto o colega ia pagar o estacionamento… Tudo… Exactamente tudo igual.

Ele está alojado na casa onde estou e, precisamente por isso, falámos um pouco. Sei perfeitamente o que ele está a sentir porque ainda há 3 meses vivi o mesmo e, por isso mesmo, decidi aproveitar para o “tranquilizar de alguma forma”. Creio que consegui mas detectei, mais uma vez, exactamente os mesmos sentimentos. A incompreensão para o estado degradado das casas e das ruas, o receio de fazer o percurso casa/escritório sozinho e a pé…

Tudo…

Mais uma pessoa que, devido a todos os conselhos, recomendações e avisos, chega totalmente apavorado e com receio de tudo. Claro que esses conselhos são positivos. Servem para que a pessoa esteja alerta e consiga antecipar algumas situações mas depois de cá estar o nervosismo é muito…

Daqui a alguns dias certamente que ele vai ultrapassar esta fase… É isso mesmo, só uma fase…

7 de Novembro – O dia mais complicado…

Hoje foi, sem qualquer dúvida, o dia mais difícil que passei em Luanda…

Porquê???

Talvez pela distância, talvez pela incerteza do futuro e pela insegurança que isso transmite… Não sei… Foi um dia particularmente melacólico e triste…

Eventualmente será o efeito dos 3 meses ou será apenas a vontade de estar com a minha metade. Não sei…

Depois da “pré-programação” que fiz a mim próprio para 4 meses distante aproximar-se a fase das decisões. Estou certo que tomaremos as melhores porque a distância é boa conselheira e, entre muitas outras coisas, ajudou-me a identificar na perfeição o que é realmente importante…

Certamente que, “com calma”, no futuro olharemos para este momento como um degrau… Apenas…

Ao fim do dia uma de tantas recordações… Um momento especial proporcionado pela intensidade da música mas também pelo facto de ter sido uma noite de surpresas e descoberta. A garra e o sentimento que a Mariza colocou nesta música, aquando do concerto no pavilhão atlântico, vai muito para além desta mas, julgo, esta já transmite um pouco o arrepio que sentimos no concerto.

Pela emoção e pela recordação aqui fica, uma música que agora, vista à distância, tem uma intensidade muito diferente.



Para a minha metade um grande beijo.

6 de Novembro – A dura tarefa de comprar uma lembrança

É verdade.

Ainda continuo sem carro e portanto as dificuldades em movimentar-me, à medida que vou fazendo uma vida quase normal (neste caso o quase deve-se apenas à falta “da metade”;)), começam a surgir mais dificuldades…

Ontem foi aniversário da Andreia e, por toda a amizade e companheirismo que tenho recebido da parte deles, pretendo dar-lhe uma lembrança (e não uma prenda pelo significado que alguém, já longinquamente, me explicou…).

O meu objectivo inicial era uma peça de roupa. Todos os homens sabem a felicidade que é para uma mulher ter um “trapinho” novo portanto… Mas claro… Algumas dificuldades. Depois de me aconselhar com a minha metade fui aconselhado a não arriscar em calças nem sapatos. Pois bem… Avizinhava-se uma tarefa complicada…

Basicamente ando na cidade à noite, ou para ir para a diversão, ou para o futebol ou para jantar e, obviamente, nessas alturas não consigo identificar potenciais lojas.

Como tal tive que recorrer aos préstimos das colegas.

Depois de muitas indecisões e dúvidas algumas sugestões de lojas que se poderiam enquadrar no padrão que tinha definido. Foi-me ainda sugerida uma loja de lingerie com “coisas muito engraçadas”… Bom… A palavra amiga tem muito que se lhe diga… Mas perceberam que me estava a referir ao verdadeiro sentido da palavra…

Precisei então, porque ainda não tenho o carro, que me levassem a percorrer o percurso que tinha traçado. Fui com um dos estafetas que temos na empresa.

O Zé 28. Um homem muito castiço. Durante toda a viagem fomos a falar sobre a realidade deste país. Tentei ao máximo perceber coisas que desconheço sobre este país. Ouvi vivências do período da guerra, descrições de acontecimentos, acções estratégicas, etc… Fiquei também a perceber como “se organiza o país”, ou seja, quais os locais com melhor potencial de exploração de petróleo, mas também os locais onde se extraem alguns dos tipos de diamantes e os locais onde existem exploração agrícolas… Tanta e tanta coisa… Foi uma viagem muito enriquecedora…

Entretanto, após muitas filas, aproximámo-nos da primeira loja. Apesar de estarmos próximo o trânsito estava todo parado e o Zé aconselhou-me a ir a pé enquanto ele parava ali o carro em segunda fila. Assim fiz… Obviamente que com bastante receio mas, felizmente, tudo correu sem sobressaltos…

Ao chegar à loja, infelizmente, vendia apenas roupa para homens. Aproveitei para perguntar logo ali se as outras lojas onde pretendiam ir tinham roupa de senhora. Azar. A única que tinha era exactamente na outra ponta da cidade… Com o trânsito que estava não conseguiria chegar a horas.

Já no carro decidi passar ao Plano B. Um perfume. Queria agora um perfume. Nesse momento o Zé disse que então era melhor pararmos ali o carro e ele iria comigo a outra loja. Depois de mais 5 minutos a pé “a loja”. A prática era apenas um cubículo com 4 metros quadrados. Um balcão e muitos perfumes…

Numa primeira observação só conheci um dos perfumes. Era um daqueles que, sabia, não comprometia. Todos os perfumes estavam selados pelo que, sem sentir o seu aroma, estava fora de questão arriscar. De qualquer forma a rapariga lá me perguntou para que idade era. Expliquei que era para uma senhora de 30 anos e ela, com uma expressão do género “Ah, já percebi… Tenho mesmo aqui aquilo que precisa”. Procura dentro do balcão e diz-me, enquanto eu olhava para todas as caixas expostas no balcão, “aqui está o …. da Britney Spears”. Confesso que não ouvi nada… Só o “Britney Spears” me suou… Ao levantar os olhos deparo-me com uma caixa cinza na parte superior e rosa choque na parte inferior… Nem queria acreditar…

Expliquei-lhe que queria assim um bocadinho mais sóbria… Que era para uma senhora de 30 anos e não para uma menina de 18 (sem ofensa para quem, eventualmente, utilize esse perfume).

Novamente ela diz-me “então este está óptimo” e mostra-me uma caixa que dizia “Eden”. Como estava fechado perguntei “qual é o odor deste, sabe?”. Em resposta uma pérola… “É como o nome… Cheira assim como a isto da caixa.”. Bom… Neste momento desisti. A caixa tinha uma imagem que parecia retirada de um filme do tarzan (mas a cores). Cheia de folhas, plantas etc… Achei que seria melhor não perguntar mais nada e, olhando para o primeiro que vi, disse que era aquele que queria e conclui com um “vamos ver se ela gosta”.

Saímos da “loja” e regressámos ao escritório.

Duas horas e meia depois estava novamente no escritório. Julgo que não teremos percorrido 10 km…

2 de Novembro – O regresso a Luanda

Face à distância a percorrer o objectivo era sairmos pelas 8.30. No fim de contas acabámos por sair pelas 9.30. Mulheres…

Eehehhe

Mas adiante. Como estávamos a preparar-nos para sair pelas 8.30, enquanto aguardávamos pelas pessoas que vinham na outra carrinha, fomos abastecer porque, ao contrário de todos os outros postos de abastecimento o do Lobito não tinha filas. A outra carrinha foi depois…

À saída do hotel este largo. As pessoas estavam a utilizar este largo engraçado como “sala de espera do hospital pediátrico”. Não sei se seria normal ou não. À porta do hospital viam-se macas e biombos que sugeria uma limpeza ou algo do género mas também poderia não ser… Não sei…


A “sala de espera” do hospital pediátrico

O registo da extensão de uma estrada africana. Como se pode ver, quando escrevo que “a escala é outra” é mesmo isso que quero dizer… As estradas aqui são iguais, como é óbvio, mas em tamanho XL.





Vestígios da Guerra – Antiga ponte destruída durante a guerra

Depois de cerca de 200 km’s a primeira tentativa para abastecer. A carrinha que vinha connosco em 200 km consumiu mais de metade do depósito.

Portanto, tendo em consideração o número de pessoas que rumaram ao Lobito e Benguela, tínhamos que começar desde o primeiro ponto de abastecimento a tentar encontrar combustível senão não chegaríamos a Luanda…

Aqui fica a fila do primeiro posto de abastecimento que parámos. Estávamos nesta altura no Sumbe.



Rumando a Norte parámos nas “Cachoeiras”. O termo brasileiro identifica desde logo a atracção do local… Quedas de água no Rio Keve… Aqui ficam as fotografias.


Vista geral das Cachoeiras

Já na zona das próprias quedas de água a surpresa. O caudal e a velocidade da água eram muito superiores ao que esperava encontrar. Algumas das fotografias do local


Identificação da ponte

Lavagem de carros e motas, lavagem de roupa e divertimento são algumas das actividades no “lago” que antecede as Cachoeiras.








A antiga ponte. Também ela com evidências da guerra…

Depois de uma passagem num posto de abastecimento de estrada em que, rapidamente, fomos avisados que não existia combustível teríamos que esperar a abastecer. Chegados a Porto Amboim era hora de abastecer… E assim foi, ficámos cerca de 45 minutos a aguardar para abastecer. As filas??? São isto…





Sim… A fila da direita e a fila da esquerda são para abastecer. Uma de gasóleo e outra de gasolina…

Enquanto aguardávamos para abastecer algumas fotografias que representam a realidade Angolana.

Um grupo de mulheres, aproveitando as filas, tentam vender uma série de produtos. O peixe seco, amendoins e muito mais. Realmente estranho há só algo fumado que parece coelho (ou rato).

E mais??? Veja-se a fotografia e perceba-se a naturalidade com que se fazem coisas em África que, noutros locais, jamais se fariam na rua quanto mais com um alguidar sobre a cabeça…



Ao pormenor...
     

Outras fotografias…




O resultado de um acidente que passámos.



Já mais próximo de Luanda o inimaginável. Uma pessoa a dormir na caixa de uma pick-up quanto se viaja a 150 km/h??? Hum… Parece-me um pouco arriscado mas não há problema… O senhor ia bem agarrado ao ferro que protegia o óculo traseiro da cabine.

eheheheheh






O resultado de outro acidente…

Depois de tantos quilómetros o caos à entrada da cidade. Demorámos cerca de 2 horas para percorrer 15 km…

Depois de sair às 9.30 do Lobito, de fazer o desvio e parar nas Cachoeiras durante 1 hora e estar parado cerca de 45 minutos para abastecer em Porto Amboim, percorridos 500 km, chegámos a casa pelas 19.30.

Outra realidade…

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