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sábado, 22 de maio de 2010

25 de Março – Uma lista de compras…

Chegados a casa a “senhora” disse-nos que tinha feito uma lista para as compras do dia seguinte. Fomos verificar e registamos com agrado a preocupação e empenho dela…

Este era o seu contributo para as compras do dia seguinte. E a isto pouco mais havia a adicionar.

;)

segunda-feira, 15 de março de 2010

17 de Fevereiro - Uma ida ao fotógrafo e uma nova perspectiva da Baixa de Luanda

Depois de algumas tarefas pelo arranque da manhã a saída pelas 8.30.
Esgotadas as duas fotografias extra que tinha, no processo da carta de condução, necessitava de outra.

Por mero acaso apercebi-me que outro colega iria hoje tirar fotografias para o passaporte, porque possui dupla nacionalidade, e lá fui com ele. O percurso.. Bom quanto ao percurso não me quero tornar repetitivo... Mesmo dentro da cidade passámos por estradas em mau estado e o trânsito era imenso. A viagem demorou apenas 25 minutos porque o nosso "motorista" conhece a cidade como a palma da mão e, por isso mesmo, fizemos todo o corta-mato possível...

Pelo caminho vimos ainda 2 batedores a abrir caminho a um todo-o-terreno do Corpo Diplomático Americano (provavelmente com o grupo que está em Luanda para tentar a paz na zona dos Grandes Lagos) passámos por ruas da Baixa, para mim, totalmente desconhecidas e parámos em frente à loja de fotografia.

À entrada, depois de dizer o que pretendíamos, pagámos logo 900 Kuanzas (qualquer coisa como 9 USD's). Depois de esperar 3 ou 4 minutos o meu colega foi chamado para tirar as fotografias. Enquanto esperava acabei por perceber porque é que fomos ali... Era um sítio, com cerca de 12m2, já mais oganizado e com produtos de qualidade. Vi ainda porque é que estava o espaço estava totalmente cheio... É das poucas lojas que "cumpre os requisitos" de alguns organismos oficiais e, por isso mesmo, a clientela é muita... Estava um papel afixado com as dimensões das fotografias tipo passe para, por exemplo, as embaixadas Americana, Inglesa e Brasileira...

Entretanto chegou a minha vez. Percebi que estava, literalmente, a ir para um "vão de escada" em que "a porta era uma cortina".

Quando entrei, não sei porquê, esperava ver o fotógrafo de frente e, só depois de dar dois passos naquele espaço, que dava para poucos mais, é que olhei para a minha esquerda. Nesse momento fui atacado por uma enorme vontade de rir. Tive que fazer algum esforço para me conter. Porquê? Sobre o tripé preto, com aspecto robusto e profissional, estava uma máquina digital prateada que era dos modelos iniciais de máquinas digitais. A melhor comparação que consigo encontrar são aquelas máquinas digitais que a HP lançou no inicio da "massificação" das máquinas digitais. Aqui fica uma fotografia do tipo de máquinas que estou a falar para se perceber o caricato da situação.

Depois de tirada a fotografia juntei-me então ao meu colega para esperarmos pela impressão porque a entrega era imediata... Nesse momento percebi que a passagem "máquina fotográfica - impressora" era feita através de um rapaz.. Ou seja... Depois de tirada a fotografia, um "estafeta" pegava no cartão e levava à impressora. Depois de impressas eram cortadas e entregues aos clientes neste "embrulho".



No percurso até ao fotógrafo descobri uma nova baixa de Luanda. Infelizmente danificada e mal conservada, como quase todo o resto do edificado em Angola mas, uma zona com uma arquitectura lindissima...

Percebi então o que poderia ser Lisboa e outras cidades Portuguesas se as autarquias tivessem colocado travões a alguns agentes imobiliários que queriam apenas criar mais e novos edificios para, assim, conseguirem ganhar boas quantias de dinheiro.

Gostaria apenas que Angola, porque já tem vários exemplos de outros países, aprendesse com os erros já cometidos e que preservasse grande parte do que tem e que criasse, em zonas específicas, espaço para novos edíficios... Do que se vai vendo, creio que o crescimento vai ser igualmente anárquico...

Veremos...

segunda-feira, 8 de março de 2010

04 de Fevereiro – Dia Nacional do Esforço Armado – Hino “Angola Avante”

O Hino Nacional é “ANGOLA AVANTE”.

I
Oh Pátria nunca mais esqueceremos
Os heróis do 4 de Fevereiro
Oh Pátria nós saudamos os teus filhos
Tombados pela nossa independência

II
Honramos o passado a nossa história
Construindo no trabalho o homem novo
Honramos o passado a nossa história
Construindo no trabalho o homem novo

Refrão
Angola avante revolução
Pelo poder popular
Pátria unida, liberdade
Um só povo, uma só nação

III
Levantemos nossas vozes libertadas
Para glória dos povos africanos
Marchemos combatentes angolanos
Solidários com os povos oprimidos

IV
Orgulhosos lutaremos pela paz
Com as forças progressistas do mundo
Orgulhosos lutaremos pela paz
Com as forças progressistas do mundo

Refrão
Angola avante revolução
Pelo poder popular
Pátria unida, liberdade
Um só povo, uma só nação

Aqui fica uma versão mais "multimédia":

04 de Fevereiro – Feriado: Dia Nacional do Esforço Armado

Nota: A pesquisa e o texto foram elaborados pela minha metade (o tempo começa a faltar para me dedicar a este espaço que, cada vez, me dá mais prazer). O objectivo é dar ao blogue um cariz mais generalista para que o foco não seja apenas a minha visão da Terra Avermelhada. Fico a aguardar os vossos comentários e sugestões…

O feriado de 4 de Fevereiro representa uma data histórica para os angolanos, servindo para assinalar o dia que, atrevendo-me a dizer, representou o primeiro de uma nova época para o povo angolano, época essa que iria culminar muitos anos mais tarde.

A existência deste feriado e a sua denominação desencadeou a vontade de aprender um pouco mais sobre a história de Angola e como este blog não deve servir única e exclusivamente para dar notícias sobre o seu autor, aqui fica um pouco da história deste país onde actualmente resido, mais precisamente a partir do dia 4 de Fevereiro de 1961.


Os portugueses chegaram a Angola em 1482, e os conflitos contra a presença então instalada sempre existiram. A 4 de Fevereiro de 1961, perante a intransigência do Governo Português, presidido por Salazar, iniciou-se a luta pela independência nacional liderada pelos nacionalistas angolanos, começando assim a Guerra Colonial.

Nessa data, patriotas ligados ao MPLA, actual partido no poder, desencadearam um ataque contra a Cadeia de São Paulo e a Casa de Reclusão, em Luanda, dando início a Luta Armada que culminou com a proclamação da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975.

Segundo algumas fontes, no ataque deveriam participar duas mil e cem pessoas, mas as detenções efectuadas pela polícia política fiel ao então regime de Salazar nos dias anteriores à acção revolucionária, na sequência de denúncias, fizeram reduzir o número para pouco mais de 200 intervenientes.

A acção tinha como objectivo principal libertar os presos políticos angolanos que se encontravam encarcerados nas cadeias visadas, acusados pelas autoridades coloniais de actividades subversivas.

Segundo as informações disponíveis, os participantes no ataque treinavam durante a noite, na zona de Cacuaco, arredores de Luanda, e quando começaram a recear infiltrações de indivíduos ligados à polícia política portuguesa, mudaram-se para o Cazenga.

Neste último local foi erguido um monumento denominado "Marco Histórico do 4 de Fevereiro", inaugurado em 19 de Setembro de 2005, em homenagem aos heróis tombados pela causa da independência.

As fontes da época indicam que a escolha da data do ataque (4 de Fevereiro) está relacionado com o facto de se encontrarem em Luanda, na altura, jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada do paquete Santa Maria, assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um opositor do regime de Salazar.

Quando ficou claro que o navio não viria para Luanda e os jornalistas começariam a preparar-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora, e assim poderem chamar a atenção da comunidade internacional sobre a repressão que se vivia no país. A presença dos jornalistas garantiu assim a projecção mediática internacional do assalto dos nacionalistas angolanos.

Esta acção levou as autoridades fiéis ao regime de Salazar a enviar para Angola os primeiros contingentes militares destinados a reforçar os reduzidos efectivos até então destacados no território angolano.



Na sequência do ataque, a pressão da polícia política portuguesa aumentou e cresceram também as detenções entre os nacionalistas, originando a fuga de milhares de angolanos para as matas e países limítrofes, como a Zâmbia e o então Congo Leopoldoville, onde prosseguiram a luta pela independência do país.

Pouco tempo depois do assalto às cadeias em Luanda, o conflito alastrou-se às restantes colónias portuguesas em África.

A principal motivação do Movimento das Forças Armadas (MFA) era a oposição ao regime e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à guerra colonial, o que proporcionou as condições para a cedência da independência da Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Angola.

A Guerra da Independência de Angola (1961-1974), tornou-se uma luta de várias facções pelo controlo do País, com onze movimentos separatistas, acabando em 1975 quando o governo angolano, a UNITA, o MPLA e a FNLA assinaram o Acordo de Alvor, após a Revolução dos Cravos em Portugal do dia 25 de Abril de 1974. Quanto a posições exteriores assumidas durante a guerra, os grupos nacionalistas puderam contar principalmente com o apoio da República Democrática do Congo e Portugal com o apoio por parte da África do Sul.

Infelizmente, mesmo após a assinatura do Acordo de Alvor, Angola não conheceu de imediato a paz, devido a uma violenta e atroz guerra civil, que se arrastou até 2002, a 4 de Abril, data da assinatura dos Entendimentos de Paz e do acordo de cessar-fogo entre o Governo e a UNITA, dando origem a um novo feriado, denominado o Dia da Paz.

Link's gerais com conteúdos relacionados:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_de_Angola
http://www.embaixadadeangola.com.br/v2/index.php?option=com_content&view=article&id=81


E porque a Internet nos permite ver coisas que foram feitas/ditas/escritas ou apresentadas mesmo antes de nascermos aqui fica um complemento, da época, a este texto.
http://www.diariodaafrica.com/2010/02/independencia-dos-inimigos.html

quarta-feira, 3 de março de 2010

02 de Fevereiro – Novamente em África: Viagem a Malange

Perante a necessidade de integração de um dos novos elementos da equipa, ficou guardada para os dias 2 e 3 uma viagem a Malange.

Até esta altura eu ainda não tinha tido oportunidade de, profssionalmente, ir visitar outras províncias. Sendo esta uma altura oportuna aceitei o convite/desafio com todo o gosto.

O nosso sicerone era o colega que está responsável por todas as obras naquela província.

A saída ficou combinada para as 6 da manhã e foi a essa hora que partimos. Havia a necessidade de sair da cidade antes das 6.15 devido ao intenso trânsito que existe diariamente. Logo no inicio do percurso o nosso sicerone sugeriu que, à vinda, passássemos por alguns pontos “turísticos” para que ficássemos a conhecer e, logo naquele momento, o roteiro ficou perfeitamete traçado. O objectivo era ir por um percurso (Luanda – Dondo – Ndalatando – Cacuso – Lombe - Malange) e regressar por outro (Malange – Lombe - Calandula – Pungo Andongo – Dondo – Luanda).

Porquê? Para além dos percursos e paisagens, queríamos ver as “famosas” quedas de água de Calandula e as Pedras Negras de Pungo Andongo.

Partimos então em Direcção ao Dondo e senti, pela primeira vez, que estava a entrar na selva. No percurso para Benguela tinha passado por curtas extensões de selva mas agora, a dimensão era diferente.

Aqui ficam 3 fotografias que pretendem demonstrar a paisagem que acompanha o percurso. Mais uma vez as fotografias foram tiradas em andamento pelo que, algumas, não são perfeitamente nítidas…




Passámos então o “famoso Morro do Binda”. Um local que pela sua grande inclinação e curvas muito apertadas se torna um verdadeiro perigo para os condutores mais desatentos/descuidados e, por isso mesmo, se revela um grande cemitério de sucata. Aqui fica um excelente relato sobre este local, com direito a fotografias bem elucidativas: http://comicaginario.blogspot.com/

À passagem por este local muita sucata se vê. E para além de restos retrocidos de aço? Um camião totalmente atravessado na estrada com um jovem ao volante. “Foi mesmo agora” disse eu, enquanto o colega que conduzia o carro tentava apenas passar na “nesga de berma de estrada” que sobrava entre a vegetação e a traseira do camião. Depois de dizer isto ocorreu-me então que poderia já ter sido há algumas horas e que o jovem estava apenas ali, como sempre acontece com os carros acidentados, para “levar alguma coisa interessante para casa”.

Dois carros seguiam atrás de nós e em frente vinha outro. Ainda tímido acabei por não pedir para pararmos para registar o momento. Agora arrependo-me, como é óbvio mas, nada há a fazer… Umas centenas de metros mais à frente, após uma curva, um autocarro descia já a velocidade reduzida. O camião iniciou o seu despiste muito antes do local onde foi imobilizado e ramos e bocados de árvore estavam no chão. Informámos então o condutor do cenário que estava adiante e ele questionou “mas consigo passar?”. Não, não consegue, dissemos nós. Agradecido ele prosseguiu em frente com ar de desânimo de quem antecipa que vai ficar ali algumas horas até que consiga passar. Nós, em sentido contrário, prosseguimos a viagem em direcção a Malange…

Antes de Malange Ndalatando. E antes de Ndalatando uma “operação STOP”. Já sabíamos que iríamos parar, na melhor das hipóteses, uma vez. Esta foi caricata. O agente mandou-nos encostar e pediu os documentos. Depois de os ter na mão foi até à traseira do carro e ali ficou cerca de dois minutos. Pelo retrovisor tentava perceber o que ele fazia proque pegava na carta, depois no papel do seguro, depois no livrete em apenas breves segundos. Dirigiu-se então para perto do condutor e ali permaneceu mais algum tempo. Sinceramente já estava com alguma vontade de rir mas, passado algum tempo quase não aguentava. Perguntou ao meu colega, apontando para a carta de condução, “o que é?”. O meu colega explica então “Data de emissão: XX-XX-1998. É quando foi emitida” (Como é óbvio, se o agente perguntou o que era não ficou a perceber com o “é quando foi emitida” mas…) e depois prosseguiu “Válida até 07-02-2022, ou seja, é válida ainda mais 12 anos”.

Perante aquele cenário tive alguma dificuldade em conter-me mas teve que ser…

Contente e perfeitamente elucidado, simpaticamente, o agente agradeceu e desejou-nos uma boa viagem. Um balanço positivo da primeira paragem porque, para além da perda dos minutos de paragem ganhámos então mais uma estória para contar.

Uns bons km’s mais à frente a chegada a Ndalatando. Pelo que tinha ouvido falar pensei que seria já “uma cidade” com visíveis sinais de desenvolvimento. Por isso mesmo a minha surpresa quando, vendo este cenário, o meu colega disse “chegámos a Ndalatando”.


Do outro lado da estrada em que parámos um colorido “estabelecimento comercial”.


E, prosseguindo viagem em direcção ao centro de Ndalatando, fomos então vendo as habitações da zona periférica da cidade.




De Ndalatando em direcção a Malange mais paisagens distintas das que vi por estas terras até ao momento. Uma paisagem muito mais verde e, desta feita, com vegetação de menor porte. Aqui fica uma ilustração de uma parte significativa do percurso


Enquanto “devorávamos km’s” mais uma operação de STOP. Tinhamos sido alertados para que “mesmo que estivesse tudo em ordem, seriamos sempre abordados a “contribuir”” e aqui estava o exemplo. Depois de verificados os documentos (sabe-se lá com rigor, apesar de termos a certeza que tudo estava correcto), o pedido para mostrar o triângulo e, depois de o ver, então uma conversa amiga no sentido de “ajudar a malta”. Assim fizemos e prosseguimos o caminho.

A 20 km da entrada de Malange novamenet um polícia a fazer sinal para pararmos. De imediato começámos a comentar “Outra vez?”, “Não chegava já?”, “3 operações na mesma viagem?” e só depois percebemos que o sr. Estava a pedir boleia… É verdade… O agente queria boleia para chegar a Malange. Ele tinha sido deixado ali de manhã (com este calor abrasador), fez o seu trabalho de patrulha, e agora, perto da hora de almoço, teria que providenciar boleia para voltar novamente à esquadra. Foi mais um momento de alegria e risota e prosseguimos em direcção a Malange, agora com 4 “tripulantes” no nosso “navio”.

Depois de fazermos uma visita às obras, e antes da hora do jantar, o “descanso dos guerreiros”. Já estávamos em movimento quase há 12 horas e a tarde ainda estava quase a meio. Fomos então dormir um pouco.

Uma vista geral do meu quarto:


Um pormenor da “minha secretária”:

(os mais atentos dirão que é painel de cofragem… É verdade… É mesmo painel de cofragem)

Amanhã será a viagem de regresso com visita de alguns pontos turísticos… Confesso que tenho alguma ansiedade por iniciar a viagem. Veremos se à chegada a Luanda estou desiludido…

28 de Janeiro – Uma música e uma recordação

Para além das descrições que tenho feito, outras recordações vão ficando registadas na memória.

Partilho a primeira música local que me ficou na cabeça… Nas primeiras noites em que vivi a “noite luandense”, estava sempre presente uma música. Inicialmente não “me dizia nada” mas, nas últimas noites antes de 24 de Novembro, dei por mim a cantar “Só se eu for doida” no caminho de regresso a casa.

Hoje percebo que esta será uma eterna recordação de Angola…

Por isso mesmo partilho essa eterna recordação. Afinal de contas não há amor como o primeiro.

Título: Só se eu for doida
Interprete: Pérola

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