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terça-feira, 19 de outubro de 2010

28 de Agosto – We believe We can Fly - Força Angola

A vinda do R. Kelly a Angola estava rodeada de polémica, envolvendo duas produtoras de eventos, a Step, da Karina Barbosa, e a Casablanca, do Rikinho.

Polémicas à parte, os bilhetes já os tínhamos em casa, guardadinhos para o grande dia! Por diversas razões, comprámos os bilhetes para o espectáculo promovido pela Step em conjunto com a Unitel, o qual tinha por objectivo transmitir uma mensagem de apoio à selecção angolana de basquetebol que ia competir no Mundial da Turquia, daí o nome escolhido pelos organizadores: Força Angola!

A noite prometia! Não só iríamos ver aquele que tinha sido considerado, nos seus tempos áureos, o rei do Hip Hop, como poderíamos ver um conjunto de bons artistas nacionais, nomeadamente, Pérola, Big Nelo e Armi Squad.

Eu, có-reporter, tinha andado a semana a cantarolar as músicas do R. Kelly e da Pérola e, chegados a Sábado, o entusiasmo ia aumentando progressivamente. Ao longo do dia a agitação e os preparativos na zona envolvente ao estádio dos Coqueiros ia aumentando, e por via dos mesmos fomos mais cedo para lá. Conforme seria de esperar para um evento destes, tudo estava extremamente bem organizado e foi com muita facilidade que nos dirigimos à bancada, não sem antes solicitar a t-shirt do evento, laranja, a cor da Unitel, e com a mensagem adjacente: Força Angola!

Como bons espectadores que somos vestimos a camisola, afinal de contas estávamos ali para apoiar! A maioria fez o mesmo criando um efeito de uma imensa onda laranja em todo o estádio, da qual fazíamos parte!

And... let the show begin...

Armi abriu o espectáculo, com uma equipa de peso, literal e não literalmente, fazendo animar o público e trouxe a primeira surpresa da noite, Yuri da Cunha, que deu um cheirinho da sua música bem ritmada. Depois veio o Big Nelo levando o público feminino a suspirar cada vez que levantava a t-shirt e mostrava o 6 pack  Mas surpresa para mim foi quando cantou o seu hino, como lhe intitulou, em que todas as gerações presentes entoaram o Karga de fio a pavio, sem se perderem, sem se enganarem numa única palavra da canção! Gostando ou não, é impossível ficar indiferente àquela energia gerada! O Big Nelo trouxe ainda dois convidados, os Kuduristas Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro, que arrancaram muita risada de todos os presentes.

Por último, no âmbito dos artistas nacionais, a Pérola, linda como sempre, cantou todos os hits do seu álbum mais recente que guardo religiosamente. Estas eu e o repórter já sabíamos e cantámos com os demais :)

Depois da Pérola terminar a sua actuação houve um pequeno compasso de espera e eis que entra o R. Kelly, igual a si mesmo, sem pretenciosismos, sem acessos de estrela, próximo dos presentes, dando início à actuação com uma rapsódia dos seus raps mais conhecidos enquanto nos dirigia incentivos “Everybody make some noise!!!!”, levando os presentes ao delírio.

Pelo meio houve muitas baladas a deixar antever a forma como iria terminar o concerto, com aquela canção que era também o seu hino e o de muita gente por este mundo fora.

Quando começaram a ser tocados os primeiros acordes, houve uma onda de emoção que nos percorreu a todos sem excepção, e todos acreditámos durante aqueles minutos que era possível voar, voar para longe, sobretudo junto daqueles que amamos. Estou certa que não foi só naqueles minutos que acreditámos, mas durante muito mais tempo... espero sinceramente que continuemos todos a acreditar! O R. Kelly contribuiu para isso e nós agradecemos da melhor maneira que podíamos, cantando a céu aberto todos os versos da canção. Creio que de certa forma a resposta acabou por o surpreender, parando de cantar para nos ouvir e cruzando as mãos sobre o peito, inclinando-se para o público em jeito de agradecimento, abanando ligeiramente a cabeça alternando entre o incrédulo e o emocionado.

Aqueles minutos em que eu e o repórter nos abraçámos, ouvimos e cantámos que era possível voar, pareceram eternos mas, mais importante que isso, deram-nos um banho de força e energia, não sendo todos os dias que nos sentimos assim longe de casa.

Momentos como este são para preservar nas nossas memórias e nos nossos corações.

E para que não o esqueçamos, aqui fica o registo para podermos continuar a acreditar que somos capazes de voar....

sábado, 22 de maio de 2010

12 de Abril – Deambulando por outros Blog’s II

Atingido o sétimo mês de vivência no país da Terra Avermelhada, voltei a perder-me nas pesquisas de outras opiniões na internet... Durante estes últimos meses tenho disponibilizado link’s de blogues ou sites que considero interessantes como um todo.

Agora queria algo mais… Queria sentir o que se escreve desta terra… E o primeiro resultado desta pesquisa foi, para mim, muito interessante:

LUANDA, DIA 1
A primeira imagem de Luanda é de poeira suspensa. Da janela do avião, o aeroporto 4 de fevereiro é uma ilha de asfalto cercada por musseques. As casas das favelas são de madeira, metal. Pedras de diversos tamanhos são colocadas sobre as telhas para impedir que sejam carregadas pelas ventanias. O fenômeno repete-se em toda área pobre da cidade.

Carcaças de antigos aviões militares espalham-se pelas pistas secundárias do aeroporto. No desembarque, muita confusão. Apesar de placas indicarem a existência de filas específicas para diplomatas, cidadãos dos países de língua portuguesa, nacionais etc., ninguém respeita as indicações. Procura-se a fila aparentemente mais curta e pronto. Antes disso, é necessário conseguir o formulário de imigração para ser preenchido.

O documento não é distribuído durante o vôo, o que facilitaria a vida de todos. Os passageiros encurralam os dois únicos funcionários angolanos que distribuem o formulário apenas depois que os visitantes mostram o cartão com a vacina contra febre amarela em dia. Difícil entender por que não se exige a comprovação no embarque.

No trajeto do aeroporto até a cidade, mais poeira. Ruas sujas. Prédios detonados. Vendedores ambulantes. Gente à toa. Vigias fardados dormem sentados em cadeiras plásticas em frente a prédios e casas. O trânsito flui. Afinal, é domingo, sete da manhã.

Depois de um breve descanso, algumas compras na Casa dos Frescos, supermercado frequentado basicamente por estrangeiros e angolanos ricos. Coisa pouca, o suficiente para alguns lanches em casa. Tudo caro: biscoito, molho de tomate, queijo, sabonete líquido, ervilhas, manteiga, pão de forma, iogurte. Valor: 17.831,80 kwanzas. Ou US$ 237. Ou R$ 426,50. Cotação do dia: US$ 1 = 75 kwanzas.

Tentativa de almoço na ilha. Mais musseques pelo caminho.

Seguranças dos restaurantes portam fuzis russos AK-47. Sensação desagradável. Será que damos gasosa? Bom, sou adepto da política de que jamais se deve negar uma gorjeta a uma pessoa que carrega um AK-47.

Restaurante lotado. Vamos para outro. Na rua, seis jovens em três vespas quase batem no carro em que estamos. Um deles dá um soco na lateral do veículo.

No restaurante Portugália, mais jovens querem vigiar o carro, lavar o carro, dinheiro. Quando vamos sair, eles estão com as caras grudadas no vidro traseiro do carro, de olho nas compras. Chamam as mulheres brancas de madrinha. Saímos rápido. O primeiro dia em Angola é tenso.

quarta-feira, 3 de março de 2010

23 de Janeiro – “Por minha conta” no trânsito Luandense

Pelo segundo fim-de-semana consecutivo (desde que estou em Angola) tive direito a carro. O meu novo superior hierárquico compreendeu (e tem essa autonomia) que Luanda sem carro é uma prisão. Tal como disse várias vezes, tive a sorte de ter cá um casal amigo, e de ter feito cá um amigo, que fizeram com que eu nunca sentisse a casa como “uma prisão” mas, não fossem eles, e teria-o sentido por diversas vezes... A eles o meu muito obrigado!!!

No primeiro fim-de-semana o meu carro era um Nissan Micra e neste? Um Chevrolet Spark. Não conhecem? Eu também nunca tinha visto. Eu diria que é o carro ideal para Lisboa (porque é pequenino e não é um smart) mas em Luanda, com as crateras e lombas que existem... Mas pronto.... Ficará para sempre na minha memoria afinal de contas foi o carro mais pequeno que já conduzi mas, também, foi o primeiro carro com mudanças automáticas que eu já conduzi... É verdade...

Bom.. Pela manhã fui par ao escritório. O Celso pediu-me boleia para ir buscar as chaves do carro dele que ele tinha deixado noutro carro na noite anterior e... Aí estava a minha primeira e verdadeira viagem por Luanda... Teríamos que ir a sítios por onde ainda não tinha conduzido e, a parte mais engraçada, é que ele apesar de estar cá há já um ano também não conhece muito bem os percursos... Escusado será dizer que demorámos mais de uma hora a fazer um percurso que poderíamos ter feito em 20 minutos. E depois??? Foi muito engraçado porque íamos divertidíssimos enquanto nos perdíamos e voltávamos a encontrar o trilho certo...

No regresso ao escritório uma reflexão... Ambos achamos que, caso a estabilidade politica se mantenha, dentro de 4 ou 5 anos Luanda poderá ser uma cidade com um elevado nível de vida. Basta que alguns dos princípios elementares da sociedade mudem e, obviamente, que a estabilidade politica o permita. Fica aqui a nossa opinião...

E a aventura no trânsito Luandense? Foi a primeira... Venham as próximas...

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