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domingo, 15 de novembro de 2009

18 de Outubro – O Balanço dos 2 primeiros meses

Bom… Felizmente o balanço dos dois primeiros meses continua a ser positivo. A integração e adaptação está a revelar-se mais fácil do que pensei à partida.

Claro que este sentimento de adaptação integral é interrompido pela ausência da minha metade. Tudo teria um prazer diferente se fosse partilhado em conjunto mas em breve essa situação resolver-se-á. De qualquer forma estou quase certo que os nossos objectivos se vão cumprir. Será apenas uma questão de tempo…

A distância tem sido vencida com alguma facilidade com recurso às novas tecnologias. Apesar das dificuldades no sinal de internet tem sido possível um contacto regular.

Tirando os 8.000 km estamos quase juntos… ehehhheheh Um beijinho para ti…

Mas agora, e por isso escrevo este texto hoje e não no dia em que efectivamente passam 2 meses da minha chegada, leio um texto que demonstra a enorme curiosidade e expectativa que os Portugueses têm em relação a esta terra que, quando a mim, revela aquilo que designo de “Mística Africana”… Para além disso, revela ainda um sentimento que começo a perceber, felizmente ainda sem estar “assolado” com qualquer sentimento nostálgico. Um sentimento que temos ao entrar em contacto com a cultura do nosso país porque, estando longe dele durante algum tempo, há pequenas formas de ligação que nos fazem quase sentir em casa.

Identifico totalmente o “sentimento de proximidade”, dos Portugueses em relação a Angola porque foi o que senti ao chegar. Salvo as devidas, e enormes, diferenças a integração torna-se mais fácil devido à “proximidade cultural” que existe em todos os locais deste país.

Apesar de ter passado pela experiência, ao ler este texto percebi aquela “Mística Africana” que tanto se sente quando se fala com pessoas que tiveram um passado ligado a África… Algo que nunca tinha percebido. Não sinto, pelo menos para já, essa mesma mística mas começo a perceber as descrições e as emoções de quem as viveu noutra época…

O que leio?

Um livro de Gonçalo Cadilhe de título “África Acima”. Não me recordo se já fiz ou não uma breve referência à minha leitura desse livro mas, porque certamente nunca abordei o seu conteúdo, digo agora que se trata da compilação de textos escritos semanalmente para o Expresso. Esses textos relatam a viagem com partida no Cabo da Boa Esperança em direcção ao Estreito de Gibraltar, África acima bem se vê, tendo como grande objectivo (para além do facto de partir e chegar de saúde) fazer o percurso sentindo a vivência local e, para isso, escolheu fazer a viagem a pé.

Qual é o texto?

“Mas o Lubango será ara mim uma viagem no tempo, e a primeira etapa dessa viagem é a adolescência. Não a que vivi quando era a minha altura de a viver, mas a que estou a viver agora – porque me passa o sono, e a energia alegre substitui o cansaço quando chego ao Lugbngo. Uma energia adolescente.

Apetece-me devorar o centro desta cidade. Caminhar por todas as calçadas portuguesas, tomar um café em todos os cafés que apresentam o triângulo Delta pendurado por cima da porta, comprar carcaças e papo-secos em todas as mercearias e minimercados que se chamem “Tio Patinhas”, “Silva & Silva”, “Elite”, “Benfica”, pedir o prato do dia em qualquer tasca que proponha “prego no prato” e “bacalhau com todos”.

Estas banalidades que me estão a emocionar têm que ser postas em perspectiva: ando a viajar há várias semanas por África, e de repente chego a casa sem sair de África. “Vá para fora cá dentro” podia ser o slogan desta cidade se ela se quisesse promover turisticamente em Portugal..

A segunda etapa da viagem no tempo é a infância – a minha. Desta vez, regresso efectivamente aos anos da escola primária quando vejo a fachada das escolas primárias da antiga cidade de Sá da Bandeira. E as outras fachadas: o hospital, o grande hotel, o prédio da cooperativa, o Palácio de Justiça … São as fachadas que vigoravam nas cidades portuguesas da minha infância, e o Lubango é uma cidade ancorada em 1975 …”

De facto, neste momento, julgo que Angola é exactamente o Portugal de 1975. Alias, pelo que vou vendo e ouvindo, nessa altura Angola estaria muito mais desenvolvida em diversos aspectos e, quem cá vivia, tinha uma qualidade de vida bem superior…

Em breve irei fazer uma viagem longa e conhecerei outros locais. Confesso que estou bastante curioso para perceber qual ainda é o impacto dos Portugueses nesta terra. Penso que muito mas terei oportunidade de confirmar…

domingo, 8 de novembro de 2009

18 de Outubro – Barra do Dande

Mais um novo local...

Depois de um fim-de-semana (quase) de repouso absoluto hoje fui conhecer uma nova praia. Mas comecemos pelo dia de ontem...

De manhã (até cerca das 14.30h) tivemos uma reunião geral no nosso estaleiro. Desde a Direcção geral da empresa até aos encarregados. O objectivo era fazer um brainstorming para recolher opiniões sobre coisas que, na opinião de cada um, pudessem ser melhoradas (onde se incluem desde as condições sociais até aos procedimentos da empresa).

Pelas 15 horas cheguei a casa e deitei-me, queria eu, um bocadinho... Na realidade acordei por volta das 20 horas.

Depois de jantar e de namorar até perto das 23 horas deitei-me e acordei pelas 6.30 da manhã a pensar que já tinha passado a hora que tinha combinado com o Ludgero e com a Andreia (+- 8 horas).

Acho que desde a minha 2ª ou 3ª semana que não acordava tanto tempo antes do que era necessário...

Voltando ao dia de hoje...
Conheci uma nova zona da cidade... A zona das refinarias. É, provavelmente, a zona mais feia de toda a cidade. Para além de tudo aquilo que já referi (estradas esburacadas etc etc etc) nesta zona existem muitos camiões (a grande maioria também em muito mau estado), algumas das paredes dos edifícios contíguos à estrada estão bastante degradadas, existe imenso lixo na rua... Creio que é mesmo a zona mais feia da cidade....

Passando essa zona algo incrível... Um Musseque (bairro de lata e não um local como "define" a Wikipedia - Musseques is small town in Angola that is also a suburb of the capital Luanda) que se desenvolvia a vários níveis em que os taludes (ou ribanceiras para ser mais genérico) estavam cobertos de lixo... Cobertos no seu sentido literal... O lixo assumia a cobertura (não vegetal obviamente) da terra. Imagine-se a terra avermelhada totalmente coberta de lixo de diversos tipos, tons, cores e texturas. Não fosse lixo e até era uma paisagem muito interessante...

As fotografias terão que ficar para mais tarde porque a pessoa que eu julgava que me traria a máquina ainda aguarda a assinatura de um contrato entre as empresas portanto, desconfio, antes de Dezembro não conseguirei ter cá a minha máquina fotográfica...

Um pouco mais à frente algo que ainda não tinha visto. Junto à estrada muitos alguidares e outros recipientes (também eles a fazerem um belo efeito cromático). Explicou-me quem sabe que são as pessoas do Musseque que colocam ali os recipientes para serem enchidos por um camião cisterna que passa e, a troco de algum (obviamente que pouco) dinheiro, levam a água para algumas pessoas que podem pagar esse "pequeno luxo" (o de ter alguém que lhe traga água pelo musseque acima...).

Todo o resto do percurso inicial (ainda no perímetro urbano) bom... Apesar de ser um perímetro urbano percebia-se, perfeitamente, que já se estava a sair da cidade. A envolvente (ou entorno como alguém que eu conheço diria) era mais rural. A estrada, mais uma, está em obras e por isso o trânsito tornou-se bastante lento.

O restante caminho é semelhante ao caminho que descrevi para CaboLedo. Alguns embondeiros, solo árido, por vezes cinza, outras avermelhado… Mais do mesmo…

A praia… Bom a praia é um local tranquilo e muito agradável. Existe um complexo turístico muito bem cuidado e fomos para essa praia. O aspecto é este…


Fonte: http://www.angolabelazebelo.com/

28 de Setembro – Porque é que será que não tinha internet?

Bom…

Depois de mais um fim-de-semana em que tive que utilizar a sala, comum, para conseguir aceder à internet não desisti enquanto o meu colega não me garantiu que vinha cá a casa ver o que é que se estava a passar…

Ao fim da tarde veio cá e imagine-se lá o motivo pelo qual o router que estava à porta do quarto tinha sinal mas não dava acesso à internet.

A equipa, que falei no dia 24, colocou o cabo que vai desde a zona em que entra a internet em até ao router que está à porta do meu quarto mas, vá-se lá saber porque, deixou a ponta do cabo desligado.. Ou seja, o que se apanhava no quarto era o sinal que o router estava activo (porque estava ligado à corrente e estava pronto a funcionar) mas ele não tinha ligação à internet…

Incrível não é? Pois… Mais incrível ainda quando, depois de concluída a instalação, perguntei ao meu colega para que era a ponta do cabo que não estava ligado a lado nenhum e, confirmado com o chefe de equipa que cá veio, ele lhe disse que é para se depois for necessário outro cabo… Que tinham deixado tudo montado e estava pronto a funcionar…

Palavras para quê?

Há coisa que, por muito que se abordem, não se conseguem compreender…

24 de Setembro – Finalmente net em casa… ou não…

De manhã, ao sair de casa, tive um agradável surpresa…

Cá estava uma equipa de pessoas, literalmente porque eram 4, para concluir a instalação da internet na zona perto do meu quarto.

Depois de muitos dias sem net e com grandes dificuldades na ligação, situação que só se resolvia quando ia para a sala da casa e, inexplicavelmente, ligava o cabo ao computador (quando havia a 3 metros de mim um router wireless), aí estava a resolução do problema.

Ou não…

Hoje é quinta-feira, e como tem vindo a ser hábito, dia de futebol. Depois de muito ter chateado o colega que gere a parte da electrotecnia e que, há falta de alguém com essas funções, dá também uma perninha em tudo o que está relacionado com a informática finalmente fui compreendido…

Ele e outro colega não tinham água em casa e, portanto, perguntaram se depois do futebol poderiam vir tomas banho num dos quartos que está vazio.

Obviamente que não haveria nenhum problema por isso e, uma vez que imediatamente antes do futebol tinha tentado e não tinha acesso através do Router que tinha sido instalado, aproveitei para que o Licínio tentasse perceber o que se passava…

Era simples… Mais uma vez o modem está a cerca de 2 metros da entrada do quarto e internet está abaixo do Mbps. Isso faz com que não se consiga utilizar todo o software necessário para manter uma conversação normal com alguém que está longe (como família, namorada e amigos).

Mas, apesar de achar que vou passar um fim-de-semana sem internet, creio que foi positivo porque para a semana terei a ligação directa para o meu quarto e aí sim, poderei falar com quem quero à vontade.

Pois… Já passou um mês e quase uma semana e ainda não consigo ter internet em condições… É por isso que digo que é uma realidade diferente e, por vezes, difícil de compreender…

20 de Setembro – O balanço do primeiro mês

Pois é… Já se passou um mês…

Precisamente por isso aqui fica o meu balanço destes “primeiros 30 dias”.
Agora percebo as “dicas” do Ludgero… O Rádio e a lanterna (a pilhas)…

Frequentemente o fornecimento de energia eléctrica é interrompido e quem não tem geradores, em todas essas circunstâncias, fica privado desse, que agora considero, bem essencial…

Esta experiência, para além de muitas outras coisas, também tem essa mais-valia. Está a servir para perceber que muitas das coisas que, por exemplo em Portugal, damos como adquiridas noutros locais pura e simplesmente não existem… É óbvio que eu tinha noção que essa era a realidade (por isso existem países desenvolvidos, em vias de desenvolvimento e os do 3º mundo) mas associava sempre essa realidade a países com economias inexistentes… Pensei que num país onde existe tanto investimento já se tivesse investido o suficiente nas “infra-estruturas básicas” para a população… Desprezei o facto do conceito de “investimento” e “economia” aqui, assumirem contextos distintos do meu padrão… Mais uma vez o meu pensamento desenquadrado da realidade Africana…

Quanto ao resto nada de excessivamente anormal… O enquadramento na equipa está a dar-se duma forma pacífica e positiva, a casa onde estou alojado (tirando o facto do meu quarto ser num anexo) está arranjada e equipada como se de uma casa portuguesa se tratasse, no escritório existe tudo aquilo que existe num escritório em Portugal (apesar de antes de chegar pensar que teríamos, por exemplo, apenas uma impressora para 15 pessoas) e toda a restante vida não é assim tão diferente de qualquer vida em Portugal.

Obviamente que existem alguns condicionamentos a que não estamos habituados em Portugal como a quase inexistência de eventos culturais, como o sentimento de insegurança que as pessoas sentem (apesar de nunca ter presenciado nenhuma situação que me deixasse receoso), como o tempo que se perde em viagens na cidade (quem o tem que fazer obviamente) etc etc etc. Mas, como em quase tudo na vida, existe também o outro prato da balança. A troca cultural. Aquilo que podemos beber da cultura local e guardar para a nossa vida.

Por exemplo… As pessoas vivem com algumas dificuldades financeiras mas não é por isso que deixam de ser simpáticas nem deixam de aproveitar o pouco que a vida lhes pode proporcionar. Um pouco ao estilo brasileiro, que eu e a Patrícia sentimos em Arraia D’Ajuda, em que a vida é vivida dia-a-dia e que contrapõe com todos os objectivos que traçamos, as ambições que temos, o valor que damos a tantas coisas que, bem vistas as coisas, se calhar, não passam de coisas superficiais…

Outro exemplo… Os meninos poucos brinquedos têm mas não é por isso que deixam de brincar… Andam na rua, correm, brincam, divertem-se e divertem-se com o pouco que têm… São felizes à maneira deles… Sinceramente, entre este extremo e o da nossa sociedade não sei qual é o mais correcto… Claro que acho que esta realidade representa um extremo sub-aproveitado e não acho que as crianças portuguesas devessem viver esta realidade mas, por outro lado, os jovens fechados em casa por causa dos computadores e dos jogos de vídeo… É certo que muitas dessas coisas potenciam algumas capacidades deles mas ao mesmo tempo é, certamente, muito limitador do nível de vivência… Na minha opinião torna-se numa forma de vida muito individualista e virtual que lhe confere alguma superficialidade.

É só uma opinião…

Mas voltando ao balanço do primeiro mês em Angola…

Só existe um factor que faz com que a avaliação não seja totalmente positiva… A ausência da Patrícia… Começo a achar que, quando estivermos aqui juntos, a experiência se poderá tornar efectivamente positiva porque poderemos conhecer melhor as zonas mais rurais deste país… Poderemos visitar todos os locais de referência, com o tempo vou-me apercebendo que afinal também os existem por cá, que representam toda a grandiosidade deste continente. Provavelmente são esses locais que dão a tal mística que tanto ouvimos os Portugueses falar… Não sei veremos… Fica porém a certeza que se cá estivéssemos juntos o primeiro mês teria sido totalmente positivo…

Ao fim deste primeiro mês percebo também a relevância de algo a que, em Portugal, pouco interesse me provocava.

A televisão… É algo difícil de explicar mas o simples facto de chegar a casa, ligar a televisão, ouvir falar português e ver caras conhecidas, ouvir notícias relacionadas com a realidade que estamos habituados é algo que tenho alguma dificuldade em explicar…

É uma sensação de aconchego… Dá-nos uma sensação de proximidade e de actualidade… Por outro lado provoca o normal atraso na integração porque acabamos por sentir que somos estrangeiros e que, estando em casa, estamos fora deste país… Não vivemos o nosso contexto mas de qualquer forma é um sentimento muito engraçado.

Bom… Tinha como objectivo começar a escrever textos mais curtos para que se tornassem mais atractivos e cativantes… Para já objectivo não cumprido…

No fundo um resumo… Balanço do primeiro mês e expectativas para os próximos?

Existem uma série de “pormenores”, que daqui a algum tempo se podem revelar “pormaiores”, mas, à data de hoje, o balanço deste primeiro mês é claramente mais positivo do que pensava que poderia ser..

Espero que assim continue e que em breve esteja “completo” nesta terra avermelhada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

13 de Setembro – Um dia particularmente especial

Hoje é um dia particularmente especial.

Faz hoje 2 anos e 8 meses que sou feliz ao lado da minha metade. Provavelmente muitos acharão “piegas” mas este foi o primeiro dia 13 que passámos realmente separados… Obviamente que já passámos outros dias 13 separados mas era uma questão temporal… No dia anterior ou no dia posterior estivemos ou iríamos estar juntos.

Neste caso, pelo motivo óbvio, isso não aconteceu…

Portanto passámos a tarde a “namorar”. Foi muito bom porque foi, digamos, um recarregar baterias. Depois do primeiro impacto com a chegada é bom sentir o carinho, e acarinhar, a pessoa que amamos.

Um bjinho, com saudades, muito grande e especial para ti.

12 de Setembro – Dia da Pesca

É verdade…

A grande surpresa??? Fotografias… Este será o primeiro post que terá fotografias (tiradas por mim) a partilhar a minha vivência nesta terra…

Hoje foi o primeiro dia em que fiz pesca na minha vida. Quem diria… Algo que em Portugal não me provocava qualquer tipo de interesse por achar que é demasiado parado… Hoje aderi e gostei…

Depois dum convite feito ontem por um colega eu e outros dois aceitámos ir hoje à pesca. A condição fundamental era levar umas sandes e umas bebidas. Negócio fechado!!!

Às 6.30horas viriam buscar-me. A “aventura” começou desde que acordei porque tinha ficado sem bateria no telemóvel e o carregador estava no escritório… Às 6.30h estava despachado mas às 6.55 ainda nem sinal da minha boleia… Como o segurança normalmente está a dormir pensei que a boleia pudesse ter passado e, porque não tinha visto ninguém acordado nem me tinha conseguido ligar, se tinha ido embora. Decidi ficar mais algum tempo à espera e, pelas 7.05, chegou a boleia…

Fui o último a ser recolhido e no carro o ambiente era, como eu esperava, de alegria e boa disposição.

Adivinhava-se um dia agradável…

Depois de entrar no barco e de fazer o percurso necessário chegámos ao nosso primeiro ponto. Pelo caminho vimos “cascas de noz” com 6 e 7 pessoas… Vimos, longe de terra, pequenos barcos sem motor em que os seus ocupantes (1 ou 2 pessoas) utilizavam pagaias e paus para “remarem” até onde pretendiam...

Chegados ao primeiro ponto a primeira explicação… Estávamos num local de pesca ao choco. Depois da explicação da metodologia, que não ensino (eheheheehheeh), a passagem à prática. Depois de colocar e retirar o fio o primeiro acontecimento… Vinte minutos a desembrulhar o fio… O olhar concentrado para o desenlear deixou-me um pouco “mareado” mas sem reacção, felizmente…

Mudámos de local. Fiz então o meu segundo lançamento e pouco depois um puxão… Sorri e fiz questão de dar sinal da minha sorte de principiante. O Nuno, o verdadeiro pescador, aproximou-se e deu as indicações básicas… Era necessário ter calma a puxar o fio para, dessa forma, não perder o choco… Passado pouco tempo ali estava o meu primeiro choco!!!

Festa no barco porque, para além de estreante fui também o primeiro a conseguir apanhar um peixe… Como era relativamente pequeno, quando comparado com outros que existem nestas águas, decidi mandá-lo à água… Mas não foi apenas o meu lado sentimental a falar, confesso. Era uma desculpa para, caso o dia não corresse muito bem, eu puder dizer que “apanhámos muita coisa” mas como eram pequenos mandámos ao mar… eheheeheh

Vendo que o choco não estava a querer nada connosco mudámos de objectivo… Agora pretendíamos Pargos.


A caminho dos Pargos…



Um dos Pargos

Originei novamente mais um motivo de alegria total no barco porque, pelos vistos, eu percebia daquilo. Tinha acabado de pescar o primeiro Pargo da tripulação… Frisei que não seria nada mais do que “sorte de principiante”. De facto veio a verificar-se que foi mesmo sorte de principiante porque durante todo o resto do dia não pesquei mais nada e, para o barco, “saltaram mais quatro Pargos”.

Durante todo o dia o saldo foi positivo porque ainda tentámos apanhar Barracudas. Quer dizer… Na realidade não tentámos, na realidade conseguimos, mas como eram pequenas (e garanto que não estou a utilizar a técnica que pensei utilizar quando apanhei o choco) libertámos as quatro. Para a contabilização total fica ainda uma Raia que libertámos… Ou seja, fomos uns verdadeiros pescadores!!!

Foi ainda mais positivo porque, como em tudo aquilo que se faz nesta terra, conseguimos perceber a arte e engenho deste povo… De qualquer coisa se faz um brinquedo, uma ferramenta, um utensílio ou o que quer que seja… Basta necessitar…






Para além da boa disposição e do dia bem passado ficam ainda para mais tarde recordar dois momentos muito particulares… Momentos em que ficámos enleados nas redes de pescadores que estavam colocadas sem qualquer tipo de bóia… Uma delas obrigou-nos a saltar para a água e retirar os fios de pesca enleados no motor. Imagine-se a aventura… Tivemos ainda que cortar uns pedaços da rede de pesca e sempre com receio que surgisse um barco de pescadores enfurecidos. Felizmente não…

À noite o culminar do excelente dia… Uma bela e calma refeição, em casa de um dos colegas, com os peixes que apanhámos… Um ambiente muito tranquilo e familiar. Depois do dia da agitação do barco foi muito agradável conhecer o pai do Nuno. Foi um bocado muito bem passado a ouvir histórias sobre esta terra avermelhada…

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